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Fórum Grandela
Fotografia: Inês Félix Fórum Grandela

21 paragens obrigatórias na Estrada de Benfica

Entre as Portas de Benfica e o Jardim Zoológico, há 4 km de estrada e decidimos percorrer tudo a pé.

Por Renata Lima Lobo
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Demos corda aos sapatos para lhe trazer um apanhado do que há de melhor para fazer na Estrada de Benfica, uma importante artéria da cidade que se estende ao longo de duas freguesias: Benfica e São Domingos de Benfica. Ainda se sente um forte pulsar da vida de bairro em cafés, restaurantes, mercearias, padarias e lojas de todos os tamanhos e feitios (o que nos lembra de uma chamada Xanel que vende roupa lingerie e moda para senhoras). O mundo da pastelaria é forte nesta estrada e parece ser um dos novos pólos das mercerarias que apostam na venda a granel com a abertura de novas lojas que se juntam nesta estrada a históricas mercearias finas. Há ainda dois antigos palácios que estão à sua espera, os melhores locais para se sentar a descansar se decidir fazer o mesmo que nós e percorrer a estrada de uma assentada só. Eis as paragens obrigatórias na Estrada de Benfica.

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Paragens obrigatórias na Estrada de Benfica

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Alentejanicis
©Duarte Drago

Alentejanicis

Compras Mercearias Benfica/Monsanto

Queijos, enchidos, vinhos, azeites, azeitonas, compotas, licores... “É uma loja de produtos regionais, de coisas genuínas e alentejanas. O conceito é recuperar as coisas mais tradicionais da região”, explica Sérgio Cruz, o mais recente comerciante de Benfica. Abriu portas em Abril, mas está longe de ser um novato: tem outras duas lojas idênticas (em Mora e na Estrada Nacional 251) e há 19 anos que faz “trabalho de campo”. “Para encontrarmos um produto bom, temos de estar no sítio. Temos que conhecer quem os faz, ver como são feitos, prová-los, andar na rua, perguntar aos velhotes onde é que se fazem as coisas boas”, diz. “Pelo menos uma vez por mês, faço a volta inteira ao Alentejo.” Às terças, quintas e sábados, vai ele próprio a Mora buscar o pão que é responsável pela fila à porta da loja. O almece (requeijão fresco ainda no soro) e os petiscos conservados em vácuo artesanal – perdiz de escabeche, iscas de pato, coelho com molho vilão, cogumelos de fricassé – são outras das estrelas desta pequena mas farta loja.

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Palácio Baldaya

Palácio Baldaya

Atracções Edifícios e locais históricos Benfica/Monsanto

Esteve fechado ao público por mais de um século, mas 2017 foi o ano da reabertura após obras de recuperação que o transformaram num pólo cultural do bairro. Tem uma biblioteca, uma ludoteca, um cowork, salas polivalentes e uma cafetaria instalada num pequeno jardim. O espaço, gerido pela Junta de Freguesia de Benfica, costuma ter uma agenda animada que inclui exposições, workshops, tertúlias ou concertos.

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pastelaria fim de seculo ii
Fotografia: Inês Félix

Pastelaria Fim de Século II

Restaurantes Cafeteria Benfica/Monsanto

A pastelaria nº1 fica noutra artéria da freguesia, na Rua João Frederico Ludovice, mas sai igualmente bem servido neste espaço mais pequeno localizado na Estrada de Benfica. Afinal, em 2016 a Fim de Século sagrou-se vencedora do concurso “O melhor pastel de nata”, organizado pelo festival Peixe em Lisboa. Custam 1€ e o café fica-lhe a 0,55€.

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casa de cafes solposto
©Inês Félix

Casa de Cafés Solposto

Compras Mercearias finas Benfica/Monsanto

É a loja mais bem cheirosa do bairro e vale muito a pena a visita, não só pela qualidade do que aqui se vende, mas também pelo atendimento de Sérgio e Rita Solposto que dão continuidade à loja de Pureza Solposto (mãe de Sérgio), a dona do negócio fundado em 1949. Essencialmente, vende-se a granel e ao café torrado a lenha na Flor da Selva, nesta mercearia fina encontra frutos secos, figos do Algarve, licores, broas, bombons, tudo do mais gourmet que há, arrumado ao milímetro. São 1300 produtos diferentes, o que faz da Solposto uma espécie de dispensa dos nossos sonhos.

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#granel
Fotografia: Inês Félix

#granel

Coisas para fazer Sete Rios/Praça de Espanha

O hashtag não está ali por acaso, é mesmo o nome desta nova loja – diz-se “vou à hashtag granel”. Já percebeu que aqui se vendem produtos a granel, num espaço folgado e com uma decoração simples que deixa respirar. O que também deixa respirar, mas o mundo, é a enorme panóplia de produtos que o casal Cátia e Pedro Carvalho escolheu para abrir o negócio, nascido em dezembro de 2017. O conceito é o low waste, convida-o a levar consigo os seus próprios recipientes, e vai das granolas, cereais, massas, frutos secos ou bolachas aos produtos de higiene: champôs, condicionadores, sabonetes, desodorizantes, escovas de dentes e cotonetes de bambu, pensos higiénicos reutilizáveis ou disíticos de algodão para limpar a cara, feitos pela loja vizinha Cor de Lavanda (no 375A). “Se pudesse haver uma lojinha destas em cada bairro seria óptimo”, sonha Pedro, enquanto explica que nas zonas residenciais as pessoas gostam de ir a pé às lojas de bairro, contribuindo para a pegada ecológica. Os produtos vendem-se, mas a sensibilização ambiental aqui é de graça.

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edmundo

Edmundo

Restaurantes Cervejarias Benfica/Monsanto

Um incêndio no sistema de ventilação trocou as voltas ao negócio em Janeiro, mas o rés-do-chão do restaurante reabriu passados cerca de dois meses. Se só quiser provar uma coisa, lembre-se disto: há clientes que vêm de Sesimbra de propósito para comer o famoso arroz de tamboril com gambas (17,90€).

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just wood
Fotografia: Inês Félix

Just Wood

Compras Decoração Sete Rios/Praça de Espanha

Directamente de Paços de Ferreira chegou Luís Meireles e, por arrasto, o seu novo negócio, caloiro no bairro. Esta loja móveis abriu em Dezembro de 2018 e está decorada a móveis, desenhados e fabricados na sua terra Natal, a capital do móvel. As peças são de design contemporâneo, simples e funcionais e servem para se sentar, para estar, para dormir ou para trabalhar. Além dos artigos que encontra na loja e no site oficial, aqui também se trabalha por medida.

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trucca
Fotografia: Inês Félix

Trucca

Compras Mercearias finas Benfica/Monsanto

A venda a granel está forte em Benfica e em Novembro nasceu esta verdadeira mercearia de bairro, pelas mãos do casal Sara e Pedro Carvalho. A maioria dos produtos são biológicos e o uso do plástico é mínimo. Os produtos são embalados em papel e está convidado a levar o seu próprio saco ou recipiente para comprar a. A aposta nas marcas portuguesas é óbvia, dos rebuçados e mel do Monte dos Bens às conservas da Briosa ou ao azeite Manos Lince. E há novidades para breve: nas prateleiras vai encontrar a história de cada um dos fornecedores da Trucca para conhecer bem as preciosidades que está a levar para casa.

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casa da selva
Fotografia: Inês Félix

Casa da Selva

Compras Mercearias finas Sete Rios/Praça de Espanha

Já se chamou Pérola da Selva, na Travessa das Águas Boas, a primeira morada. O nome mudou desde que inaugurou na Estrada de Benfica, em 1967, e há 20 anos que o homem do leme é Manuel Silva. É precisamente a simpática família Silva que encontra a vender cafés, vindos das torrefações alfacinhas Negrita e Flor da Selva, chás, chocolates, bolachas, mel, bombons e um número sem fim de doces. Tudo uma perdição. Com a Páscoa à porta chegaram os clássicos ovos de chocolate da bracarense Avianense, ideais para encher de amêndoas. “Tentamos sobreviver às grandes superfícies. Mas a qualidade no atendimento e nos produtos é sem dúvida melhor nestas lojas”, defende Sandra Silva, parte do clã d’A Casa da Selva.

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O Segredo dos Tempos
Fotografia: Inês Félix

O Segredo dos Tempos

Compras Antiguidades Sete Rios/Praça de Espanha

O antiquário de José Cerqueira já existe há três décadas e é um mundo de preciosidades. Tem um armazém nas Laranjeiras, mas na loja encontra muitos artigos valiosos e também curiosos, como peças basculantes em cerâmica do tempo Raphael Augusto Bordallo Pinheiro – só a figura de uma ama, oriunda de uma colecção particular, fica-lhe por 680€. A ostentar também está um gigante alambique em cobre do século XIX por 950€. Isto durante a nossa visita, porque aqui tudo se vende.

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quiosque caricato
Fotografia: Manuel Manso

Quiosque Caricato

Coisas para fazer Benfica/Monsanto

Pintado de vermelho vivaço não passa despercebido na renovada praça junto ao centro comercial Fonte Nova. O Quiosque Caricato nasceu da vontade de Salvador Melo, João Figueiredo e Gonçalo Dominguez de trazer o rodopio dos quiosques do centro da cidade para um bairro tão residencial como Benfica. “Saímos da rota comum dos quiosques, mas estamos numa zona onde mora muita gente”, aponta Salvador. Na carta do Caricato há tostas e saladas, mas a estrela da casa são as bowls de iogurte e açaí. Além das bebidas habituais, o quiosque tem um menu jeitoso de cocktails e, quando a temperatura subir, haverá música ao vivo. 

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bairro grandella
Fotografia: Inês Félix

Bairro Grandella

Atracções Edifícios e locais históricos Sete Rios/Praça de Espanha

Se já passou pela Estrada de Benfica, de certeza que reparou neste bairro comprido, nas casas pequenas e airosas e nas imponentes fachadas neoclássicas. Parece que, por uns breves instantes, estamos noutra cidade – ou noutro tempo. Nada disso, estamos à porta (número 419) de um bairro operário fundado no início do século XX: o Bairro Grandella. As casas e infra-estruturas circundantes foram mandadas construír pelo empresário Francisco de Almeida Grandella (esse mesmo, dos Armazéns Grandella, actuais Armazéns do Chiado) para alojar os seus trabalhadores – mais de 80 casas divididas em dois quarteirões que incluiam uma escola própria e um infantário. Daquelas casas os trabalhadores partiam para ir trabalhar na Sociedade Algodoeira do Fomento e nos Armazéns e Fábricas Grandela. Classificado como Imóvel de Interesse Público em 1984, o bairro é uma espécie de cápsula do tempo no meio de São Domingos de Benfica. Na fachada do edifício principal é possível encontrar o lema do grande empreendedor lisboeta do início do século XX: “Sempre por Bom Caminho e Segue”.

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o pastelinho de benfica
Fotografia: Inês Félix

O Pastelinho de Benfica

Restaurantes Pastelarias Sete Rios/Praça de Espanha

Se não puder ir a Belém fica muito bem servido nesta freguesia. Os pastéis de nata que dão o nome à casa nascida em 1973 não ficam atrás dos famosos pastéis de Belém e aqui há a vantagem de ser atendido mais depressa. Os pastéis custam 95 cêntimos, a massa crocante está lá, o sabor também e pode empurrar a delícia com uma lambreta (0,65€) ou uma imperial (0,80€).

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palacio beau sejour
Fotografia: Inês Félix

Palácio Beau-Séjour

Atracções Edifícios e locais históricos Sete Rios/Praça de Espanha

Primeiro traduzimos: Beau Séjour significa “estadia agradável”. Era uma antiga quinta do século XIX e casa de veraneio de gente nobre e uma espécie de espólio museológico, onde se destacam elementos do chamado Grupo do Leão, com destaque para uma fonte/lavatório construída em estuque e faiança com fauna e flora portuguesa, uma obra de Rafael Bordalo Pinheiro. É também a morada do Gabinete de Estudos Olisiponenses e de algumas espécies de patos.

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Estrada de Benfica: Califa
©Inês Félix

Califa

Restaurantes Pastelarias Sete Rios/Praça de Espanha

“Califa numa palavra? Croquetes”. Esta é uma das 50 frases escolhidas para figurar numa das paredes da casa, uma ideia nascida durante as comemorações dos seus 50 anos de existência. A Califa abriu em 1968 e é uma das mais altas referências pasteleiras (e croqueteiras) da cidade. Foi o primeiro café do bairro com projecção no resto da cidade e tem três pisos: no primeiro andar fica o restaurante (um upgrade com 45 anos), café no R/C e a magia acontece toda na cave. É daí saem as estrelas da companhia: além dos croquetes, foi aqui que nasceu o Pastel de São Domingos de Benfica, após um desafio lançado pela junta de freguesia às suas pastelarias de fabrico próprio. Condição? Ter alfarroba, em homenagem à vizinha Quinta da Alfarrobeira. A Califa venceu e vencedor também é o bolinho de chocolate Garibaldi. Uma delícia.

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chafariz de benfica
©DR

Chafariz de Benfica

Atracções Monumentos e memoriais Benfica/Monsanto

Quando foi construído, no século XVIII, Benfica ainda não era Lisboa. Isso só veio a acontecer um século mais tarde – mais coisa, menos coisa. O que explica o marco quilométrico que encontra ao lado do chafariz e onde se lê “Lisboa 8 km”. Um tirinho.

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padaria sofapa
Fotografia: Inês Félix

Padaria SOFAPA

Grande Lisboa

Vai encontrar alguns pontos de venda desta sociedade fabril de panificação nesta zona da cidade, mas neste número também vendem pastelaria. Cheira sempre a pãozinho fresco, do bom, sem grandes modernices e com muita variedade. E mais não é preciso.

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Vidreira Central de Benfica
©Duarte Drago

Vidreira Central de Benfica

Compras Benfica/Monsanto

Natural de Viana do Alentejo, há meio século
 que Armando Reis aportou neste piso térreo,
 um dos últimos edifícios resistentes de uma época que já lá vai. Aqui vendiam-se móveis e electrodomésticos (o nome da loja vem de uma vida ainda mais antiga). Armando, que tinha
sido electricista, decidiu ficar-se pelo mobiliário. E é assim até hoje. “Faço móveis a direito e laminados e tenho fábricas que trabalham para mim. Vendo camas, estantes, tudo. Fazemos cozinhas, muita coisa”, conta. Quer dizer: móveis por medida.

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farturas mon amour
©DR

Farturas Mon Amour

Mesmo ao lado do Palácio Baldaya encontrámos uma rulote que mais parecia a doce casinha do conto Hansel e Gretel. Mas o horário não é fixo, por isso é melhor fazer figas se lhe estiver mesmo a apetecer churros e farturas.

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Matos Estúdios

Compras Benfica/Monsanto

Tem O Padrinho gravado em VHS com os intervalos de 1993? Nesta loja pode passá-lo para DVD. Aqui também pode contratar serviços de fotografia e vídeo. E deixar de tirar fotografias tipo passe nas estações de metro.

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O Hoquista

Restaurantes Sete Rios/Praça de Espanha

É conhecido por ser o primeiro a vender caracóis em Lisboa – o petisco é um dos chamarizes desta marisqueira. A sabedoria popular diz que se comem apenas nos meses sem érres, por isso enquanto não chega o aviso “Há caracóis”, lá para Maio, pode ir esperando com uma sapateira à Hoquista, umas gambas alajillo ou, se preferir carne, uma morcela assada da Beira Baixa.

Bairros de Lisboa

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