O melhor dos mercados de Lisboa

Nada como encher o cabaz, ou a cesta, ou a alcofa (você decide) nos mercados de Lisboa.
Mercado de Arroios
Fotografia: Arlindo Camacho Frutaria Luísa Máximo, Mercado de Arroios
Por Mariana Correia de Barros |
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Uma encomenda de frescura, variedade e qualidade: eis o que vai encontrar nos Mercados de Lisboa, banca a banca. 

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O melhor dos mercados de Lisboa

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Mercado de Arroios
Coisas para fazer, Mercados e feiras

Mercado de Arroios

icon-location-pin Lisboa

Inaugurado em 1942

Tem andado nas bocas do mundo (lisboeta, claro) graças à reabertura em Janeiro de 2017. Aos 75 anos fez um lifting, apresentou-se com um aspecto mais clean, uma zona para crianças com frutas a fingir, um programa de actividades didácticas, restaurantes – entre eles o popular Mezze, da Associação Pão a Pão –, além dos vários comerciantes que não arredam pé e abastecem muitos restaurantes da zona.

A Frutaria Luísa Máximo  

As frutas de Luísa Máximo, há décadas no Mercado de Arroios, são o oposto daquele bonito projecto português chamado Fruta Feia. São brilhantes, até parecem envernizadas, e isso apenas quer dizer uma coisa: vieram de avião. Se não lhe pesa a consciência a nível de ecologia (ai, ai, ai) compre pomelos da China, laranja-desangue de Madagáscar, uvas do Peru, maracujás do México, ananás da Costa Rica, abacates de Espanha e por aí fora. Abastece-se no MARL, sempre nos mesmos fornecedores, e quando o assunto são as hortaliças, gosta de jogar pela selecção nacional. “Tenho muita coisa da zona saloia. Ali de Mafra, Malveira, umas ‘abazinhas’ da Ericeira, vai até Loures.” Coisas ricas como uma couve lombarda que pesa nada menos que 8 kg.

Os queijos de Armando Lopes Alexandre 

Só está no mercado às terças, sextas e sábados e, se quer sair daqui com a matéria-prima certa para compor uma tábua de queijos e enchidos, mais vale ajustar as suas visitas a esses dias da semana. O pouco espaço que tem a banca é inversamente proporcional à quantidade do que vende. Produtos de norte a sul do país – “olhe, está aqui o fornecedor de Ferreira do Zêzere a descarregar”, diz – que o próprio escolhe para ir aumentando o leque de novidades. “Vou buscar uns, passo numa queijaria que não conheço, entro e provo.” Há queijos frescos da marca Tété, alguns dos queijos da Beiralacte, há enchidos de Lamego, de Trás-os-Montes, tudo. “Há uns que só eu é que devo ter. São de uma queijaria pequena da minha aldeia. Os Flor do Vale, do Valado de Santa Quitéria, em Alfeizerão.”

O Talho Paulo Dionísio

Abriu portas em vésperas da revolução, no dia 1 de Abril de 74. Não é mentira que se tornou um ícone do edifício, que continua a ter muita procura, apesar de o próprio reconhecer que a afluência não é a de outros tempos. “A nível de mercado isto está superfraco.” Por isso, se anda à procura de preparados para o jantar e no meio do rol de peças de carne 100% nacional – “dali da zona de Almograve, de Beja, tal como os enchidos, do Alentejo” –, e só encontrar uns hambúrgueres feitos, não se coíba de perguntar pelos panados, as almôndegas ou os rolos de carne que também confeccionam. No caso de querer testar a qualidade antes da compra, sente-se à mesa do Solar dos Cortadores, também no mercado, restaurante-extensão deste talho.

Os frangos da Churrasqueira do Mercado de Arroios

Terça-feira, dez e picos da manhã, e o Senhor Adelino Soares encontra-se de óculos de cientista e máscara de hospital a limpar e a trabalhar o carvão vegetal da grelha do seu restaurante. Enquanto prepara as brasas, atende telefonemas com encomendas – não há outra forma de provar estes óptimos frangos de churrasco – e mais tarde voltará a temperar um novo tabuleiro de frangos, que deixa um óptimo aroma na loja. “É secreto, é caseiro, feito por mim. Gasto em média 10 kg de alho por semana.” O frango, explica, “é temperado conforme as encomendas, com meia hora de antecedência. Não convém ficar mais tempo.” Na grelha demora mais 25 ou 30 minutos, “menos que isso queima por fora e fica cru por dentro. Cá serve-se em condições.” Feitas as contas, o que o leitor precisa é de uma hora para encomendar e apanhá-lo. A ele ou ao coelho, ao entrecosto, piano… é escolher. Ter-Dom 09.00-14.00/ 17.00-20.30

Sabia que? Segundo a Junta de Freguesia de Arroios, o mercado foi considerado imóvel de interesse cultural no final dos anos 80.

Um segredo... A banca de hortícolas da Dona Rosa é uma das favoritas entre os restaurantes da zona. Tudo o que vende vem do MARL, e já leva 40 anos de história e conhecimento neste mercado.

Rua Ângela Pinto, 40 D. Seg-Sáb 06.00-02.00

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Mercado 31 de Janeiro
Coisas para fazer, Mercados e feiras

Mercado 31 de Janeiro

icon-location-pin Lisboa

Inaugurado entre 1924 e os anos 70

A nível de mercados municipais é um millennial, tendo apenas nascido em 1996. Ergueu-se em dois andares, mas hoje a actividade concentra-se apenas num piso, com alguma vida para além das frutas, legumes, peixes e carnes, graças a novo sangue que veio dinamizar o edifício. Além de sair com o saco de compras completo para encher o frigorífico, ainda encontra especiarias, frutos secos e café artesanal.

Os peixes frescos da banca de Açucena Veloso

Açucena Veloso, bem conhecida entre os chefs da cidade e durante anos a cara deste mercado, já não está entre nós. Mas na sua banca continuam a sorrir, a servir e a prestar-lhe homenagem da melhor forma possível: com matéria-prima de qualidade. A banca ficou nas mãos da família, “está cá o meu avô, Vítor Veloso, e a minha mãe, Susana Veloso”, conta Tatiana Santos, neta de Açucena. “Já conhecemos os clientes, já sabemos o que gostam.” E o que gostam é bom peixe de selo nacional (salvo algumas excepções) daquele com o olho brilhante e as guelras garridas (agora releia sem se engasgar nos “r’s”).

A Torra Média do Alan

O que outrora foram bancas de hortícolas, é agora poiso para as embalagens de café artesanal de Alan, natural do Gabão. A marca Torra Média, com café das Honduras, Etiópia ou Ruanda, por exemplo, aposta na, perdoem-nos a repetição, torra média, uma torra mais leve. “É um café que se bebe como um chá”, diz. “Só temos cafés de pequenos produtores, de zonas específicas de planalto onde cresce arábica. Mando torrar numa micro roastery em Varsóvia, que é para mim uma das melhores do mundo”, acrescenta. O café é vendido em grão e deve ser moído na hora – apesar de o poder moer à  ali mesmo. Aos sábados, Alan faz degustações daquilo que vende, por isso aproveite.

Os frescos de Maria de Fátima Sousa

Fátima Sousa veio para o mercado com 15 dias de vida. Hoje tem 25 anos e ajuda a mãe, sua homónima, a tratar de escolher as hortaliças, as frutas, as azeitonas, os frutos secos, os feijões. “Vamos ao MARL e compramos maioritariamente no pavilhão 3, que é o dos pequenos produtores. Compramos pouca quantidade, para ir mais vezes e comprar fresco.” A juntar aos espinafres carnudos e couves que nos deixam a sonhar com uma boa sopinha, tem rábanos e rabanetes frescos, cebolete, cebolas novas, muita e boa fruta nacional.

Treinar o olfacto na Rota das Índias

Vale a pena ir à Rota das Índias só para abrir o frasco do sal negro dos Himalaias e o poder cheirar. Vai reconhecer o aroma a ovo (!) e se puser uma pedrinha na boca, achar que está a comer um ovo cozido (o nome é kala namak). Mas este é só um dos 500 e muitos produtos que a loja, inquilina no mercado há um ano e meio, vende a granel. Tem chás de todos os sabores e origens, dos mais simples a blends complexos, tem um rol de sementes para temperos, pimentas, plantas medicinais para todas as maleitas, frutas desidratadas, superalimentos, frutos secos, especiarias de todo o mundo, farinhas e até misturas próprias de muesli. “Acho que somos a única no género em Lisboa”, afirma, orgulhoso, Marco Sebastião, o dono, que também faz revenda para vários espaços do país. (Ter-Sex 09.30-19.00, Sáb 09.00-16.00)

Leitão com todos no HM Caneira Negrais

As sandes de leitão voam à velocidade da luz neste café-charcutaria dentro do mercado. A empresa de origem familiar fica em Negrais, tem a seu cargo o abate, a assadura e a venda dos bichos e no Mercado 31 de Janeiro serve vários preparados para comer in loco, como congelados e refrigerados. Falamos de rissóis de leitão, claro, de quiche de leitão e de entremeada fatiada. A juntar a isto, tem queijos, manteigas e enchidos.

Sabia que? Há dois restaurantes cujas cozinhas recebem matéria-prima de uns metros ao lado: o Aron Sushi e a Casa do Peixe.

Um segredo... Na Pão Marca-te (um válido trocadilho como nome), lojinha de esquina numa das entradas do mercado, encontram-se pão de Rio Maior e caralhotas do Ribatejo aos fim-de-semana. Há ainda empadinhas para enganar a fome e um café de máquina que custa 0,60€ para gente mal-educada e 0,50€ para os bem-educados. Basta que use um “se faz favor” e tiram 10 cêntimos à conta.

Rua Engenheiro Vieira da Silva. Ter-Sáb 07.00-14.00

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Mercado da Ribeira
Fotografia: Arlindo Camacho
Coisas para fazer, Mercados e feiras

Mercado da Ribeira

icon-location-pin Cais do Sodré

Inaugurado em 1882

Perguntar à Time Out o que de melhor há no Mercado da Ribeira tem uma resposta imediata que está à vista: as bancas ocupadas em Maio de 2014 falam por si. Mas nesta edição deixámos os comes e bebes do Time Out Market de lado e percorremos as outras alas do edifício, onde a venda de frescos ainda escoa produtos da mais alta qualidade.

Os exóticos de Paulina e Elisabete

“Os habaneros e as malaguetas estão a 15€ o quilo, as cherovias a 4,99€, os pimentinhos doces a 15€ e a abóbora amarela a 9,90€”, debita Paulina, enquanto aponta para os mui fotogénicos produtos exóticos, continuando a enumeração por outros espécimes menos comuns, como a pitaia amarela, os granadilhos, os ruibarbos ou as raízes de aipo. Tal variedade – e qualidade –, que tem sobretudo origem em França e Holanda, tornam esta banca de mãe (Paulina, 72 anos) e filha (Elisabete, 43) um válido fornecedor para alguns restaurantes e chefs da cidade. Abastecem a Taberna Moderna, A Taberna da Rua das Flores e a Taberna Fina, a Gelato Davvero, a Tartine, os Esperança (Sé e Bairro Alto), o The Food Temple e o restaurante do chef Miguel Laffan no mercado, por exemplo. “Aqui é tudo bom, o que é ruim a gente não põe à venda. E o que está estragado por dentro só pomos porque não sabemos”, acrescenta Elisabete. Têm também alguma oferta portuguesa, como o ananás dos Açores e a banana da Madeira e admitem que os preços nem sempre são acessíveis para todos, razão pela qual já deixaram de fornecer alguns chefs. “Posso ter caro, mas gosto de ter bom”, remata Paulina.

Os hortícolas de Celeste Machado

Como a maioria dos comerciantes dos mercados de Lisboa, muito do que se vende na banca de Celeste Machado (a do canto esquerdo, de quem está de saída para a Rua da Ribeira Nova) vem do MARL. Só que anda no negócio há tantos anos – 19 aqui, onde herdou a banca da mãe, com 50 anos de Mercado, e mais uns quantos de Mercado do Rato – que conhece os frescos como ninguém. “Tenho pessoas a produzir para mim. Produções pequenas, só com água corrente, à antiga, quase biológicas. Gente que produz para consumo e me vende uma parte. Ficam para cima de Loures.” É daí que vêm, por exemplo, os espinafres, as nabiças ou os agriões, tudo com folhagem grande, cor forte e, sobretudo, sabor. De outras produções, no Montijo, chegam a batata e a cebola; e de Pegões vêm os morangos nacionais; e do Algarve, abacates, laranjas e tangerinas. É escolher, freguês.

As estufas da Alcina Flor

Está fora do corredor das floristas, na esquina do edifício com a praça do Jardim Dom Luís e porta para a 24 de Julho, mas vale a pena passar lá à saída do mercado. Sim, à saída. Já vai de braços cheios, mas vai querer ter mãos para os ramos de flores frescas, de flores secas e de suculentas que Maria Alcina Vende. “Sabe que nós somos produtores”, conta, para apresentar depois os terrenos que tem no Montijo de onde vem quase tudo o que vende. Se é adepto de produto de época, compre frésias, ranúnculos, tulipas ou bocas de lobo. “Mas em Maio tem de vir cá às peónias.” Palavra de florista.

O peixe da Rosanamar

As quatro bancas que ocupa, os recortes de jornal nas paredes e o número de saudações afáveis que recebe de quem passa não deixam margem para dúvidas: Rosa, 49 anos, 30 e picos de mercado, é uma figura da casa. Recebe peixes de águas frias – “onde ganham músculo e sabor”, diz –, das lotas de Peniche e Sesimbra e, admite, ao “MARL só vamos buscar coisas estrangeiras, como a garoupa, o pampo ou o salmão.” Tudo fresquinho, como faz questão de frisar, mostrando as guelras dos peixes. Só ali do Time Out Market fornece restaurantes como a Tartar-ia e o Pap’Açorda – “falei com a Manuela [Brandão, cozinheira] aí uns 17 anos ao telefone sem nos conhecermos” –, além de ter vários outros clientes. “Agora está bom para o robalo, o sável e a lampreia, as ovas de pescada. O cherne também é bom. Temos sempre.”

Sabia que? O primeiro Mercado da Ribeira, no século XVII, ficava em frente à Casa dos Bicos e estendia-se até ao Chafariz d’El Rei.

Um segredo... As arcas frigoríficas da loja da Herdade do Freixo do Meio escondem carne da mais alta qualidade, toda biológica, um bocadito mais cara, verdade, mas a valer o gasto. Tem peças de borrego, vitelão, porco e aves. O único risco depois de provar uma vez é ficar viciado.

Avenida 24 de Julho. Seg-Sáb 06.00-14.00 

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Mercado de Benfica
Coisas para fazer, Mercados e feiras

Mercado de Benfica

icon-location-pin Benfica/Monsanto

Inaugurado em 1971

O formato circular é tramado para pessoas com pouco sentido de orientação, mas é meio caminho andado para dar voltas e voltas ao recinto e descobrir os tesouros que esconde aquele que é ainda é um dos grandes mercados da cidade, com uma tendência para preservar a diferença – ou não existisse ainda um talho só com carne de cavalo e algumas bancas com produtos exóticos.

A charcutaria Casa Santos

O império de pães, queijos, enchidos, azeitonas e azeites de José Santos é tão grande que de uma ponta da sua charcutaria, quase tem dificuldade em ver a outra – culpa também da planta circular, claro. “Sou mais conhecido aqui que na minha aldeia.” Está no mercado desde 1976, hoje com a companhia da mulher e dos dois filhos e a organização e disposição do seu estaminé é meio caminho andado para qualquer forasteiro parar e apreciar os exemplares em exposição. Estão dispostos por regiões ou por tipologias – queijos da Beira Baixa ou queijos de cabra curados, por exemplo –, cada qual com um significativo número de marcas, que atravessam várias zonas do país. Alheiras de Mirandela, queijos de Lamego, enchidos de porco preto alentejanos, tudo. “Há vários aqui que são meus”, diz. Apesar de não terem o selo da casa, se olhar bem verá lá o nome do dono. “Também faço enchidos em Vila de Rei [Castelo Branco]. Vou lá, preparo as carnes, tempero, encho e depois eles [de uma fábrica própria] secam e tratam do resto”, conta. Por isso, atende com sabedoria, simpatia e as necessárias explicações pedidas pelos fregueses. “Não há em Lisboa charcutaria igual à minha.” E é bem capaz de ter razão.

Exotismo de África e Brasil

O número de imigrantes na zona é uma das justificações para a existência de um conjunto de lojas com produtos raros em quase todos os mercados de Lisboa. Aqui há 11 anos, a loja Produtos Africanos, Brasileiros e Regionais Portugueses tem um nome autoexplicativo, onde compra quem vem à procura de uma paçoquinha, de frascos de óleo de palma, de vários tipos de feijão, de camarão seco, de sacos com cominhos ou caril, entre outras pérolas.

Um trio de talhos originais

Num mercado organizado por anéis, os talhos ocupam a circunferência maior. Alguns estão numerados, o que facilita a localização, outros têm denominação própria, mas como denominador comum está a importância dada a partes menos nobres dos animais. Vejase o Talho Frescura, com uma montra que afectará as almas mais impressionáveis e encherá de alegria quem segue o lema nose to tail (aproveitar tudo de cada bicho). Do lado de fora vêem-se focinhos, rabos, couratos, bofes, papadas, tudo pendurado qual charriô de uma loja de roupa; do lado de dentro está a matéria-prima de um talho convencional, com almôndegas, costeletas e outras peças corriqueiras de vaca, porco, borrego e aves. Uns metros à frente (ou atrás, é impossível saber) fica o Talho de Cavalo, só com carne desta espécie de equídeo. Quem atende admite que o negócio já teve melhores dias – “antigamente era mais barato que a vaca, agora é quase o mesmo preço” –, mas continua a ter clientela. Pode levar costeletas, bifes, secretos, hambúrgueres ou carne para guisar. A mesma empresa é dona de outro talho de nicho, o Talho das Aves, que recebe também coelhos. Aqui encontra desde galinhas saloias inteiras a sacas com asas de frango, desde moelas de peru a hambúrgueres de aves, desde embalagens com o material necessário para uma canja aos simples bifes de peru.

A banca de peixes de Aristides Correia Henriques

No meio de tantas bancas de peixe, esta é fácil de decorar: fica mesmo no centro do mercado e tem sempre um número considerável de gente fardada de azul escuro a atender – infinitamente inferior à que vem comprar. Se quer apanhar os melhores exemplares, convém ir cedo, porque pelas dez e meia já começam a escassear os robalos, as douradas, as raias, as ovas de pescada, os peixes espada, os carapaus… vocês sabem o resto.

Azeitonas e feijões é com a Lurdes Ferreira

Caso tenha ouvido dizer que as leguminosas fazem bem à saúde, passe pela banca de Lurdes Ferreira, que abriu o mercado em 71 e tem um rol de feijões desconhecidos de muito boa gente. Já ouviu falar do feijão lindo, do canário ou do congo? Pois. A eles se juntam o preto, o manteiga, o branco ou a feijoca. Além de farinhas portuguesas e estrangeiras e de um conjunto de azeitonas de diversas espécies, como a cobrançosa, a galega, a britada nova ou a preta.

Sabia que? A quantia envolvida na construção do Mercado de Benfica, no final dos anos 60, rondou os 12 723 700$00, o que equivale a cerca de 3 milhões de euros actualmente.

Um segredo... É difícil escolher uma só banca de frescos no Mercado de Benfica. Dos mais corriqueiros a outros exemplares mais exóticos – em dois ou três sítios encontra banana pão, mandioca ou quiabos –, há de tudo. Mas só Aida Morgado é rainha das promoções de fruta cheirosa e de qualidade: 2 kg de clementinas a 1,50€, 2 kg de bravo esmolfe pelo mesmo preço, 2 de kiwi a 1,80€ e 1 de feijão-verde a 1,99€

Rua João Frederico Ludovice, Seg-Sáb 07.00-14.00

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Mercado de Alvalade
Coisas para fazer, Mercados e feiras

Mercado de Alvalade

icon-location-pin Alvalade

Inaugurado em 1964

A nomenclatura está lá, mas os pontos cardeais ficam de fora quando se fala do Mercado de Alvalade. É este o que interessa (por enquanto), é a este que se pode ir abastecer de pães do país inteiro, queijos com a mesma proveniência – ok, afinal os pontos cardeais interessam –, de barriga de atum em dias de sorte e de muita e boa carne num dos icónicos talhos da cidade.

O peixe de Horácio e de Teresa

Não é exagero dizer que se trata da banca de peixe mais concorrida do mercado. Há dois nomes à cabeça, Teresa, a senhora loira a atender os particulares, e Horácio, seu marido, mais ocupado em arranjar os peixes grandes e tratar das encomendas para a restauração. Duas figuras icónicas, mas que não chegam para dar vazão à clientela que ali se junta na compra. Por isso, contam com mais oito pessoas na labuta todos os dias. Vendem sobretudo peixe nacional, vindo de Peniche, Sines e algum dos Açores, caso do cherne, do imperador e do goraz; têm sável e lampreia nesta altura do ano, de Vila Nova de Cerveira; entre outras espécies, como o atum rabilho – “nesta fase pode-se pescar”, explica Teresa. Se lá passar a partir de quinta-feira, é provável que apanhe a especialíssima barriga de atum.

Os queijos e enchidos do Cantinho Saloio

Rui Felizardo é o dono de bonitas bancas do Mercado de Alvalade. Bem compostas por queijos e enchidos de um lado e por pães e bolos do outro, sempre com gente à volta, a pedir a sua atenção, qual bolsa de valores em pico de euforia. Mas felizardos somos nós, que temos os seus produtos à mão de semear. Falamos de sete tipos de requeijão e mais uma dúzia de outros queijos frescos, de muita oferta dos queijos artesanais da Beiralacte, do queijo da Serra de São Gião, de queijos mais amanteigados, mais curados, dos enchidos de Sousel, no Alentejo, das paiolas e painhos da Vidigueira, de azeitonas de todos os feitios e sabores… e isto só na zona da charcutaria, a qual comanda com sabedoria já lá vão 25 anos. Há oito, ocupou a banca que vagou à frente do Cantinho Saloio com uma oferta de pães a seguir a mesma lógica de oferta. Vende pão de Lamego, pão de Rio Maior, da Lagoinha (ao pé de Sesimbra), de Mafra – “mas a sério, de um casal que trabalha a carcaça antiga, cozida a lenha” – de Mafra, do caralhotas do Ribatejo, pão de Pias, da Amareleja, tudo o mais artesanal possível. “Tenho carcaças cozidas em forno de lenha. Recebo mil ao sábado. Se encontrar duas iguais, eu ofereço-lhas.” Mas o que o leitor não sabe é que felizardos são os colaboradores do Sr. Rui, que todos os fins-de-semana fazem provas de novos produtos. “Aparecem todos os dias fornecedores com coisas novas. E à sexta ou sábado, provamos. Se em 10 pessoas, nove gostarem, ficamos com eles. Assim ficam com informação do que vão vender.”

As ervilhas tortas de Maria de Fátima Soares

Quem fala das ervilhas tortas, já que estamos em época de, fala em favas ainda na vagem, fala em grelos, espinafres, feijão verde, por aí fora. É uma das muitas vendedoras de frescos do edifício, cuja vida é semelhante à de muitos outros comerciantes. Abastecimento no MARL, com primazia aos produtos portugueses e, só quando não há, aos estrangeiros, e venda diária no Mercado de Alvalade. Os morangos são nacionais, as clementinas são do Algarve, a pêra rocha vem de Óbidos, a maçã reineta é da pequenina, diz, “mas é da boa”.

Os preparados do Talho do Alcides

Quando se fala nos melhores talhos de Lisboa, há sempre alguém que defende, justamente, o Talho do Alcides, que faz parte do Mercado de Alvalade. As carnes são todas de qualidade, a conversa do dono, idem, até porque ninguém sai dali sem a melhor dica para confeccionar determinada peça, e os preparados são de encher o olho – até a um vegetariano. Não se esgotam em almôndegas de vaca com porco ou panados de frango e atiram-se para pratos mais elaborados, como o lombo de porco com maçã, bacon, canela e toucinho de porco preto, a perna de peru sem osso com fiambre, farinheira e toucinho de porco preto ou os folhados de alheira. Há ainda bons bifes de acém e leitão de Negrais. Só é preciso ir com tempo e apanhar o próprio senhor Alcides com disponibilidade. (Seg 08.00-13.30, TerSex 08.00-20.00, Sáb 08.00-18.30)

Sabia que? “O populoso bairro de Alvalade dispõe desde hoje de um magnífico mercado coberto, melhoramento que há muito se fazia sentir e que vem beneficiar os moradores locais”, lia-se no Diário de Lisboa, a 31 de Julho de 64.

Um segredo... Há uma banca de produtos asiáticos, muitos deles indianos, nas mãos de Sadik Ahmad Mahomed. Ali se encontram várias especiarias, alguns legumes e ervas aromáticas difíceis de encontrar pelo bairro e outras frutas que precisam do Google goggles para tradução. Mas vá à confiança que é tudo bom. 

Av. do Rio de Janeiro. Seg-Sex 07.00-15.00, Sáb 07.00-16.00 

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Mercado da Ajuda
Coisas para fazer, Mercados e feiras

Mercado da Ajuda

icon-location-pin Ajuda

Inaugurado em 2016

Só tem 12 anos, está na pré-adolescência e isso topa-se assim que lá se entra. Há companheirismo, há grupos de comerciantes reunidos à conversa, há recomendações de umas bancas para as outras e preocupações com o que o futuro lhes reserva. É que apesar da tenra idade, o mercado já vem de uma confluência de vendedores antigos de outras zonas da Ajuda.

A Peixaria Yolanda

Encontrámos Yolanda e Sérgio, o casal responsável por uma das bancas de peixe mais antigas do mercado, que já vem dos tempos da venda ambulante, numa espécie de reunião de condóminos improvisada em que se discutiam os próximos tempos. “De há um ano para cá isto está a decair. Vendia mais ao balcão do que para fora. Agora não”, admite. Ainda assim, mantém o abastecimento a alguns restaurantes já anteriormente elogiados na Time Out, como o Sé da Guarda e O Caçador, além de também fazer entregas ao domicílio na Ajuda, Algés e Restelo (anote: 96 103 3699). Compram peixe da Nazaré e Peniche, sobretudo, e apresentam um pouco de tudo: carapaus, chocos, pescada, robalo, rascasso. “Agora estão boas as ovas, o sável, o sargo e é altura do linguado barato, do nacional.” Fica a dica.

A Padaria Central

Maria de Jesus e o marido estrearam, como muitos dos seus vizinhos comerciantes, as bancas deste mercado em 2006. Mas já levam mais do triplo do tempo à frente da Padaria Central, cujo lema “pão cozido em forno de lenha” não deixa ninguém indiferente (a nós muito menos). De um lado da vitrine estão pães de Mafra, em tamanho XS e XL, pão alentejano, pão saloio de mistura e broa amarela e branca cozida a lenha; do outro estão caixas com húngaros, queijadinhas, bolos de coco, queijadas de laranja, ésses, tudo, com origem em vários sítios do país, e grande parte na Fábrica de Pastelaria e Confeitaria Ideal Malveirense. É escolher.

A alegria da Frutaria da Preta

Chama-se Carla Dias, mas o mercado e os clientes conhecem-na por preta, um furacão alegre no Mercado da Ajuda. Veio para aqui com o marido há 11 anos, montou uma banca de frutas e hortícolas, dá uma perninha no comércio de feijões e, conta, na devida altura também tem frutos secos. Reconhece que não é das bancas mais baratas do mercado, mas defende, com razão, “que o que é bom custa dinheiro”. Por isso tem, por exemplo, dois tipos de maçãs bravo de esmolfe, “umas não têm nada a ver com as outras. São mais caras, mas são muito melhores”. Vende alface francesa, rábanos frescos, cebolinho, tomilho fresco, e por aí fora. “Tem de se marcar a diferença. Nos produtos e na arrumação. Vamos ao MARL todos os dias comprar fresco e temos cuidado a expor.” E até já faz algumas entregas ao domicílio na zona.

Sabia que? A abertura do mercado em 2006 serviu para realojar os antigos comerciantes do Mercado da Boa Hora e integrar os vendedores de um mercado ambulante na Boa Hora.

Um segredo... Mercado que se preze tem uma charcutaria a aviar umas fatias de queijo e um chouriço para pôr no caldo verde. A Charcutaria Celeste é pequena de dimensão, mas rica em naquela oferta que faz as vezes de refeição a qualquer pessoa esfomeada: um saco de azeitonas britadas, um queijo fresco da marca Licínia (de Pombalinho, Soure), um presunto, uma compota dos Sabores da Gardunha ou até uma lata de feijão frade. 

Largo da Boa Hora/ Rua D. Vasco. Ter-Sáb 08.00-14.00

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Mercado de Campo de Ourique
Restaurantes, Global

Mercado de Campo de Ourique

icon-location-pin Campo de Ourique

Inaugurado em 1934

Foi o primeiro mercado de Lisboa a ser revitalizado ao estilo de nuestros hermanos, com inauguração em 2013, o que levou muita gente de fora do bairro a partir à descoberta de território desconhecido. O tradicional modernizou-se, mas ainda se consegue sair daqui com pão e queijo para o pequeno-almoço, peixe para o almoço, frutos secos para o lanche e carne para o jantar. Ou vegetais, óbvio.

Peixe do dia na banca da Sofia

A rima, digna de aluno da quarta classe, vem no seguimento de outra que está nesta completa banca de peixes. “Bom peixe e simpatia venha à peixaria da Sofia”. É a própria quem lá está a atender todos os dias, a cortar cabeças e rabos, a escamar peixes e outros trabalhos mais delicados – “os franceses pedem muito peixes em filetes”, conta, enquanto prepara um salongo, lá está, em filetes. Vende matéria-prima de Sesimbra e da Fonte da Telha, apesar de, admite, a termos apanhado num dia mau – “este tempo não ajuda”. Além da venda a particulares, abastece alguns restaurantes da zona, como o Verde Gaio e o Solar dos Duques.

Dos ovos aos queijos na Charcutaria Gonçalves

Grão a grão enche a galinha o papo, sabe de cor e salteado José Carlos Gonçalves, que aqui está desde 77, o primeiro a vender ovos, com a mulher, e que agora tem uma charcutaria. À medida que os anos foram passando, somou metros à sua banca, foi comprando os lugares que esvaziaram à volta e hoje tem um reino de tamanho decente, com clientela fiel, a quem vende tanto pão alentejano como broa de milho, tanto bolos secos avulso como requeijão de Azeitão, tanto palmiers como línguas de veado, enchidos e carnes frias, leitão de Negrais (aos fins-de-semana) e rebuçados para a criançada. Só está aberto até às 14.00, porque ainda respeita as leis do comércio à moda dos antigos mercados.

Os Frutos Secos do Mercado

O infalível cheiro a caramelo, em tudo semelhante ao cheiro de um carrinho de pipocas (agora a sério: eles fazem de propósito para o pôr a trabalhar à hora do lanche, não fazem?), é um forte chamariz desta banca, que tem um irmão mais novo no Time Out Market. Num canto da zona de exposição está uma máquina em acção e à frente estão cubas onde repousam frutos secos caramelizados como a avelã com chocolate, as amêndoas com flor de sal ou os cajus com a mesma receita. Ao lado há frescos com sementes, frutos secos para todos os gostos, frutas desidratadas e superalimentos como o guaraná, maca ou clorela. Há espaço ainda para as compotas de Figueira de Castelo Rodrigo da marca Sabores da Geninha e para a muito procurada, dizem, geleia de marmelo, aqui da Quinta do Côro.

Sabia que? Apesar de contar com 84 anos de vida, o Mercado de Campo de Ourique tem um look diferente daquele com que inaugurou. Foi alvo de uma profunda remodelação no final dos anos 80, UM dando-se a conhecer em 1991.

Um segredo... O Mercado de Campo de Ourique sempre foi famoso pelos seus talhos com produtos estranhos. Uns já fecharam as portas, outros mantêm-se em plena actividade, caso do Talho Nuno Félix. A fazer companhia aos preparados e às salsichas frescas há, tome nota: mioleiras de porco, mão de vaca, dobrada, língua de vitela, rabo de boi e rins de vitela.

Rua Coelho da Rocha 104. Dom-Qui 10.00-23.00; Sex e Sáb 10.00-01.00

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mercado de alcantara
Fotografia: Arlindo Camacho
Compras, Mercados e feiras

Mercado de Alcântara

icon-location-pin Alcântara

Inaugurado em 1905, demolido em 1966

É verdade que os dias já foram melhores para o Mercado de Alcântara. Falamos em nome dos comerciantes e da clientela. Meia dúzia de bancas, entre frutas, legumes, peixes, carnes e floristas compõem um ramalhete de vendedores outrora com menos espaço livre. Felizmente, nenhum quer descurar a qualidade dos produtos, e fazer compras aqui continua a ser boa ideia.

As abóboras XL da Feio & Belchior – Produtos Alimentares

Rui Feio e a mulher têm a maior banca de frescos do Mercado de Alcântara. Mas aqui o que impressiona não são os metros quadrados, é antes o tamanho das abóboras-meninas que tem expostas. “Estas vêm da Lourinhã. Tenho muitas. Ali tem uma abóbora porqueira [diz, enquanto aponta para outro imponente exemplar de casca amarela e já mais rugosa], que veio da Beira Alta, a minha terra. Já tive muitas, sobra-me esta. São boas para fazer doce. Daquele que se come com requeijão.” De tamanho acima da média são também as batatas doces, que vêm do Oeste. “Tenho quatro variedades. A grande, a branca, a amarela e a roxa”, conta. Apanhámo-lo de manhã cedo, a arranjar alfaces, a cortar as folhas mais velhas e a compor a banca. Minutos depois, estava de volta dos grelos. “Tenho para venda aos molhos e vendo também a quilo. Mas aqui [aponta para uma caixa] já está do arranjado, limpinho, pronto a cozer. Basta três, quatro minutos em água a ferver e depois saltear numa frigideira com azeite e alho.” A compra dos frescos é feita no MARL, escolhida a dedo, e resulta numa banca que começa nas ditas abóboras e vai até às frutas nacionais, com passagem nos orégãos biológicos, apanhados pelo próprio. É passar, conversar um pouco, escolher e voltar. Vai querer voltar.

A charcutaria da Alzira

O Alentejo está bem representado nesta charcutaria à entrada do Mercado de Alcântara. Estão lá os bolos secos de Pias e os da Vidigueira, os requeijões de Serpa, os pães alentejanos, entre queijos e enchidos. Mas a dona, transmontana de nascença, que se quer manter fiel à procura por parte dos seus clientes do Alentejo, tem também outros produtos que organiza de forma mimosa. Saquinhos de línguas de gato a 1€, de bolachas de baunilha a 1,70€, e isto sem entrar nos pacotinhos de rebuçados.

O talho salsicharia de Fernando Martins

A montra de carnes nacionais, com aves da zona do Oeste, carne de vaca do Bombarral e São Martinho do Porto e porco do Alentejo, toda cortada e arranjada, “como não se vê nos supermercados”, diz, e bem, Fernando Martins, é o chamariz deste talho. Mas o verdadeiro tesouro, a merecer tempo para o conhecer, é o passado de Maria Judite Martins, 80 anos, mãe de Fernando e quem o ajuda na caixa registadora. Tudo porque passou pelos três mercados de Alcântara. “Sou do tempo do mercado de ferro, no Largo de Alcântara. Depois fui para o da Avenida de Ceuta e há 12 anos vim para aqui”, conta. “A gente vai sobrevivendo, temos clientes antigos. Temos carne de qualidade. Se não fosse isso, não vendíamos.”

Sabia que? Reza a história que Rosa Agulhas é o nome de uma antiga vendedora de peixe do Mercado de Alcântara, quando este estava situado na Avenida de Ceuta.

Um segredo... Gilda Marques, uma das floristas do mercado, tem um rol de bonitas flores frescas vendidas ao molho, mas tem também vasos com flores para quem se quer iniciar na arte da jardinagem.

Rua Leão de Oliveira, 7 (Alcântara). Seg-Sáb 07.00-14.00

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Mercado de São Bento
Coisas para fazer, Mercados e feiras

Mercado de São Bento

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

Antigo mercado de São Bento erguido em 1881 e demolido em 1938

Este sim, devia ser chamado de mercadinho, como parece ser moda agora. Longe vai a vida ao serviço de abastecimento de hortícolas e afins, com quase todas as bancas a serem substituídas por sangue estrangeiro. Aos poucos tornou-se numa espécie de enclave austro-italiano, vocacionado para as comidas e bebidas ao invés da venda propriamente dita. Há, porém, duas excepções: as flores do Cantinho Verde e as carnes da Naco – Pedaços de Verdade (Seg-Sáb 07.00-19.30), onde Nélson Pereira faz preparados variados, vende várias peças de porco preto de Barrancos e Estremoz e ainda se organiza para fazer entregas ao domicílio nos bairros à volta. Ainda assim, o mercado merece ser visitado. Pode lá passar para comer as salsichas artesanais biológicas da Wurst – Salsicharia Austríaca, que vêm da Herdade do Freixo do Meio e levaram cinco estrelas do nosso crítico; para preparar uma refeição italiana com a os produtos da La Dispensa di Nannarella, onde se contam as massas da De Cecco, da Rumo e da Liguori (fornecedores de alguns dos bons italianos da cidade) ou as bolachas da Mulino Bianco; ou para beber um café italiano da marca Passalacqua de sabor intenso e muito aroma, comer cannoli sicialliani, crepes com gelados da Nannarella ou focaccias, na pequena cafetaria Baretto, com janela para a Rua Nova da Piedade.

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Biomercado
Fotografia: Arlindo Camacho
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Mas afinal o que é isto dos produtos biológicos? É coisa de grilos e de vegetarianos? É para malta que não usa casacos de peles e que se ata a chaminés de navios em defesa dos direitos do ouriço-do-mar? O engenheiro agrónomo Nélson Silva, especializado em agricultura biológica, diz que é simplesmente o futuro da alimentação. E garante que é para todos e que torna a alimentação mais saudável. Até para os aficionados da carne mal passada e da feijoada à transmontana. "Na agricultura biológica, não são permitidos pesticidas nem adubos químicos e a carne é produzida com respeito pelos ciclos naturais dos animais, sem uso de antibióticos ou hormonas de crescimento. Isto permite preservar a saúde dos consumidores, dos produtores e do planeta já que um dos principais responsáveis pela contaminação dos solos e da água são os sistemas intensivos de agropecuária", explica. Mas como ter a certeza de que se leva para casa carne, fruta e legumes fresquinhos, saborosos e livres de químicos bons para fabricar pneus? Fácil: todos os produtos bio estão identificados com o logótipo europeu de Agricultura Biológica. É só procurar a folhinha verde nas lojas biológias. Ponha-se num destes mercados para encontrar produtos biológicos em Lisboa e, se não está dentro deste esquema vai surpreender-se com a variedade: da fruta à carne, da cosmética aos produtos e higiene para a casa, não esquecendo a oferta para bébes e para os amigos de quatro patas.

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