Roteiro de arte grátis em Lisboa

Murais, fachadas, esculturas em jardins, intervenções em lojas, paredes de hotéis, monumentos históricos. Não faltam manifestações de arte grátis em Lisboa. Siga o nosso roteiro
vhils,avenida da india
©DR
Por Maria Ramos Silva |
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Da próxima vez que passear por um jardim, que entrar numa loja de roupa ou que se sentar à mesa para jantar, olhe bem à sua volta. As manifestações de arte estão um pouco por todo o lado em Lisboa e estas têm entrada livre. À superfície, ou debaixo de terra, venha daí (praticamente) sem gastar um tostão. 

Roteiro de arte grátis em Lisboa

Bar do Hotel 1908 Lisboa
Fotografia: Manuel Manso

Da colecção do Ritz às libelinhas de Bordalo II

Não é preciso fazer check in, nem gastar rios de dinheiro — na verdade, nem sequer lá ir, se preferir consultar a colecção através da app disponilizada pelo hotel. O edifício do Ritz Four Seasons, do premiado arquitecto Pardal Monteiro, é um marco histórico da cidade e lá dentro tem salões com chão de mármore, candelabros imensos, mobília dourada, arranjos de flores que ocupam mesas inteiras e uma invejável colecção de arte antiga e contemporânea. A aplicação mostra dezenas de obras, de artistas como Almada Negreiros, Pedro Leitão ou Estrela Faria.

Para algo mais século XXI, passe pelo Intendente, endereço do novíssimo Hotel 1908 Lisboa, situado num edifício premiado de 1908 completamente renovado, do arquitecto Adães Bermudes. Situa-se na esquina da Avenida Almirante Reis e inclui uma galeria de arte em permanente evolução, um restaurante e um bar. Apresenta uma decoração Arte Nova e peças contemporâneas exclusivas de artistas portugueses, caso de Bordalo II, cujas obras dão as boas-vindas a quem entra.

cemitério dos prazeres
Fotografia: Ana Luzia

Alguns prazeres dos cemitérios

Há muito que deixou de ser um passeio mórbido, e neste caso particular, vale a pena estar vivo e bem vivo para apreciar o património arquitectónico. O Cemitério dos Prazeres, constituído quase exclusivamente por jazigos particulares, foi construído no período romântico, em 1833, por ocasião da epidemia de “cólera morbus”. Na Capela dos Prazeres encontra a antiga sala de autópsias e desde 2001, o Núcleo Museológico. Siga a visita guiada pela última morada de uma série de personalidades. Não esqueça o Mausoléu de D. Pedro de Sousa Holstein, Duque de Palmela (1781-1850), o maior mausoléu particular da Europa.

Aproveite a boleia e siga viagem para uma atracção que em Setembro de 2016 foi classificada como Monumento de Interesse Municipal, e não por acaso, ou por necrofilia exacerbada. O jazigo dos Viscondes de Valmor, no Cemitério do Alto de São João, na Penha de França, reveste-se de valor patrimonial e simbólico; afirmando-se como destacado exemplar da arquitetura funerária da cidade. O projeto geral de 1900 é da autoria do arquitecto Álvaro Machado, de origem neo-romântica, promovido e conduzido nas suas várias fases pelo Grémio Artístico, o antecessor das Belas Artes.

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Ponte Vasco da Gama
©Paulo Valdivieso

O Homem-Sol e outros encantos do Parque das Nações

Quem nunca combinou um encontro junto à estátua do "Homem-Sol" durante a Expo 98 é porque já nasceu na década de 90. Obra emblemática do Parque das Nações, associada à sua reabilitação, em vésperas da despedida do século XX, funciona como síntese da obra do lisboeta Jorge Vieira (procure-o também na Praça do Município), numa união entre o espírito surrealista e a abstração pura. Se sair no metro do Oriente, não tem que andar muito para encontrá-la. Depois, continue a explorar a zona, fértil em intervenções artísticas, como o Lago das Tágides, de João Cutileiro.

Confira a escultura em ferro com figuras humanas em tamanho real, do artista britânico Antony Gormley. Ainda no campo de escultura, observe o "Homem-Muralha", de Pedro Pires, criação virada para a Torre Vasco da Gama.

Na fachada do Hotel VIP Arts, acompanhe o painel de azulejos do artista plástico islandês Erró, que se baseou em personagens da banda desenhada e da ficção científica norte-americanas.

Mais para norte, depare-se com Catarina de Bragança, estátua de Audrey Flak com uma história curiosa. Esta é uma réplica de uma outra que deveria ter sido instalada em Nova Iorque, celebrando a infanta portuguesa que deu o nome a Queens. Devido ao protesto da comunidade afro-americana, pelo envolvimento da família da rainha no comércio de escravos, a ideia ficou sem efeito. Mora junto ao Tejo.

Padrão dos descobrimentos
Fotografia: Arlindo Camacho
Atracções

O Padrão dos Descobrimentos e outros clássicos

icon-location-pin Belém

Quem é a figura magestosa em destaque? É o Infante D. Henrique, homenageado nesta obra de Cottinelli Telmo, com esculturas de Leopoldo de Almeida. O monumento original foi erguido em 1940 por ocasião da Exposição do Mundo Português para homenagear as figuras históricas envolvidas nos Descobrimentos portugueses. O betão e a pedra da réplica actual, inaugurada em 1960, garatem a longevidade deste emblema alfacinha.

Há muitos mais clichés imperdíveis a explorar só na zona de Belém, casos da Torre, do Monumento aos Combates do Ultramar ou do Monumento a Sacadura Cabral e Gago Coutinho

Vai uma lista completa? Conheça os Monumentos de A a Bronze

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Neptuno (fonte) – Largo Dona Estefânia
Fotografia: Ana Luzia

A "Lisboa" de José de Guimarães e outras rotundas

É na rotunda da Praça 25 de Abril, em Marvila, que se ergue esta obra denominada "Lisboa". O cimento pintado, trabalhado em estilo abstracto por José de Guimarães, data de 1999. O conjunto, pensado inicialmente para ser instalado junto à Cordoaria Nacional, tem uma altura de 25 metros e representa uma homenagem aos "construtores da cidade".

Nem sempre as rotundas são os pontos de passagem mais glamorosos da cidade, mas ninguém os bate em visitas, ainda que por vezes mal se preste atenção à obra no centro. Não se esqueça de um dos monumentos mais óbvios, a estátua do Marquês de Pombal, inaugurada a 13 de Maio de 1934, com um pedestal em pedra trabalhada e 40 metros de altura. O projecto contou com a intervenção dos arquitectos Adães Bermudes e António do Couto, e dos escultores Francisco dos Santos, Simões de Almeida e Leopoldo de Almeida.

Destaque ainda para um deus bastante resistente. Corria Março de 2016 quando um condutor ao volante abalroou a Fonte de Neptuno, no Largo Dona Estefânia. O aspecto positivo deste "atropelamento" é que a estátua de Neptuno, uma escultura do século XVIII da autoria de Machado de Castro, sobreviveu à investida das quatro rodas. Passe por lá, de preferência a pé, para evitar acidentes.

Esplanada do Jardim da Estrela
Fotografia: Ana Luzia

Pelos jardins de Lisboa

Quantas vezes já circulou por aqui e nem prestou atenção às estatuetas que povoam estes cenários verdejantes? Há muito por descobrir nos jardins de Lisboa. Comecemos pelo Guerra Junqueiro, mais conhecido como Jardim da Estrela. O nosso destaque vai para o "Cavador" (1913), da autoria de António Augusto da Costa Motta (1862-1930), que nos devolve aos primórdios do século XX. A peça representa a figura de um trabalhador com enxada em pleno movimento. Eis o cavador de mangas arregaçadas e calças de trabalho, com o seu chapéu de aba larga. Foi a primeira escultura a ser colocada no Jardim da Estrela depois da implantação da Republica.

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Loja das Meias (avenida da liberdade)
Fotografia: Arlindo Camacho

Loja a loja, só para lavar a vista

Aço inoxidável, croché em lã feito à mão, LEDs, fonte de alimentação, motor síncrono, engrenagem. É esta a descrição da peça com assinatura de Joana Vasconcelos que anima a Boutique dos Relógios Plus, na Avenida da Liberdade. Basta levantar a cabeça, caso não esteja com tempo para acertar o relógio com uma compra mais dispendiosa. 

Já que por aqui anda, não perca de vista a nova Loja das Meias com o célebre painel assinado por Querubim Lapa. "A Mulher" foi resgatada da antiga morada no Rossio e repousa hoje neste luxuoso espaço.

Para algo mais acessível, os murais de obras de Tamara Alves dão um ar de sua graça (até final de Maio) em espaços como a 39 Concept Store, de Raquel Prates. Passe também pelo estiloso cabeleireiro Slash, na Estefânia para ver a sua marca.

Mural de André Saraiva
Fotografia: Ana Luzia

As paredes e murais são as telas destes artistas

Foi um dos acontecimentos mais recentes da arte urbana em Lisboa: o mural de André Saraiva no Jardim Botto Machado (junto à Feira da Ladra) com 188 metros de comprimento 1011m2 de área e 52 738 mil azulejos.

Mas há muito mais a descobrir, da Amália em calçada portuguesa de Vhils ao Desassossego de Aka Corleone

Nada como consultar o nosso roteiro alargado de arte urbana.

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Restaurante El Clandestino
Fotografia: Ana Luzia

Quando se sentar à mesa, espreite à volta

É certo que aqui a arte já não é bem grátis — convém não ficar sentado à mesa a adiar o pedido eternamente — e que provavelmente lhe interessará muito mais o que chega no prato. Mas toda a gente pode e deve comer com os olhos, e nestas casas há um toquezinho artístico para apreciar. 

Os vitrais do Gambrinus são demasiado clássicos para si? Descanse, já que pode sempre viajar até à América Latina sem sair do Príncipe Real/Bairro Alto. Veja por si próprio o trabalho dos Irmãos Marques no El Clandestino

Se passar pelo Bastardo, dificilmente vai ficar indiferente aos quadros de Inês Maldonado

Conte com alternativas como o painel de Querubim Lapa, na histórica Pastelaria Mexicana e com o trabalho de Vhils na parede no Honorato Chiado

 

metro
Fotografia: Ana Luzia

Arte a Metro num passeio debaixo de terra

Pode demorar algum tempo, mas a viagem debaixo de terra vale muito mais a pena do que pode pensar à partida. Nada como seguir o roteiro completo aqui para tirar as teimas. Se há coisa que não falta na rede de Metropolitano de Lisboa são intervenções artísticas que merecem que se demore um pouco. Quer um exemplo? 

A estação da Cidade Universitária foi inaugurada em 1988, com projecto arquitetónico da autoria de Sanchez Jorge e intervenção plástica de Vieira da Silva. O painel “Le Métro” é a coqueluche desta estação na linha Amarela, consistindo num transposição para azulejo, por Manuel Cargaleiro, de um guache de Vieira da Silva datado de 1940. Esse guache, inicialmente conhecido como "Abrigo-Anti-Aéreo" coincide com período em que a pintora viveu no Brasil, e respondia então ao conflito vivido na Europa.

O melhor de Lisboa a custo zero

Passeio de bicicleta promovido pela Massa Crítica
Fotografia:Ana Luzia
Coisas para fazer

37 coisas grátis para fazer em Lisboa

Não sabe o que fazer em Lisboa? De concertos de rock a bailes de forró, de tardes de críquete a noites de tricot, damos-lhe excelentes sugestões para aproveitar tudo quanto é à borla na cidade. São 37 coisas grátis para fazer em Lisboa.   

Projector final Planetário
©Bruno Neves/Planetário
Miúdos

Entreter os miúdos sem gastar um tostão

Ficar em casa com este sol não é uma opção, mas muitas vezes gastar dinheiro também não. É por isso que lhe trazemos uma lista de cinco coisas para fazer com os miúdos sem gastar um tostão - seja visitar museus, subir às árvores ou descobrir uma bicicleta que voa.

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