Palácio Beau-Séjour
Francisco Romão Pereira | Palácio Beau-Séjour
Francisco Romão Pereira

15 jardins secretos para descobrir em Lisboa

Há jardins que, por estarem escondidos ou para lá de grandes portões, passam despercebidos. Eis 15 refúgios na cidade.

Publicidade

Pode parar de trautear os "Jardim Proibidos" de Paulo Gonzo. Estes que sugerimos são jardins pouco óbvios, ainda menos falados e muitas vezes fora do circuito mental dos nossos próprios mapas de exploradores urbanos. Só os conhecem, normalmente, os residentes nas proximidades e quem ousa desviar-se das ruas principais, ultrapassando portas e portões mais ou menos pomposos. Entre estes 15 jardins há de tudo, desde lugares palacianos a jardins em museus ou livrarias. Um miradouro com vista deslumbrante sobre o Tejo? Existe. E jardins criados por cidadãos? Também. Até pode visitar o jardim da casa do primeiro-ministro, mas, ressalve-se: só quando ele quiser.

Recomendado: Os melhores parques e jardins de Lisboa

Descubra jardins escondidos de Lisboa

  • Atracções
  • Edifícios e locais históricos
  • Sete Rios/Praça de Espanha

Quem passa o portão do Palácio Fronteira, monumento nacional, entra de imediato no século XVII. Nesta antiga quinta de recreio, tudo se preserva de forma muito próxima ao desenho original, até porque o palácio (surpresa!) continua a ser habitado pelos descendentes de Dom João de Mascarenhas, o 1.º Marquês de Fronteira, que mandou edificar o corpo principal da casa. Nos jardins (o Formal e o de Vénus), que podem ser visitados autonomamente, destacam-se a azulejaria, um grande lago/tanque e uma bela fonte, árvores exóticas e canteiros de buxo. Há também dez esculturas em chumbo representando divindades menores. Com sorte, pode passear-se neles gratuitamente em dias de eventos especiais, como concertos ou um dia aberto.

  • Atracções
  • Edifícios e locais históricos
  • Sete Rios/Praça de Espanha

Primeiro traduzimos: beau séjour significa “estadia agradável” ou "bela estadia", pelo que era isso mesmo que se pretendia com esta quinta do século XIX, casa de veraneio de gente nobre onde até se passeava de barco no pequeno lago que ainda hoje aqui existe. Foi em 1849, que a Viscondessa da Regaleira a mandou construir, mas, mais tarde, o Barão da Glória comprou a propriedade e introduziu-lhe várias transformações, como o forro da parede exterior do palácio em azulejo ou a chegada de inúmeras espécies exóticas ao exterior. No jardim romântico, destaca-se o arvoredo alto (veja-se a araucária e a sequóia), bem como os bancos e refúgios onde acorrem os namorados. No interior, onde se investiga Lisboa com afinco, destacam-se vários elementos raros, como a especial fonte-lavatório assinada por Rafael Bordalo Pinheiro, cheia de fauna e flora portuguesas. 

Publicidade
  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Grande Lisboa

Localizado no Palácio Alvor, talvez um dos mais perfeitos exemplares de palácio urbano barroco aristocrático, o Museu Nacional de Arte Antiga tem nas suas traseiras um jardim com uma esplendorosa vista panorâmica para o Tejo, um antigo tanque circular de pedra, esculturas sobre pedestais, um sortido de árvores que inclui um salgueiro, um cipreste e uma magnólia grandiflora, com as suas sombras refrescantes. Há ainda a esplanada da cafetaria/ restaurante do museu, sob o caramanchão com uma bungavília vermelha. Além de tudo isto, saiba que a entrada faz-se pelo museu sem ser necessário pagar bilhete. Que mais pedir? Talvez um horário um pouco mais alargado, até ao pôr-do-sol. 

Nota: O Museu Nacional de Arte Antiga está fechado para obras, estando a reabertura prevista para o segundo semestre de 2026.

  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Grande Lisboa

O palácio esteve fechado ao público por mais de um século e, por consequência, o jardim ali esteve, com as árvores, ainda assim, crescendo por conta própria. Em 2017, o espaço tornou-se no pólo cultural do bairro, onde há biblioteca, ludoteca, espaços para trabalhar ou a cafetaria com uma enorme esplanada. Nas ocasiões especiais, acontecem concertos, tertúlias ou feiras de vinil, mas no dia-a-dia o jardim do Palácio Baldaya é simplesmente aquele refúgio com belas sombras e bancos para sentar, para não mencionar o pequeno lago onde vivem tartarugas, atractivo para os mais sensíveis.

Publicidade
  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Charneca

A Quinta de Santa Clara foi uma das várias quintas de recreio que foram criadas nos limites de Lisboa no século XVIII e, por isso, está inventariada pela Associação Portuguesa dos Jardins Históricos. Após o 25 de Abril, o espaço foi doado ao município de Lisboa, recuperado e aberto ao público. Nos dois patamares em frente ao palacete, abertos ao público, há árvores de grande porte, jardim e bancos do período barroco revestidos a azulejo, bem como bancos de madeira, que envolvem o lago ao centro, com os seus refrescantes repuxos de água. Uma remodelação de 2013, entre outras coisas, instalou um muito útil quiosque e um parque infantil.

  • Atracções
  • Quintas
  • Sete Rios/Praça de Espanha

Tem sido palco de concertos e outros eventos e, por isso, a quinta já não é um segredo na cidade. Mas, ainda assim, quem passar pelo meio dos prédios altos de São Domingos de Benfica e não conhecer bem a zona não vai dar de caras facilmente com este jardim nem talvez perceber que para lá do portão há tanto espaço. O edifício imponente do século XVIII é hoje a sede da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica e o jardim espaço aberto para os cidadãos. Há uma grande área relvada, bancos à sombra, um lago octagonal, um circuito de manutenção e parque infantil. 

Publicidade
  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Estrela/Lapa/Santos

Houve o tempo (no do primeiro-ministro António Costa, por exemplo) em que os jardins do Palacete de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, abriam ao público todos os domingos. Agora, o belo jardim pode ser visitado em ocasiões especiais, como as comemorações do 25 de Abril. E o que existe aqui? Além do palacete de 1880, um espaço impecavelmente cuidado num terreno de quase dois hectares e muito património natural e cultural. Há um tanque rectangular com quatro golfinhos em mármore de Estremoz de Leopoldo de Almeida, jacarandás, cicas, dragoeiros, palmeiras, zona de mata (ao todo, existem mais de 1000 árvores de 89 espécies), jardim romântico e cerca de 20 obras de artistas como João Cutileiro, Lourdes Castro, José Pedro Croft, Rui Chafes, Fernanda Fragateiro ou Vhils. No jardim, quem começou as plantações, nos anos de 1930, foi Jacinto de Matos, responsável pelos parques das Pedras Salgadas e da Curia. É toda essa luxúria, sim, mas entre São Bento e a Estrela.

  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Castelo de São Jorge

Antes de ter ganho este nome tecnocrata, com a remodelação de 2017, chamava-se Miradouro do Recolhimento, que era bem mais inspirador. Mas se o nome mudou para pior, o espaço encheu-se de qualidades. Para se chegar a este cantinho secreto de 500 metros quadrados (265 dos quais ajardinados), com uma assombrosa vista sobre o Tejo e a encosta de Alfama, é preciso percorrer as ruelas do Castelo. À chegada, para além do dito recolhimento, há sempre a sensação de grandiosa descoberta. A par das vistas há uma cabine de leitura, parque infantil, máquinas de exercícios para adultos e também mesas, relva, bancos e árvores.

Publicidade
  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Benfica/Monsanto

Com 4315 metros quadrados, o Jardim Carlos Consiglieri fica no coração de Benfica, atrás da Igreja de Nossa Senhora do Amparo e próximo do Palácio Baldaya. Foi construído como um anfiteatro, aproveitando o declive do terreno e ligando a Rua Jorge Barradas, a uma cota mais alta, à Rua Cláudio Nunes, em baixo, um percurso para se fazer de forma linear, graças a uma escadaria em pedra, ou serpenteando através das cinco rampas largas e de suave inclinação que ligam todo o jardim. É um local de lazer com mesas e cadeiras de madeira, bancos de pedra, equipamentos para fazer exercício ao ar livre e um parque infantil com escorregas, baloiço e rede de escalada. Foi baptizado com o nome de Carlos Consiglieri (1933-2021) como homenagem ao humanista, pedagogo, olisipógrafo e político que tinha forte ligação a Benfica.

  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Benfica/Monsanto

Perto das Portas de Benfica, no limite de Lisboa, há um jardim especial, sobretudo pela forma como foi criado. O das Marias nasceu da iniciativa de cinco moradoras que, além da paixão por espaços verdes, partilhavam o mesmo nome (Maria, lá está). Do terreno desleixado nas traseiras de dois prédios nasceu assim um exemplo de participação cidadã, para a criação de uma Lisboa mais verde. A história chegou, aliás, a ser protagonista na série Paraísos, magazine dedicado a jardins exibido pela RTP2. Onde havia mato e cimento nascem agora flores e arbustos e há também bancos, sombras e até um lago com peixes. Todo um ecossistema.

Publicidade
  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Grande Lisboa

Neste pequeno jardim de prédio transformado numa espécie de micro-selva-tropical-urbana, o jardineiro de guerrilha Nuno Prates foi plantando o esperado e o inesperado. Não sendo um defensor das espécies autóctones em particular, tanto porque o clima está a mudar, como porque o de Lisboa já está para lá do mediterrânico, o cidadão apaixonado por botânica decidiu experimentar plantas que se dão bem nos trópicos e tudo o que lhe vão doando. Depois, elas ajudam-se entre si. Às vezes deixam-lhe vasos sem dizer nada, outras com um pequeno bilhete, pedindo que cuide bem da planta X, porque tem um significado especial. O Jardim das Plantas Doadas não é um espaço para se sentar a ler um livro, mas um projecto-cidadão que inspira, ao mostrar como a natureza vence com um pequeno empurrão.

  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Grande Lisboa

Talvez isto nunca lhe tenha ocorrido, mas o Júlio de Matos (conhecemo-lo assim, mas, agora, o nome oficial é Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa e integra a Unidade Local de Saúde São José) é um parque densamente arborizado com edifícios lá dentro. Em concordância com o pensamento de Júlio de Matos, o tipo de hospital escolhido foi o de pavilhões (neste caso, são 33), de cor rosa, dispostos de forma funcional, formando uma planta absolutamente simétrica com eixo na porta principal. “Numa área de 22 hectares, a ornamentação arbórea foi cuidadosamente planeada, graças à inclusão, numa vasta equipa técnica, de um arquitecto paisagista, Prof. Caldeira Cabral, e de um engenheiro agrónomo e silvicultor, Prof. Azevedo Gomes”, pode ler-se no site do SNS. Tudo pela saúde mental. É pela importância deste jardim, com arbustos, flores e árvores de grande porte, que, desde 19 de Julho de 2013, os jardins do Hospital Júlio de Matos passaram a poder ser visitados por todos.

Publicidade
  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Grande Lisboa

Como é que num espaço tão pequeno pode caber tanta coisa? No também conhecido como Jardim do Psi (por causa do restaurante vegetariano que aqui fica) contam-se uma grevília, cinco jacarandás, uma eritrina, um teixo, um salgueiro, um cipreste, arbustos vários, uma glicínia e buganvílias a cobrir o muro. Surpreenda-se ainda com uma pequena cascata, um lago, uma ponte e um parque infantil. Igualmente grande para o tamanho do jardim é o número de nomes que tem: do original Jardim da Alameda de Santo António dos Capuchos passou para Jardim da Paz quando Dalai Lama lá inaugurou um obelisco com a inscrição "Um jardim pela paz", em 2001. Em 2014, dez anos após a morte de Maria de Lourdes Pintasilgo, única primeira-ministra portuguesa e ex-moradora da rua, foi inaugurado um memorial em sua homenagem e acrescentado o seu nome ao local. Talvez de pouco sirva, porque toda a gente continua a chamá-lo de Jardim do Psi.

  • Atracções
  • Parques e jardins
  • Lisboa

O Goethe é o instituto cultural da República Federal da Alemanha, com cursos de língua alemã e iniciativas de intercâmbio cultural regulares, como o KINO – Mostra de cinema de expressão alemã e o JiGG – Jazz im Goethe-Garten, que acontece no jardim. O instituto está instalado no antigo Palácio Valmor, do século XVIII, e o jardim tem árvores de grande porte e um dragoeiro, que atestam a sua antiguidade. O laguinho, a densidade e a variedade de árvores e plantas (bem como a cafetaria, que também serve almoços) tornam este jardim num pequeno oásis de que ninguém suspeita quando passa pela fachada do edifício no Campo Mártires da Pátria.

Publicidade
  • Compras
  • Livrarias
  • Princípe Real

Aberta desde 2017, fica a um pulo do Rato, no lugar que pertencia à Oficina de Vitrais e Mosaicos de Arte Ricardo Leone, fundada em 1905 pelas mãos do mestre Cláudio Azambuja. Daqui saíram alguns dos vitrais mais importantes do país, que figuram hoje no Mosteiro da Batalha ou na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa. Agora, nas antigas mesas de fabrico de vidro vivem milhares de livros e, nos fundos, há um belo jardim onde os podemos ler ou consultar, na paz do papel.

A nossa Lisboa é verde

  • Atracções
  • Parques e jardins

Exóticos pelas espécies que exibem, desenhados à inglesa e à francesa, com mais ou menos pendor para o conceito de mata, ajardinados ou em jeito de parque florestal, os espaços verdes de Lisboa contam histórias da cidade e da sociedade, mas também sabem muito bem estar em silêncio e deixar-nos retirar deles o que têm de melhor. Alguns parecem pistas para correr, outros campos para brincar ao que quiser, outros ainda recantos convidativos ao namoro e às guitarradas. Temo-los graças a engenheiros, paisagistas, biólogos, botânicos, cidadãos – e jardineiros, claro – e todos eles fazem a diferença na cidade. Nesta lista, levamo-lo num passeio entre pássaros, arbustos e até pequenos lagos, mas também por séculos de uma Lisboa verde.

Recomendado: Os melhores sítios para correr em Lisboa

  • Compras

Bonsais, cactos, árvores de fruto, arbustos, plantas rasteiras, trepadeiras, folhas grandes e miudinhas, tudo para compor as divisões lá de casa ou até mesmo para dar outra vida ao quintal – se for o caso. Estes sítios (alguns deles só com loja online) reúnem alguns dos mais raros exemplares da natureza aos mais simples e vulgares. Saiba, no entanto, que é preciso ter atenção à espécie para poder adaptá-la ao ambiente – coisas que um especialista lhe vai explicar certamente. Esta lista dos melhores sítios para comprar plantas em Lisboa é para os apaixonados pela botânica, é todo um novo harém de clorofila à espera de ganhar casa e que vale a pena visitar.   

Publicidade
  • Coisas para fazer
  • Caminhadas e passeios

Parta à descoberta dos melhores jardins e parques em Sintra, um trabalho que o ajudamos a fazer com todo o gosto. Há verde de todos os tipos: desde o parque no meio da vila aos parques e jardins românticos escondidos nas encostas da serra, obras-primas de arquitectos e paisagistas do século XIX, que foram mantidos e recuperados nos séculos seguintes. Mas também aqui encontra o jardim francês, com as suas sebes de buxo milimetricamente aparadas, ou um mais robusto parque de merendas, se tudo o que precisa é de ouvir passarinhos refastelado à sombra das árvores. Venha a Sintra conhecer três jóias portuguesas da Rede Europeia de Jardins Históricos.

Recomendado: Os melhores passeios em Lisboa para fazer este mês

Recomendado
    Últimas notícias
      Publicidade