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As praias paradisíacas que resistem no Algarve

Algarve não tem de ser sinónimo de praias apinhadas. Ao longo de 329 km de linha de costa, ainda se encontra meia dúzia de paraísos

Fotografia: Arlindo Camacho
Praia do Camilo ao fim do dia

Fomos de Barlavento a Sotavento, sempre com os pezinhos de molho, à procura dos areais perfeitos para descansar do mundo. Mas também das praias ideais para surfar, para ver as vistas, ver e ser visto ou até para andar com tudo à mostra.

As praias paradisíacas que resistem no Algarve

Praia dos Salgados – Albufeira

Praia dos Salgados – Albufeira

Fica na continuação do areal da Praia Grande e para lá chegar é preciso atravessar a Herdade dos Salgados, o empreendimento turístico associado ao campo de golfe. Mas vale bem a caminhada. Além dos muitos veraneantes que enchem os céus de parapentes, a avifauna é outro dos pontos fortes desta praia, uma das zonas do Algarve com mais espécies de aves diferentes. Tem ainda um grande parque de estacionamento mesmo junto à costa e um restaurante chamado Mamma Mia com uma sangria especial. As frutas ficam a fermentar em vinho de um dia para o outro (13,50€).

Praia da Arrifana – Aljezur

Praia da Arrifana – Aljezur

É uma das praias mais concorridas da costa oeste do Algarve, mas joga num campeonato bem diferente dos areais de Albufeira. Fica numa enseada, protegida por altas escarpas, e tem o casario da aldeia que lhe dá nome a servir-lhe de enquadramento (aproveite para encher o seu Instagram com boas fotos). O areal estende-se por 500 metros e termina, a sul, na conhecida Pedra da Agulha, uma rocha vertical erguida na água. E claro, é famosa pelas boas ondas que atraem surfistas e bodyboarders de todos os cantos do mundo.

Praia Verde – Castro Marim

Praia Verde – Castro Marim

Esta praia é um postal e uma das jóias da coroa algarvia. Situada entre as praias da Alagoa e do Cabeço, está abrigada por um pinhal manso que confere à paisagem um tom esverdeado – daí o nome da praia. O areal é extenso, por isso vai poder esticar a toalha, abrir as cadeiras, enterrar o chapéu de sol e montar o pára-vento à sua vontade, sem ter ninguém a reclamar por espaço vital ao seu lado. A areia é branca, a água é límpida e junto ao mar há um poço a que chamam romano. Mas não se deixe enganar pelo nome que lhe deram: a construção é de meados do século XX e faz parte das ruínas de uma povoação que ali existiu.

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Praia de Benagil – Lagoa

Praia de Benagil – Lagoa

É um dos postais mais famosos do Algarve. Arriscamos até dizer que aquela clarabóia na gruta do Algar de Benagil, que vê ali na imagem do lado, é conhecida em todo o mundo. Para lá chegar – à gruta – fale com um dos donos dos barcos estacionados pelo areal da Praia de Benagil ou então com Rúben Costa, o dono da Taruga Benagil Tours, que por 30€ o leva numa viagem de uma hora e meia através de 20 grutas, algares e praias desertas. Certifique-se de que lá vai no período da maré baixa e vai ver que vale a pena. Já a praia encontra-se protegida por uma falésia, guardada ao fundo de um vale muito inclinado. Em 2014, tal como outras da zona, foi sujeita a uma intervenção que lhe aumentou consideravelmente o areal.

Praia do Camilo – Lagos

Praia do Camilo – Lagos

Nesta também vai ser difícil não andar de telemóvel em riste a fazer pirraça aos amigos no Instagram. Fica a meio caminho entre as praias de Dona Ana e da Boneca, e para lá chegar basta seguir na direcção da Ponta da Piedade até ver a placa. Depois tem uma escadaria de madeira, apoiada na rocha, com cerca de 200 degraus. Mas vale bem o esforço de descer e trepar cada um deles. Lá em baixo, o areal está protegido do vento pelas falésias recortadas e a água é de aquário. Cá em cima, tem O Camilo à espera, um restaurante com uma vista de deslumbrante e uma montra de peixe fresco a condizer. 

Praia da Culatra – Olhão

Praia da Culatra – Olhão

Para a ilha da Culatra, na Ria Formosa, só se vai de barco. Uma vez lá, junto à pequena aldeia piscatória vai encontrar pescadores atarefados a desembaraçar redes e a esvaziar os covos que usaram para apanhar polvos. Se continuar a caminhar para o coração da ilha, vai encontrar bons restaurantes com peixe fresco e as casas caiadas dos cerca de 600 habitantes, decoradas com emblemas de clubes de futebol. E se continuar a caminhar para a outra extremidade da ilha, vai descobrir uma praia, com longo areal, quase deserto, e umas belas ondas imponentes.

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Praia do Barranco – Sagres

Praia do Barranco – Sagres

Está rodeada por arbustos de zimbro, é abrigada por rochas calcárias e é tão bonita que custa explicar. O areal é curto, mas as águas acalmam numa pequena baía e o mar mais parece uma piscina. É óptima para o paddle surf (muito na moda), ou simplesmente para ficar para ali a boiar, sem se apoquentar muito com o resto do mundo. É famosa entre os mergulhadores dada a grande diversidade de espécies marinhas que se escondem entre as rochas no fundo do mar. O acesso é feito por um caminho de terra batida que segue 4,6 km para Sul, a partir da aldeia da Raposeira.

Praia do Telheiro – Sagres

Praia do Telheiro – Sagres

Para quem vem de Norte, não tem nada que enganar: é a última praia antes do Cabo de São Vicente. E é um geossítio. O que é isso?, pergunta você e muito bem. Nós explicamos. A Praia do Telheiro está para os geólogos como uma mina de ouro está para um garimpeiro. O seu elevado interesse deve-se ao facto de aqui existirem formações rochosas de idades muito afastadas. A olho nu vai perceber que há camadas de arenito vermelho sobre rochas escuras e antigas, cada uma formada com milhares de anos de diferença, resultado da fragmentação da Pangeia, o supercontinente que deu origem aos cinco actuais. E agora que já sabe isto tudo, só precisa de convencer o resto da malta com este postal que aqui lhe deixamos.

Praia do Homem Nu – Tavira

Praia do Homem Nu – Tavira

Reza a lenda que o nome surgiu por causa de um naufrágio do qual sobreviveu apenas um homem que deu à costa nu. Talvez sugestionados pelo nome da praia, os praticantes de naturismo adoptaram-na e fizeram dela um dos seus lugares predilectos para andarem tal como vieram ao mundo. Contudo, não é fácil lá chegar. Antes de tirar a roupinha e de se esticar ao sol no longo areal (sempre são 4 km de praia), há que apanhar um aqua-táxi que sai da Fuzeta. Além de deserta e selvagem, a praia do Homem Nu não tem qualquer tipo de infra-estrutura de apoio, por isso, leve comida, água e muito protector solar. Pessoas vestidas também são bem-vindas.

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Praia do Castelejo – Vila do Bispo

Praia do Castelejo – Vila do Bispo

É difícil não nos sentirmos esmagados pela imponência das rochas xistosas e escuras que delimitam a praia. O extenso areal branco, de areia fina, e a pedra da Lage, mais a norte, que parece um castelo emergido do mar, intensificam a sensação de pequenez. Foi assim que se sentiu Paul Richardson, o jornalista do Financial Times que, em 2015, a elegeu como sendo a “praia perfeita”. Porquê? Porque é simplesmente a “mais ferozmente bela” praia inserida na “mais bem preservada faixa costeira de 60 km em todo o Sul da Europa”. Nós estamos tentados a concordar com ele. De resto, fique sabendo que a bandeira é azul, dispõe de restaurante e wc de apoio e um parque de estacionamento simpático. Ah, e boas condições para o surf.

Praia da Barriga – Vila do Bispo

Praia da Barriga – Vila do Bispo

Avisamos já que não vai ser fácil lá chegar, mas que vai agradecer que assim seja. A calma que encontra nesta praia, ideal para quem sonhou o ano inteiro com férias, vai compensar os oito quilómetros em terra batida e a falta de sinalização na estrada (dica: após o desvio para a praia do Castelejo siga sempre para Norte). Cheia de recantos criados pelo recorte das arribas, a praia da Barriga tem paredes rochosas laminadas, deformadas pelo impacto das ondas do mar, que vale mesmo a pena conhecer. E se tiver um cão que goste tanto de sol e mar como o dono, é a praia ideal para onde o levar. Há espaço de sobra para ele esticar as patas.

Praia da Salema – Vila do Bispo

Praia da Salema – Vila do Bispo

Foi considerada pelo jornal britânico The Guardian como uma das 50 praias mais belas do mundo. Os jornalistas que a colocaram em 15.º lugar no ranking justificaram-se com o facto de esta “aldeia piscatória ter escapado ao desenvolvimento em grande escala que desfez grande parte da costa sul de Portugal”. Além da beleza natural, a Praia da Salema tem outros encantos. Há ruínas de uma vila romana e de uma antiga fábrica de conserva de peixe para descobrir, e nas paredes rochosas das arribas há pegadas de dinossauros bípedes carnívoros, que povoaram esta região há cerca de 140 milhões de anos.

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Praia da Ponta Ruiva – Vila do Bispo

Praia da Ponta Ruiva – Vila do Bispo

Foi assim baptizada por causa da rocha avermelhada que existe na extremidade sul da praia e que, por sinal, cria uma onda muito desejada pelos surfistas. Por causa disso, são eles os seus grandes frequentadores. E não vai ser difícil encontrá-los, de prancha debaixo do braço, a descer a pé pelo penhasco que você terá também de vencer. Ainda que com uma inclinação suave, o acesso pedonal é difícil, o que ajuda a que esta praia permaneça um paraíso. Além das boas ondas, o pôr-do-sol é outro dos grandes espectáculos em cartaz neste cenário idílico. Certifique-se de que ao fim do dia ainda tem bateria no telemóvel: é que a paisagem fica ainda mais magnífica quando os últimos raios reflectem sobre os tons avermelhados da rocha e ninguém resiste a uma foto.

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