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Museus em Lisboa: as obras de arte que tem mesmo de ver
Do retrato de Fernando Pessoa à capa do LP de um então novíssimo Camané. Da custódia de Belém à Taça Iogurte ganha pelo Benfica. Eis uma série de obras de arte de visita obrigatória
Conhece as propriedas do pó de múmia? E o nome da imagem do arcanjo que seguiu nas naus portuguesas em jeito de protecção? Acha que os cravos são (apenas) flores? Está preparado para atender um lavagante? Ok, chega de perguntas que só adiam ainda mais a satisfação da sua curiosidade. Se não faz ideia do que tem andado a perder nos museus em Lisboa, já por si repletos de experiências imperdíveis, nós recenseamos a matéria e oferecemos um bússula segura. Os acervos enchem-se de autênticas pérolas com peças para todos os gostos, e nada como um breve roteiro para não se perder nos melhores corredores da cidade. É obrigatório conhecer estas obras de arte.
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Museus em Lisboa: as obras de arte que tem mesmo de ver
A Nota de Alves dos Reis
A cara é a de Vasco da Gama, mas quem ficou conhecido foi o burlão que, em 1925, conseguiu que um estampador inglês falsificasse centenas de milhar de notas de 500 escudos. O capital foi usado para fundar o Banco de Angola e Metrópole e até para comprar acções do Banco de Portugal. As notas ficaram também conhecidas como camarões, porque para disfarçar o cheiro a tinta, foram banhadas com ácido cítrico. O escândalo rebentou em Dezembro de 1925 e entrou para a lista das maiores burlas que Portugal já viu.
O Auto-retrato de Manuel João Vieira
Que outro artista português se faria representar por uma cartola encavalitada num guarda-rios embalsamado, encavalitado numa jukebok dos anos 50, encavalitada numa mesa de ferro forjado com uma fotografia de uma vagina no tampo? Disse Manuel João Vieira? Acertou. A jukebox, à vista no MAAT, pertencia ao pai do artista.
O fato de Dina Aguiar
Num museu que transborda tecnologia, em Sintra, (para uma breve escala fora de Lisboa) voltámos aos básicos. Se bem que, de básico, este conjuntinho usado por Dina Aguiar para apresentar o Telejornal, algures nos anos 80, não tem nada. A verdade é que se o usasse hoje na rua, ninguém ia estranhar. Confira o figurino no Newsmuseum.
A "Resistência" de Júlio Pomar
A obra é de 1942 e coincide com o período em que Pomar esteve preso durante quatro meses, tendo as suas criações um cunho marcadamente político. Por doação do artista, pertence à Colecção do Museu de Lisboa e encontra-se em depósito no Atelier-Museu Júlio Pomar.
Os Painéis de São Vicente
É mais o que não sabemos do que aquilo que sabemos sobre os famosos painéis. O restauro de 1910 dá origem à publicação da primeira grande obra de análise desta peça icónica, feita pelo primeiro director do Museu Nacional de Arte Antiga, onde encontra este célebre exemplar. José de Figueiredo relaciona-a com o pintor régio de Afonso V, Nuno Gonçalves, e com o retábulo de São Vicente, da Sé de Lisboa.
A Taça Simpatia Iogurte - Lisboa do Benfica
Uma pausa no Museu Cosme Damião. Sabia que em 1960 o Benfica foi campeão nacional de actividades submarinas? E que em 1918 o Benfica recebeu a visita do tenor lírico Tito Schipa? Bom, e esta taça Simpatia Iogurte - Lisboa, conquistada depois de votação popular, que elegeu "o clube mais querido"? A peça de ourivesaria foi entregue a Mário Coluna num jogo ganho ao Futebol Clube do Porto em 1966. Tinha o valor de 100 mil escudos e autoria de Filipe José Bandeira.
O White Aphrodisiac Telephone
Primeira paragem: Museu Berardo. Foi naquele jantar básico dado pelo afilhado do rei de Inglaterra que, de repente, todos os convidados decidiram que era boa ideia desatarem a arremessar comida em todas as direcções. Só lhes podemos agradecer. Dalí estava entre eles e fez-se-lhe luz quando um lavagante caiu em cheio em cima de um telefone. O sucesso não foi imediato. A peça foi apresentada em 1936, em Nova Iorque, mas acabou por não ser seleccionada para a primeira grande exposição de surrealismo, em Paris. Mais tarde e com o patrocínio do anfitrião do jantar onde tudo começou, foram produzidos dez telefones – quatro pretos, com o bicho na sua cor original, e seis brancos. Um deles pertence à Colecção Berardo desde 1999.
O Retrato de Fernando Pessoa
Afinal, quantos quadros de Fernando Pessoa à secretária pintou Almada? Dois. Depois da primeira versão, em 1954, para o restaurante Irmãos Unidos, a Gulbenkian, onde mora este quadro, encomendou uma segunda pintura, passados dez anos.
A Maquete de Lisboa anterior ao terramoto de 1755
De Alcântara a Santa Apolónia são uns centímetros de distância, mas só mesmo nesta maquete de 1955, que continua a ser o ex-líbris do Museu da Cidade. Para impressionar os amigos mostre despercebidamente que sabe quantas placas de madeira estão na base da maquete. São 17.
O Retrato de Helena Fourment
O retrato da segunda mulher de Rubens passou por muitas mãos ilustres, antes de chegar às do senhor Gulbenkian, em 1930. Hoje repousa no museu da Avenida de Berna. Pertenceu a Sir Robert Walpole, primeiro-ministro britânico e ainda à imperatriz Catarina II, da Rússia. Para impressionar os amigos conte-lhes, em tom de coscuvilhice, que Rubens casou com Helena quando tinha 53 anos. Ela tinha 16.
A Cabeça de Amadeo
É uma das quatro cabeças de Amadeo de Souza-Cardoso na colecção do Museu do Chiado e uma das seis pinturas do acervo de arte contemporânea. Além destas, só há mais seis estudos do artista. Sabe porque motivo o museu tem tão poucas obras de Amadeo na colecção? A culpa é de Eduardo Malta, o director que, por razões ideológicas, se recusou a comprar mais peças do autor.
O LP de Camané
O primeiro álbum de Camané foi gravado em 1981, quando o fadista tinha apenas 14 anos. A meninice está boa de comprovar pela capa, o cabelo giro também. António Chainho produziu e ainda acompanhou à guitarra. Se tiver dois minutos, dê um salto ao YouTube e ouça a música “A Minha Miúda”. Confira esta pérola no Museu do Fado.
As Marionetas de Água do Vitname
Marionetas e água na mesma frase? Avance sem receios. Estas são exclusivas do Vietname, chamam-se Roi Nuoc, e movem-se na água, sim. Para sermos mais rigorosos, são manipuladas atrás de uma cortina de bambu. Tradicionalmente, as exibições destas peças aconteciam nos arrozais e estavam ligadas aos ciclos agrários. Procure-as no Museu da Marioneta.
O Retrato de Amália
Entre obras de Maluda, Cesariny, Escada, Pedro Leitão, Eduardo Malta, Palolo ou Cargaleiro, a escolha nunca seria fácil. Mas o destaque vai para o quadro do pintor retratista Pinto Coelho (1942-2001), que em 1990 imortalizou a diva do fado, então já na casa dos 70 anos.
A Adoração dos Magos de Sequeira
Aderente à revolução de 1820, Sequeira, “primeiro pintor moderno, ou último dos antigos”, pinta um conjunto de quatro pinturas no fim de vida, em Roma, onde estava exilado. Graças a uma inédita campanha de angariação de fundos, o Sequeira veio para o seu lugar: a parede do MNAA.
O vinocolorímetro
Decore o longo nome de um só trago. O vinocolorímetro foi desenvolvido na década de 1880 para determinar o tom e a intensidade da cor dos vinhos tintos, brancos, brandy e licores. Inclui um cartão com uma escala cromática definida pelo químico Michel Eugène Chevreul, e um colorímetro num suporte com duas lunetas. Falta-lhe apenas o tubo cónico para a proteção da luz exterior.
A Mesa Posta no Museu Bordalo Pinheiro
Parece um pratinho, mas é um pratão. Produzido na Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha, mesmo no final do século XIX, tem um metro e meio de diâmetro e os relevos representam uma espécie de pirâmide alimentar, mas redonda.
A Cabeça de grande Antílope
Numu Jon Diarra de Nienou assina esta cabeça de grande antílope cavalo, que pertence a um conjunto de 50 máscaras e marionetas provenientes do Mali. Os objectos foram adquiridos por Francisco Capelo a Sónia e Albert Loeb, tendo em vista a sua doação ao Museu Nacional de Etnologia, concretizada em 2004.
O frontal com cena do Apocalipse
Prata branca, bronze dourado, lápis lazúli, para um resultado que nos devolve ao intervalo 1744-1750 . No âmbito do núcleo do tesouro da Capela de São João Baptista, do Museu de São Roque, destaca-se esta peça, da autoria do ourives Antonio Arrighi, um dos artistas que, na área da ourivesaria, mais trabalha para Portugal durante o reinado de D. João V.
O contador da Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves
Casquinha, carvalho, ébano, osso e tartaruga, pintura acharoada a ouro e negro e a óleo sobre cobre. De Antuérpia, da segunda metade do século XVII, chega esta guardiã de documentos, moedas, jóias e uma série de segredos.
As Tentações de Santo Antão
Se há obra responsável por romarias é esta. É também, pasme-se, ou não, aquela que mais permanece na memória das crianças. Neste tríptico, o holandês Hieronymus Bosch representa Santo Antão, o primeiro eremita, estabelecendo um impressionante paralelo entre as tentações que o assombram e as provações de Cristo.
A Custódia de Belém
De regresso da Índia, Vasco da Gama traz consigo 1500 moedas de ouro oferecidas pelo rei de Kilwa. Em 1506, Gil Vicente, “senhor da escrita e da balança” (sim, esse mesmo) converte-as nesta peça magistral de tributo a D. Manuel I, evocado nas seis esferas armilares. Mensagem? Deus no céu, o rei na terra.
A cómoda de Pessoa
Segundo conta o poeta ao amigo Adolfo Casais Monteiro, terá sido sobre esta cómoda, hoje instalada na Casa Fernando Pessoa, que escreveu certa noite os primeiros poemas de cada um dos principais heterónimos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos. “Escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir”, confessou Pessoa em 1914.
O Retrato de D. Maria Pia
Venha daí até ao Palácio da Ajuda. Numa época em que os gastos de D. Maria Pia eram fortemente criticados, a rainha fez-se retratar despojada das jóias e indumentária normais para um retrato real, mantendo apenas na farda, composta pelo vestido branco e o manto azul, os botões de brilhantes e, na mão esquerda, um singelo anel. A obra foi executada por Carolus Duran, em 1880, quando veio a Lisboa, chamado pela 3ª duquesa de Palmela
O "Atelier, Lisbonne", de Vieira da Silva
Um emblemático óleo feito entre Lisboa e Paris (onde Maria Helena Vieira da Silva vivia). Em solo da capital, a base de trabalho foi o atelier do Alto de São Francisco, onde a pintora e Arpad Szenes passaram um longo período, entre 1935 e 1936. O problema do espaço é objecto de estudo ao longo de toda a sua trajectória. A história passa pelo Museu Arpad Azenes-Vieira da Silva.
Os Coches Triunfais
Não um, não dois, mas três, os coches que fizeram parte do cortejo da Embaixada enviada por D. João V ao Papa Clemente XI, no dia 8 de Julho de 1716. Testemunho do barroco italiano, são decorados com grupos escultóricos monumentais que representam as façanhas portuguesas durante a época dos Descobrimentos. Claro que estão no Museu dos Coches, não os procure mais.
O Fragmento de Missal do século XVI
Espécimes como este são verdadeiras flores de estufa. A fragilidade obriga a que sejam expostos apenas durante três ou quatro meses para, depois disso, regressarem ao sossego das reservas. Este foi feito pelo papa Pio V e era usado na Capela Sistina. Ainda por cima, foi o próprio Gulbenkian a comprar o fragmento, em 1925, num leilão da Sotheby’s, em Londres. Abençoado seja.
Os Sapatos Manchu
Estes são só para peças de teatro, mas eram os favoritos das mulheres Manchu. São desconfortáveis e dificultam a locomoção, mas o objectivo era mesmo esse: recordar o tempo em que os pés das mulheres não podiam exceder os dez centímetros. Era sexy e um sinal de riqueza. Andam pelo Museu do Oriente.
O Sarcófago de Irtierut
Por que motivo está esta figura de um sarcófago egípcio no Museu da Farmácia? Desde o século XVI que o “pó de múmia”, com o seu poder curativo místico, marcou presença nas boticas europeias. Diz-se que devia ser aplicado na pele ou misturado na comida ou na bebida.
As múmias
Uma jovem e um jovem protegidos pelo vidro. Falamos de múmias, que deram entrada na colecção do Museu Arqueológico do Carmo em finais do século XIX, pela mão daquele que viria a ser o segundo presidente do museu, o Conde de São Januário. “São múmias naturais, não houve qualquer intervenção para as mumificar, provenientes de uma tribo de índios da América do Sul, durante o século XVI. O ritual de enterramento era colocar os corpos na posição fetal, embrulhar os corpos nos tecidos da tribo, abrir um buraco e enterrar o corpo. Foram descobertas por acaso. Como o solo era tão árido, na ausência de água e humidade o corpo não se decompõe naturalmente. Ficaram assim”, descreve Rita Pires dos Santos, do Serviço Educativo.
O Transporte Aéreo de Maria Keil
Pintora, ilustradora, decoradora de interiores, ceramista, designer de mobiliário, cenógrafa, figurinista, autora de tapeçarias e de composições em azulejo. Em 1942, Maria Keil do Amaral retrata o transporte aéreo de correspondência, numa peça que integra a exposição permanente “Vencer a Distância – Cinco Séculos de Comunicações em Portugal”. Vale a visita ao Museu das Comunicações.
Os cravos do Museu da Música
São cravos, senhores, e ainda por cima dão som. Estes dois, em particular, foram restaurados e intervencionados para florir de novo no Museu da Música. O cravo Antunes de 1789, praticamente desconhecido do público, e o cravo Taskin, de 1782, são dois mobilizadores de atenções na zona do Alto dos Moinhos. Taskin está já classificado como Tesouro Nacional, e Antunes seguirá pelo mesmo caminho.
O Violoncelo Chevillard – Rei de Portugal
Este belo instrumento preservado no Museu da Música é um Tesouro Nacional e os motivos são três: foi construído em 1725 por Antonio Stradivari (o único em Portugal), pertenceu ao famoso violoncelista belga Pierre Chevillard e, já depois disso, passou para as mãos do rei D. Luís, que os coleccionava e tocava.
A Mesa de quatro tampos
Parece um daqueles esquemas de montagem fácil da Ikea, mas esta mesa foi feita por marceneiros portugueses no século XVIII. É uma obra de engenharia notável, um verdadeiro quatro em um, presente na Casa Medeiros e Almeida.
O eléctrico 283 da Carris
Saiba que os Eléctricos da Companhia de Carris de Ferro de Lisboa chegaram à capital em 1901, importados dos EUA. Este entrou ao serviço um ano depois, passou a carro de instrução na década de 50 e saiu de funções 10 anos mais tarde. É este o cartão de visita do 283, o único exemplar existente dos carros abertos que no início do século equiparam a frota da Companhia Carris. Entrou na série "Equador".
Mais museus em Lisboa
Museus e galerias em Santos
Galerias de arte contemporânea escondidas, instalações em montras, programas para miúdos e graúdos e uma nova mediateca onde pode treinar o seu francês. Aqui na zona ninguém se aborrece. Tem o aclamado Museu de Arte Antiga, onde pode encontrar o famoso tríptico de Bosch, mas também pode passar para o outro lado da rua e entrar na Wozen, uma residência artística com direito a exposições e actividades para todos. Pelo meio, há mais uma mão cheia de galerias que tem mesmo de visitar no bairro de Santos.
Dez museus a não perder em Belém e arredores
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É uma grande injustiça dizer que a palavra museu cheira a mofo. Mas se começou por arrastar os miúdos para uma exposição interminável que só interessou aos pais... é bem possível que o programa enfrente alguma resistência. Não desanime. Fomos à procura dos melhores museus para crianças em Lisboa. Para ir ao passado e ao futuro, sem sair do presente.
19 experiências imperdíveis nos museus em Lisboa
Não fique a admirar estas actividades como se fossem quadros na parede. O conjunto de experiências que se segue é apenas uma amostra da quantidade inesgotável de iniciativas fomentadas pelos museus em Lisboa. É através deles que garante acesso a um barco, que pode consultar um acervo áudio único, fazer uma generosa doação ou até alugar um enorme salão de festas para celebrar o aniversário. À falta de ideias, nós dizemos-lhe quais são as experiências imperdíveis nos museus em Lisboa. Siga o nosso roteiro. Está à espera do quê?
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