Óscares 2018: E o Melhor Actor Secundário é...

O que eles andaram para aqui chegar… É o que se pode dizer depois de verificadas as longas carreiras dos cinco actores que, em 2018, podem subir ao palco e receber o Óscar para Melhor Actor Secundário.
Christopher Plummer, nomeado por Todo o Dinheiro do Mundo
Christopher Plummer, nomeado por Todo o Dinheiro do Mundo
Por Rui Monteiro |
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Dois dos nomeados na categoria de Melhor Actor Secundário vêm do mesmo filme. Mas isso acontece muito.

Embora também não seja raro a experiência acumulada pelos candidatos nesta categoria, não deixa de ser notável que, por junto, este quinteto já vá em 636 películas no total. Ah! E ainda há um nomeado que nem devia entrar no filme.

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Óscares 2018: E o Melhor Actor Secundário é...

Willem Dafoe in The Florida Project

Willem Dafoe em "The Florida Project"

Bobby, o gerente de um hotel baratucho em Orlando, mesmo à beira da Disney World,  sítio habitado por vencidos da vida, mostra um Willem Dafoe tão bruto e frio nos assuntos gerais da gerência, quanto terno e doce quando lhe cabe cuidar, mesmo que contrariado, dos residentes mais jovens que os pais deixam ao deus dará.

Até aqui chegar, o actor começou por ser um dos fundadores, em meados dos anos de 1970, da companhia de teatro experimental nova-iorquina The Wooster Group (com a qual, aliás, actuou em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, interpretando The Hairy Ape, de Eugene O’Neill, aí por meados da década de 1990). Depois de 2005, quando abandonou a companhia, a relação com o palco manteve-se através do trabalho com Richard Foreman e, mais recentemente, com Robert Wilson, em The Life & Death of Marina Abramovic, e, lado a lado com Mikhail Baryshnikov, The Old WomanMas não fica por aqui: trabalha com o encenador Romeo Castellucci em The Minister's Black Veil, a partir de Nathaniel Hawthorne.

Contudo, é do cinema que toda a gente o conhece e com boas razões, pois a solidez das suas interpretações não só lhe valeram duas nomeações anteriores nesta categoria (A Sombra do Vampiro, de E. Elias Merhige, e Platoon, de Oliver Stone) como se tornou, de certo modo, numa espécie de certificado de garantia de uma película, o que justifica ter trabalhado com realizadores tão diferentes como Kathryn Bigelow, Zhang Yimou, Wes Anderson, Martin Scorsese, David Lynch, Oliver Stone, William Friedkin, Werner Herzog, Lars Von Trier, Abel Ferrara, Spike Lee, Julian Schnabel, ou David Cronenberg e Paul Schrader… Descubra aqui os seus filmes obrigatórios.

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Woody Harrelson in Lost in London
Image: Alex MacNaughton

Woody Harrelson e Sam Rockwell, em "Três Cartazes à Beira da Estrada"

No filme que melhor se tem saído na temporada de prémios em algumas das principais categorias, Woody Harrelson (na foto) faz de Willoughby, o xerife que não consegue encerrar uma investigação de assassínio e que ainda carrega um peso substancial na consciência por coisas exclusivamente suas.

Sam Rockwell é Dixon, o adjunto racista, apoiante indefectível do seu chefe na controvérsia criada pelos cartazes plantados à entrada de Ebbing pela personagem interpretada por Frances McDormand, porém à beira da expulsão da polícia por conta do seu comportamento pouco, ou mesmo nada profissional.

Se para Rockwell esta é a primeira nomeação (apesar de já ir em mais de 100 interpretações cinematográficas, entre elas nos filmes Frost/Nixon e O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford), Harrelson, ao fim de 92 filmes, depois de um breve namoro com o teatro e, principalmente, após várias temporadas na série de televisão Cheers, vai na terceira, depois de nomeado para Melhor Actor Principal pelo seu trabalho em Larry Flynt, de Milos Forman, e O Mensageiro, de Oren Moverman.

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Richard Jenkins em "A Forma da Água"

Pequeno, mas importante e, sem dúvida tão bem interpretado que mereceu a Richard Jenkins a sua segunda nomeação (depois de, em 2008, ser candidato a Melhor Actor Principal pelo seu papel em O Visitante, de Tom McCarthy), o actor que fazia de pai morto mas sempre presente na série televisiva Sete Palmos de Terra, tem as suas raízes no teatro. Antes de ser Giles, no filme de Guillermo del Toro que segue à frente em número de nomeações, e muitas outras personagens que já interpretou no ecrã, este habitual do cinema dos irmãos Farrelly, é membro fundador da Trinity Repertory Company, criada em 1977, em Rhode Island, da qual foi director artístico durante quatro anos, e onde se apresentou em peças de autores tão distintos como John Steinbeck, Samuel Beckett, ou Sam Shepard e o inevitável Anton Tchékhov.

Christopher Plummer in Beginners

Christopher Plummer em "Todo o Dinheiro do Mundo"

Ora aqui está um nomeado que nem estava para entrar no filme. Decerto, após mais de 60 anos de profissão, o canadiano Christopher Plummer já passou por muitas – e substituir um actor não foi com certeza uma novidade para quem entrou em mais de 150 filmes desde 1953 e participou em dezenas de peças de teatro. As circunstâncias desta substituição com o filme já rodado, porém, são mais raras, pois o capitão Von Trapp de A Música no Coração entrou em cena para o realizador Ridley Scott poder apagar Kevin Spacey de todos os fotogramas em que fazia o milionário do petróleo J. Paul Getty, o velho sem coração que se recusou a pagar o resgate do seu neto raptado por uns bandidos.

Apesar da sua farta experiência e indiscutível qualidade, só por duas vezes Christopher Plummer foi nomeado para os Óscares, ambos na mesma categoria porque é agora candidato: em 2009, com A Última Estação, de Michael Hoffman, e, dois anos depois, no filme de Mike Mills Assim É o Amor – o que o tornou o mais idoso actor a receber um Óscar.

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