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As melhores sopas de Lisboa

Ou sim, ou sim. Acabe-se com o preconceito. Sopa é bom, sobretudo no Inverno. E a selecção que lhe fizemos garante prazer e alimento. Daqui ninguém sai com fome

Fotografia: Ana Luzia
A Sopa de Santola de Justa Nobre

Qual é a sopa do dia? “De legumes”. Mas que legumes? “Isso não sei”. Até há pouco, esta conversa com o empregado de mesa repetia-se vezes sem conta nos restaurantes da cidade. E era uma tristeza. Uma falta de consideração para com a sopa. Ora, felizmente, há cada vez mais cozinheiros para quem a sopa não é apenas uma panela com cenouras e batatas trituradas. Aliás, algumas das que lhe propomos demoraram horas a serem preparados e são mais complexas do que muitas receitas de chef.

As melhores sopas de Lisboa

Pho-Pu

A phomania chegou a Lisboa e muita gente pergunta: onde estava escondida esta sopa de noodles? Estava no Vietname, país que a criou e que a instituiu como símbolo nacional, mas também nas principais capitais do mundo, para onde foi exportada há muito tempo. O caldo translúcido à base da cozedura de ossos vale como uma refeição e cura as constipações mais difíceis, com os seus aromas a ervas aromáticas, anis e gengibre. Vá cedo ou vá tarde, que a sala é pequena e tem estado sempre cheia.

Sopa Pho: 6€

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Martim Moniz

Macau Dim Sum

É dos sítios mais complicados para se encontrar, sobretudo para quem não é de Oeiras. Este restaurante chinês fica na ponta da Praceta de Maputo, uma praceta igual a tantas outras, num bairro igual a tantos outros. Dito ito, está sempre cheio. A principal razão é porque faz dos melhores dumplings da Grande Lisboa, a segunda porque o serviço é risonho. Esta sopa de wonton usa os extraordinários raviolis de massa de arroz feitos na casa, mas é o caldo que nos enche a alma, com o seu aroma a couve chinesa e a sésamo torrado.

Sopa Wonton: 
3,50€

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Oeiras

Bonsai

A deliciosa sopa japonesa ramen, à base de caldo de carne, barriga de porco e noodles, regressou ao Bonsai, o histórico restaurante da Rua da Rosa. É servido aos sábados, de duas em duas semanas, e convém confirmar datas no Facebook e reservar. Apesar de terem aparecido por aí umas aproximações esta continua a ser das sopas ramen mais sérias da cidade.

Sopa Ramen: 
15€

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Chiado/Cais do Sodré

Grande Palácio Hong Kong

No disputadíssimo campeonato das sopas ácidas picantes que se comem em Lisboa, há uma que se destaca. A do concorrido restaurante cantonês Grande Palácio Hong Kong – também conhecido como “aquele chinês ali ao pé da Portugália” – é imbatível quer em ácido- -picante, quer nas pequeníssimas e deliciosas peças que a compõem, dos cogumelos orelha-de-judeu ao tofu e aos coentros frescos, tudo ligado por ovo batido e aqueles pozinhos que tornam as sopas chinesas num caldinho viscoso bom.

Sopa Ácida Picante: 3,25€

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Lisboa

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La Parisienne Bistrot Français

“É uma especialidade meu”, diz o chef Xavier Charrier, com um sotaque e uma sintaxe que são também um condimento essencial de um verdadeiro bistrô francês. Para além de mestre na arte de encher chouriços e outros enchidos (esteve à frente da excelente charcutaria do Linhó Chez Jules. ), Xavier faz uma soupe à l’oignon gratinée perfeita. No caldo de carne de vaca entram cebolas vermelhas, mais doces, vinho branco e louro. Depois o pão tostado e queijo Gruyère. Mesmo antes de servir, vai tudo a gratinar numa tostadeira.

Sopa de Cebola Gratinada: 8€

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Chiado

Stanislav

Esta não foi uma entrevista fácil. A receita foi-nos dada por Stanislav, o dono do restaurante, que a traduzia instantaneamente da boca do seu chef ucraniano, que, por sua vez, a debitava em russo, aos gritos, da cozinha (mais internacional e genuíno do que isto não há). O borsch leva na sua base um caldo de vaca com beterraba. Numa panela ao lado cozem-se cebolas, cenouras e batatas; e, numa frigideira, fritam-se em azeite português legumes laminados. Junta-se tudo com uma ordem específica e tapa-se o caldo com couve coração portuguesa. Por cima, para suavizar a sopa, deita-se uma colher de smetana (sour cream). Tudo muito típico, mas com toques lusitanos.

Sopa Borsch: 4€

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Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Kaffeehaus

Pedi-la tal como ela está na carta é uma tarefa árdua. Se não acredita, repita: Serbische Bohnensuppe. Passemos ao conteúdo. Na base da sopa sérvia está um refogado de cebola com presunto austríaco, pimenta, picante (não especificaram qual porque é segredo), tomate concentrado, louro e vinagre. Quando tudo estiver bem salteado, junta-se na mesma panela os quatro tipos de feijão: o branco, o preto, o de manteiga e o vermelho. Só depois, a água, e vai a lume brando, durante quatro horas, para ganhar consistência. Se não lhe agradar, tem sempre as tagessuppe, as sopas do dia.

Sopa Sérvia: 5,60€

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Chiado

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O Galito

Até Março, o Galito vai servir canja de pombo bravo: uma sopa inusitada, sazonal, e “que não vai encontrar em qualquer lado”, asseguram. “Só a servimos nesta altura do ano porque é quando os pombos estão melhores, mais gordos e com uma camada de gordura à volta do peito que os faz ficar mais saborosos”, explica Leonardo Galito, cozinheiro e filho do dono. Além de um peito inteiro de pombo, esta canja leva ainda toucinho de porco preto, chouriço vermelho de carne, arroz e hortelã. Está na carta há mais de 20 anos e é um sucesso.

Canja de Pombo Bravo: 16€

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Carnide/Colégio Militar

O Magano

É um dos melhores restaurantes alentejanos da cidade e tem sopas de comer e chorar por mais. A sopa de cação do Magano, com peixe da nossa costa, é feita a partir de um caldo com alho, louro, coentros e vinagre. O peixe é cozido na mistura que é, depois, engrossada com farinha de trigo. Ao lado, a acompanhar, vem sempre pão torrado ou pão do dia anterior. Esta receita, feita com muito esmero pela dona Cecília, tem vindo a ser melhorada com o tempo, pois há mais de 12 anos que está na carta. Além desta, há ainda a sopa de tomate, garoupa e ovo escalfado (17€). Também “fantástica”.

Sopa de Cação: 14€

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Campo de Ourique

Zé Varunca

Vá com um jejum de três dias ou convoque o grupo inteiro de Whatsapp para almoçar: a sopa de tomate do Zé Varunca requer, sempre, muita fome ou muita companhia. Servida só às quartas-feiras, vem dentro de um pote alentejano (dos grandes) e é feita com um caldo de tomate, pão, ovos escalfados, pimentos e orégãos.

Sopa de Tomate: 5,50€

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Bairro Alto

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Mercantina Alvalade

Não há apenas boas pizzas napolitanas na Mercantina, o restaurante que ajudou o Centro Comercial de Alvalade a levantar-se do túmulo. Diga-se que o chef Giorgio Damasio não ligava muito a sopas. Até que teve filhos. “Especializei-me e agora gosto muito”, diz. A sua sopa de legumes é o melhor que uma sopa de legumes pode ser, e ainda leva brinde (o parmesão ralado). A base é sempre de cebola, cenoura e alho francês, mas o resto varia. Um pormenor: nunca leva batatas. Como se consegue então aquela cremosidade? Giorgio explica: “Com a curgete, só a parte branca”. E a Bimby em velocidade máxima, acrescentamos nós.

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Alvalade

Kook

Neste restaurante do Chiado pode comer-se de tudo, de todo o mundo, desde bom sushi a uma versão de muamba de galinha do chef David Costa. A sopa de couve-flor, de inspiração francesa, é só mais uma das coisas recomendáveis da casa, pelo sabor e pela cremosidade. Um dos truques é o uso de caldo de legumes; o outro, o toque que a torna ainda mais especial, é ser finalizada com pedaços de pêras bêbadas e amêndoa. E leva natas, sim, mas nada comparado com as sopas-sobremesa que abundam por aí.

Sopa de Couve-Flor: 3€

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Chiado

Liquid

Esta sopa de laranja e abóbora foi fruto de uma experiência que resultou bem. “Queríamos fazer uma sopa diferente, onde pudéssemos misturar uma fruta com legumes. Acabámos por conseguir esta combinação, quentinha para o Inverno”, diz Catarina Rodrigues, a cozinheira das sopas da loja do Chiado. As sopas da Liquid são preparadas todos os dias com vegetais da estação, não levam batata, nem aditivos. E esta, além da laranja e da abóbora e das suas propriedades desintoxicantes, leva ainda cenoura, aipo, pepino, noz-moscada e canela.

Sopa Detox de Abóbora e Laranja: 2,50€

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Chiado

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Faz Gostos

O nome correcto deste prato é Canja de Amêijoas da Ria Formosa. A origem dos bivalves é autêntica e certificada pelo dono do restaurante e do viveiro (na ria), Duval Pestana, também autor da receita. Além das amêijoas vivas, da base de bom azeite, de arroz e de meio tomate que é colocado sempre a meio da cozedura – um truque do cozinheiro que lhe foi ensinado por um pescador –, no final juntam-se umas folhas de hortelã que dão um aroma fresquíssimo à reconfortante canja.

Canja de Amêijoas: 9,50€

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Chiado

O Nobre

Venham as entradas que vierem, não há melhor forma de arrancar uma refeição no restaurante da família Nobre. Feita pela chef Justa há mais 35 anos, a sopa de santola é uma especialidade confeccionada dia sim, dia não, numa média de 30 litros de cada vez. A receita inclui todo o recheio da santola (ovas incluídas), inclui um caldo que usa a água da cozedura dos crustáceos e cabeças de camarão, inclui cebolas, concentrado de tomate, Vinho do Porto Seco, raiz de gengibre e outros temperos que a tornam única.

Sopa de Santola: 9,95€

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Areeiro/Alameda

Nova Pombalina

Se os grelos não forem da produtora do costume, então não há sopa para ninguém. “Temos pena, mas não vamos dar uma sopa menos boa ao cliente. Não a vamos fazer com uns grelos quaisquer”, diz Manuel Maurício, um dos donos da Nova Pombalina. Pois é, o segredo desta sopa reside nos rebentos que “uma senhora de confiança produz sem preparados”. A sopa é feita uma vez por semana e num dia chegam a vender mais de 50 porções. “Leva ainda batata, cebola, cenoura, alhos e baguinhos de arroz salteados. Tudo muito bom, para dar saúde.”

Sopa de Grelos: 1,70€

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Baixa Pombalina

Populi

Com a carta de Inverno do Populi vieram mais pratos portugueses, que mesmo os turistas do Terreiro do Paço é isso que procuram. Entre eles está este caldo verde muito especial. O chouriço é assado à parte, no forno, até ficar bem crocante, para ser acrescentado no fim, em pequenos cubos, juntamente com o suco da gordura que largou. Quem for vegetariano só tem de ficar quietinho e não tocar no enchido. Por sua vez, a couve é salteada e colocada no centro do prato, antes do empregado imergi-la com a sopa, servida à maneira antiga: na mesa.

Sopa de Caldo Verde: 4,50€

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Adraga

Escolha dos críticos

O prato é louça normal. O peixe... é daquela qualidade que 99% dos restaurantes gostavam de ter e não têm. Nem podem, já agora, pela infeliz circunstância de não terem o mar à porta. A Adraga faz-se valer desse privilégio para servir o melhor peixe do hemisfério Norte, mais coisa menos coisa, mas também mimos como esta sopa do mar, que não é “rica” no nome, como é hábito, mas milionária em ingredientes. A textura de uma sopa alentejana, o picante de um caldo apurado, os lombos de peixe (do dia) brancos, por lascar, a ensinar que não se fazem coisas destas com restos.

Sopa de Peixe: 3,50€

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Sintra

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