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“Um oásis” com pequenos-almoços, lanches e almoços leves. O Clara Café nasceu na Brotéria

Fernão Gonçalves e Diogo Noronha estão à frente do projecto, que abriu em Março. A proposta gastronómica rege-se pela sazonalidade, incluindo torradas, tostas, saladas e omeletes feitas com produtos de pequenos produtores.

Beatriz Magalhães
Escrito por
Beatriz Magalhães
Jornalista
Clara Café
Fernão Gonçalves | Esplanada do Clara Café
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Um oásis. É assim que Fernão Gonçalves apelida o pátio onde fica a esplanada do Clara Café – e não está errado. Afinal, onde vamos encontrar um sítio mais calmo, escondido e sombreado por um limoeiro, no centro da cidade? “É um oásis neste centro da cidade super confuso. Estás numa das ruas mais movimentadas e caóticas de Lisboa, em que se só se ouve trânsito e buzinadelas, e depois entras neste pátio, onde tens uma fonte com água a cair, e parece que estás noutra cena”, descreve Fernão Gonçalves, que se juntou a Diogo Noronha para desenvolver este projecto, inaugurado no início de Março.

Para chegar ao Clara Café, é preciso primeiro entrar no palácio da Brotéria, centro cultural no Bairro Alto – que serve de casa à Companhia de Jesus e a seis padres jesuítas, que vivem no último piso. Passando a livraria à entrada, basta virar à esquerda antes da imponente escadaria e subir alguns degraus para chegar ao café. Quem conheceu o antigo café-restaurante que aqui estava talvez não repare nas mudanças: há um novo balcão enviesado, que separa a cozinha da sala, e, na parede do fundo, um expositor de revistas. As mesas e cadeiras de madeira clara completam o espaço, luminoso e minimalista.

Fernão Gonçalves e Diogo Noronha são amigos e começaram a trabalhar juntos há cerca de 12 anos. Conheceram-se no Casa de Pasto, onde Fernão era barman e Diogo chef. Depois disso, juntaram-se novamente para abrir o Rio Maravilha e o Pesca, restaurante de fine dining da Plateform, grupo em que o barman chegou a chefe de bar executivo e do qual já não faz parte. Hoje, tanto Fernão Gonçalves como Diogo Noronha têm empresas ligadas a eventos, a Thinking Cocktails e o Diogo Noronha Studio, respectivamente.

Clara Café
Fernão Gonçalves

No ano passado surgiu a oportunidade de agarrarem no café do palácio no Bairro Alto e transformá-lo ao seu gosto. “Ele tem uma criança e eu tenho dois miúdos, então dissemos logo que tinha de ser um projecto de restauração fora do fine dining, sem lodos e turnos sem parar. É das dez às seis, tranquilo. É um sítio onde podemos explorar algumas coisas e divertir-nos um bocado”, diz o barman, eleito bartender do ano pela Time Out em 2023.

A carta é “all day”, com pequenos-almoços, almoços, ora mais leves, ora mais consistentes, e lanches. Está pensada para quem vem somente ao Clara Café, mas também para quem estuda ou trabalha nas diferentes salas da Brotéria, que ocasionalmente acolhem eventos. No centro da proposta gastronómica está a sazonalidade, aliada à preferência pelos produtos nacionais. “Há uma consciência em incluir pequenos produtores e produtores biológicos. A ideia é dar-lhes voz”, afirma Fernão Gonçalves, acrescentando que a dupla trabalha com algumas marcas, como a Flor da Selva, o Pão do Pastor, a Biofrade, a Kin Ferments e a Casa Pratas, há vários anos.

Clara Café
Fernão GonçalvesTorrada de pão de centeio com manteiga de miso, alho-francês, folhas da estação, couve-rábano e amêndoas tostadas

A primeira parte da carta inclui os pequenos-almoços e lanches. Nas opções mais simples, está o croissant com queijo ou misto (4,50€ e 5,50€, respectivamente), o croissant ou torrada com requeijão, abóbora e rúcula (5,50€), e a tosta mista prensada (9,50€). As restantes propostas são ainda mais interessantes: há folhado de acelgas e salsicha com sementes de mostarda em pickle (4,50€); tosta prensada de três queijos com acelga em pickle e sementes de sésamo (8,50€); e torrada de pão de centeio barrada de manteiga de miso, com alho-francês, folhas da estação, couve-rábano e amêndoas tostadas (12€).

Das tostas e torradas passamos para as omeletes, saladas e sobremesas. Ainda que o possa parecer pela descrição da carta, o Clara Café não é um sítio de brunch, nem os pratos são, como acontece muitas vezes, previsíveis. São, sim, surpreendentemente saborosos. Destacam-se a omelete recheada com pasta de espinafres, nabiças e salsa, acompanhada de pão de centeio, manteiga de miso branco e germinados de chia (12€) e a salada de frango, bulgur, legumes e folhas da temporada, com molho de iogurte, mostarda dijon e alho assado, e sementes de abóbora (16€), uma das mais populares.

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Fernão GonçalvesSalada de beterraba

Há também ovo escalfado com marmelada de cebola roxa, biscoito de zaatar e queijo tomme (12€); creme de couve flor com cebola assada e granola (4,50€); salada de beterraba, aipo e queijo chévre regada com um vinagrete de sementes de funcho e sidra (14€); ou bowl de grão de bico com cenoura, pepino, alface do mar e kale, germinados e sementes de sésamo, e molho verde (16€). Para sobremesa, recomenda-se o bolo de limão confit, com azeite e açafrão da Índia, natas azedas e kiwi (4,50€). A tarte cremosa de chocolate, toffee de miso e koji de cevada (4,50€) é a outra opção.

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Fernão GonçalvesBolo de limão confit, com azeite e açafrão da Índia, natas azedas e kiwi

“A estrutura da carta é mais ou menos sólida. O que fazemos depois são pequenos ajustes com produtos da temporada”, explica o sócio. “O objectivo é ter sempre algum dinamismo. Vamos ter mais algumas entradas e trabalhar com os specials, ou seja, quando começar o Verão, se, por exemplo, encontrarmos um tomate que está top, podemos pensar em fazer uma sopa, ou tosta, ou um prato em que o tomate pode ser o herói. A seguir, pode vir outra coisa qualquer.”

A carta de bebidas é menos extensa, mas é variada. Além de café de filtro, latte, cappuccino e chá (3€-4€), há kombucha (4,50€), chá frio (2,50€), cerveja artesanal (3,70€) e vinhos: tinto Ethos de 2021 (6€ o copo, 26€ a garrafa), tinto Meio-Rural de 2023 (43€), branco Ethos de 2024 (6€ e 26€), e um branco Domino Colar de 2023 (33€).

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Fernão GonçalvesLatte

“É um sítio onde nos sentimos bem. É chill. O que é que eu faço? Faço o que quiser. E os clientes também estão nessa vibe – podem sentar-se onde quiserem, a trabalhar, almoçar, namorar”, remata Fernão Gonçalves, desviando o olhar para um casal que se instalou numa mesa próxima e que por ali ficará, supomos nós, algumas horas.

Brotéria, Rua de São Pedro de Alcântara, 3 (Bairro Alto). Seg-Sáb 10.00-18.00

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