Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right O que é nacional é bom: dez séries portuguesas para ver e recordar
Sul (série)
RTP Sul (2019)

O que é nacional é bom: dez séries portuguesas para ver e recordar

Não é só no estrangeiro que se faz boa televisão. Estas são as séries portuguesas que vale mesmo a pena ver

Por Sebastião Almeida
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Longe vão os tempos em que a ficção na televisão nacional se resumia sobretudo às telenovelas. Nos últimos anos, a produção nacional de séries cresceu e provou que o formato pode funcionar. Conta-me Como Foi, adaptação do original espanhol Cuéntame Cómo Pasó, marcou em 2007 o início da mudança. Nos anos que se seguiram, a RTP trouxe ao público apostas bem sucedidas como Último a Sair, Mistérios de LisboaAs Linhas de Torres ou Odisseia. Sara, de Bruno Nogueira, ou Sul, de Ivo M. Ferreira, confirmaram que o panorama nacional mudou de vez. Mas também vale a pena voltar aos anos 1980 e recordar Duarte e Companhia – que está de volta ao pequeno ecrã, na RTP Memória, e a nossa única fuga ao século XXI.

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As melhores séries portuguesas

Duarte e Companhia (1985)

Pode dizer-se que é a série policial mais conhecida da televisão portuguesa. Estreou-se em 1985, na RTP, e foi transmitida até 1989. Criada por Rogério Ceitil, a trama gira em torno da agência de detectives privados de Duarte (Rui Mendes), que é acompanhado de Tó (António Assunção) e da secretária Joaninha (Paula Moura), a prima de Tó. Esta série icónica é forte em perseguições, pancadaria e em sons dramáticos a acompanhar as cenas, sempre com o humor e patetice presentes. Os vilões da série, Lucífer (Guilherme Filipe), Átila (Luís Vicente) e o "chinês" (Francisco Cheong), conhecido pela mítica deixa “eu não sele chinês, eu sele japonês”, também deixaram marca no imaginário dos portugueses.

Conta-me Como Foi (2007)

Inicia-se em 1968, ano em que Salazar sofre o aparatoso acidente da cadeira, e o país entra num período de mudança com a tomada de posse de Marcello Caetano. A série acompanha o dia-a-dia de uma família tradicional, retratando as suas dificuldades e peripécias. É através da voz adulta de Carlos (Luís Lucas), um dos filhos dos Lopes, que é contada a história da família e as transformações económicas e sociais do país. Com Miguel Guilherme, Rita Blanco, Catarina Avelar, Luís Ganito e Rita Brütt a darem vida aos personagens principais, a história termina em 1974, ano da Revolução. Entretanto, a série regressou com o mesmo elenco, mas desta vez centrando-se nos anos 80.

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Mistérios de Lisboa (2010)

Realizada por Raúl Ruiz, baseou-se na obra homónima do escritor Camilo Castelo Branco. Chegou primeiro ao cinema e mais tarde foi adaptado ao pequeno ecrã, em seis episódios de 53 minutos. O elenco é de luxo e conta com nomes como Adriano Luz, Maria João Bastos, Albano Jerónimo, Afonso Pimentel, Joana de Verona, Margarida Vila-Nova e Léa Seydoux. O enredo passa-se numa Lisboa do século XIX repleta de intrigas em que Pedro da Silva, o personagem principal, se faz passar por várias pessoas. A trama é marcada pela vingança, a paixão e os problemas familiares.

O Último a Sair (2011)

O ambiente de um reality show é recriado em 24 episódios, com actores e outras caras conhecidas da televisão portuguesa. Às tantas, quem assiste fica na dúvida se tudo é de facto real e se aquelas pessoas estão presas numa casa durante 24 horas por dia. João Quadros, Bruno Nogueira e Frederico Pombares escreveram o guião em que às tantas o improviso acaba por dominar. A série divide-se em dois blocos, um em que o apresentador (Miguel Guilherme) dirige as galas e outro em que os concorrentes (Bruno Nogueira, Gonçalo Waddington, Luciana Abreu, Débora Monteiro, entre outros) nomeiam os colegas de casa. Tudo à semelhança do que acontece nos programas do género.

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As Linhas de Torres (2012)

É outra produção que ganhou vida no grande ecrã e que foi adaptada ao formato de série posteriormente. Depois de duas tentativas de invadir Portugal em 1809 e 1810, Napoleão Bonaparte envia o Marechal Massena para tomar o território nacional. O exército português, apoiado pelas tropas britânicas do general Wellington, acaba por vencer os franceses. O plano elaborado pelo general britânico consistia em atrair o exército francês a Torres Vedras, onde foram construídas linhas fortificadas que impediriam qualquer avanço. Nos três episódios emitidos pela RTP é contada a história de um dos acontecimentos mais determinantes para a história portuguesa, com um elenco repleto de grandes nomes nacionais e internacionais, em que se destacam John Malkovich, Catherine Deneuve e Isabelle Huppert.

Odisseia (2013)

O início de 2013 trouxe consigo uma das melhores séries portuguesas dos últimos anos. Criada por Bruno Nogueira, Gonçalo Waddington e Tiago Guedes, que também se interpretam a si próprios, Odisseia é uma comédia pós-moderna, bem interpreta, bem escrita, bem filmada. Bem feita, ponto. Por um lado, temos Bruno Nogueira e Gonçalo Waddington a tentaram fugir dos seus problemas e demónios pessoais numa viagem por Portugal em autocaravana, com Nuno Lopes à ilharga. Ao mesmo tempo, desenvolve-se uma meta-narrativa em que os argumentistas tentam fazer de Odisseia a melhor série possível. E as participações de gente boa como Rita Blanco ou Manuel João Vieira elevam ainda mais a qualidade do produto final.

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1986 (2018)

Com argumento de Nuno Markl, 1986 é uma história de adolescentes sobre o que era viver num país dividido entre os apoiantes de Mário Soares e Freitas do Amaral. Pelo meio, encontra-se os objectos de época e as referências que não poderiam faltar. Há os nerds, os betinhos, os mauzões e uma história de amor em que o filho de um comunista ferrenho se apaixona pela filha do dono de um videoclube, retornado e com um ódio de estimação ao "Bochechas". Com Miguel Moura, Laura Dutra, Gustavo Vargas e Miguel Partidário nos papéis principais, a série de 13 episódios está disponível integralmente no serviço de streaming da RTP.

Sara (2018)

Outra ideia original de Bruno Nogueira, que é uma sátira à indústria da televisão portuguesa e ao mundo das telenovelas. Em oito episódios seguimos a vida de Sara (Beatriz Batarda) e a sua adaptação à vida como actriz de novelas, depois de ter deixado para trás a sua conceituada carreira de actriz de cinema independente e intelectual por não conseguir mais chorar. Pelo caminho conhece João Nunes (Nuno Lopes), um actor de telenovelas que se limita a recorrer a fórmulas para interpretar os seus papéis e vive da fama gerada pelas redes sociais, e um life coach (Bruno Nogueira), que a ajuda a fazer-se sentir-se melhor por não querer pensar demasiado.

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Sul (2019)

Em 2011, Portugal está mergulhado na crise. No dia em que a equipa da troika chega ao país, uma rapariga é encontrada morta no Tejo. Dois inspectores da Polícia Judiciária ficam responsáveis pelo caso que, à primeira vista, aparenta tratar-se de um acidente. Na cidade, cada um faz por si para ultrapassar as dificuldades. Há quem roube ou quem engane os outros através da palavra do senhor. Realizado por Ivo M. Ferreira e com a participação de Adriano Luz, Ivo Canelas, Jani Zhao, Margarida Vila-Nova, Afonso Pimentel, Nuno Lopes, Miguel Guilherme e Beatriz Batarda, esta série é mais do que um policial negro. É o retrato de um período conturbado na história de um país melancólico.

Luz Vermelha (2019)

Inspirada no caso das Mães de Bragança, quando, em 2003, um grupo de mulheres pôs a circular um abaixo-assinado em que pedia às autoridades que pusesse cobro à alegada actividade de prostituição de um grupo de mulheres brasileiras, esta série retrata o mundo do tráfico humano e da prostituição. Patrícia Muller escreveu o argumento e André Santos e Marco Leão realizaram a série que fala de um problema que podia acontecer em qualquer lugar. Na série, a chegada de uma jovem brasileira ao país motiva a investigação de dois jornalistas no mundo do tráfico humano. Estreou-se em Outubro de 2019 na RTP e conta com a participação de Margarida Vila-Nova, Afonso Pimentel, João Baptista, Mariana Badan, Joaquim Monchique, Alexandra Sargento, Sofia Nicholson, Graciano Dias, Maria João Pinho e Dinarte Branco.

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