A Time Out na sua caixa de entrada

Procurar
Jardim do Campo Grande
ManuelManso

Os novos livros que nos vão fazer esquecer o Verão

A rentrée não fica completa sem livros. Fizemos uma selecção apertada das novidades literárias e escolhemos os sítios perfeitos para mandar o Verão para trás das costas.

Escrito por
Hugo Torres
Publicidade

Setembro é o mês do regresso à cidade, às aulas, aos livros. Não estamos a falar de manuais escolares ou sebentas: há romances, contos, crónicas, poesia, teatro, ensaios e BD. É à escolha do freguês. E as editoras fazem de tudo para nos dar novos mundos, para nos aproximar ainda mais do Brasil ou para nos dar a conhecer a mais próxima Hungria. Ou para nos recordar os antigos, reeditando clássicos esgotadíssimos. Literatura portuguesa a cheirar a fresco, Nobel incluído, também não falta. Passámos em revista as novidades e apresentamo-las com o bónus – com sugestão dos locais, renovados ou em risco, onde os pode ler. Para não sentir falta do Verão.

Recomendado: Os melhores cafés para trabalhar em Lisboa

Os livros da rentrée (e onde os ler)

  • Coisas para fazer
  • Chiado/Cais do Sodré

Se ia ao Adamastor mais pelas vistas do que pelo convívio, vá ver o Tejo para a Biblioteca Camões. E faça este exercício de contenção: descubra os Monólogos de Charles Cros (Exclamação), literato e inventor francês feito “precursor da stand up comedy” nos idos de oitocentos. Siga para duas edições Tinta-da-China: Estar Vivo Aleija, as crónicas de Ricardo Araújo Pereira para a Folha de S. Paulo (que é editado com um bónus do mesmo autor: o livrinho Obrigado, Futebol), e, já que está além-mar na companhia de um adepto da bola, passe para Estrela Solitária – Um brasileiro chamado Garrincha, biografia assinada pelo mestre Ruy Castro. Termine com um monumento à língua do poeta que dá nome ao sítio: antas Palavras, todas as letras de Chico Buarque (Companhia das Letras).

  • Coisas para fazer
  • Santa Maria Maior

A 8 de Outubro, faz 20 anos que José Saramago foi anunciado como o primeiro Nobel de língua portuguesa. Para celebrar, a Porto Editora lança nesse dia o inédito Último Caderno de Lanzarote, escrito em 1998. Um País Levantado em Alegria, investigação de Ricardo Viel sobre os bastidores do Nobel, e as reedições das peças de teatro In Nomine Dei e Don Giovanni ou o Dissoluto Absolvido, e d’O Conto da Ilha Desconhecida também fazem parte da celebração. Tudo bom para ler encostado a uma árvore no renovado Campo das Cebolas, em frente à Casa dos Bicos. Para emparelhar com Saramago, tem o iberista Arturo Pérez-Reverte, com Eva (Asa). Para desafiar a sua memória, tem Doutor Jivago, de Boris Pasternak (Livros de Brasil), Nobel russo maldito na União Soviética quando foi distinguido, e A Última Porta Antes da Noite, de António Lobo Antunes (Dom Quixote).

Publicidade
  • Restaurantes
  • Cafés
  • Beato

Eliete (Tinta-da-China, ainda sem capa) é um dos livros mais aguardados. É o novo romance de Dulce Maria Cardoso, sucessor do aclamado O Retorno que tardou sete anos. Chega às livrarias a 26 de Outubro, a tempo de o ler no Tati, antes que ele feche. Enquanto espera, pode ir ocupando esta sala-de-estar de porta aberta para a rua com Bistromania – no Bistro Como em Casa (Casa das Letras), assinado a meias entre o chef Ljubomir Stanisic e a mulher, a jornalista Mónica Franco. É um livro sobre o lado caseiro do 100 Maneiras, que nos dá receitas mais do que suficientes para o imitarmos em casa. Para limpar o palato, faça uso da poesia reunida do ousado e escandaloso António Botto (Assírio & Alvim). Onde já se viu escrever sobre o amor homossexual num Portugal cinzento e moralista? Aqui. Depois, aproveite para lançar o caos: pegue no Pequeno Livro dos Grandes Insultos, de Manuel S. Fonseca (Guerra & Paz), e vá ensinando turistas que se sentem na mesa ao lado.

  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade

A Minotauro lançou-se numa meritória empreitada: retirar Maria Judite de Carvalho do esquecimento e da sombra matrimonial de Urbano Tavares Rodrigues. Reconhecida pelos seus pares como uma das mais notáveis escritoras do século XX português, os seus livros impregnados de quotidiano e solidão femininos passaram quase sempre despercebidos. Agustina chamava-lhe a "flor discreta da nossa literatura". A obra completa, editada em volumes, começou a chegar às livrarias antes de Verão. Seguem-se o segundo e o terceiro. O Campo Grande, para onde Maria Judite de Carvalho ia passear em criança, tem um jardim renovado e pronto para o receber nesta descoberta. Se depois quiser dar atenção às melhores escritoras do seu tempo, tem o novo romance de Hélia Correia, Um Bailarino na Batalha (Relógio d'Água), e A Persuasão Feminina (Dom Quixote), de Meg Wolitzer, autora de Os Interessantes. O ensaio Não Serei Eu Mulher? As Mulheres Negras e o Feminismo, da americana Bell Hooks (uma estreia nacional via Orfeu Negro), vai arejar-lhe as ideias.

Publicidade
  • Coisas para fazer
  • Benfica/Monsanto

A fluidez com que Lucia Berlin narrou as próprias tragédias e excentricidades em Manual Para Mulheres de Limpeza faz de Anoitecer no Paraíso (Alfaguara, ainda sem capa), o novo volume póstumo da contista americana, um livro pelo qual ansiar até 1 de Novembro. O título dá-nos o mote para pôr pés ao caminho até ao Parque do Penedo e aproveitar as últimas horas de sol. Chamavam-lhe Grace (Bertrand), o romance de Margaret Atwood que deu origem à série Alias Grace, sobre um crime brutal no Canadá em 1843; Sepulcros de Cowboys (Quetzal), compilação de inéditos de Roberto Bolaño (para matar saudades de 2666 & etc.); e o apocalíptico O Tango de Satanás (Antígona), do húngaro László Krasznahorkai, um dos autores do momento nunca editado em Portugal, podem ser assombrosos para ler na floresta. Mas cada um sabe de si.

  • Bares
  • Gastropubs
  • São Vicente 

O novo taproom da Oitava Colina tem uma bela vista sobre o castelo e a Mouraria. Dificilmente encontrará melhor local para beber uma cerveja e passear os olhos entre o cenário fotogénico e um clássico sobre a cidade há muito esgotado: Lisboa — Livro de Bordo, de José Cardoso Pires. A reedição (ainda sem foto) é da Relógio d’Água, que também faz voltar às livrarias As Estações da Vida, de Agustina Bessa-Luís, dedicado à azulejaria de costumes de estações de comboios e mercados centenários. Voltando a Lisboa, Maria João Lopo de Carvalho tem um novo romance histórico, O Fado da Severa (Asa). ‭A puxar ao sentimento (Quetzal) reconduz-nos à leitura da poesia de Vasco Graça Moura, com fados inéditos.

Publicidade
  • Coisas para fazer
  • Marvila

Alexandra Lucas Coelho mudou-se para a Penguin Random House e A Nossa Alegria Chegou, o primeiro romance original da escritora com a chancela Companhia das Letras. É um lugar imaginado, perdido no tempo e no espaço, onde convivem deuses antigos e inteligência artificial, e que está na mira de três jovens revolucionários. E uma mudança brusca nos locais em que se imagina a ler um livro é também o que lhe propomos: o Parque Urbano do Vale da Montanha, um grande espaço verde entre o Areeiro e Chelas. Pode dedicar-se à leitura no quiosque das irmãs Tábuas. Deuses Americanos — Sombras (Saída de Emergência), a história de uma guerra entre os deuses antigos e modernos, do criador de Sandman, Neil Gaiman, encaixa aqui bem. Tal como Se Esta Rua Falasse (Alfaguara), a estreia em Portugal de James Baldwin, escritor e figura de proa dos direitos civis americanos que ficamos a conhecer com o documentário I Am Not Your Negro; e a distopia de Jack London, O Tacão de Ferro (Antígona), que viria a influenciar Orwell em 1984.

Rentrée 2018

  • Coisas para fazer

Há passeios em Lisboa e arredores para todos os gostos. Quanto ao kit de sobrevivência, calçado e roupa confortável são a recomendação da praxe, à qual acresce agora o álcool-gel e uma máscara, para qualquer eventualidade. Junte a família ou um grupo de amigos e desfrute destes passeios e caminhadas, ao mesmo tempo que aprende umas coisas e pratica algum exercício. E não se esqueça de andar longe dos outros, à distância e sem atropelos.

Recomendado
    Também poderá gostar
      Publicidade