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Coisas que os estrangeiros não recomendam em Lisboa

Esperar para entrar na Torre de Belém? Subir o elevador de Santa Justa? Leia o que os estrangeiros (e alguns locais) escrevem sobre as atracções que dispensam em Lisboa

torre de belém
Fotografia: Arlindo Camacho
Por Maria Ramos Silva e Sebastião Almeida |
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Nota prévia, a parte não faz o todo e esta não é mais que uma resenha de opiniões descomprometidas de quem está de fora. Cruzámos sites de notícias, revistas de viagens, blogues, e opiniões de turistas anónimos que deixaram as suas impressões depois de uma passagem por Lisboa. Sim, é verdade que somos óptimos e todos nos querem, mas também temos as nossas armadilhas, ou pelo menos as nossas paragens mais ou menos dispensáveis para o turismo bem informado. Pelo caminho, a Time Out puxa a brasa à sua sardinha e deixa algumas sugestões para que saia da capital portuguesa ainda mais encantado do que quando chegou.

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Coisas que os estrangeiros não recomendam em Lisboa

antiguidades egipcías do museu de arqueologia
©DR
Museus

Museu Nacional de Arqueologia

Belém

"Tecnicamente faz parte do Mosteiro dos Jerónimos. Não fiquei muito impressionado mas se calhar também é difícil impressionar-me porque conheço a maioria dos museus do género na Península Ibérica. A parte dedicada ao Antigo Egipto é demasiado datada."

(A Wikipedia diz que o governo dos faraós terminou oficialmente em 31 a.C., quando o Egipto caiu sob o domínio do Império Romano, que por sua vez também é um bocado datado.)

"Para além da exposição temporária que apanhei, não havia muito mais. Se quer um museu de arqueologia de categoria, vá a Madrid", continua Trevor Huxham, no seu trevorhuxman.com. Ficou "igualmente aborrecido" com o Museu da Marinha. Trevor admite que esperava mais tendo em conta o passado marítimo dos portugueses. A estátua do Arcanjo São Rafael, que viajou para a Índia na armada de Vasco da Gama, sobreviveu a um naufrágio e regressou a casa, continua caladinha, sabendo que só vale a pena falar se for para "melhorar o silêncio". 

Castelo de São Jorge
© Lydia Evans / Time Out
Atracções, Edifícios e locais históricos

Castelo de São Jorge

Castelo de São Jorge

Sao Jorge Castle ou Castelo de São Jorge, em bom português. Pode parecer obrigatório em qualquer lista, mas convenhamos que não tem que ser bem assim. Está a ver quando fazemos compras online e ao receber a peça em casa afinal tem um outro:

- tom

- material

- tamanho

(preencher a gosto)

Há uma comparação aplicável ainda melhor: é quando avaliamos o impacto de ter acabado de usar um espelho de aumento, e constatamos que a coisa não é assim tão agradável à vista. "Localizado por cima de Alfama, o castelo figura em ínumeros postais da cidade, mas no seu interior não é assim tão interessante. Quer bons castelos, vá a Sintra." Palavra de Marek Bron, do Indie Traveller, blogger de viagens e trota-mundos. Porque à distância quase tudo é mais bonito.

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Jardim Zoológico de Lisboa
© Arlindo Camacho
Atracções, Zoológicos e aquários

Jardim Zoológico de Lisboa

Sete Rios/Praça de Espanha

Está a ver quando meio mundo espera que diga "azul" e você decide sair-se com "encarnado", assim para garantir o devido efeito surpresa/não lembra ao menino Jesus?

Não é que o site abcnews tenha razões de queixa do Jardim Zoológico, simplesmente acha que há melhores programas, ou pelo menos mais originais e económicos. É por isso que sugere em alternativa uma visita ao estuário do Tejo, uma das zonas mais relevantes do género na Europa e um "spot perfeito para a observação de pássaros". 

Torre de Belem
© Lydia Evans / Time Out
Atracções

Torre de Belém

Belém

Faz sentido que os locais sejam os primeiros a alertar os turistas para potenciais ratoeiras. São também aqueles que o conseguem fazer com mais sentido de humor. Veja-se o caso de Sandra, a açoriana do Trippr blog, que continua a surpreender-se com as romarias à Torre de Belém.

"Realmente não entendo o burburinho à volta da visita a este monumento manuelino. Não tem interesse nenhum e para ser franca, se quer ter uma boa vista do rio há zonas melhores. Bom, a não ser que seja um entusiasta de edifícios militares e aí vai adorar esta torre de defesa. Para os restantes, é muito mais interessante (e grátis) admirar de fora. Melhor ainda se for ao pôr do sol."

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Little Lisbon - Peddy Paper no Bairro Alto
©DR
Atracções

Bairro Alto

Bairro Alto

Local de tantas casas icónicas da cidade, o Bairro Alto é uma das atracções mais antigas da cidade e das que suscita mais interesse a quem nos visita. As ruas a subir e a descer cansam forasteiros e locais, os grafitis nas paredes provocam espanto a quem com eles se cruzam. Há sempre as armadilhas para turistas mas há que ser-se esquivo para enfrentar estas provações lisboetas.

“Em termos de armadilhas para turistas, os vendedores são poucos comparados com os de Alfama e da Baixa. Demasiado montanhoso com muitos degraus. É uma zona residencial mais barata para locais e sub-culturas marginais”, escreve um turista que visitou a cidade este mês, na plataforma internacional Trip Advisor.

Salve-se de todo este sofrimento evitável com as nossas recomendações de baresrestaurantes.

Arco da Rua Augusta
©ATL/Arco da Rua Augusta

Baixa

Ainda segundo o abcnews há pelo menos duas boas razões para dispensar a baixa da cidade, povoada por menus em inglês, empregados adornados com folclore local, e investidas em riste de ementas (circular pela Rua das Portas de Santo Antão para fazer o teste). 

Os argumentos para aproveitar um dia afastado do coração de Lisboa chamam-se Cascais e/ou Sintra e surf. "Estão a cerca de vinte quilómetros de distância, rodeados por belas praias e monumentos". 

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Elevador de Santa Justa
© Lydia Evans / Time Out
Atracções

Elevador de Santa Justa

Chiado

Continuando pela baixa, o Trippr Blogue destaca mais uma paragem a evitar, um daqueles casos de venda de gato por lebre, ou de uma Lisboa que tenta passar por francesa, estratégia que até a canção desaconselha. Elevemos o tópico de discussão à boleia do elevador de Santa Justa.

"Vamos ao facto mais importante. O elevador não foi desenhado nem construído por Gustave Eiffel. Foi desenhado por um engenheiro nascido no Porto que trabalhou com Eiffel, daí a semelhança com a torre de Paris. Sabendo disto, por que raio alguém há-de querer ficar à espera na fila para subir até ao Carmo".

Sai uma machadada extra nos guias turísticos, já que a sua maioria, garante quem escreve, não esclarece este detalhe relevante. "A não ser que seja um grande fã de Ponsard. Aí recomendam-se outras obras suas, como os elevadores da Bica, Lavra e Glória".

Hashtag? #jesuisponsard, claro.

parque das nações, escultura jorge vieira
Fotografia: Arlindo Camacho

Parque das Nações

Para Emma, americana que criou um blogue para falar da ruína que transformou em casa, instalando-se assim em Portugal, a zona da Expo não acrescenta grande coisa a quem visita Lisboa. "O pavilhão,  o Oceanário, aquelas coisas...". E depois provavelmente ainda tem que apanhar aqueles transportes e comer naqueles restaurantes e voltar daqueles sítios, e toda a gente sabe como um pronome demonstrativo é capaz de arruinar uma tarde. 

Bom, seguem umas pistas, and "all that stuff". 

+ 16 coisas para fazer no Parque das Nações 

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Oceanário de Lisboa
Fotografia: Ana Luzia
Atracções

Oceanário de Lisboa

Parque das Nações

É o maior oceanário da Europa, mas nem por isso deixa todos os que o visitam deslumbrados com tamanha diversidade de fauna e flora marítima. Ou porque as escadas são apertadas, as filas uma provação à paciência dos visitantes ou a falta de dentes nos peixes prejudica a  visita, o Oceanário de Lisboa é um caldeirão de experiências que ora se revelam traumáticas ou destilam ódio sobre nós, singelos portugueses.

“Tive de gastar 16 euros em Uber em ambos os sentidos. O bilhete foi 19€!!! Definitivamente não vale a pena para ver um tubarão desdentado e poucos pinguins, ao som de bebés a chorar. Também não tem muitas exposições.”

“Um aquário bastante bom, mas não fiquei extremamente impressionado. Se já tiverem ido a outros aquários poderá não valer o vosso tempo e dinheiro.”

Assim assim

Não estou muito entusiasmado. Estive em Maiorca no aquário e era muito melhor e interessante. Preço do bilhete é demasiado alto para o que é oferecido

Empregados sombrios e falta de controlo 

Phillip M queixa-se de um sábado de tormenta em Janeiro com “uma multidão de pessoas atrás das janelas de vidro com caras infelizes” e de falta de troco para moedas e notas dos empregados. Apesar de tudo, “as vistas eram incríveis”, mas isso não implica que os empregados sejam “desonestos, desorganizados e que tenham de ser substituídos”, escreve o turista norte-americano na Trip Advisor.

Mosteiro dos Jerónimos
Fotografia: Arlindo Camacho
Atracções

Mosteiro dos Jerónimos

Belém

Bem sabemos como os guias são capazes de inflacionar as atracções turísticas em matéria de interesse. Foi o que aconteceu com Brenna, do brennagraham.wordpress.com. "Para começar, não percebi que ia demorar 40 minutos a partir do centro em transportes públicos. Dizia que os Jerónimos eram maravilhosos. É bom, mas não é maravilhoso". O túmulo de Vasco da Gama merece a devida ressalva, mas segundo Brenna não vale a pena perder horas na fila para ver "só mais um claustro". 

(É estilo pausa para pensar naqueles momentos em que diz a si próprio "é só mais um cigarro")

Brenna remata ainda: "A não ser que o Alexander McQueen tenha ressuscitado e pendurado a sua colecção Highland Rape por aqui, não vejo razões para visitar este claustro".

(Hipótese em jeito de conclusão: se Vasco da Gama vestisse saias tinha chegado ainda mais longe)

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Lxfactory
©DR
Atracções

Lx Factory

Alcântara

Mercados, exposições, lojas, cafés, concertos, festas. Há todo um mundo para descobrir nesta "fábrica" cosmopolita que alterou por completo a paisagem de Alcântara a partir de 2008, quando este complexo saído de 1846 reabriu portas. Mas nem todos a vêem assim. Alguns turistas consideram-na um reduto hipster da cidade, sem interesse e com lojas e restaurantes excessivamente caros. 

Sass Mckitten, veio de Detroit, nos Estados Unidos, habituada a estes “espaços industriais reaproveitados” mas não sentiu que fosse uma experiência verdadeiramente portuguesa ou lisboeta. “Foi apenas um paragem ok no nosso regresso de Belém”. A turista queixa-se das lojas sem propósito e dos preços demasiado altos. Enfim, trata-se apenas de “ uma colecção de lojas e restaurantes hipsters sofisticados”, nas palavras da norte-americana.

Nós partilhamos o nosso roteiro, para lhe mostrar que este território da cidade afinal de contas tem alguma utilidade: Coisas para fazer na Lx Factory

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©Eugene Hyland
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©DR
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