Óscares 2018: Categorias técnicas ou a corrida dos desconhecidos

Sem eles os filmes seriam decerto diferentes e menos interessantes. Mas nem por isso os profissionais das categorias técnicas ganham popularidade. São como operários trabalhando em subterrâneos, e é justo que se saiba quem são.
Dunkirk
©DR Dunkirk
Por Rui Monteiro |
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Melhor Mistura de Som são Óscares de que só os profissionais querem saber. Porém, sem estes elementos, por vezes fundamentais à intriga e à narrativa, o cinema seria diferente. Faça-se justiça. E aqui vão eles.

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Óscares 2018: Categorias técnicas ou a corrida dos desconhecidos

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A Forma da Água

Apesar de alguns reveses nesta temporada de prémios, o filme de Guillermo del Toro, com as suas 13 nomeações, chefia a lista de favoritos mesmo nas categorias técnicas. Neste, digamos, segmento dos Óscares, A Forma da Água ainda tem Sidney Wolinsky como candidato à Melhor Montagem, na Melhor Fotografia Dan Laustsen, Nathan Robitaille e Nelson Ferreira pela Melhor Edição Sonora, e, pela Melhor Mistura de Som, Christian T. Cooke, Glen Gauthier e Brad Zoern, todos na sua primeira nomeação.

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Dunkirk

Outro forte candidato, que a temporada de prémios não tem tratado muito bem apesar das suas oito nomeações para Óscares, é o filme de Christopher Nolan. Ainda assim, neste conjunto de categorias surge em situação de empate técnico, igualmente com quatro nomeações (a que se juntam outras quatro, daquelas, tipo, nobres). A saber: Melhor Montagem, para Lee Smith (anteriormente nomeado pelo seu trabalho em O Cavaleiro das Trevas, em 2008, e, em 2003, com Master & Commander – O Lado Longínquo do Mundo), Melhor Fotografia pela mão de Hoyte Van Hoytema, Richard King, pela sexta vez candidato, e o estreante Alex Gibson na Melhor Edição Sonora, concluindo com a presença de Gregg Landaker, Gary Rizzo e Mark Weingarten, sem dúvida os mais experientes deste grupo que, assim, chegam, respectivamente, às suas nona, quinta e quarta nomeações na compita pela Melhor Mistura de Som.

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Baby Driver: Alta Velocidade

Os estreantes em matéria de nomeações, Paul Machliss e Jonathan Amos, são os candidatos ao Óscar de Melhor Montagem neste filme apenas citado para três categorias técnicas. Lista que se completa com a presença de Julian Slater na Melhor Edição Sonora e Melhor Mistura de Som, que dividirá, caso a eleição lhe corra de feição, com Tim Cavagin e Mary H. Ellis, nomeados pela primeira vez.

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Blade Runner 2049

Dado o género e as características da segunda aventura da série Blade Runner, assim como a qualidade dos seus “operários subterrâneos”, não é de espantar, entre os nomeados para Melhor Fotografia, encontrar-se Roger Deakins, pela 14ª vez candidato depois de derrotado apesar da sua excelência em filmes como O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford, ou, com os irmãos Coen, Este País Não É para Velhos, Fargo e Irmão, Onde Estás?, e ainda, dirigido por Martin Scorsese, Kundun. Mas, neste particular, a película de Denis Villeneuve não se fica por aqui, candidata que é também aos Óscares de Melhor Edição Sonora, responsabilidade de Mark A. Mangini e Theo Green, o primeiro na quinta nomeação, Green ainda na primeira tentativa. A que se junta Melhor Mistura de Som, que coube a Ron Bartlett (já nomeado por A Vida de Pi), Doug Hemphill (um veterano, com oito tentativas anteriores) e Mac Ruth, que, com esta, tem a sua terceira oportunidade.

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A Hora Mais Negra

O belo trabalho de caracterização de David Malinowski, Lucy Sibbick e Kazuhiro Tsuji, o único da equipa com duas nomeações prévias, pode valer um Óscar técnico ao filme sobre Winston Churchill interpretado por Gary Oldman (nomeado para Melhor Actor). Outra hipótese é Bruno Delbonnel, que, entre as quatro nomeações anteriores para Óscar de Melhor Fotografia, conta com Harry Potter e o Príncipe Misterioso, Amélie e A Propósito de Llewyn Davis.

+ Entrevista a Joe Wright: "Churchill teve de cometer muitos erros."

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Star Wars: Os Últimos Jedi

A saga Guerra das Estrelas nunca foi dada a Óscares em quantidade, e o oitavo episódio da série, neste aspecto, também não se sai muito bem. É certo que tem o eterno John Williams (51 vezes nomeado, cinco vezes vencedor) na lista para Melhor Banda Sonora e que está bem colocado nos Efeitos Especiais. Mas, de resto, apenas a Melhor Edição Sonora e a Melhor Mistura de Som podem aumentar o volume potencial de estatuetas. Na primeira categoria concorrem Matthew Wood e Ren Klyce. O primeiro vai na quarta tentativa depois de Haverá Sangue, Wall-E e Star Wars: O Despertar da Força. Klyce chega aqui à sua sétima participação depois de, entre outros, A Rede Social e Clube de Combate. Já na candidatura a Melhor Mistura de Som encontram-se Michael Semanick (11 vezes candidato, e vencedor pelo seu trabalho em King Kong e O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei), David Parker (nove nomeações e também duas vitórias com Ultimato e O Paciente Inglês), e o nomeado pela quinta vez Stuart Wilson.   

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Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi

Com Mary J. Blige bem colocada na disputa pela Melhor Actriz Secundária, e, como cantora, também responsável pela presença entre os nomeados para Melhor Canção, resta ao filme de Dee Rees a possibilidade da estreante Rachel Morrison vencer o Óscar de Melhor Fotografia.

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Victoria & Abdul

Filme de época, eventualmente capaz de assegurar o Óscar Melhor Guarda-Roupa, a película de Stephen Frears tem outra hipótese de voltar a casa mais pesada se Daniel Phillips e Lou Sheppard, nunca antes nomeados, vencerem a categoria Melhor Caracterização.  

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Wonder – Encantador

Só tem uma hipótese, o candidato nunca foi antes nomeado, o que não tirando mérito ao filme de Stephen Chbosky sobre a diferença e a discriminação, coloca alguma pressão, como se costuma dizer sobre os clubes de futebol candidatos a qualquer coisa, nos ombros do holandês Arjen Tuiten, possível vencedor na categoria Melhor Caracterização.

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Eu, Tonya

Pouco amado pela crítica e mais ou menos ignorado pelo público, o filme de Craig Gillespie sobre uma patinadora artística de grande categoria arrastada para o fim da carreira olímpica pela estupidez dos que a rodeavam, tem uma boa hipótese em ver Allison Janney subir ao palco para receber o Óscar de Melhor Actriz Secundária. E também tem a possibilidade de receber a estatueta Melhor Montagem graças ao trabalho de Tatiana S. Riegel, nomeada pela primeira vez.

+ Entrevista a Margot Robbie: "Não deixaria ninguém fazer um filme sobre mim."

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Pixar
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Bela e o monstro, emma watson 2017
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