As melhores comédias românticas de sempre

O amor é um jogo divertido. Ou pelo menos é-o nestes filmes, as melhores comédias românticas de sempre
Groundhog Day, best romcoms
Por Editores da Time Out Lisboa |
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As comédias românticas podem ser dolorosamente más – pirosas e esquecíveis, tudo menos cómicas e sem pinga de romance. Mas seria preciso termos um coração de pedra para não nos apaixonarmos pelos melhores exemplares do género. Ocasionalmente hilariantes, às vezes com humor negro e amargo-doce, dificilmente o cinema nos terá dado uma melhor, mais divertida, mas também mais detalhada, anatomia das relações amorosas. Prepare os lenços para rir e chorar com as melhores comédias românticas de sempre, de Um Amor Inevitável, de Rob Reiner, a O Grande Escândalo, de Howard Hawks.

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As melhores comédias românticas de sempre

15
The 100 best comedy movies, His Girl Friday

O Grande Escândalo (His Girl Friday, 1940)

O que seria do cinema cómico sem O Grande Escândalo? Pois, de verdade, o cinismo multifacetado da peça The Front Page, que Ben Hecht e Charles MacArthur estrearam na Broadway anos antes, é do mais adequado que há para compreender a actualidade. Mais ainda porque o realizador, Howard Hawks, na sua adaptação, teve a brilhante ideia de transformar o macho Hildy na explosiva fêmea interpretada por Rosalind Russell, assim detonando um dos mais incendiários, porém afectuoso, duelos sexuais da história do cinema.

14
There's Something About Mary
20th Century Fox

Doidos por Mary (There's Something About Mary, 1998)

Os irmãos Farrelly são mais conhecidos pela reinvenção da comédia grosseira 20 anos depois de A República dos Cucos, e é difícil contrariar a ideia de que as melhores cenas de Doidos por Mary são as mais hilariantemente patéticas, como a do fecho de correr, do esperma no cabelo ou do cão electrocutado. Porém, debaixo dessa camada de piadas descabeladas está um filme de uma doçura irrepreensível, até por Cameron Diaz e Ben Stiller terem aqui daqueles papéis que definem uma carreira e saírem-se excepcionalmente bem – para nem falar das aparições musicais de Jonathan Richman, que são um acontecimento em si.

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13
pretty woman

Um Sonho de Mulher (Pretty Woman, 1990)

Nesta comédia romântica de Garry Marshall, Julia Roberts veste a pele da prostituta Vivian Ward, que ainda não perdeu o sonho de encontrar o seu príncipe encantado. Neste caso acaba por ser um monótono, solitário e milionário Edward Lewis, interpretado pelo então já veterano Richard Gere, aqui a servir de muleta a Roberts que lhe rouba as cenas todas. O destino dita que se cruzem e Edward contrata Vivian para ser a sua acompanhante em eventos da alta sociedade. O resto é um verdadeiro conto de fadas com um elenco secundário de peso (Ralph Bellamy, Jason Alexander, Laura San Giacomo ou Hector Elizondo, a coqueluche do realizador Garry Marshall) e algumas cenas inesquecíveis, como a resposta de Vivian a pedantes lojistas em Rodeo Drive (“Grande erro. Grande. Enorme. Tenho que ir às compras agora”), o cuspir de uma pastilha elástica para o chão na mesma rua, uma refeição acidentada com caracóis voadores ou uma ida à opera para chorar com La Traviata, onde Vivian conclui: “Foi tão bom, que quase fiz xixi nas calças!”

12
The Big Sick

Amor de Improviso (The Big Sick, 2017)

Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani, que são um casal na vida real, imaginaram e conceberam esta pérola inspirada na (sua) realidade. Onde conhecemos Emily (Zoe Kazan) e Kumail (Nanjiani interpretando-se a si próprio) fazendo o que é costume: os primeiros encontros, sexo, ver filmes com Vincent Price. De repente ela fica em coma e também subitamente Kumail tem a dor de cabeça de lidar com hospitais e parentes. Divertido e sensato, Amor de Improviso, é uma das poucas comédias recentes com alguma coisa de genuinamente novo e relevante para dizer.

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11
Clueless

As Meninas de Beverly Hills (Clueless, 1995)

Baseado em Emmade Jane Austen, As Meninas de Beverly Hills (Clueless, na versão original), com direcção de Amy Heckerling, acompanha Cher Horowitz (Alicia Silverstone), uma adolescente obcecada por compras e roupa, enquanto ela guia a recém-chegada Tai (Brittany Murphy) pelos difíceis, tortuosos e cruéis caminhos da popularidade liceal. Parece um filme de adolescentes como outro qualquer, verdade, mas é mais do que isso. Aliás, para um filme com mais de 20 anos, As Meninas de Beverly Hills ainda mantém parte considerável da sua qualidade de observador da mudança cultural, a qual, aliás, pouco evoluiu desde então, registando com distância crítica a futilidade como forma de vida que a interpretação de Alicia Silverstone torna crível.

10
The 100 best comedy movies, It Happened One Night

Uma Noite Aconteceu (It Happened One Night, 1934)

“Vou fazer parar um carro, e não vou usar o polegar!” A frase de Claudette Colbert introduz a cena mais famosa deste clássico de Frank Capra, em que o uso estratégico de uma saia e de uma perna resolvem a urgência de transporte naquele momento. Uma Noite Aconteceu é a comédia romântica original de Hollywood, aquela que criou o modelo para este género, apesar do escândalo que provocou na altura precisamente por causa da cena acima descrita. Mas a popularidade desta história de uma herdeira em fuga e de um repórter de princípios duvidosos (Clark Gable) revelou-se mais forte e o filme acabou por ganhar uma mão cheia de Óscares, o que equivale a dizer que o escândalo foi rapidamente perdoado.

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9
Roman Holiday, best romcoms

Férias em Roma (Roman Holiday, 1953)

O filme que transformou Audrey Hepburn numa estrela. Realizado pelo autor de Ben-Hur, William Wyler, Férias em Roma é a história de uma princesa europeia com alguns traços de Maria Rapaz, que desaparece durante uma visita real a Roma e se apaixona (tal como no filme de Capra acima – notamos um tema aqui...) por um repórter com ética profissional maleável, interpretado por Gregory Peck. Foi também a primeira que se viu uma Vespa em papel de tanto destaque – é o veículo do romance de Hepburn e Peck.

8
The best gay and lesbian movies, LGBT films, Show Me Love

Fucking Åmål (1998)

“É verdade que és lésbica? Se és eu compreendo-te perfeitamente, porque os gajos às vezes são tão nojentos. Acho que também vou ser”. Esta frase é a introdução perfeita para uma entrada nesta lista que poderá surpreender mas apenas aqueles que nunca viram Fucking Åmål. Realizado por Lukas Moodysson, é um delicioso, comovente e multipremiado filme sobre a relação entre duas adolescentes (interpretadas por Alexandra Dahlstrom e Rebecka Liljeberg), aborrecidas de morte na pequena cidade sueca onde vivem e que, ao mesmo tempo que vivem os processos de descoberta próprios da idade, percebem pouco a pouco que a melhor coisa que cada uma tem a seu favor é a presença da outra.

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7
Romance movie: Philadelphia Story

Casamento Escandaloso (The Philadelphia Story, 1940)

Outro clássico que não envelhece e que, pelo contrário, e tal como um bom vinho, só ganha com o passar do tempo. Esta comédia romântica dirigida com mão cirúrgica e inspiradíssima pelo grande George Cukor é também uma sátira infernal com os seus momentos saborosamente avinagrados. Katharine Hepburn interpreta uma senhora da sociedade dividida entre dois pretendentes, Cary Grant e James Stewart. Mas Hepburn é sobretudo uma presença contagiante, carregada de ironia proto-feminista e diante da qual mesmo actores do calibre de Grant e Stewart se aproximam com prudência. Se os tempos hoje são outros, muito menos rígidos nos costumes e formais nos comportamentos, a verdade é que de Hollywood já não saem facilmente loucuras geniais como estas.

6
Punch Drunk Love

Embriagado de Amor (Punch-Drunk Love, 2002)

Imprevisível, por vezes parecido com um sonho, com episódios de violência súbita, Punch-Drunk Love – Embriagado de Amor não é uma comédia romântica como as outras, mas é melhor do que 99 por cento delas. Anderson conta a história de um homem meio infantil (Adam Sandler, no seu melhor papel até à data), dominado pelas suas sete irmãs, revoltado, triste, desesperado, e da sua peculiar mas estranhamente tocante relação com uma mulher com a cabeça nas nuvens (Emily Watson). Acrescente-se a presença de Philip Seymour Hoffman, que aqui deixou uma das mais exuberantes provas do seu talento, para fechar o argumento a favor de este ser um filme imperdível.

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5
Groundhog Day

O Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993)

A mesma ideia por detrás de Casamento Escandaloso numa história que nada tem a ver com o já referido clássico de Cukor. Bill Murray interpreta Phil Connors, um meteorologista egocêntrico que às tantas fica preso no mesmo dia – isto é, tem de viver o mesmo dia, todas as situações desse dia, todos os dias, sem conseguir sair de lá. Realizado por Harold Ramis e com o bizarro título português de O Feitiço do Tempo, Groundhog Day é a história de um homem que é forçado a ver-se ao espelho e que não gosta do que vê. É também finalmente capaz de olhar para a sua produtora (Andie MacDowell) com um interesse que não é, digamos assim, apenas instrumental. Uma comédia romântica que tem também elementos de pesadelo fantástico – não é todos os dias que descobrimos um filme como este.

4
A Matter of Life and Death, best romcoms

Caso de Vida ou Morte (A Matter of Life and Death, 1946)

Michael Powell e Emeric Pressburger tinham para esta estonteante fantasia em tempo de guerra uma ambição maior do que fazerem uma comédia romântica, mas a verdade é que se esta obra-prima absoluta pretende cobrir quase todo o espectro da existência humana, lá bem no fundo os elementos dominantes são o amor e o humor. O coração deste filme é um bizarro mas euforicamente divertido romance protagonizado por David Niven e Kim Hunter. A história envolve mil e uma peripécias passadas em várias épocas com vários outros personagens, naquele que é, mais do que um filme genial, um objecto único em qualquer momento dos 120 anos que já leva a história do cinema.

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3
Harold and Maude, best romcoms

Ensina-me a Viver (Harold and Maude, 1971)

Comédia de culto, de longe o melhor filme de Hal Ashby, Harold e Maude é uma comédia romântica diferente das outras. Humor negro e um tema arriscado – um adolescente obcecado com ideias de suicídio conhece uma mulher muito mais velha num funeral – combinam-se com elementos de drama existencial, e esta descrição basta para explicar porque esta comédia romântica saída de Hollwood não é na realidade uma comédia romântica hollywoodesca. É, isso sim, um grande filme. Bud Cort e Ruth Gordon são a dupla do título, com Maude (Gordon) a fazer com que Harold perceba gradualmente que a vida é para ser vivida com empenho e risco, e não para ser vista de longe e a choramingar.

2
The 100 best comedy movies, Annie Hall

Annie Hall (1977)

Os diálogos, as cenas com as lagostas, a imagem de Diane Keaton com gravata e casaco masculino comprido: Annie Hall é um ponto de referência incontornável da cultura pop, constantemente glosado e parodiado nos últimos 30 anos, instantaneamente identificável, e também o ponto alto da carreira de Woody Allen em termos de reconhecimento institucional – ganhou uma série de Óscares, feito que nunca repetiu. É também, no meio disto tudo, uma das grandes comédias românticas que o cinema americano nos deu. Allen é Alvy Singer, um comediante que um ano depois ainda não conseguiu perceber porque é que a sua relação com Annie (Keaton) acabou. Embora o tempo que passam juntos deixe claro que alguma coisa ficou, e é isso que Alvy, Annie e o próprio argumento tentam identificar e compreender até ao fim. Sendo um filme de Woody Allen a parte da comédia está garantida, mas o elemento romântico, ainda que em registo amargo-doce, está também sempre presente. Annie Hall é o filme de Allen de que toda a gente gosta, disse o crítico Roger Ebert, e disse-o com toda a razão.

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1
Romantic film: When Harry Met Sally

Um Amor Inevitável (When Harry Met Sally…, 1989)

 Pelo nosso lado, desafiamos o leitor ou a leitora a pensar numa comédia romântica que tenha uma cena tão perfeitamente icónica como a do jantar de Billy Crystal e Meg Ryan em que esta, a certo ponto, finge estar a ter um orgasmo, e finge-o sonora e longamente. Esta história de dois adversários que se tornam amigos que se tornam amantes coloca a eterna questão: podem um homem e uma mulher ser apenas bons amigos? Escrito por Nora Ephron, realizado por Rob Reiner, When Harry Met Sally (que tem o título português de Um Amor Inevitável) deu-nos também os conceitos da namorada “de elevada manutenção” e da pessoa, ou relação, “de transição”. Curiosamente, o filme nasceu do regresso de Reiner à vida de solteiro depois de um divórcio, e boa parte dos diálogos baseiam-se em conversas reais entre Reiner e Crystal, que eram amigos de verdade. Mais palavras para quê – se há comédia romântica que é hoje a própria essência de uma comédia romântica, ela é When Harry Met Sally...

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