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As dez melhores comédias românticas de sempre

O amor é um jogo eterno e divertido. Ou pelo menos é-o nestes dez filmes, que olham por vezes com um olhar terno, outras com um olhar clinicamente irónico, para os altos e baixo do jogo romântico

As comédias românticas podem ser dolorosamente más - pirosas e esquecíveis, tudo menos cómicas e sem pinga de romance. Mas seria preciso termos um coração de pedra para não nos apaixonarmos por estas divertidíssimas comédias românticas. Hilariantes, com humor negro e amargo-doce por vezes, dificilmente o cinema nos terá dado uma melhor, mais divertida mas também mais detalhada anatomia das relações amorosas.

As dez melhores comédias românticas de sempre

10
It Happened One Night (1934)

It Happened One Night (1934)

“Vou fazer parar um carro, e não vou usar o polegar!” A frase de Claudette Colbert introduz a cena mais famosa deste clássico de Frank Capra, em que o uso estratégico de uma saia e de uma perna resolvem a urgência de transporte naquele momento. It Happened One Night é a comédia romântica original de Hollywood, aquela que criou o modelo para este género, apesar do escândalo que provocou na altura precisamente por causa da cena acima descrita. Mas a popularidade desta história de uma herdeira em fuga e de um repórter de princípios duvidosos (Clark Gable) revelou-se mais forte e o filme acabou por ganhar uma mão cheia de Óscares, o que equivale a dizer que o escândalo foi rapidamente perdoado.

9
Roman Holiday (1953)

Roman Holiday (1953)

O filme que transformou Audrey Hepburn numa estrela. Com o infeliz título português de A Princesa e o Plebeu e realizado pelo autor de Ben-Hur, William Wyler, Roman Holiday é a história de uma princesa europeia com alguns traços de Maria Rapaz, que desaparece durante uma visita real a Roma e se apaixona (tal como no filme de Capra acima - notamos um tema aqui...) por um repórter com ética profissional maleável, interpretado por Gregory Peck. Foi também a primeira que se viu uma Vespa em papel de tanto destaque - é o veículo do romance de Hepburn e Peck.

8
Show Me Love (1998)

Show Me Love (1998)

“É verdade que és lésbica? Se és eu compreendo-te perfeitamente, porque os gajos às vezes são tão nojentos. Acho que também vou ser uma”. Esta frase é a introdução perfeita para uma entrada nesta lista que poderá surpreender mas apenas aqueles que nunca viram Show Me Love. Realizado por Lukas Moodysson, Show Me Love é um delicioso, comovente e multipremiado filme sobre a relação entre duas adolescentes (interpretadas por Alexandra Dahlstrom e Rebecka Liljeberg), aborrecidas de morte na pequena cidade sueca onde vivem e que, ao mesmo tempo que vivem os processos de descoberta próprios da idade, percebem pouco a pouco que a melhor coisa que cada uma tem a seu favor é a presença da outra.

7
The Philadelphia Story (1940)

The Philadelphia Story (1940)

“Todos nós nos passamos da cabeça de vez em quando. E se não o fazemos, devíamos fazê-lo”. Mais uma frase que resume um filme. Outro clássico que não envelhece e que, pelo contrário, e tal como um bom vinho, só ganha com o passar do tempo, esta comédia romântica dirigida com mão cirúrgica e inspiradíssima pelo grande George Cukor é também uma sátira infernal com os seus momentos saborosamente avinagrados. Katharine Hepburn interpreta uma senhora da sociedade dividida entre dois pretendentes, Cary Grant e James Stewart. Mas Hepburn é sobretudo uma presença contagiante, carregada de ironia proto-feminista e diante da qual mesmo actores do calibre de Grant e Stewart se aproximam com prudência. Se os tempos hoje são outros, muito menos rígidos nos costumes e formais nos comportamentos, a verdade é que de Hollywood já não saem facilmente loucuras geniais como estas.

6
Punch-Drunk Love (2002)

Punch-Drunk Love (2002)

“Tenho um amor na minha vida. Ele torna-me mais forte do que alguma coisa que tu possas imaginar”. Imprevisível, por vezes parecido com um sonho, com episódios de violência súbita, Punch-Drunk Love não é uma comédia romântica como as outras, mas é melhor do que 99 por cento delas. Anderson conta a história de um homem meio infantil (Adam Sandler, no seu melhor papel até à data), dominado pelas suas sete irmãs, revoltado, triste, desesperado, e da sua peculiar mas estranhamente tocante relação com uma mulher com a cabeça nas nuvens (Emily Watson). Acrescente-se a presença de Philip Seymour Hoffman, que aqui deixou uma das mais exuberantes provas do seu talento, para fechar o argumento a favor de este ser um filme imperdível.

5
Groundhog Day (1993)

Groundhog Day (1993)

A mesma ideia por detrás de Philadelphia Story numa história que nada tem a ver com o já referido clássico de Cukor. “Gosto de ver um homem já crescido mandar à fava o excesso de cuidado. É inspirador”. Bill Murray interpreta Phil Connors, um meteorologista egocêntrico que às tantas fica preso no mesmo dia - isto é, tem de viver o mesmo dia, todas as situações desse dia, todos os dias, sem conseguir sair de lá. Realizado por Harold Ramis e com o misterioso título português de O Feitiço do Tempo, Groundhog Day é a história de um homem que é forçado a ver-se ao espelho e que não gosta do que vê. É também finalmente capaz de olhar para a sua produtora (Andie MacDowell) com um interesse que não é, digamos assim, apenas instrumental. Uma comédia romântica que tem também elementos de pesadelo fantástico - não é todos os dias que descobrimos um filme como este.

4
A Matter of Life and Death (1946)

A Matter of Life and Death (1946)

Michael Powell e Emeric Pressburger tinham para esta estonteante fantasia em tempo de guerra uma ambição maior do que fazerem uma comédia romântica, mas a verdade é que se esta obra-prima absoluta, como aliás o próprio título sugere, pretende cobrir quase todo o espectro da existência humana, lá bem no fundo os elementos dominantes são o amor e o humor - o coração deste filme é um bizarro (envolve uma escadaria entre este mundo e o Além!) mas euforicamente divertido romance protagonizado por David Niven e Kim Hunter. A história envolve mil e uma peripécias passadas em várias épocas com vários outros personagens - os personagens de Roger Livesey, Raymond Massey e Marious Goring têm quase a mesma importância, e seguramente a mesma dose de idiossincrasia, dos de Niven e Hunter -, naquele que é, mais do que um filme genial, um objecto único em qualquer momento dos 120 anos que já leva a história do cinema.

3
Harold and Maude (1971)

Harold and Maude (1971)

Comédia de culto, de longe o melhor filme de Hal Ashby, Harold e Maude é outra romcom (romantic comedy) diferente das outras. Humor negro e um tema arriscado - um adolescente obcecado com ideias de suicídio conhece uma mulher muito mais velha num funeral - combinam-se com elementos de drama existencial, e esta descrição basta para explicar porque esta comédia romântica saída de Hollwood (Paramount Pictures) não é na realidade uma comédia romântica hollywoodesca. É, isso sim, um grande filme. Bud Cort e Ruth Gordon são a dupla do título, com Maude (Gordon) a fazer com que Harold perceba gradualmente que a vida é para ser vivida com empenho e risco, e não para ser vista de longe e a choramingar. O caminho que o realizador, o filme, a história e os personagens tomam para lá chegar não é o mais evidente, mas é isso que fez de Harold and Maude uma experiência.

2
Annie Hall (1977)

Annie Hall (1977)

“Aquele sexo foi a vez em que mais me diverti sem me rir”. Os diálogos, as cenas com as lagostas, a imagem de Diane Keaton com gravata e casaco masculino comprido: Annie Hall é um ponto de referência incontornável da cultura pop, constantemente glosado e parodiado nos últimos 30 anos, instantaneamente identificável, e também o ponto alto da carreira de Woody Allen em termos de reconhecimento institucional - ganhou uma série de Óscares, feito que nunca repetiu. É também, no meio disto tudo, uma das grandes comédias românticas que o cinema americano nos deu. Allen é Alvy Singer, um comediante que um ano depois ainda não conseguiu perceber porque é que a sua relação com Annie (Keaton) acabou. Embora o tempo que passam juntos deixe claro que alguma coisa ficou, e é isso que Alvy, Annie e o próprio argumento tentam identificar e compreender até ao fim. Sendo um filme de Woody Allen a parte da comédia está garantida, mas o elemento romântico, ainda que em registo amargo-doce, está também sempre presente. Annie Hall é o filme de Allen de que toda a gente gosta, disse o crítico Roger Ebert, e disse-o com inteira razão.

1
When Harry Met Sally… (1989)

When Harry Met Sally… (1989)

“Vim aqui esta noite porque quando percebemos que queremos passar o resto da nossa vida com alguém, só queremos que o resto da nossa vida comece o mais depressa possível”. Pelo nosso lado, desafiamos o leitor ou a leitora a pensar numa comédia romântica que tenha uma cena tão perfeitamente icónica como a do jantar de Billy Crystal e Meg Ryan em que esta, a certo ponto, finge estar a ter um orgasmo, e finge-o sonora e longamente. Esta história de dois adversários que se tornam amigos que se tornam amantes coloca a eterna questão: podem um homem e uma mulher ser apenas bons amigos? Escrito por Nora Ephron, realizado por Rob Reiner, When Harry Met Sally (que tem o título português, ao arrepio de todo o sentido do filme, de Um Amor Impossível) deu-nos também os conceitos da namorada “de elevada manutenção” e da pessoa, ou relação, “de transição”. Curiosamente, o filme nasceu do regresso de Reiner à vida de solteiro depois de um divórcio, e boa parte dos diálogos baseiam-se em conversas reais dos amigos de verdade que eram Reiner e Crystal. Mais palavras para quê - se há comédia romântica que é hoje a própria essência de uma comédia romântica, ela é When Harry Met Sally...

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