1908: o hotel em Lisboa que é uma viagem no tempo

Abrigou comércio e apartamentos de luxo, foi tecto de prostitutas e quase acabou em ruínas. Entrámos no velho edifício de Arte Nova que reabriu em Janeiro no Intendente. Conheça 1908, o hotel em Lisboa que é uma viagem no tempo
Bar do Hotel 1908 Lisboa
Fotografia: Manuel Manso
Por Maria Ramos Silva |
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Se as paredes falassem... e não é que falam mesmo? Basta apanhar o elevador do novo hotel do Intendente e subir até ao quarto andar para acompanhar o trabalho de Vanessa Teodoro no saguão. Os desenhos da artista guiam-nos por mais de um século de vida de um edifício que conheceu várias encarnações. Estão aqui marcas da velha boémia do bairro; referências aos dois inquilinos mais antigos do prédio – A Lotaria Boa Sorte e a Casa de Gouveia – que ocuparam o espaço durante quase toda a sua existência; a rainha D. Amélia, que classificou de infames os assassinos de D. Carlos; e os laivos de século XXI, que não podiam faltar nesta renovada zona da cidade.

Este endereço com vista para a Avenida Almirante Reis e para o Largo do Intendente, cujas portas se abrem agora aos lisboetas na qualidade de Hotel 1908, até recebeu o prémio Valmor. “É completamente virado para fora. No lobby, clientes e passantes de Lisboa podem conviver em simultâneo”, explica Margarida Almeida, da Amazing Evolution, gestora de unidades turísticas.

Coube a Adães Bermudes (1864-1948), um dos principais divulgadores da Arte Nova em Portugal, expressa em edifícios como o Café Majestic ou a livraria Lello, no Porto, assinar o projecto original, fiel a uma linguagem naturalista. O arquitecto Pardal Monteiro assinaria o projecto de reabilitação. O espaço é propriedade de uma pequena família portuguesa, cujas filhas, Marta e Patrícia Faustino, asseguram a decoração onde aspectos industriais e mosaicos hidráulicos se cruzam com detalhes de Arte Nova e iluminação.

No rés-do-chão, com vista para o largo, onde em breve abre também uma esplanada, pode passar pelo bar ou pelo restaurante Infame, sempre com música em fundo. Da mezzanine, avista a libelinha de Bordalo II, outro dos artistas desafiados a intervir na casa (se lhe passar pela cabeça comprar a peça, fique a saber que a ideia não é original, adianta Margarida). Se se entusiasmar com a visita a esta novíssima esquina alfacinha, fique para o dia seguinte, que é o mesmo que dizer que o check in é sempre bem-vindo. Basta decidir-se entre The Square Rooms, The Avenue Rooms, The Attic Rooms, The King of Dome e The King Rooms, consoante a dimensão e a sua vista. E se a suíte é uma das jóias da coroa desta morada que ainda vem do tempo da monarquia, no antigo sótão encontra um lounge exclusivo para três quartos, numa espécie de fun floor que até saco de boxe vai ter.

“Estava tudo muito destruído e abandonado. Tivemos que começar do zero, respeitando sempre a harmonia do espaço. Foram até feitas coisas que o construtor original não respeitou. A cúpula foi reconstruída de raiz.” Nem de propósito, à chegada, os hóspedes receberão ilustrações de Rui Pereira alusivas à fachada do edifício.

Ah, e antes que pergunte, sim, é possível apreciar a dinâmica da cidade sem o barulho do trânsito na avenida.

Preto e Branco: Preto nos espaços públicos, branco nos privados. O hotel tem 36 quartos (com preços desde 130€). Os acessórios são nacionais, das mantas d'A Vida Portuguesa às amenities Castelbel ou móveis We Wood.

Roteiro Alternativo: Ao fazer check-in, os hóspedes recebem um guia proposto pelo hotel, com escalas menos óbvias, como a Biblioteca de São Lázaro ou o restaurante Zé da Mouraria.

Sai um Adães: No bar pode tomar um café (0,70€) ou um cocktail que evoca outros tempos. Experimente pedir um Adães on the Rocks. Também venderão garrafas de Porto de 1908.

Infâmia à Mesa: No restaurante Infame, o chef Nuno Bandeira de Lima vai explorar uma base portuguesa com traços multiculturais (ao almoço há menu executivo por 12,50€). Obras dos Irmãos Marques pontuam a sala.

Arte Lusa: Bordalo II mostra-se no lobby e no bar. Caixilhos e portadas das janelas servem como tela ao besouro e à libelinha. David Oliveira criou um homem-aranha.

Largo do Intendente, 300/302. 1908lisboa.com

 

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