Coisas que os estrangeiros não recomendam em Lisboa

Esperar para entrar na Torre de Belém? Subir o elevador de Santa Justa? Leia o que os estrangeiros (e alguns locais) escrevem sobre as atracções que dispensam em Lisboa
Elevador de Santa Justa
Fotografia: Ana Luzia
Por Maria Ramos Silva |
Publicidade

Nota prévia, a parte não faz o todo e esta não é mais que uma resenha de opiniões descomprometidas de quem está de fora. Cruzámos sites de notícias, revistas de viagens e blogues de turistas anónimos que deixaram as suas impressões depois de uma passagem por Lisboa. Sim, é verdade que somos óptimos e todos nos querem, mas também temos as nossas armadilhas, ou pelo menos as nossas paragens mais ou menos dispensáveis para o turismo bem informado. Pelo caminho, a Time Out puxa a brasa à sua sardinha e deixa algumas sugestões. 

Coisas que os estrangeiros não recomendam em Lisboa

antiguidades egipcías do museu de arqueologia
©DR
Museus

Museu Nacional de Arqueologia

icon-location-pin Belém

"Tecnicamente faz parte do Mosteiro dos Jerónimos. Não fiquei muito impressionado mas se calhar também é difícil impressionar-me porque conheço a maioria dos museus do género na Península Ibérica. A parte dedicada ao Antigo Egipto é demasiado datada"

(A Wikipedia diz que o governo dos faraós terminou oficialmente em 31 a.C., quando o Egipto caiu sob o domínio do Império Romano, que por sua vez também é um bocado datado)

"Para além da exposição temporária que apanhei, não havia muito mais. Se quer um museu de arqueologia de categoria, vá a Madrid", continua Trevor Huxham, no seu trevorhuxman.com. Ficou "igualmente aborrecido" com o Museu da Marinha. Trevor admite que esperava mais tendo em conta o passado marítimo dos portugueses. A estátua do Arcanjo São Rafael, que viajou para a Índia na armada de Vasco da Gama, sobreviveu a um naufrágio e regressou a casa, continua caladinha, sabendo que só vale a pena falar se for para "melhorar o silêncio". 

Castelo de São Jorge
© Lydia Evans / Time Out
Atracções, Edifícios e locais históricos

Castelo de São Jorge

icon-location-pin Castelo de São Jorge

Sao Jorge Castle ou Castelo de São Jorge, em bom português. Pode parecer obrigatório em qualquer lista, mas convenhamos que não tem que ser bem assim. Está a ver quando fazemos compras online e ao receber a peça em casa afinal tem um outro:

- tom

- material

- tamanho

(preencher a gosto)

Há uma comparação aplicável ainda melhor: é quando avaliamos o impacto de ter acabado de usar um espelho de aumento, e constatamos que a coisa não é assim tão agradável à vista. "Localizado por cima de Alfama, o castelo figura em ínumeros postais da cidade, mas no seu interior não é assim tão interessante. Quer bons castelos, vá a Sintra." Palavra de Marek Bron, do Indie Traveller, blogger de viagens e trota-mundos. Porque à distância quase tudo é mais bonito.

Já que aqui está, ao menos vá connosco

+ 33 coisas para fazer em Sintra

Publicidade
Jardim Zoológico de Lisboa
© Arlindo Camacho
Atracções, Zoológicos e aquários

Jardim Zoológico de Lisboa

icon-location-pin Sete Rios/Praça de Espanha

Está a ver quando meio mundo espera que diga "azul" e você decide sair-se com "encarnado", assim para garantir o devido efeito surpresa/não lembra ao menino Jesus?

Não é que o site abcnews tenha razões de queixa do Jardim Zoológico, simplesmente acha que há melhores programas, ou pelo menos mais originais e económicos. É por isso que sugere em alternativa uma visita ao estuário do Tejo, uma das zonas mais relevantes do género na Europa e um "spot perfeito para a observação de pássaros". 

Torre de Belem
© Lydia Evans / Time Out
Atracções

Torre de Belém

icon-location-pin Belém

Faz sentido que os locais sejam os primeiros a alertar os turistas para potenciais ratoeiras. São também aqueles que o conseguem fazer com mais sentido de humor. Veja-se o caso de Sandra, a açoriana do Trippr blog, que continua a surpreender-se com as romarias à Torre de Belém.

"Realmente não entendo o burburinho à volta da visita a este monumento manuelino. Não tem interesse nenhum e para ser franca, se quer ter uma boa vista do rio há zonas melhores. Bom, a não ser que seja um entusiasta de edifícios militares e aí vai adorar esta torre de defesa. Para os restantes, é muito mais interessante (e grátis) admirar de fora. Melhor ainda se for ao pôr do sol". 

Publicidade
Arco da Rua Augusta
©ATL/Arco da Rua Augusta

Baixa

Ainda segundo o abcnews há pelo menos duas boas razões para dispensar a baixa da cidade, povoada por menus em inglês, empregados adornados com folclore local, e investidas em riste de ementas (circular pela Rua das Portas de Santo Antão para fazer o teste). 

Os argumentos para aproveitar um dia afastado do coração de Lisboa chamam-se Cascais e/ou Sintra e surf. "Estão a cerca de vinte quilómetros de distância, rodeados por belas praias e monumentos". 

Elevador de Santa Justa
© Lydia Evans / Time Out
Atracções

Elevador de Santa Justa

icon-location-pin Chiado

Continuando pela baixa, o Trippr Blogue destaca mais uma paragem a evitar, um daqueles casos de venda de gato por lebre, ou de uma Lisboa que tenta passar por francesa, estratégia que até a canção desaconselha. Elevemos o tópico de discussão à boleia do elevador de Santa Justa.

"Vamos ao facto mais importante. O elevador não foi desenhado nem construído por Gustave Eiffel. Foi desenhado por um engenheiro nascido no Porto que trabalhou com Eiffel, daí a semelhança com a torre de Paris. Sabendo disto, por que raio alguém há-de querer ficar à espera na fila para subir até ao Carmo".

Sai uma machadada extra nos guias turísticos, já que a sua maioria, garante quem escreve, não esclarece este detalhe relevante. "A não ser que seja um grande fã de Ponsard. Aí recomendam-se outras obras suas, como os elevadores da Bica, Lavra e Glória".

Hashtag? #jesuisponsard, claro.

Publicidade
parque das nações
Fotografia: Arlindo Camacho

Parque das Nações

Para Emma, americana que criou um blogue para falar da ruína que transformou em casa, instalando-se assim em Portugal, a zona da Expo não acrescenta grande coisa a quem visita Lisboa. "O pavilhão,  o Oceanário, aquelas coisas...". E depois provavelmente ainda tem que apanhar aqueles transportes e comer naqueles restaurantes e voltar daqueles sítios, e toda a gente sabe como um pronome demonstrativo é capaz de arruinar uma tarde. 

Bom, seguem umas pistas, and "all that stuff". 

+ 16 coisas para fazer no Parque das Nações 

Mosteiro dos Jerónimos
Fotografia: Arlindo Camacho
Atracções

Mosteiro dos Jerónimos

icon-location-pin Belém

Bem sabemos como os guias são capazes de inflacionar as atracções turísticas em matéria de interesse. Foi o que aconteceu com Brenna, do brennagraham.wordpress.com. "Para começar, não percebi que ia demorar 40 minutos a partir do centro em transportes públicos. Dizia que os Jerónimos eram maravilhosos. É bom, mas não é maravilhoso". O túmulo de Vasco da Gama merece a devida ressalva, mas segundo Brenna não vale a pena perder horas na fila para ver "só mais um claustro". 

(É estilo pausa para pensar naqueles momentos em que diz a si próprio "é só mais um cigarro")

Brenna remata ainda: "A não ser que o Alexander McQueen tenha ressuscitado e pendurado a sua colecção Highland Rape por aqui, não vejo razões para visitar este claustro".

(Hipótese em jeito de conclusão: se Vasco da Gama vestisse saias tinha chegado ainda mais longe)

Mais coisas sobre Lisboa

livros sobre lisboa
©DR
Compras

Livros sobre Lisboa que tem de ler

Todos a têm como pano de fundo, embora a tratem sob diferentes perspectivas. Mas se há conclusão comum a todos estes livros sobre Lisboa, é que a cidade é linda de qualquer forma.

Museu Nacional de Arqueologia
Fotografia: Ana Luzia
Coisas para fazer, Caminhadas e passeios

Fomos à boleia do livro 'Lisboa Desconhecida e Insólita'

“Lisboa é conhecida como a cidade branca pela sua luz mágica, tão clara e límpida”, mas é também uma "cidade de sombras misteriosas, que lhe conferem um certo secretismo”, lê-se na apresentação do último livro de Anísio Franco, Lisboa Desconhecida e Insólita, depois do seu Caminhar por Lisboa, também com a chancela da Porto Editora. Foi precisamente por entre essas sombras misteriosas que o historiador se moveu para apresentar a cidade em 40 inusitados capítulos. Percorra cinco deles connosco.

Publicidade
Publicidade
Esta página foi migrada de forma automatizada para o nosso novo visual. Informe-nos caso algo aparente estar errado através do endereço feedback@timeout.com