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O melhor da costa alentejana

Praias selvagens, águas límpidas e frias, muitas montras de peixe e marisco, cenários idílicos para ver o pôr-do-sol e trilhos na natureza. É desta matéria apetecível que se fazem umas férias no litoral alentejano

Fotografia:Arlindo Camacho
Miradouro de Porto Covo

Fomos descendo, com vagar. Andando, parando, descobrindo, ouvindo quem sabe e assentando tudo. Sempre assim, no gerúndio, num presente distendido sem pressa nem prazo de validade, como tudo deve ser vivido na costa alentejana. De Melides a Odeceixe, resiste ainda um paraíso manso feito de pequenos segredos para partilhar. E até para nós, que nos gabamos de conhecer cada palmo desta linha de mar, foi uma surpresa encontrar tanta coisa boa a dar à costa.

Melides

Praias

Praias

Praia (Secreta) de Melides: A explicação é mórbida, o destino é o oposto. À saída de Melides, virar à direita e entrar numa estrada de terra batida que indica “cemitério”. Seguir sempre (sempre, sempre) em frente e estacionar quando chegar à duna. À esquerda ficam a Lagoa e a Praia de Melides, em frente fica uma praia semideserta. A favor? Nunca ter mais de 50 pessoas mesmo em época alta.

Praia da Aberta Nova: Já foi uma das praias ditas selvagens da Costa Alentejana, mas hoje em dia, no pico do Verão, já se vêem carros estacionados na estrada. Ainda assim, o velho truque de andar 200 metros para qualquer um dos lados faz com que se consiga ficar mais ou menos isolado. Se, porém, gosta de confusão, toldos e espreguiçadeiras, também os há (10€/dia). A favor? O Bar dos Tigres, com várias saladinhas frias, com caracóis, com tostas e seus congéneres.

Restaurantes

Restaurantes

A Papaya de Melides: Não, não é uma gralha. E não, também não é um sítio de sumos e comida saudável. “A” novidade do ano em Melides é um restaurante de comida do mundo – responde pelo slogan transglobal home food –, onde Portugal e o Alentejo estão em destaque, mas em pratos fora do comum. Abriu dia 15 de Junho, depois de uns testes na Primavera, mesmo à entrada da Praia de Melides, com uma sala e uma esplanada viradas para o mar, de onde se apanha um belíssimo pôr-do-sol. Há pataniscas de camarão, croquetas de jamón bellota ou biqueirão em vinagre para petiscar; há caldeirada de Cascais com peixe fresco de Sines, pampo em manteiga preta com alcaparras, espetada de carne de vaca à madeirense em pau de louro ou crocante de porco nos pratos principais; cheesecake com doce de lima ou sericaia com doce de papaia para sobremesas. “Temos muita coisa local, como as framboesas, espargos, mini-veggies. Há preocupação com a pegada ecológica”, explica Afonso Burnay, um dos responsáveis. Resumindo, é um sítio descontraído, para ir antes, depois ou durante a praia, bem arranjado, mas, “com comida caseira, sem grandes mariquices”, brinca.

Lagoa de Melides. 91 324 3859. Todos os dias 13.00-16.00/20.00-23.00 (durante a tarde servem petiscos).

Tia Rosa: No princípio era o pato. De criação própria, que ia para o forno a altas temperaturas, e saía bem assado, com a pele estaladiça, para acompanhar com arroz de cabidela. Agora é... agora ainda é o pato (ufa), já não de criação própria, mas cozinhado com o mesmo preceito. E são os bacalhaus e os cabritos assados, as enguias fritas ou em ensopado – apanhadas ali na vizinha Lagoa de Santo André – e são, com entrada mais recente, os peixes fritos e as açordas alentejanas. Tudo isto num clássico de beira de estrada, onde vale a pena parar não só para pedir indicações, como para se sentar à mesa.

Estrada Nacional 261, Fontainhas do Mar. 26 990 7144. Qua-Seg 12.00-16.00/19.00-23.00.

Mercados

Mercados

Mercado de Melides: Com três bancas apenas se faz o Mercado de Melides. Duas de peixe, uma de frutas e legumes. Posto isto, impõe-se perguntar: será este o mercado mais pequeno do mundo?

Banca de peixe de Lúcia Silva (Nº2): Vende sardinhas e corvinas de Sines, percebes de São Torpes, linguado e carapau de outros mares portugueses e ainda robalo e dourada de aquacultura (não se pode ter tudo). Isto entre outros peixes que saem daqui arranjadinhos... “Fazemos tudo. Só não vamos assar a casa das pessoas”, diz Lúcia.

Banca de hortícolas de Humberto Gonçalves: Melões, melancias, tomates, pimentos, cebolas, batatas, feijões, grãos. Boa fatia do que esta banca vende é produzida nas imediações de Melides. As frutas e os legumes são portugueses, como quase tudo: “99,5% do que vendo é nacional”, garante com orgulho Humberto Gonçalves, que foi produtor 20 anos e por isso sabe como ninguém escolher as boas colheitas.

Praça do Mercado. Seg-Dom 08.00-13.00.

Dormir

Dormir

Uva do Monte: Há coisa de três anos, a equipa lisboeta do The Independente Hostel & Suites decidiu atirar-se a um novo turismo rural a 1,5km da Praia da Aberta Nova. Pegou em antigas casas de agricultores e transformou-as em quartos e o armazém de cereais ganhou nova existência, agora como gigantesca sala de estar/jantar/convívio, com mesa de matraquilhos e tudo. Há piscina, espreguiçadeiras para se estender ao sol e uma equipa local a receber e a cozinhar para os hóspedes e, desde este ano, trilhos especiais para a praia, feitos também pela equipa da Uva do Monte.

Herdade da Costa Terra, Lugar das Fontaínhas, RIC 67. Quarto duplo desde 100€.

Passear

Passear

Herdade da Aberta Nova: Quinhentos hectares de terreno, produção biológica de frutas, legumes, plantas aromáticas e medicinais, burros mirandeses, cabras, porcos, cavalos para passear e – surpresa dentro de um Kinder – uma estufa de 500 m2 onde crescem bananas, papaias, anonas e gengibre. Sim, em pleno Alentejo. São criadas com recurso à aquaponia (ou hidroponia), isto é, “um sistema que combina o cultivo de plantas sem terra, com a criação de peixes em água doce, em ciclo fechado”, explica um folheto que oferecem à entrada da estufa. Tudo isto pode (e deve) ser visto em visitas à herdade. No final, abasteça-se de mel e chás, na loja da quinta.

Rua da Fonte, 5. 26 997 9012.

Vila Nova de Sto. André

Praias

Praias

Praia e Lagoa de Santo André: Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, diz a sabedoria popular. E para justiça da zona, é verdade que a praia e a lagoa são realmente coisas diferentes. Mas pode matar dois coelhos de uma cajadada só (mais sabedoria popular, perdoai) se parar o carro no parque da praia, der um mergulho, jogar umas partidas de vólei nas redes que lá estão montadas e depois tirar o sal nas águas da lagoa. A favor? Poder levar a prancha de SUP (ou o barco a remos) e testá-la nas ondas ou nas águas calmas do mar.

Praia do Porto das Carretas: Também conhecida como Praia do Monte do Velho, é um daqueles segredos do litoral alentejano que, mesmo já tendo caixotes de lixo – único sinal de vida humana que encontrámos –, ainda está em estado semi-selvagem. Tem uma imensidão de areal para palmilhar e o caminho está assinalado numa rotunda da estrada que liga Vila Nova de Santo André a Sines. Depois de virar é só seguir em frente até a estrada acabar. A favor? Ter sido uma das praias naturistas da zona durante anos, e como tal, ainda não atrai assim tanta gente.

Restaurantes

Restaurantes

Quinta do Giz: É um único restaurante na minúscula localidade de Giz, entre Vila Nova de Santo André e Santiago do Cacém, mas não foi esse o bilhete de entrada para estas páginas. Trata-se de um dos bons templos da cozinha tradicional alentejana, a prestar devoção aos arrozes, massadas e caldeiradas, numa óptima relação qualidade/preço. Maria José, a dona, herdou o negócio do pai, e deixou ficar a massada de tamboril, a cataplana de marisco, o arroz de lingueirão e o ensopado de enguias. Agora, se é crente de coisas mais simples, atire-se aos sargos, robalos ou douradas da região, feitos na grelha. Ah, e não deixe de espreitar o frigorífico das sobremesas, com sericaias, pudins de ovos, toucinhos do céu e por aí fora.
 
Giz. 26 975 1426. Seg-Dom 10.00-00.00.
 
A Cascalheira: Leve fome, muita fome. Ou então leve amigos, muitos amigos. As doses da Cascalheira, um restaurante da Estrada Nacional 261, assim o exigem. Sejam as de sopa de tomate com ovo e peixe – uma delícia –, sejam as de arroz de bacalhau, as da feijoada de búzios, as enguias em caldeirada ou qualquer um dos pratos de migas. A cozinha é alentejana até ao tutano. O sítio é despretensioso e ideal para famílias numerosas. Preços? Uma média de 15€ para duas pessoas.
 
EN261, Herdade da Cascalheira. 26 947 0037. Qui-Ter 09.00-22.00.

Passear

Passear

Badoca Safari Park: É o mais perto de África que vai estar em Portugal. Foi essa a ideia inicial, quando há 17 anos o Badoca Safari Park abriu numa herdade com 90 hectares. É assim ainda hoje, nos safaris que são feitos de jipe pelo habitat de girafas, zebras, gnus, gamos, cabras de leque, elandes... vai sentir-se no cenário do Rei Leão. Pode ainda assistir ao voo das aves de rapina e entrar na zona dos lémures, para interagir com os bichos. Custa 10€ e convém saber que eles não vão ficar quietos um minuto.

Herdade da Badoca. Seg-Dom 09.30-18.30. 26 970 8851. Preços: 4-10 anos e +65 anos, 15,50€; Adultos, 17,50€.

Sines

Praias

Praias

Praia da Costa Norte: Ventosa, de águas frias e agitadas, podia servir de cenário ao desembarque de tropas num filme de guerra. Enquanto ninguém agarra na ideia, foque-se nos factos: é a última praia (ou a primeira, depende da perspectiva) dos 65 km de areia entre Sines e Tróia, as águas nem sempre dão para banhos, mas é ideal para um longo passeio à beira-mar. A favor? Raramente enche e tem um incrível restaurante com uma não menos incrível garrafeira, o Estrela do Norte, no topo da escarpa.

Praia de São Torpes: E eis que, depois do Cabo de Sines, qual tormenta, tudo acalma. Até a areia é mais fininha – daquela que se cola aos pés e só sai no fim do Verão. Já se sabe que em São Torpes as águas ficam misteriosamente quentes com a proximidade da central termoeléctrica, que as pequenas ondas são propícias à iniciação do surf e que o areal é extenso e sempre com maiores enchentes no lado norte, junto ao molhe. A favor? É excelente para levar miúdos.

Restaurantes

Restaurantes

Arte e Sal: Podia ser só mais um restaurante de peixe e marisco junto à costa, na linha de praias que vai de Sines a Porto Covo. Felizmente, é mais que isso. Trata-se de um sítio onde o peixe existe, claro, onde as sardinhas de Sines estão na ementa, óbvio, mas onde a criatividade da cozinha se estende a especialidades como os camarões Arte e Sal, com leite de coco e coentros, as lulas recheadas com pezinhos de coentrada – chamar-lhe-iam os gourmets de surf & turf – ou o gelado caseiro de tomate com requeijão (aliás, todos os gelados são caseiros). Uma paragem obrigatória.

Praia do Morgável. 26 986 9125. Qui-Ter 12.00-23.00.

Cais da Estação: O menino chique de Sines funciona dentro de um antigo armazém da CP, tem um serviço de luxo e ganhou (ainda mais) fama depois de ter ficado em segundo lugar no concurso O Melhor Arroz de Portugal, organizado pela Unilever, em 2013. O prato em prova foi um arroz de lingueirão com choco frito, que vem carregado de generosos pedaços dos dois bichos. Prove ainda o arroz de sapateira ou, se anda numa de carnes, a posta de fraldinha (parte de baixo da barriga de novilho).

Avenida General Humberto Delgado, 16. 26 963 6271. Ter-Dom 12.00-15.00/19.00-23.00.

Petiscar com areia nos pés

Petiscar com areia nos pés

Pedra da Casca: Nem sequer tem de sacudir bem os pés porque o restaurante fica na Praia da Vieirinha (também conhecida como Praia da Pedra da Casca). Abriu há quase dez anos, pelas mãos de Paulo Batista, um pescador que todos os dias traz o peixe e o marisco para as cataplanas, arrozes e petiscos de fim de dia. Há amêijoas, percebes, gambas, saladinhas variadas e há um pôr-do-sol de fazer inveja a muitos #sunset do mundo Instagram. Acredite.

Praia da Vieirinha. 26 986 9013. Seg-Dom 11.00-00.00.

Porto Covo

Praias

Praias

Praia do Serro da Águia: Que todas as praias de Porto Covo são bonitas, não há dúvida – a Praia Grande foi até considerada pela edição francesa do Huffington Post como uma das mais belas do mundo em 2015. Ora, para a Time Out, a mais bela de todas é a do Serro da Águia, bem pequena e encaixada entre duas encostas. A favor? Na maré vazia formam-se várias poças entre as rochas e a praia fica ainda mais bonita.

Praia da Foz: Não está indicada, tem um caminho acidentado até lá chegar e uma enorme rocha que divide a praia em duas metades. Também no meio fica um ribeiro que desagua no mar, com água (aparentemente) limpa, onde algumas crianças gostam de chapinhar. Para lá chegar, siga a estrada da costa que vai de Sines a Porto Covo e, 1100 metros depois da placa que indica a chegada a Porto Covo, vire na estrada de terra batida, percorra-a até ao fim e faça o trilho até à areia. A favor? Não ter indicações e, por isso, ter pouca gente, mesmo em pleno Agosto (e o caminho incluir várias silvas, ou seja, amoras para apanhar nos dias de Verão).

Restaurantes

Restaurantes

Zé Inácio: Assim que meter os pés em Porto Covo aplique aquela regra que costuma usar na Baixa de Lisboa (ou de passagem por Albufeira): ignorar as ementas com fotografias, ignorar os restaurantes das ruas principais fechadas ao trânsito e procurar o que há nas imediações. Este Zé Inácio, já clássico da vila, a caminho dos 50 anos de vida, é uma boa porta onde bater. Tem cozinha portuguesa à base de peixe da costa, “apanhado por pescadores que trazem peixe diariamente”, pronto a saltar para a grelha. Quem o diz é Paulo Fernando, filho de Zé Inácio, o dono. “É o meu pai, ainda com 85 anos, que grelha o peixe e a carne. ”Mãos sábias, portanto, já que tudo aqui, até os pratos de porco preto, é delicioso. E não evite os tachos de massadas ou as cataplanas.

Rua Vasco da Gama, 38. 26 995 9136. Seg-Dom 12.00-15.00/18.30-22.00.

Petiscar com areia nos pés

Petiscar com areia nos pés

A Ilha: Várias folhas escritas a computador indicam aquilo que os nossos olhos querem ler depois de um dia de banhos de sol e mar: “há caracóis”, “há salada de polvo”, “há salada de búzios”, “há salada de ovas”, “há percebes”. A lista continua por outros peixes e mariscos, para serem cozidos, grelhados, metidos em caldeirada ou arroz. A receber a clientela está Lucília Castanheira, dona do pedaço há 43 anos, que cozinha, faz doces, faz as compras, trata de escolher os vinhos – sobretudo alentejanos – e ainda tem tempo para criar especialidades pouco veranis, mas a merecer atenção, como o coelho à pessegueiro, com um molho meio frito, meio estufado.

Praia da Ilha do Pessegueiro. 26 990 5435. Seg-Dom 09.00-00.00.

Dormir

Dormir

Cabeça da Cabra: Foi o fenómeno de sucesso de 2015, com um Verão agitado em lotação esgotada, toda a gente a tentar a sua sorte e, na verdade, muito poucos a consegui-la. Este turismo rural reabilitou uma antiga escola primária, com salas de aula transformadas em suites, numa decoração com linhas simples (ler: linhas nórdicas), para quem procura o verdadeiro descanso. Volte a tentar a sua sorte este ano.

Quarto duplo a partir de 75€. Lugar da Cabeça da Cabra. 96 629 5432.

Vila Nova de Milfontes

Praias

Praias

Praia dos Aivados: As famílias costumam ter um dilema matinal: Malhão ou Aivados? A primeira costuma ganhar vantagem (“é onde vai tooooda a gente, mãe”), e isso faz da segunda uma praia mais vazia – as ondas, habitualmente perfeitas para surf, atraem outra tribo. Com as mexidas do mar, só dá para fazer praia do lado esquerdo de quem chega em dias de maré vazia. Onde ir? Para o lado direito, depois de passar a duna e assentar arraiais desse lado. A favor? O facto de não ter estacionamento e bar de apoio faz com que pouca gente vá para lá.

Praia do Malhão: Fala-se da renovada Praia do Malhão, mas em boa verdade (e ainda bem) a praia está tal e qual na mesma e só os acessos são século XXI. Continua a ter uma beleza única, abrigada pelas dunas, um mar fácil de entrar, bom para umas braçadas – com ou sem prancha – e um areal bem longo para quem prefere isolar-se. A favor? A extensão de areia permitir fazer praia a la Costa da Caparica (com gente) ou a la Ilha da Culatra (sem gente).

Restaurantes

Restaurantes

Ritual: A expressão aplica-se ao Ritual que nem uma luva: é um restaurante com onda. Muita gente nova, muito entra e sai, luz baixa, decoração com estilo, boa selecção musical e uma carta que, apesar de ter alguns petiscos portugueses, vai aos quatro cantos do planeta. “É comida do mundo, mas batemos muito no vegetariano.” A frase é de Patrícia Pires da Silva, lisboeta que trocou a capital por Sagres há uns anos, se apaixonou por Luís Matos Lima e juntos subiram a costa, primeiro para a Pedralva e, em 2014, para estabelecer vida e obra em Milfontes. Tanto servem croquetes de alheira, pimentos padrón e hambúrgueres feitos com carne limousine alentejana, como caril tailandês, nasigoreng (arroz com legumes e molho de soja) e gnocchi com tomate seco. "Usamos produtos locais, mas cozinha internacional." Um bom lema, sublinhe-se.
 
Rua Barbosa Viana, 4. 28 399 8648. Seg-Dom 11.00-00.00.

Tasca do Celso: Já aqui o dissemos noutras núpcias, mas vale a pena repetir: a Tasca do Celso está em pleno centro de Milfontes, mas faria um figurão em qualquer rua lisboeta. Dedica-se à cozinha alentejana, feita com produtos de topo, aposta em vinhos de muita qualidade e tem gente que mexe na grelha como ninguém. Vale a pena ver o destino de cada pedido ser manuseado ao lume, assim como vale a pena rezar para que ele se atrase e ir saboreando as entradas (os ovos com espargos ou os enchidos, por exemplo) e um dos bons vinhos da garrafeira. Em caso de dúvida, vá pelo bife à la plancha ou pela açorda de gambas.

Rua dos Aviadores, 39. 28 399 6753. Seg-Dom 12.00-15.00/19.00-00.00.

Abrir a pestana

Abrir a pestana

18 e Piques: Em primeiro lugar há que dizer bom dia ou “olá, que bonito que está” ao novo centro de Vila Nova, todo empedrado. E só depois dar as boas-vindas ao novo café-restaurante-mercearia da zona, chamado 18 e Piques (o número da porta e uma expressão local), ainda a cheirar a fresco. É um sítio bonito, cheio de luz, com mesas corridas e bancos forrados a mantas alentejanas e onde, no meio de uma completa carta de tostas e sandes em pão alentejano – atente nesta: tosta de linguiça picada, queijo e espinafres –, salta à vista uma completa taça de iogurte com fruta e granola caseira (de-li-ci-osa). Há também torradas com manteiga, compota ou mel e sumos de fruta. Pode ainda comprar vinhos, azeites, compotas e frutas para encher a despensa de casa.

Largo do Rossio, 18 r/c esq. 96 969 1649. Seg-Dom 08.30-00.00.

Stress Free: É mais uma das habituais histórias de um casal que decidiu trocar Lisboa pela calmaria do Alentejo. Joana era enfermeira de oncologia pediátrica no IPO, Gonçalo trabalhava em tecnologias da informação. Ao fim de dez anos de férias em Vila Nova, decidiram comprar um prédio e transformá-lo num restaurante em baixo, em casa própria no meio e em alojamento no andar de cima. “De manhã temos brunch e pequenos-almoços, de tarde temos petiscos e pratos mais tradicionais”, explica Joana. Ou seja, pode comer cereais com iogurte e fruta, leites variados, sementes, sumos naturais, por aí fora. E tudo num sítio onde o stress fica à porta.

Rua Sarmento Beires. Seg-Dom 08.30-00.00.

Petiscar com areia nos pés

Petiscar com areia nos pés

A Choupana: É aquilo que todos os restaurantes de praia deviam ser. Uma cabana de madeira, montada em cima da areia, com janelas abertas para o mar e uma grelha sempre acesa, onde rodam peixes e carnes. Para melhorar a festa, está numa praia que apresenta umas formações rochosas únicas, visíveis só na maré baixa, a lembrar a superfície da Lua (mas com água). E estrategicamente virada a poente. É por isso, que proporciona talvez o mais espectacular e fotogénico pôr-do-sol da costa alentejana. A sério. Abriu há 35 anos, com 1/3 do tamanho, mas a mesma ideia de cozinha: só peixe fresco e carne, feitos na grelha. “Só com sal, não leva molhos nem nada”, diz Diogo, o gerente. São conhecidos pela frescura dos sargos, douradas e salmonetes assados na brasa, pelo bacalhau e pelos frangos assados. “Todos os dias o peixe chega fresco. Quando acabar, acabou. ”A excepção à grelha são as amêijoas e o camarão cozido, as sobremesas – prove a tarte de amêndoa –e os acompanhamentos: saladas e batatas. Preços? Ronda os 40€ para duas pessoas. Mas com este cenário até podiam pedir o dobro.

Praia do Farol. 28 399 6643. Seg-Dom 12.30-22.00.

Almograve

Praias

Praias

Praia do Brejo Largo: Um dos últimos segredos a ser descoberto na costa alentejana, é hoje um sítio que já só se encontra deserto naqueles meses pré-Verão. Ainda assim, vale a pena entrar no rally que é chegar à praia. Ora concentre-se e imagine que somos um co-piloto: entrar na Longueira, virar na segunda rua à direita, seguir sempre em frente até à torre do depósito de água, depois virar à esquerda numa estrada de terra e seguir sempre em frente até chegar a uma casa. Deixar o carro, atravessar as dunas pelo trilho, nos canaviais seguir pela direita até encontrar as escadas. A favor? É muito abrigada do vento e tem areia de sobra para caminhadas.

Praia da Foz dos Ouriços: É uma das praias mais difíceis de descobrir desta costa (ou melhor, de aceder), devido ao trilho acentuado que leva à areia. Fica à direita da Praia de Almograve (de quem olha para o mar) e para chegar lá é preciso seguir o trilho da Rota Vicentina pelas dunas, passar a primeira praia (Foz) e seguir até à segunda, que tem uma ribeira no meio. Se continuar pelo trilho, encontra uma descida, uns metros mais à frente. A favor? É difícil de aceder e por isso está muitas vezes num absoluto silêncio.

Restaurantes

Restaurantes

O Josué: Navalheiras, percebes, lagostas, amêijoas, lavagantes, santolas, lapas, robalos, sargos. Está encontrado o sítio certo para uma mariscada à séria na Longueira (perto de Almograve). A casa tem anos e anos de vida, o serviço é feito com toda a simpatia do mundo, as imperiais saem sempre geladas, os percebes a escaldar e qualquer um dos peixes grelhados, apanhados nas águas frias da costa alentejana, é da máxima qualidade. Para refeições mais alongadas, recomenda-se o coelho frito com batatas caseiras ou o arroz de lagosta com amêijoas.

Rua José António Gonçalves, 87. 28 364 7119. Seg-Dom 10.30-02.00.

Zambujeira do Mar

Praias

Praias

Praia do Tonel: Toda a gente sabe o caminho até lá, mas nem toda a gente tem paciência (ler: coragem) para descer até à areia. As indicações? Saindo do Porto das Barcas em direcção a Almograve, andar 1,5 km, virar na estrada de terra que leva à Herdade do Touril e seguir sempre em direcção ao mar. Na bifurcação que indica caminho a pé ou de bicicleta, seguir a seta que indica “a pé” e parar o carro junto à ravina. A favor? Esta sim, assusta muitos forasteiros com medo de quedas.

Praia da Pedra da Bica: Outra das bonitas praias da Zambujeira, completamente selvagem e com duas hipóteses de acesso. Uma indo pela Praia de Nossa Senhora, em dias de maré baixa. Outra saindo da Zambujeira em direcção ao Cabo Sardão, parar o carro junto aos primeiros bancos de madeira que aparecem do lado esquerdo, andar em frente e, assim que a praia aparecer à direita, começar a descer. Com muito cuidado, s.f.f. A favor? Tem dois caminhos possíveis, um deles ideal para levar os mais novos.

Praia dos Machados: A nossa proposta para alcançar a Praia dos Machados (a.k.a. Praia da Corda) é a de um triatlo que mistura caminhada de 15 minutos, uma visita aos animais da Herdade do Carvalhal da Rocha e, claro, natação. Para cumpri-lo em tempo razoável – 30 minutos, vá –, deixe o carro depois da rampa de saída da Praia do Carvalhal (em direcção ao Brejão), aprecie os gamos, os búfalos, as avestruzes e as cabras que passeiam por ali, e depois siga pelo caminho de terra batida, a pé, sempre com o microzoo do lado esquerdo. Quando os olhos alcançarem a majestosa Praia dos Machados, siga pelos trilhos da Rota Vicentina e desça assim que encontrar um bom caminho para a areia. Pode ser aquele que termina numa corda e proporciona um momento Tarzan. A favor? O areal é bem extenso e tem algumas cascatas de água pura.

Praia da Carraca: Primeira boa notícia: tem umas escadas improvisadas na encosta, com corrimão de madeira, que facilitam a descida. Segunda boa notícia: apesar desta modernice, não está sinalizada e torna-se difícil lá chegar. Na estrada que sai do Cabo Sardão, poucos metros antes de virar para a estrada que leva a Almograve e Milfontes, há um caminho de terra à esquerda. Seguir sempre em frente, até achar o mar. A favor? É das poucas não que enche, mesmo em dias de MEO Sudoeste.

Restaurantes

Restaurantes

O Vicentino: fora do ninho de restaurantes da zona central, esta é uma das boas novidades da estação. Um sítio com pinta lisboeta (feito por lisboetas, aliás), onde tanto pode comer hambúrgueres artesanais, como picar umas saladas frias, atirar-se a uma sopa de beldroegas ou, em dias de sorte, comer percebes. Uma mistura curiosa, mas que funciona. “Aproveitamos produtos locais, com uma confecção mais moderna e internacional”, conta Eduardo Vinhas, um dos sócios. Pode comer ceviche de mexilhão, tempura de polvo, um hambúrguer ninja, com carne alentejana, couve chinesa, pickles e molho teriyaki ou uma mousse especial, feita em três minutos só com chocolate e água – “é de um físico dos anos 70”. Tudo isto regado a cerveja artesanal Dois Corvos ou com vinho Vicentino.

Rua de Miramar 64. 91 451 6282. Seg-Dom 12.00-15.00/19.00-23.00.

Ti Vitória: Um dos portos seguros da Zambujeira para quem procura boa comida. Entra-se, escolhe-se o peixe da vitrine e ele salta dali para a grelha. Sem truques, sem manhas, só com gente entendida a meter as mãos na massa. Já conta com mais de 50 anos desde que abriu como taberna e, diz-nos Emanuel Duarte, filho da Ti Vitória, “tem trabalhado sempre com essa sigla. Começámos depois a grelhar uns franguinhos, depois um peixe e daí foi andando.”Hoje faz grelhados em geral, de peixe e carne, mas também feijoadas de polvo, búzios ou chocos. “Vamos fazendo as coisas.” Tudo nesta calma alentejana.

Rua da Palmeira 43. 28 396 1130. 12.30-18.00/19.00-23.00.

A Barca Traquitanas: Foi um dos muitos restaurantes da zona a abrir para servir de apoio aos pescadores que chegavam do Porto das Barcas, nos idos anos 70. “Eles vinham e faziam aqui petiscos, caldeiradas, massadas”, conta Miguel Reis Silva, neto do fundador. Depois o espaço foi crescendo, os clientes foram aumentando e hoje A Barca-Traquitanas é um local de romaria para quem procura peixe fresco, marisco e também carnes –os lagartos de porco preto são excelentes. Agora se quiser ir directo às especialidades, prove o choco à Barca, salteado em azeite e alho, servido com amêijoas da Ria Formosa e batatas aos cubos, o polvo frito, a feijoada de búzios ou os filetes de peixe pampo,panados com arroz de tomate e salada. Para comer lá dentro ou numa das duas esplanadas da casa.

Estrada da Barca. 28 396 1186. Ter-Dom 11.00-00.00.

Petiscar com areia nos pés

Petiscar com areia nos pés

I Cervejaria: A montra está sempre carregada de bons produtos frescos, como bruxas, gambas, berbigão, santolas e afins, e o que tem a fazer antes de se sentar na esplanada é mesmo estudá-la de uma ponta à outra e só depois fazer o pedido. Para finalizar, trinque um prego de atum dos puros, servido em pão alentejano com cebola salteada e o naco mal passado apenas temperado com sal. 

Rua de Miramar, 14. 28 396 1113. Seg-Dom 12.30-02.00.

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