20 coisas que os turistas fazem e todos os lisboetas devem experimentar

Se inventaram salsichas de soja e há quem coma bifanas de seitã, por que é que os alfacinhas não podem armar-se em bifes? Damos-lhe duas mãos cheias de sugestões de coisas que os turistas fazem e todos os lisboetas devem experimentar.

Fotografia: Arlindo Camacho

Não se deixe intimidar pelo som dos trolleys na calçada nem pelas longas filas à porta de variados monumentos. A verdade é que Lisboa é uma cidade incrível, e se os conselhos dos locais ajudam a experiência dos forasteiros, também se aplica a regra de que muitas vezes são os estrangeiros quem mais e melhor desfruta da cidade que é sua, uma das mais estimulantes na Europa. A parte mais incrível de todo este processo é que se há milhares de turistas mortinhos por apanhar o avião e visitar Lisboa, você aí desse lado só tem de apanhar o elevador para imitar o que eles fazem por cá, e que vale mesmo a pena.

Partilhamos algumas experiências turísticas imperdíveis mesmo para alfacinhas. Ah, e como não bastasse, ainda lhe sugerimos que aproveite todas as vantagens do Time Out Lisboa Card.

Recomendado: As melhores coisas para fazer em Lisboa esta semana

20 coisas que os turistas fazem e todos os lisboetas devem experimentar

1

Conhecer por dentro o Palácio Foz

Existem visitas guiadas a este palácio nos Restauradores e existem muitas pessoas interessadas. Daí que exista também muitas vezes a palavra “Esgotado” junto a cada anúncio de uma nova data. Quem quiser bisbilhotar o interior deste edifício tem de marcar com antecedência uma das visitas, justificando-se a consulta regular do site. É que a programação inclui concertos, apresentações e outros eventos.

+ As melhores coisas para fazer nos palácios em Lisboa 

Santa Maria Maior
2

Ir às compras na Livraria Ferin

A Lello & Irmão, no Porto, domina os tops das livrarias mais bonitas do mundo. Com toda a justiça. Lisboa parece contentar-se com a Bertrand, a mais antiga em actividade neste planeta, mas há duas outras lojas de livros a chamar a atenção de quem nos visita: a livraria Simão, nas escadinhas de São Cristóvão, que diz ser a mais pequena do mundo; e a centenária Ferin. Fundada em 1840, é a segunda livraria mais antiga do país e um paraíso para bibliófilos e outros viciados em papel impresso. A Ferin era até há pouco tempo uma livraria especializada em livros de arte, história, política, genealogia, heráldica e literatura francesa. Mas em Abril de 2017 mudou de mãos – foi comprada por José Pinho, da livraria Ler Devagar – e renovou-se.

+ Roteiro de livrarias independentes em Lisboa

Chiado
Publicidade
3

Visitar o Panteão Nacional

Curiosidade: 84% dos visitantes dos Monumentos Nacionais são estrangeiros (dados de 2016). O Mosteiros dos Jerónimos é o recordista, com mais de um milhão de visitas, mas o terceiro mais procurado em Lisboa é o Panteão Nacional – logo atrás da Torre de Belém. O edifício, que resulta das famosíssimas obras de Santa Engrácia, está mesmo no centro da cidade e é a última morada de uma série de portugueses célebres.

Se calhar está na altura de ir dizer olá a Amália, Eusébio, Almeida Garrett ou Humberto Delgado. Se a vida lhe correr bem – mas mesmo muito bem – quem sabe se um dia não vai ser vizinho deles. No zimbório há uma das melhores (e mais negligenciadas) vistas de Lisboa. Diga lá, qual foi a última vez que foi a um zimbório? 

+ Atracções em Lisboa

São Vicente 
4

Fazer a coisa menos sexy do mundo no WC mais sexy do mundo

Esta casa de banho no Terreiro do Paço já foi eleita pelos leitores do The Guardian como um dos lugares a não perder em Lisboa. E quem somos nós para discordar? Somos a Time Out. E discordaríamos se nunca tivéssemos estado aflitos num país estrangeiro, a tentar perguntar onde fica o WC através de mímica e grunhidos. Esta casa de banho é – como dizer? – uma casa de banho. Uma retrete pública onde se pagam 50 cêntimos e se pode escolher a cor do rolo de papel higiénico. “Parece uma instalação de arte”, diz uma leitora do TheGuardian. Parece-nos um exagero, cara senhora. Mas entendemos o que quer dizer: uma pessoa, depois de se aliviar em conforto, é dada a hipérboles.

+ As casas de banho onde tem de entrar quando sair à noite em Lisboa

Publicidade
5

Conhecer as Ruínas e o Museu Arqueológico do Carmo

As ruínas e o museu do Largo do Carmo correram o mundo depois de ter sido descoberto nas escavações um teratoma, isto é, um raríssimo tumor com dentes e fragmentos de osso. Esta novidade tétrica não está à vista dos mais curiosos, mas há coisas igualmente interessantes – e menos agoniantes. Para além das ruínas da igreja derrubada pelo terramoto de 1755 (sim, quando caiu o Carmo e a Trindade) é possível visitar um museu com um ecléctico acervo arqueológico. 

+ 19 experiências imperdíveis nos museus de Lisboa

Chiado
6

Beber um copo no Solar do Vinho do Porto

É uma espécie de embaixada da segunda maior cidade portuguesa e um ponto de paragem obrigatório para os turistas que querem sentir que foram ao Porto, sem terem de ir ao Porto. Há guias que ignoram as cambiantes gastrogeográficas do nosso país e colocam uma visita ao solar ao mesmo nível de uma ida aos pastéis de Belém. Vamos lá com calma, não é bem assim. Mas uma visita ao Solar vale a pena não só pela enorme selecção de vinhos do Porto mas também pelo interior muito bem preservado do antigo Palácio Ludovice, um edifício do século XVIII desenhado pelo mesmo senhor que tratou do Convento de Mafra.

Bairro Alto
Publicidade
7

Escapar do Escape Hunt Lisboa

Os escape games já não são novidade em Lisboa, mas este foi um dos primeiros e permanece o mais bem cotado de todos. Faz parte de uma cadeia internacional de Escape Games, o que torna a marca reconhecida pelos turistas. À boa fama junta excelentes desafios e a melhor decoração dos escape games de Lisboa – acredite, já experimentámos mais de uma dezena. Neste momento há três salas onde se pode trancar: uma dedicada a Fernando Pessoa, outra ao Terramoto de 1755 e uma terceira sobre Sociedades Secretas. É a diversão mais bem cotada da cidade no site Tripadvisor e convém reservar com alguma antecedência.

+ Escape Rooms em Lisboa. Acha que consegue sair daqui?

Baixa Pombalina
8

Descer ao Reservatório da Patriarcal

Se calhar nunca esteve nesta galeria subterrânea, mas de certeza que já lá pôs os pés. De certeza que já a pisou. O Reservatório da Patriarcal fica por baixo do jardim do Príncipe Real. Construído entre 1860 e 1864 para servir a rede de distribuição de água da cidade de Lisboa, tem um reservatório protegido por 31 pilares e um tecto abobadado. Está desactivado desde os anos 40 e pode ser visitado através do Museu da Água ou durante um dos espectáculos que decorre por lá.

Princípe Real
Publicidade
9

Entrar na Igreja de São Roque

Quantas vezes não passámos por ela sem lhe ligar. Desatentos, com aquela arrogância de quem está aborrecido de coisas belas. Mas a belíssima Igreja de São Roque está no top das atracções do guia Lonely Planet – que elogia o seu “dazzling interior” – e é um ponto de paragem obrigatório para crentes e não crentes. Um dia, com mais tempo, dê uma espreitadela e surpreenda-se com um dos templos mais ricamente decorados da cidade – está a ver o Vaticano? É já ali como quem vai para o Bairro Alto. Se gosta de relicários há ainda uma bela colecção de pedaços de santos. E o museu é uma visita obrigatória para quem gosta de arte sacra.

+ Igrejas em Lisboa que tem mesmo de visitar

Chiado
10

Ver a cabeça de Diogo Alves

Apesar de estar preservado em formol, o pickle humano da Faculdade de Medicina viralizou. Sites como Atlas Obscura, Wired ou Dangerous Minds partilharam a foto e a história de Diogo Alves, dando ao assassino do Aqueduto das Águas Livres fama internacional – nas redes, várias pessoas fizeram notar as semelhanças do primeiro serial killer português com Thom Yorke, vocalista dos Radiohead, no videoclip da canção “No Surprises”. A cabeça decepada está no Teatro Anatómico da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

+ Os cinco museus mais estranhos de Lisboa

Campo Grande/Entrecampos/Alvalade
Publicidade
11

Fazer compras no Depósito da Marinha Grande

Está em vários guias como um sítio obrigatório e no entanto quantos de nós não passamos pela montra do número 418 na Rua de São Bento sem nos determos? Se calhar é um sítio tão familiar que se tornou invisível, como o quadro da nossa sala de estar ou o aperto de mão do tio Germano, a quem faltam dois dedos. A loja do Depósito da Marinha Grande tem das mais icónicas criações da fábrica centenária, copos, frascos, garrafas, objectos de decoração, candeeiros e até material de laboratório. É, também, o pior sítio de sempre para levar aquele amigo desajeitado – ou jogar ao “apanha” com o tio Germano.

Chiado/Cais do Sodré
12

Provar o pastel de nata do Martinho da Arcada

Esqueça os Pastéis de Belém, que dominam as listas dos melhores de Lisboa, ou os da Aloma, que registaram o domínio omelhorpasteldenatadelisboa.com. O Martinho da Arcada vive muito da clientela estrangeira e da mitologia pessoana (ainda lá está a mesa do poeta), mas tem um pastel que rivaliza com os melhores de Lisboa. É servido no pequeno café ao lado do restaurante e custa 1€.

+ Os melhores pastéis de nata em Lisboa

Santa Maria Maior
Publicidade
13

Ver o pôr-do-sol no The Keep

Vá até ao número 74 da Costa do Castelo e toque à campainha. Depois de subir as escadas em caracol vai chegar a um dos terraços com melhor vista para Lisboa. O The Keep é um hostel  – chamam-lhe “sleep boutique” – onde antes ficava uma pensão chamada Ninho das Águias: é o edifício verde junto ao castelo com a torre tipo Rapunzel que sempre nos interrogámos o que seria. É um poiso frequente para turistas, empoleirados nas varandas e nos patamares. 

Castelo de São Jorge
14

Provar os acepipes da Manteigaria Silva

É uma imagem comum nos meses mais quentes: um grupo de turistas especado em frente à Manteigaria Silva enquanto um guia explica o que são cada um dos produtos expostos, como se fosse um episódio ao ar livre da Rua Sésamo. “Isto é um bacalhau, vem da Noruega”. Percebe-se porquê. A Manteigaria é uma loja-museu com tudo o que há de bom para beber e mastigar em Portugal. Fundada em 1956, é uma das últimas mercearias finas da Baixa e apesar de não fazer parte do roteiro de compras dos lisboetas vale uma visita.

+ As melhores mercearias em Lisboa

Santa Maria Maior
Publicidade
15

Ficar na Esplanada do Castelo de S. Jorge

Poderá ser este o motivo para a re-reconquista de Lisboa? Sabemos bem que o Castelo e áreas circundantes estão ocupadas por autocarros de turismo e pessoas que têm no armário mais do que um panamá, para quando o outro está a lavar. Mas a esplanada do Castelo de S. Jorge merece ser descoberta assim como um dos monumentos mais emblemáticos da cidade. A entrada é gratuita para os lisboetas – basta levar um comprovativo – e a vista e o serviço vão fazê-lo perceber por que é que Martim Moniz se quis entalar naquelas portas.

Castelo de São Jorge
16
Subir ao Terraço da Basílica da Estrela

Subir ao Terraço da Basílica da Estrela

O guia Lonely Planet fez as contas: são 112 degraus até uma “vista de longo alcance sobre Lisboa”. De lá de cima vê-se o Jardim da Estrela, a Lapa, o Tejo e um ou outro pombo que vai olhar para si e pensar “quem é este?”. É que o terraço da Real Basílica da Estrela não é assim tão frequentado. Talvez por causa dos 112 degraus ou dos 4€ que custa o bilhete que lhe dá acesso. Das 10.00 às 18.30, encerra às segundas.

Publicidade
17
Visitar uma das livrarias mais pequenas do mundo

Visitar uma das livrarias mais pequenas do mundo

É o pior sítio da cidade para procurar livros sobre claustrofobia. A minúscula Livraria do Simão, nas Escadinhas de São Cristóvão, tem apenas 3,80 metros quadrados, com cada centímetro ocupado por livros. Só cabe lá dentro uma pessoa de cada vez mas vale a pena pesquisar esta belíssima coleção de livros raros de autores portugueses e estrangeiros. Aberta em 2008 no lugar de uma tabacaria, está em vários guias turísticos como uma das atracções mais insólitas da capital.

18

Ir à Casa dos Gessos

Não tem vagar para ir ao Terreiro do Paço ver a estátua de S. José I? Felizmente pode ver o molde em gesso a partir do qual se fez o rei e o cavalo num sítio coberto e com ar condicionado. A Casa dos Gessos pertence ao Museu Militar e para além da mítica obra de Joaquim Machado de Castro tem o molde das estátuas de Sousa Martins (a do Campo Mártires da Pátria) ou Afonso de Albuquerque (da Praça do Império) num total de 12 figuras. A Casa dos Gessos pode ser visitada apenas à quarta-feira de manhã (10.00-13.00) e quinta-feira à tarde (14.00-17.00). Entrada gratuita.

São Vicente 
Publicidade
19
Tirar uma foto no melhor “jardim” de Lisboa

Tirar uma foto no melhor “jardim” de Lisboa

É um pagode para qualquer turista que fale português: Jardim das Pichas Murchas. Os guias turísticos a caminho do Castelo fazem aqui um pit stop para risinhos nervosos e fotografias. E há ainda quem se atreva a traduzir para inglês o significado da placa. Mas vamos à história: o jardim, que na verdade é um largo, foi baptizado pelo calceteiro Carlos Vinagre porque era o sítio onde os cidadãos séniores do bairro se sentava a praticar a sua desocupação. A placa foi colocada por brincadeira, a Junta não gostou e mandou tirar, mas a vontade da população foi mais forte e o nome mantém-se para gáudio de locais e turistas. O “jardim” fica no cruzamento da Rua de S. Tomé com a Rua do Salvador.

+ As ruas com nomes mais estranhos em Lisboa

20
Visitar o Cemitério dos Prazeres

Visitar o Cemitério dos Prazeres

Não é visto como uma atracção turística pelos locais e percebe-se porquê: é muito provável que todas as visitas a este sítio sejam pelo pior dos motivos. Mas o que leva os turistas ao cemitério dos prazeres? Aqui estão alguns dos melhores exemplos de arte fúnebre e os edifícios mais curiosos de Lisboa, como o mausoléu dos Duques de Palmela, uma pirâmide de inspiração maçónica onde estão sepultadas mais de 200 pessoas. Tem ainda uma vista privilegiada para o Tejo e uma das maiores concentrações de ciprestes da Europa. Há visitas guiadas, essenciais para descodificar as centenas de histórias do cemitério (por marcação 213 912 699) e um museu na capela.

Publicidade

Arme-se em turista

Os melhores museus em Lisboa

Edifícios relativamente novos, com linhas que são uma perdição para a fotografia, e clássicos da cidade que patrocinam autênticas viagens no tempo. Destaque-se ainda os inúmeros e regulares workshops e eventos que promovem para adultos e crianças, ou mesmo as cafetarias e brunches que também são pequenas obras de arte. Deixamo-lo com uma visita guiada aos melhores museus em Lisboa, dando razões para redescobrir endereços obrigatórios e ideias para explorar colecções surpreendentes. 

Por Editores da Time Out Lisboa

52 atracções em Lisboa

Nota prévia: esta é uma lista que tem tudo para crescer em tamanho, não fosse Lisboa uma das melhores cidades do mundo e arredores. Não encare portanto estas paragens como um guia definitivo mas antes como um aperitivo para todas aquelas propostas que ficaram de fora (por agora) deste nosso menu. Opte por calçado confortável e venha daí.  

Por Maria Ramos Silva
Publicidade

Museus em Lisboa: as obras de arte que tem mesmo de ver

Conhece as propriedas do pó de múmia? E o nome da imagem do arcanjo que seguiu nas naus portuguesas em jeito de protecção? Não imagina as histórias que guardam os museus em Lisboa, com peças para todos os gostos. É obrigatório conhecer estas obras de arte.  

Por Mauro Gonçalves

Comentários

1 comments
Alexandra V tastemaker

Visitar o cemitério dos Prazeres sem acompanhamento vale a pena, mas mais vale se formos com uma pesquisa em livros ou na net feita sobre os jazigos ou numa visita guiada. 
É impressionante pela positiva as memórias das personalidades e estátuas que lá se encontram.