Mistérios e curiosidades: os maiores segredos de Lisboa

Destapámos os segredos mais bem guardados de Lisboa (e outros que toda a gente sabe)
Topo Mercado da Ribeira
DR
Por Luís Leal Miranda |
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A cidade é rica em questões intrigantes e curiosidades trancadas a sete chaves. Destapamos os segredos de Lisboa, dos mais bem guardados aos que, na verdade, todos sabem. Somos conhecidos pelos nossos tops – “os melhores disto”, “os mais daquilo” –, por isso não podíamos deixar de partilhar com os nossos leitores outro top. O mais esquivo de todos: o top secret. Ao longo dos anos fomos acumulando mistérios, confidências e respostas para as questões mais intrigantes. Podíamos ter ficado em silêncio, fundar uma espécie de maçonaria dos curiosos ou fechar os factos mais interessantes num cofre. Mas não fomos capazes. Damos com a boca no trombone – e o resultado é esta sinfonia de curiosidades. 

Recomendado: Acha que sabe tudo sobre Lisboa?

Prédio mais estreito

O prédio mais estreito de Lisboa está na rua da Atalaia

Tempos houve em que Lisboa tinha o edifício mais estreito da Europa. Ficava perto do jardim Constantino (Rua Aquiles Monteverde) e tinha 1,60 metros de largura. Foi demolido em 2008 depois de umas obras num edifício vizinho terem provocado danos irreversíveis. Desde então o título de prédio mais estreito da Europa foi para um edifício magricelas na Escócia. Ninguém anda à procura de um segundo, terceiro ou quarto classificados desta categoria, mas os curiosos sabem que o número 195 e 197 da Rua da Atalaia é um bom concorrente: tem duas portas, é verdade, mas pouco mais de dois metros de largura.

Há carros clássicos debaixo do chão na Avenida de Roma e em Campo de Ourique

Mas não estão enterrados. Estão estacionados nos parques exclusivos para carros antigos da Empark. Um fica ao pé da Igreja de Santo Condestável e o outro por baixo do Jardim Fernando Pessa. Para deixar lá a sua viatura tem de ter uma viatura clássica reconhecida pelo ACP e pagar 85€ por mês. Uma pechincha tendo em conta os preços actuais e a voracidade Emeliana.

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D. Sebastião – Estação do Rossio
Fotografia: Ana Luzia

Lembra-se da estátua de D. Sebastião que caiu no Rossio? Há uma igual

E ainda nenhum turista se pendurou nela. Porquê? Porque está na Sala Museu do Instituto Oftalmológico Gama Pinto. É a estátua que serviu de molde àquela que teve o seu próprio Alcácer-Quibir em Maio de 2016.

Pista de atletismo Ritz

Há uma pista de atletismo no topo do Hotel Ritz

É o sítio mais exclusivo para correr em Lisboa. No terraço deste hotel de cinco estrelas há uma pista de 400 metros com uma vista para a cidade de tirar o fôlego – o que pode atrapalhar a respiração. As corridas estão reservadas a hóspedes ou membros do spa e centro de fitness. A mensalidade são 240€.

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Museu Nacional de Arqueologia
©MNA IMC

Há uma múmia com cancro no Museu Nacional de Arqueologia

Há várias múmias em Lisboa: umas foram oferecidas a uma comitiva real de visita ao Cairo, outras estavam em colecções particulares (!) e foram doadas a museus. No Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa há uma múmia a quem foi diagnosticada em 2011 cancro na próstata. Era “um” múmia, portanto. A maleita no senhor, falecido há mais de 2000 anos, foi descoberta depois de uns exames de tomografia que permitiram reconstituir a três dimensões o corpo mumificado. Nesta altura pouco há a fazer para salvar o senhor múmia.

Fábrica Francisco Soares da Silva

Nas Amoreiras, há uma fábrica de campeões

Chama-se Fábrica Francisco Soares da Silva e é a última fábrica de passamanarias de Lisboa. Passmana-quê? Passamanarias: fitas, cordões, cintas e outros objectos feitos a partir de tecido. Como as faixas que usam os presidentes da república ou as fitas das medalhas dos nossos campeões europeus. Todas saíram desta discreta e centenária (est. 1849) fábrica nas Amoreiras, uma das mais antigas de Lisboa em actividade.

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Basílica da Estrela
© DR

É possível subir ao terraço da Basílica da Estrela

Cento e doze degraus e 4€ é o que o separam de um dos miradouros mais bonitos da cidade. O terraço da Real Basílica da Estrela não é muito conhecido dos lisboetas, mas os turistas e os pombos parecem satisfeitos com a vista de lá de cima.

o banco de jardim
©DR

O banco junto ao viaduto Duarte Pacheco está e não está virado para nada

Está e não está. À primeira vista parece um sítio para nos sentarmos a contemplar a nossa existência, com o monóxido de carbono a servir de inspiração. Mas aquele misterioso banco serve para contemplar um dos 15 geomonumentos de Lisboa: vários níveis de calcário compactado, recheados de fósseis do Cretáceo Superior.

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Museu Geológico

Houve um crocodilo em Chelas

Lá vai o tempo em que este simpático bicharoco vagueava pelo vale de Chelas: 12 milhões de anos. Uma cabeça fossilizada desse réptil gigante está no Museu Geológico e é uma bonita maneira de nos lembrar como era Lisboa antes da gentrificação: havia crocodilos em Chelas e um T1 custava menos de 1000€/mês. O Museu Geológico é todo ele um segredo de Lisboa que precisa de ser descoberto: suba ao segundo andar do antigo Convento de Jesus, na Rua da Academia das Ciências, sem medo. Mesmo sabendo que lá dentro vai encontrar crocodilos.

O sinal de trânsito mais antigo de Lisboa está em Alfama

Mais especificamente na Rua do Salvador, Alfama, e com uma ordem clara: os coches e as liteiras que vêm da portaria do Salvador têm de recuar para a mesma parte. Tradução: carroças que descem têm de ceder passagem às que sobem. A placa é de 1686 e, apesar de o Código da Estrada ser mais recente do que as ordens de sua majestade o Rei, o melhor é respeitar esta placa se estiver a conduzir uma liteira ou um coche.

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Há um relógio solar num dos cantos da Sé de Lisboa

Está na torre sul da Sé, virado para a Rua Cruzes da Sé e é uma óptima desculpa para chegar atrasado a qualquer lado – “desculpa, mas ali no relógio da Sé diz que ainda são cinco da tarde”. A Igreja de São Sebastião da Pedreira também tem um destes raros relógios na sua fachada, assim como o Hospital dos Capuchos (no pátio). Na Rua Prof. Sousa da Câmara, em Campolide, há um relógio solar mesmo por cima da placa com o nome da rua.

Pânico: há um relógio atómico na Tapada da Ajuda

Ok, calma. Não é um relógio com a contagem decrescente para um apocalipse nuclear, mas sim cinco relógios superprecisos que utilizam átomos para dar as horas de uma forma infalível. Estão no Observatório Astronómico de Lisboa e têm uma espécie de enviado especial no Cais do Sodré: o relógio que está na esquina da Praça Duque da Terceira com a Avenida da Ribeira das Naus dá a Hora Legal de Portugal.

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Fachada com mais placas em lisboa
Fotografia: Manuel Manso

O edifício com mais placas de Lisboa fica no Bairro Alto

Está no número 6 da Rua João Pereira da Rosa o prédio mais medalhado de Lisboa: sete placas evocativas que adornam a fachada cor-de-rosa do sítio onde viveram escritores, poetas e jornalistas. Aliás, são os ex-inquilinos que lhe dão fama e justificam a sinalização: o escritor Ramalho Ortigão, o pintor modernista Bernardo Marques, o poeta José Gomes Ferreira, o historiador Joaquim Pedro Oliveira Martins e até António Ferro assentaram arraiais por ali.

As sociedades secretas

Existem em Lisboa dois clubes privados, de admissão seleccionada, regulamentos insondáveis e actividades desconhecidas. O Turf Club, na Rua Garrett, e o Real Club Tauromáquico, na Rua Ivens. Ambos são exclusivos para homens e juntam pessoas influentes, de “boas famílias”, a bebericar conhaque, jogar damas, cofiar o bigode e suspirar pelo regresso da monarquia. Pelo menos é isso que suspeitamos que se passe nestes elegantes salões. Também suspeitamos que os salões sejam elegantes, não temos a certeza.

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A primeira Casa das Bandeiras

A casa de onde saiu a primeira bandeira da república ainda existe

E pode ir lá buscar uma bandeira dessas para si – ou, melhor ainda, mandar fazer uma bandeira para uma nação que está a pensar fundar. A Primeira Casa das Bandeiras está na Rua dos Correeiros desde 1885, tempo suficiente para ver várias bandeiras do mundo mudar. O negócio, esse, permanece na mesma. E imune à passagem dos tempos.

Atelier da Luvaria Ulisses

O sítio discreto onde são feitas as melhores luvas de Lisboa

A mítica luvaria Ulisses, o metro quadrado mais encantador de Lisboa, fabrica as suas luvas noutras latitudes – mas não muito longe da Rua do Carmo. Na Travessa do Almada, à beirinha da Sé, um grupo de artesãos faz cerca de 12 mil pares de luvas por ano.

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Topo mercado da ribeira
DR

Um topo top secret que está no top dos lugares escondidos de Lisboa

Está a ver o Mercado da Ribeira? Está a ver aquela cúpula com um zimbório no topo? Se entrar pela porta principal que dá para a Avenida 24 de Julho vê uma porta à sua esquerda. Se subir as escadas vai dar a uma sala redonda, que por sua vez tem outra escada até à cúpula, onde é possível, finalmente, subir ao minivarandim do mercado. A vista é óptima mas só está ao alcance de algumas pessoas ligadas ao mercado que tem Time Out no nome. Por acaso temos a sorte de trabalhar numa revista que também tem Time Out no nome.

Casa Veva de Lima

A Casa Veva de Lima

Genoveva Lima Mayer foi a mais excêntrica socialite portuguesa dos anos 20 e 30. No palacete onde viveu, no 240 da Rua Silva Carvalho (às Amoreiras), organizou algumas das festas mais originais que esta cidade já conheceu. Salões literários e tertúlias levaram a elite lisboeta ao palacete que se mantém hoje tal e qual era naquele tempo. Para o conhecer por dentro é preciso estar atento a uma das raras visitas guiadas.

As escadas do Colégio dos Meninos Orfãos

Quer conhecer o Antigo Testamento mas não tem tempo para ler? Precisa urgentemente de tonificar as pernas? Então os azulejos da escadaria do Colégio dos Meninos Órfãos são perfeitos para si: durante oito lanços de escadas, centenas de azulejos ilustram cenas do Antigo Testamento. A escadaria acaba num campo de futebol e num edifício onde o INATEL organiza aulas de yoga, exposições e outras actividades. A porta da rua, no número 64 da Rua da Mouraria, só está aberta quando há actividades, por isso vá tentando a sua sorte. O edifício está quase todo vazio e na fachada já há a famosa placa a anunciar obras. É uma questão de dias até virar boutique hotel. Aproveite.

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Igreja do Menino de Deus

A igreja que sobreviveu ao terramoto de 1755

Chama-se Igreja do Menino de Deus e abre apenas para a missa às quartas-feiras, pelas dez da manhã. Fica na Calçada do Menino de Deus, Castelo, foi erguida em 1711 e passou praticamente incólume ao terramoto que arrasou grande parte da cidade. Se não conseguir ir à missa tente bater à porta do centro social que há ao lado e peça para espreitar a igreja.

+ Igrejas em Lisboa que tem mesmo de visitar

O Museu Maçónico Português

A Maçonaria, o clube dos escuteiros mirins dos adultos, é tida como uma organização secreta – ou, pelo menos, muito públicos Segredos Mas bastante esquivos discreta. E quantas organizações secretas têm um museu? Muito poucas, calculamos. No Grémio Lusitano, no Bairro Alto, é possível ver objectos relacionados com a história deste clube selecto e saber mais sobre a simbologia que o rodeia. O museu só pode ser visitado aos dias úteis, das 14.30 às 17.30 – de manhã a Maçonaria está a maçonarar. A entrada custa 2€.

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abadia, restaurante
Fotografia: Ana Luzia

O restaurante maçónico do Palácio Foz

É a visita guiada mais procurada da cidade: a misteriosa Abadia do Palácio Foz. Falamos do restaurante que em tempos existiu na cave do palácio, um conjunto de salas de decoração espampanante e claras influências maçónicas. Foi inaugurado em 1917 e anunciava-se como a cave “mais artística de Portugal” ou “a casa mais bem frequentada e que melhor serve”. Se quer tirar ideias para decorar a sua sala de jantar, marque com antecedência a visita através da Lx Secret Places: info@LxSecretPlaces.com. A entrada custa 10€.

 Mausoléu Palmela no cemitério dos prazeres
©CML/DGC

O jazigo Palmela do Cemitério dos Prazeres

É o maior jazigo privado da Europa, um edifício fascinante construído em 1849 por ordem do 1º Duque de Palmela, Pedro de Sousa Holstein. Pode ser visto por fora em qualquer visita ao cemitério (fica do lado direito, cerca de 200 metros depois da entrada) mas o seu interior só é visitável através de visitas guiadas. Felizmente, a próxima é já no dia 10 de Março às 10.00. A participação é gratuita, mas a inscrição é essencial (e urgente): dmevae.dgc@cm-lisboa.pt

Um sorriso para toda agente que sai de Lisboa

O smiley desenhado pelo artista de rua Adres está no topo de um silo no Bairro da Figueira, Bobadela, e despede-se com um sorriso das pessoas que estão a sair de Lisboa de avião (é espreitar pela janela do lado direito, quando o avião descola para Norte) ou recebe com boa disposição as que estão a chegar (janela do lado esquerdo, se aterrar para Sul).

Um sítio onde se joga direito por linhas tortas

Este campo de futebol de cinco tem uma interpretação heterodoxa das marcações do terreno de jogo. Apreciamos a originalidade. Será um projecto de street art que serve de protesto ao estado actual do futebol português? Um metacomentário sobre o VAR? Não, é um campo abandonado perto do Clube de Campismo de Lisboa, ao lado da Avenida Gago Coutinho.

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Uma pauta na linha de comboio

É um projecto antigo do artista Bordalo II que pode ser apreciado ao vivo por quem for até ao fim da linha de comboio da estação Roma-Areeiro. Mas a maneira mais prática de ficar a conhecer estas notas de música é recorrer ao Google Maps, sobrevoar a ponte pedonal do Parque da Bela Vista e procurar uma clave de Sol. Importante: desligar a opção “3D” nas definições do programa.

Calçada Portuguesa
©Helena Soares
Coisas para fazer, Caminhadas e passeios

Desenhos na calçada

Cuidado onde põe os pés! É que pode estar a pisar  uma flor, um barquinho, um relógio, uma estrela ou um trevo de quatro folhas. Chamam-se assinaturas a pequenos desenhos que não fazem parte do padrão oficial da calçada. São desenhos executados geralmente com grande rigor e numa escala mínima, e só existem por uma razão: o calceteiro decidiu fazê-los. São ilegais e anónimos, só os colegas de profissão sabem identificar quem os fez, seja pela técnica ou pelos temas. Como uma espécie de graffiti na pedra. Mostramos alguns destes segredos e avisamos: depois de ver o primeiro, vai começar a andar de olhos pregados no chão e a descobrir muitos mais. É viciante.

Lisboa top secret

bife café de sao bento
Fotografia: Ana Luzia
Restaurantes

Receitas de alguns dos pratos mais pedidos da cidade

Algumas das cozinhas mais famosas de Lisboa abriram-nos as portas e revelaram os seus segredos mais valiosos: as receitas de alguns dos pratos mais pedidos da cidade. Desperte a veia de chef que há em si e replique em casa clássicos como o cozido à portuguesa do Solar dos Presuntos.

Coisas para fazer

As ruas com nomes mais estranhos em Lisboa

Todas as cidades têm uma Rua Direita, uma Almirante Reis ou uma 5 de Outubro. Mas uma Triste Feia, por exemplo, só nós. Já oara não falar no Jardim das Pichas Murchas que tantas fotografias arranca de quem por ali passa. Mas afinal quem é que se lembrou de nomes assim? O que significam eles? Confesse que já pensou nisso várias vezes. Não dê mais voltas à cabeça, estamos cá para o ajudar. Gostava de descobrir a história por detrás das ruas com os nomes mais estranhos em Lisboa? Então tome nota. 

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Esplanada do Jardim da Estrela
Fotografia: Ana Luzia
Atracções, Espaços públicos

Praças e jardins de Lisboa: os nomes verdadeiros que ninguém usa

Logo após o rebaptismo do Jardim do Campo Grande, que agora se chama Jardim Mário Soares, nas redes sociais multiplicaram-se as opiniões em desacordo com o novo topónimo lisboeta. Se alguém o chamará pelo nome daqui para a frente, só o futuro o dirá. Mas há outros espaços da cidade cujo nome oficial nunca vingou realmente. Damos-lhe quatro exemplos de praças e jardins em Lisboa que raramente são chamados pelos seus nomes oficiais.  

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