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As melhores séries de 2021
HBO; Netflix; Disney+; Amazon Prime Video; Filmin

As 21 melhores séries de 2021

Do streaming ao cabo e aos canais em sinal aberto, estas são as melhores séries de televisão que vimos em 2021. Se perdeu alguma delas, volte atrás.

Escrito por
Eurico de Barros
e
Hugo Torres
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Reino Unido, França, Bélgica, Itália, Portugal, Noruega, EUA, Índia, Coreia do Sul e uns pozinhos vindos da Nova Zelândia (que deram nova vida aos Beatles). As melhores séries de televisão de 2021 provêm de diversas latitudes e falam-se em múltiplas línguas e sotaques. São boas notícias. A lista inclui 21 títulos, a maioria novidades. O streaming está em força, embora nem só de gigantes internacionais se façam estas contas. Plataformas como a Filmin e a RTP Play merecem que olhemos mais para os seus catálogos, tendo este ano conquistado mais entradas nas nossas preferências do que a Amazon Prime Video ou Apple TV+. No topo, a contenda continua a ser entre a Netflix e a HBO, com a Disney+ à espreita. Mas, tal como em 2020, é a Netflix quem reclama o primeiro lugar. Ainda por cima, com uma proposta que nos apanhou de surpresa.

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As 21 melhores séries de 2021

21. A Grande Onda da Nazaré

HBO

São muitos os sucessos que nos apresentam como absolutamente extraordinários, e que aceitamos que sim, senhor, são absolutamente extraordinários, mas que não compreendemos de todo o quão absolutamente extraordinários eles são. Uma vacina de mRNA, por exemplo. Outro caso, que até pôs Portugal nos noticiários internacionais, foi o da grande onda da Nazaré, onde se estabeleceram novos recordes mundiais de surf. Uma onda com 20 metros de altura é uma onda como as outras que só precisa de um pouco mais de coragem e perícia – certo? Errado. E esta série documental, com um acesso quase ilimitado ao longo de uma década, mostra como o feito de Garrett McNamara e da sua equipa é muito mais do que entradas no Livro do Guiness, comendas e patrocínios – é a Humanidade a aprender a ultrapassar uma armadilha letal dos mares. Outra vez.

Hugo Torres
Director-adjunto

20. Schitt’s Creek

TVCine Emotion. T1-5

É uma pérola do cabo, cujas temporadas estão a ser exibidas consecutivamente. A série criada por pai e filho, Eugene e Dan Levy, sobre uma família milionária caída em desgraça e desterrada para uma cidadezinha do interior, chegou à televisão portuguesa com atraso, só em 2020, mas está a recuperar a bom ritmo. E está cada vez mais hilariante, com uma escrita certeira e um elenco em crescendo de forma. As interpretações de Catherine O’Hara e Annie Murphy, que personificam mãe e filha, e formam com Eugene e Dan a família Rose, são de se lhes tirar o chapéu – ou a peruca.

Hugo Torres
Director-adjunto
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19. WandaVision

Disney+

O ano começou com uma homenagem às sitcoms americanas com aquela que foi também a primeira série do Universo Cinematográfico da Marvel (UCM) com a chancela do estúdio que produz os filmes desde 2008. Ou seja, dando continuidade e expandindo a narrativa principal e as personagens que temos acompanhado nos blockbusters do cinema. Em menos de um ano estrearam-se cinco séries desta Fase 4 do UCM, embora nenhuma outra no nível de WandaVision, que tem Elizabeth Olsen e Paul Bettany como protagonistas de um poderosíssimo feitiço em forma de farsa – e de luto.

Hugo Torres
Director-adjunto

18. A Very British Scandal

HBO. T2

Sarah Phelps volta a pousar as histórias de Agatha Christie para nos presentear, mesmo ao cair do pano de 2021, não com um culpado mas com a segunda temporada desta série antológica. Depois do escândalo a envolver Jeremy Thorpe (2018), eis o caso Argyll contra Argyll, pernicioso divórcio contencioso entre o duque e a duquesa de Argyll, em 1963, por múltiplas infidelidades desta (provadas em tribunal com recurso a diários, cartas e a uma polaroid explícita). Paul Bettany (olá, outra vez) faz o duque, Ian, um pulha arrivista. Claire Foy faz a duquesa, Margaret, filha desempoeirada de um industrial endinheirado. Uma visão.

Hugo Torres
Director-adjunto
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17. Homicídios ao Domicílio

Disney+

Três moradores de um prédio de luxo novaiorquino, viciados em podcasts de true crime, investigam a morte de um vizinho, que a polícia classificou como suicídio – e fazem um podcast sobre o caso. Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez interpretam esta deliciosa série de comédia policial de formato e personalidade da “velha escola” (e ainda bem). Martin e Short nunca tinham feito uma série juntos, e é um gosto vê-los rivalizar em partes gagas, figuras tristes de embaraçar e inépcia detectivesca, já que estes detectives amadores, e como mandam as regras, são pouco menos que desastrosos.

16. Reservation Dogs

Disney+

Taika Waititi (O Que Fazemos nas Sombras, Jojo Rabbit) aliou-se ao realizador Sterlin Harjo para uma divertida – mas compungida – série coming of age, em que a maioria do elenco e da equipa técnica é nativo-americana. Não é uma história fechada ou de nicho. As aspirações de Elora (Devery Jacobs), Bear (D’Pharaoh Woon-A-Tai), Cheese (Lane Factor) e Paulina (Willie Jack, um achado) poderiam ser as de qualquer adolescente de um meio pobre, rural e excessivamente idiossincrático – no caso, uma reserva no Oklahoma. Eles querem libertar-se, deixar o beco sem saída que levou um dos seus amigos ao suicídio e rumar à promissora Califórnia. Nem que para isso tenham de recorrer a expedientes pouco lícitos.

Hugo Torres
Director-adjunto
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15. Petra

FOX Crime

Criada em Espanha pela escritora Alicia Giménez-Bartlett em 1996, e interpretada por Ana Belén na televisão, a inspectora Petra Delicato foi “transferida” para Itália e aqui personificada por Paola Cortellesi. Personagem de caracterização fortíssima, Petra é solitária, frontal, espinhuda, sarcástica e pouco dada a sentimentalismos, embora capaz de “grandes rasgos de humanidade”, como diz o seu sofredor mas dedicado parceiro, o subinspector Antonio Monte. Cada episódio assegura hora e meia de entretenimento na boa cepa do giallo italiano: realista, duro e desencantado. Como a própria Petra.

14. Ted Lasso

Apple TV+

Esta comédia sobre um treinador de futebol americano contratado para comandar uma equipa da mui competitiva liga inglesa, com o expectável choque desportivo e cultural, sofreu uma reviravolta dramática na segunda temporada – e não poderia ter sido mais oportuna. Ted, a personagem-título de Jason Sudeikis, sofre para recuperar a saúde mental e isso afecta a sua vida pessoal e pública. A psicóloga Sharon Fieldstone (Sarah Niles), que está no clube para tratar um caso de “yips”, ou perda de capacidade por parte um desportista (a série introduz mais um tema sensível), acaba por ser quem o ajuda. Isto enquanto se debate o amor (não tem idade, mas pode ser tóxico), a amizade e a lealdade profissional. Nem sempre de forma leve, mas inevitavelmente de bom humor.

Hugo Torres
Director-adjunto
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13. Nicolas Le Floch

RTP2/RTP Play

Que raridade: uma série de capa e espada, e também policial. Nicolas Le Floch passa-se na França de setecentos, em que crescem os prenúncios da sangrenta revolução que iria eclodir nos finais desse século, é o cenário dos intrincados casos de Le Floch e do seu subordinado, que por várias vezes envolvem personagens históricas notórias. A época está muito bem dada, não só em modalidades em que os franceses são mestres, como os décors e o guarda-roupa, como também nas relações sociais, nas mentalidades, nos costumes e nas tensões que a atravessavam, e há muitos e empolgantes duelos.

12. National Treasure

Filmin

Um veterano e bem-amado cómico inglês, Paul Finchley (Robbie Coltrane), é acusado de ter violado várias mulheres no passado. Paul é um adúltero crónico e a mulher sabe-o, mas nega, chocado, ser um violador. Dirá ele a verdade, ou estará a mentir? National Treasure é um policial de suspense cruzado de drama de tribunal, e recusa o preto e branco moral e de enredo, movendo-se por zonas ambíguas e cinzentas da natureza humana. E mostra assim como a ficção televisiva pode dar a melhor, mais densa e crispada expressão dramática a um tema delicado e que apelava ao sensacionalismo grosseiro. 

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11. Caça às Bruxas

Filmin

Esta série norueguesa inspira-se num acontecimento real para lançar um enredo que envolve lavagem de dinheiro de quantias milionárias, corrupção de ministros e procuradores públicos, e aquisição ilícita de firmas estatais por um empresário poderoso, manipulador e muito perigoso. Contra ele estão apenas três pessoas: uma jornalista, um funcionário do Estado e a directora financeira de uma firma de advogados, que vai ver a sua carreira arruinada, a sua honestidade posta em causa e a sua vida familiar virada do avesso. Uma história de delação pública contada em jeito de thriller taquicárdico.

10. A Estrada Subterrânea

Amazon Prime Video

O título em português vem da tradução do livro homónimo de Colson Whitehead, que aqui é adaptado – mas é pela versão original, The Underground Railroad, que esta odisseia televisiva de Barry Jenkins (Moonlight) é conhecida. Conhecida e justamente aplaudida. Seguindo Cora (Thuso Mbedu), uma negra escravizada que escapa de uma plantação na Georgia, a série leva-nos por uma rede subterrânea e secreta de caminhos-de-ferro que têm como destino os estados livres do norte dos EUA. É uma alusão literal a um conjunto de rotas assim conhecido no século XIX, embora seja apenas um pretexto para nos mostrar, com desesperante crueza emocional, o manancial de violência que jorrava à superfície.

Hugo Torres
Director-adjunto
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9. It’s a Sin

HBO

Russell T Davies (Doctor Who, Years and Years) demorou três décadas a conseguir contar como queria a sua história e a dos seus amigos, da geração de pessoas LGBT que caiu na trituradora do VIH-sida nos anos 1980 e 1990. Depois, demorou mais um pouco, visto que as televisões britânicas não estavam interessadas num drama tão pesadamente real. Em boa hora se chegou à frente o Channel 4, mesmo reduzindo a série a cinco episódios. São cinco episódios pungentes, focados num grupo de amigos que ousou experimentar a liberdade e acabou traído pelo “pecado”, e humilhado pela ignorância das próprias famílias.

Hugo Torres
Director-adjunto

8. O Dia

RTP2/ RTP Play

Situada numa cidade belga, O Dia segue o assalto a uma dependência bancária ao longo de 24 horas de um dia invernoso. Os episódios vão alternando os pontos de vista, ora do interior do banco, no qual estão ladrões e reféns, ora do exterior, onde se agitam agentes e negociadores da polícia, forças especiais, moradores retirados das casas, familiares dos reféns e jornalistas, e um “infiltrado” dos assaltantes. Brilhante e original, complexa e intensa, empolgante e surpreendente, e firmemente ancorada no real quotidiano e humano, O Dia eleva muito lá para o cimo a fasquia deste género.

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7. Delhi Crime

Netflix

Uma série policial com vista para a vasta realidade de uma megalópole, Nova Deli, e por extensão, para toda a Índia. Uma equipa de agentes novatos e veteranos investiga a horrenda agressão a um jovem casal num dos milhares de autocarros particulares que cruzam aquela cidade de 20 milhões de habitantes. No meio da história vigorosa, tensa, palpitante e de recorte clássico de uma investigação contra-relógio, os autores conseguem, sem comprometer o fluir da narrativa, encastrar temas e instantâneos de actualidade na Índia, e mostrar a vida na imensa, anárquica e sobrelotada Nova Deli.

6. Maid

Netflix

Baseada na história real de Stephanie Land, contada em livro, Maid segue o calvário de uma jovem mãe solteira, Alex (a cativante e expressiva Margaret Qualley), que saiu de casa, e de uma relação perigosa, com a filha de três anos, sem ter onde ficar, sem dinheiro, emprego, qualificações nem carro. A história contém o seu imenso potencial lacrimal, não se desfaz em queixinhas e indignações e mostra, com emoção mas também com correcção realista, o que é ser pobre e viver de “McJobs” e subsídios nos EUA, sem culpados prontos-a-detestar, seja a “sociedade”, sejam vilões de cartão e cola.

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5. The Serpent

Netflix

Nos anos 70, enquanto mantinha uma fachada de negociante de pedras preciosas, o burlão, ladrão e serial killer Charles Sobhraj, ajudado pelo seu cúmplice, Ajay Chowdhury, e com a conivência da namorada, Marie-Andrée Leclerc, mataram com cruel frieza pelo menos 12 pessoas na Tailândia e no Nepal, todos incautos turistas hippies ocidentais. Além da superior execução narrativa e dramatúrgica, do suspense e da recriação de época, The Serpent tem uma poderosíssima interpretação de Tahar Rahim no insinuante, reptilíneo e impassível Sobhraj, a personificação do mal em estado puro.

4. The Beatles: Get Back

Disney+

Peter Jackson tem queda para a monumentalidade. Desta feita, essa faceta revelou-se em quase oito horas de imagens – e sons! Conversas, versões, jams – inéditas dos Beatles. Gravadas em Janeiro de 1969, durante as sessões que deram origem ao mítico concerto no telhado de Savile Row, já delas tínhamos visto um primeiro cut em 1970, no mal-amado Let It Be de Michael Lindsay-Hogg. Mas onde há meio século se viu divisão e o fim turbulento da maior banda de todos os tempos, aqui um olhar mais atento e descomprometido revela um grupo de quatro rapazes cheio de ideias, música, amizade e dúvidas. Nunca tínhamos visto John, Paul, George e Ringo assim. Três episódios que foram, são, um acontecimento.

Hugo Torres
Director-adjunto
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3. Succession

HBO. T3

A luta pelo poder está ao rubro na família Roy. A terceira temporada começa com Kendall (Jeremy Strong) a dar cartas, sem se entender com os irmãos (Kieran Culkin, Sarah Snook e Alan Ruck), e acaba exactamente ao contrário – a prole unida, mas destrunfada. Logan (Brian Cox), o pai e o magnata por detrás do império mediático Waystar Royco, faz o percurso inverso e deixa-nos boquiabertos quando percebemos, enfim, como conduziu o jogo até ao desenlace. O criador Jesse Armstrong é quem está ao leme da equipa de argumentistas da série e está a conduzi-la ao pódio, não do ano mas do nosso tempo.

Hugo Torres
Director-adjunto

2. Mare of Easttown

HBO

Se durasse apenas duas horas, Mare of Easttown poderia bem ser um filme americano das décadas de 60 ou de 70, daqueles em que o tema policial também se projecta nas dimensões individuais, sociais e íntimas, entretecido que está numa história que envolve a pequena comunidade do interior dos EUA em que se passa, Easttown, e as famílias que lá vivem. Kate Winslet interpreta a heroína, uma sargento-detective ferida no corpo, no coração e na alma por um drama familiar. A série conta um enredo policial que se desdobra em crónica familiar, ambos inflexivelmente realistas e sombrios.

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1. Squid Game

Netflix

O “jogo mortal”, onde uma pessoa ou grupo de pessoas compete pelas suas vidas ou por prémios, nos mais variados contextos e cenários, é um tema clássico da ficção científica. Squid Game glosa-o com grande imaginação, suspense e sentido da psicologia e do comportamento humano, e escora-o num dos principais problemas da sociedade sul-coreana: o endividamento geral. É uma série intensa, feroz e viciante, com o orçamento de uma produção cinematográfica confortável, um formidável grupo de actores e uma realização que não dá um passo em falso. 

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