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Crescer em Benfica

Crescer em Benfica: da creche ao ensino superior sem sair do bairro

As escolas de Benfica estão articuladas para que as crianças cresçam em liberdade e segurança no bairro. No quarteirão escolar, há creche, escolas básicas, secundária e politécnico. Tudo a uma distância a pé da nova Fábrica 1921.

Time Out em associação com Fábrica 1921
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Benfica tem uma escola única em Lisboa, onde coabitam miúdos que mal deixaram as fraldas e jovens a braços com o primeiro bigode: a Pedro Santarém. Não é por falta de espaço. É uma experiência de integração, em que os mais velhos “apadrinham” os mais novos, que fomenta a convivência e está a ter bons resultados. Do outro lado do muro, outro caso de sucesso: a EB 2/3 Quinta de Marrocos, que é uma escola de referência para surdos, que conseguem comunicar com os colegas não-surdos porque todos aprendem linguagem gestual portuguesa. Ficam ambas no quarteirão escolar, de onde as crianças do bairro não precisam de sair para ir da creche ao ensino superior. É tudo paredes-meias.

E tudo a um passo do coração do bairro, onde vai nascer a nova FÁBRICA 1921.

“Benfica é uma freguesia ímpar”, diz Ricardo Marques, vogal da junta com o pelouro da Educação e da Formação. “Temos todos os níveis de ensino”, num total que, incluindo as privadas, chega às 32 escolas. Cinco são jardins-de-infância públicos (ou seja, gratuitos). Em breve serão seis. O Instituto Politécnico de Lisboa tem aqui as escolas de educação, comunicação e música. O ISCAL, de contabilidade e administração, está “em vias de começar a construção”, e ainda há uma quinta já prometida: a Escola Superior de Dança. O  ensino secundário é garantido pela José Gomes Ferreira (sim, a escola da série 1986), com uma forte ligação às áreas da ciência e “de onde saem grandes médicos e enfermeiros”.

Engenheiros, também. “Um dia apareceu-me aí o João, que foi para o Técnico e que neste momento está na Noruega”, recorda Teresa Lamego. Quis ver a creche onde fez os primeiros desenhos. “Foi uma sensação boa”, suspira a educadora, que trabalha na Pedrita quase desde o início e que foi ela própria aluna neste quarteirão escolar (licenciou-se na Escola Superior de Educação). Teresa, 63 anos, chegou à Pedrita em Novembro de 1977, dois meses depois de esta creche ter aberto por iniciativa de “um grupo de professores muito dinâmico” da vizinha Pedro Santarém. Inicialmente era só para os filhos dos funcionários da escola, agora recebe crianças que idades entre um e seis anos de toda a freguesia. “Isto começou do nada. Estava completamente abandonado”, conta. “A casa foi crescendo, crescendo”, sofreu depois obras de monta e chegou a ter 100 crianças. Agora são 80. Um número muito diferente do que Teresa encontrou de início: “uns cinco ou seis”. Hoje, os miúdos de então confiam-lhes os seus filhos. É a segunda geração da Pedrita.

Jovem, palpitante e a crescer
Apesar do estigma de ser um bairro envelhecido, Benfica “está 2% abaixo da média da cidade ao nível do envelhecimento”, nota Ricardo Marques. “Temos tido muitas entradas de jovens casais”, o que este executivo da junta acredita que continuará devido aos projectos de habitação previstos para diversos locais da freguesia, incluindo a FÁBRICA 1921, a nascer no local da antiga Fábrica Simões. Simultaneamente, o bairro recusa transformar-se num dormitório de Lisboa. “Uma das estratégias tem sido criar eventos de referência, que tragam as pessoa à rua, para fruir do espaço público e conviver” com os outros habitantes, sublinha Ricardo Marques. Outra estratégia está a ser feita através das crianças, mobilizando-os para as artes e o desporto.

“Uma vez por semana, os miúdos são resgatados do espaço escolar, com transportes assegurados pela junta, e vão praticar desporto, vão fazer teatro ao Auditório Carlos Paredes ou vão ao Palácio Baldaya fazer yôga”, enumera Ricardo. Os pais vão buscá-los e convivem com  os técnicos, com os clubes, com as associações, e isto tem trazido muita vida à freguesia.” As modalidades são as mais diversas: futebol no Clube de Futebol de Benfica, râguebi no Grupo Desportivo Direito, padel na Mata de Benfica, onde também se pode fazer rapel, slide, escalada ou tiro com arco no Bx Adventure Park, ou natação na piscina do complexo desportivo que chegou a albergar a sede do Sport Lisboa e Benfica até aos anos 1980 e onde também há um rinque à disposição e um ginásio.

Quando o ano lectivo acaba, entram em acção dois programas de férias muito populares. Joana Nena, coordenadora do ginásio, explica: “Nas férias activas, as crianças têm várias experiências durante uma semana, desde idas à praia, actividades desportivas, piqueniques e uma dormida fora de casa; depois temos as férias desportivas, em que vamos para o Malhadal, um parque desportivo em Proença-a-Nova, onde fazemos imensas actividades e muitas coisas ligadas às parte aquática, desde caiaques a descidas de rio”. “Eles adoram”, diz a professora. “Assim que acabam as aulas já estão ansiosos: ‘Quando é que chega Agosto, para eu ir de férias?...’ É muito giro.”

O que é o Quarteirão Escolar?

É um hub pedagógico, onde os miúdos podem fazer todo o percurso académico – dos primeiros desenhos ao exame final no curso superior. A escola pública é responsável pela maior parte da oferta: dois jardins-de-infância (para crianças a partir dos três anos), duas escolas básicas (um das quais com os três primeiros ciclos de ensino, do primeiro ao nono anos), uma secundária e três escolas superiores do Politécnico de Lisboa. A excepção privada é a creche Pedrita, que recebe bebés a partir de um ano de idade. Nestes terrenos, contíguos ao empreendimento FÁBRICA 1921 (as distâncias às escolas variam entre os 200 e os 700 metros, ou seja, dez minutos a pé no máximo), está impedida a construção de qualquer empreendimento não escolar. Mais informações sobre o projecto em www.fabrica1921.pt

O melhor de Benfica

  • Coisas para fazer
  • Caminhadas e passeios

Demos corda aos sapatos para lhe trazer um apanhado do que há de melhor para fazer na Estrada de Benfica, uma importante artéria da cidade que se estende ao longo de duas freguesias: Benfica e São Domingos de Benfica. Ainda se sente um forte pulsar da vida de bairro em cafés, restaurantes, mercearias, padarias e lojas de todos os tamanhos e feitios. Há ainda dois antigos palácios que estão à sua espera, os melhores locais para se sentar a descansar se decidir fazer o mesmo que nós e percorrer a estrada de uma assentada só. Eis as paragens obrigatórias na Estrada de Benfica.

  • Coisas para fazer

Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal e Conde de Oeiras, não foi o único marquês a viver em Lisboa. Em Benfica, também havia marqueses, como João de Mascarenhas, o 1.º Marquês de Fronteira, título atribuído como recompensa pelos seus feitos militares na Guerra da Restauração e por ter apoiado D. Pedro II contra D. Afonso VI em 1667-1668. No Palácio dos Marqueses da Fronteira, à beira do Parque Florestal de Monsanto, há muitos painéis a descrever os seus feitos, sobretudo na Sala das Batalhas. Mas há outras atracções na freguesia de Benfica, com ou sem marqueses, como o Museu Cosme Damião, a Quinta da Granja, o Parque Silva Porto ou o Jardim Zoológico de Lisboa. Pronto para passear?

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  • Restaurantes

Se pesquisar na internet “melhores bolos de Benfica”, o Google sugere “melhores golos do Benfica”. Por isso aqui estamos nós a corrigir o trabalho de um motor de busca. Fomos à procura dos melhores bolos de Benfica, desde deliciosos bolos triangulares aos clássicos pastéis de nata, passando por bombas calóricas americanas e croissants de lamber os dedos e salivar por mais. Está de dieta? Depois compensa com treinos ao ar livre, nos parques e jardins da cidade. Agora não se deixe atrapalhar pelas resoluções de ano novo e vá lanchar com a família ou entre amigos. O resto do dia até corre melhor, vai ver.

  • Hotéis

Se quer conhecer Lisboa como um lisboeta não é bem no centro ou nos bairros históricos que o vai fazer. Para viver a cidade e cruzar-se com moradores que dizem "bom dia" em vez de "good morning" ou "bonjour" rume até Benfica, uma quase-cidade dentro da cidade. Castiça, popular, bairrista e enorme (tão grande que, em podendo, se pode viver e trabalhar sem sair de lá), vale a pena calcorrear Benfica, Carnide, Alto dos Moinhos ou São Domingos de Benfica. É lá que encontra alguns dos melhores restaurantes tradicionais portugueses, algumas das atracções mais competitivas no que a compras diz respeito e um estádio habituado a romarias.

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  • Compras

Benfica é exemplo de bairro mestre no comércio de rua: a cada esquina um amigo e um café, uma mercearia, uma esplanada, uma pastelaria ou uma loja. Lãs, vinis, capacetes, bolinhos, tintas, brinquedos, loiças, antiguidades, peixes, bicicletas ou venda a granel, que soma pontos para estes lados, seja ela de café de grão ou quinoa certificada. Há variedade suficiente para agradar a gregos, troianos e habitantes da freguesia. E cabe a cada um dos que entra por estas moradas adentro ajudar a manter abertas as portas e os negócios de bairro de pé. Já conhece estas lojas em Benfica?

  • Restaurantes
  • Português

Benfica ainda é um daqueles bairros em que pode (e deve) dizer bom dia à vizinha que está a estender a roupa se for novato nas redondezas, ou estiver só à procura de um bom restaurante para almoçar ou jantar, vai ser logo bem visto e com sorte leva uma ou outra recomendação para o caminho. Das cervejarias com fama para mariscadas à grande, aos restaurantes de peixe e outros de bons nacos na pedra, há bons restaurantes em Benfica para fugir ao centro da cidade, aos sítios da moda e às filas intermináveis.

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