Cultura do Hambúrguer, Bairro Alto
©Inês Félix | A Cultura do Hambúrguer
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Comer, beber e conviver: restaurantes com mesas comunitárias em Lisboa

Uma boa maneira de começar novas amizades na vida real é sentar-se num destes restaurantes com mesas comunitárias (em Lisboa e não só).

Hugo Torres
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É à mesa que se cozinham verdadeiras amizades: os amigos tornam-se melhores amigos, os conhecidos vão ganhando espaço nos nossos corações e os desconhecidos têm a sua prova de fogo (se falharem, adeus). Todos os restaurantes são bons para esse exercício de irmandade gastronómica, mas nesta lista encontra aqueles que promovem sobretudo a partilha de uma mesa comum entre pessoas que nunca se viram na vida. Além da boa comida, oferecem-nos uma oportunidade para fazer novos amigos na vida real – e isso, na era digital, é ouro. Eis os melhores restaurantes com mesas comunitárias em Lisboa e arredores.

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Restaurantes com mesas comunitárias

  • Hambúrgueres
  • Bairro Alto

O enorme aglomerado de luzes suspensas chamará à atenção só por si, de noite ou de dia, mas há muito mais a saber sobre este restaurante no Bairro Alto. Na Cultura do Hambúrguer, além de comer bons hambúrgueres numa mesa comprida e bem iluminada, pode sempre começar a conversa com o colega do lado com um pouco de História: aqui viveu o restaurante Pap’Açorda, vaivém de políticos, intelectuais e figuras das várias artes.

  • Espaço gastronómico
  • Princípe Real

André Coelho e Marta Caldeirão iam abrir o Âmago quando a pandemia se instalou e nos mandou a todos para casa. Não desanimaram, começaram o The Sandwich Project com entregas ao domicílio. Depois, abriram finalmente este restaurante no Príncipe Real, que funciona apenas em formato “chef’s table”, com um menu de autor de dez momentos, tudo surpresa e de acordo com a sazonalidade dos ingredientes. Devido aos tempos que correm e por a mesa ser comunitária, a reserva exclusiva é obrigatória, para jantares de grupos no mínimo de duas e no máximo de dez pessoas.

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  • Global
  • São Vicente 

A Cozinha Popular da Mouraria é uma associação sem fins lucrativos dedicada à integração no bairro através da comida. É muito provavelmente o espaço gastronómico mais comunitário da cidade. Funciona como um local de encontro e aprendizagem, onde moradores e visitantes cozinham e partilham refeições. O modelo é simples: para a maioria dos moradores ter acesso gratuito às actividades, os visitantes pagam outras iniciativas, garantindo a sustentabilidade do projecto. Há almoços e jantares de grupo, eventos, take away, pop-ups, workshops, viagens no prato e festas gastronómicas. O espaço tem cerca de 200 metros quadrados, com cozinha aberta, duas salas e pátio, e acolhe cozinheiros de várias nacionalidades.

  • Belém
  • Recomendado

Já foi a cafetaria do CCB. Depois de uma renovação, passou a restaurante com vista privilegiada sobre o rio. Os pontos cardeais que lhe dão nome percebem-se numa rápida passagem de olhos pela carta: a Oeste, a comida italiana com as antipasti, as insalate, as pizzas e as massas frescas e artesanais; a Este, a inspiração japonesa nos ippin ryori, no teishoku, no sushi e no sashimi, nos makis e nos temakis; entre uns e outros, o ceviche, o carpaccio, o tártaro de atum, o gunkan à guilho (!) e até o belo do hambúrguer. A peça central é uma mesa comunitária quadrada adornada com plantas e origamis suspensos, mas a espaçosa esplanada também é óptima para o convívio.

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  • São Sebastião

Depois de Madrid e de Barcelona, o restaurante da família La Ancha instalou-se no hotel Me Lisboa by Meliá. A carta – que não é de tapas nem é de fine dining, fica algures no meio – não é exactamente a de Espanha. Não é sequer igual todos os dias: varia consoante a estação e o produto disponível. Mais de 640 pratos já foram criados, provados, testados e vendidos no Fismuler, que abriu em 2016, mas apenas entre 20 e 30 chegam ao menu a cada dia. A estrela é o escalope San Román, um panado XXL servido com uma surpreendente cobertura de ovo cozinhado a baixa temperatura, trufa e cebolinho. O espaço tem uma decoração industrial, uma enorme cozinha aberta, um balcão central e uma mesa de madeira comunitária entre dezenas de outras mais pequenas com tampos de mármore, e grandes janelões por onde entra luz natural.

  • Petiscos
  • Cascais
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

Esta ideia dos petiscos para ir partilhando já vem do anterior restaurante de João Matos em Cascais, o Cascas, que deu origem a este. Ora bem, viraram-se para o mar e abriram um duplex com um bar à entrada com cocktails clássicos e outros de assinatura, que se querem bem ligados à cozinha. Exemplo disso é a caipirinha de aipo. O Hífen esforçou-se para deixar de fora nomes “como as tascas da esquina ou o não-sei-quê do bairro”, mas o ambiente trendy está lá todo: as madeiras claras, os apontamentos verde-água e as plantas a cobrirem paredes. Um bar-restaurante-insta-friendly, que apresenta no meio da sala do primeiro piso uma bela mesa comunitária.

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  • Sírio
  • Lisboa

O Mezze, restaurante sírio de Arroios, está entre as melhores mesas corridas da cidade – pela comida, pelo ambiente e pela maneira discreta com que as pessoas se entreolham, à espreita para ver o que a mesa ao lado pediu. Ora se isto não é um bom ponto de partida para meter conversa, não sabemos o que é. 

  • Cervejaria artesanal
  • Marvila

O limite de Pedro Abril na cozinha da Musa é não ter limite, nem se levar demasiado a sério. O resultado é uma carta sempre fora da caixa e nunca igual. Pode ser um frango frito com brioche, um croquete de bacalhau com natas, uns nuggets vegetais ou uma pêra bêbada em stout. As novidades sucedem-se praticamente todos os meses porque o que se quer é uma carta rodada e não uma mesa parada. A condição é que tudo seja bom. O og burger, felizmente, parece manter-se intocável no menu. Nesta nova casa da Musa de Marvila, o espaço é ainda mais convidativo. A esplanada, cheia de pinta, é óptima para famílias durante o dia (tem até um parque infantil) e todas as mesas são, a bem dizer, comunitárias. À noite, o mambo é outro.

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  • Japonês
  • Estrela/Lapa/Santos
  • preço 2 de 4

O Onigiri-A ocupa uma esquina da Madragoa e é gerido por um casal franco-japonês vindo da Califórnia. A sala é pequena, coberta de quadros, com balcão de alumínio, torneira de imperial e mesa comunitária, num equilíbrio feliz entre snack-bar e galeria. Na cozinha, Christine prepara sozinha os onigiri – triângulos de arroz de bago curto – recheados com kakuni, atum, unagi ou variações do dia, como caril ou funcho com pasta de azeitona. A carta mantém-se curta e certeira, com pato com yuzu e tonkatsu. É uma tasca contemporânea que vive da proximidade, do gesto directo e da cozinha feita à vista.

  • Chinês
  • Baixa Pombalina
  • Recomendado

Chegou à Rua da Prata em 2018 e logo se transformou num fenómeno de popularidade. O Panda Cantina é um pedaço da região de Sichuan no centro de Lisboa, que quer fazer da tradição chinesa a marca da casa. A disposição da sala é pensada para acomodar a partilha, num grupo de conhecidos ou no meio de desconhecidos, tanto ao balcão como na mesa única e comunitária que atravessa todo o espaço. Na carta, é tudo caseiro: os noodles são feitos ali, tal como a sobremesa, e os caldos e as carnes chegam a levar três horas de preparação. Há três variedades de ramen a provar – porco, vaca e tofu.

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  • Cozinha contemporânea
  • Castelo de São Jorge
  • Recomendado

António Galapito faz aqui uma cozinha simples, farm to table, com produtos portugueses e privilegiando a sazonalidade dos produtos, e isso valeu-lhe cinco estrelas do nosso crítico Alfredo Lacerda. Ao fundo do restaurante com plantas a pender do tecto, há uma mesa comprida. Coma o tártaro de Minhota com couve galega e no fim não se esqueça de pedir a nova sobremesa de gelado de broa de milho com batata doce.

  • Japonês
  • Benfica/Monsanto

É a irmã mais nova do Ajitama. Ao contrário dos restaurantes da Avenida Duque de Loulé e na Rua do Alecrim, aqui o serviço é rápido e menos personalizado e o menu é curto, tal como numa estação de comboios japonesa. Neste caso, é em Benfica que tudo acontece, e entre as novidades está a produção própria de noodles. O que se poupa no serviço à mesa – às duas mesas grandes comunitárias – e numa carta mais concisa é o que permite manter os preços mais baixos. Há duas entradas apenas: uma combinação de gyozas e edamame. Nos ramens, são três as opções: o mais simples shio, a pensar nos principiantes, e o miso, mais intenso e com níveis de picante que podem ser adicionados, além do vegan. Para sobremesa, a frescura dos mochis.

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  • São Vicente 

Apesar de não haver uma carta fixa, o cliente sabe à partida quanto vai pagar: 35€ por um menu de três momentos, com couvert, entrada, prato principal, sobremesa e uma bebida (copo de vinho branco, rosé ou tinto; água com ou sem gás; ou um sumo de fruta natural). A funcionar apenas ao almoço, esta experiência descontraída foi pensada pelo grupo Silent Living para evitar o desperdício do fine dining que oferecem no mesmo local ao jantar, no Ceia. A mesa dá para sentar 12 pessoas e na cozinha é o chef Renato Bonfim quem comanda as tropas. O preço pode ser fixo, mas o menu, esse, muda todos os dias.

  • Cascais

Já existia no Rio de Janeiro e abriu em Março de 2024 bem no centro de Cascais. Idealizado pelo chef brasileiro Nelson Soares, aposta na culinária italiana, sobretudo de inspiração transalpina, mas com um conceito influenciado pelo minimalismo nórdico, em que cada prato tem, no máximo, cinco ingredientes base. No Rio, a cozinha é completamente aberta. Aqui, como não puderam deitar abaixo a parede estrutural que separa a cozinha da sala, têm uma mesa triangular onde finalizam a preparação e o empratamento de todos os pratos. É também uma espécie de mesa comunitária, com vista privilegiada.

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  • Libanês
  • Princípe Real

O menu é suficientemente grande e completo para dar a conhecer melhor os pratos típicos de forno e os grelhados do Líbano, com a maior parte das receitas tiradas directamente do livro da avó de Tarek Mabsout, o dono. Outra das grandes apostas deste restaurante é nos vinhos: além dos rótulos portugueses, há inúmeras referências libanesas, entre tintos, rosés e brancos, cultivados no vale de Bekaa, considerado o coração verde do Líbano. Uma boa maneira de conhecer um pouco de tudo é pedir um dos combinados, e regar com um copinho de vinho. Numa sala que não chega a ter 40 lugares, há uma mesa corrida e comunitária para cruzar experiências.

  • Vegetariano
  • Castelo de São Jorge

O The Food Temple é um dos restaurantes pioneiros da comida vegan em Lisboa. Desde que abriu, em 2012, que a sazonalidade é regra e a carta se adpata aos produtos de cada estação – até do que se encontra a cada dia no mercado de frescos. Com comida para partilhar (ou não), petiscos, sobremesas caseiras, vinhos naturais, cervejas artesanais e kombucha, este templo do veganismo torna-se ainda mais orgânico quando o tempo está bom e os clientes ocupam o piso incerto das ruas da Mouraria e dão vida ao bairro. Dentro do restaurante, a mesa comunitária também é boa para meter conversa com o vizinho e decidir o que pedir a seguir.

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  • Coisas para fazer
  • Lisboa
Time Out Market Lisboa
Time Out Market Lisboa

É um mercado do século XIX que começou por se chamar Mercado da Ribeira Nova e o povo, espantado por ver uma cúpula num mercado hortícola, chamava-lhe Mesquita do Nabo. As bancas com produtos frescos continuam a funcionar numa das alas, mas desde 2014 que este espaço se tornou o espelho da revista Time Out Lisboa, aqui representada em três dimensões. O Time Out Market Lisboa tem uma selecção dos melhores restaurantes da cidade, bares, espaços comerciais e uma sala de espectáculos. Então, no meio disso tudo, como é que encontro as mesas comunitárias? É fácil: são todas.

  • Lisboa

O nome é bem português. Já o menu pode calhar de estar virado para si em inglês. Mas não tem a mais remota hipótese de ser mal servido neste restaurante de boa comida e ainda melhor ambiente. A cozinha é viajada e pode ir de Portugal a Itália, de Espanha ao México, do Médio Oriente ao Japão – que é como quem diz do choco grelhado com batatinhas ao murro à focaccia e aos arancini de pato, do ajo blanco aos tacos de camarão à la diabla ou de chile poblano, dos falafel à katso sando. Mas é possível que encontre na carta esquites, ceviche, pica-pau, moamba ou labneh. A oferta vai mudando. Portanto, o melhor é ir com companhia, pedir tudo e partilhar (há uma mesa grande, que tanto pode ser comunitária como acolher grupos maiores). Nos vinhos, também não falta diversidade para treinar um palato verdadeiramente internacional.

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  • Pan-asiático
  • Avenidas Novas

O Udon abriu no Saldanha o primeiro espaço fora de Espanha, depois de consolidar uma rede de noodle bars criada em 2004. O restaurante é amplo, com uma mesa comunitária comprida ao centro, coroada por uma cerejeira, e mesas mais resguardadas junto à cozinha aberta. A carta gira em torno dos noodles, dos salteados no momento, como yakisoba e yaki udon, aos pratos de caldo, com udon, soba e várias versões de ramen. Funciona também como pan-asiático, com baos, gyosas, tempuras, yakitori, tatakis e “noodle rolls”, onde os noodles de arroz substituem o arroz dos makis. Mantém menus de almoço e um bar com cocktails de perfil asiático.

  • Português
  • Martim Moniz

Falar-se no Zé da Mouraria é falar-se no bacalhau em doses fartas com grão e batata a murro, é, aliás, difícil fazer jus ao tamanho da travessa que vem para a mesa. O Zé da Mouraria, aberto só para almoços e com grandes filas à porta, não tem morada única no bairro homónimo – tem três irmãos na Rua Gomes Freire, que servem jantares. No Zé mais velho, as salas estão sempre cheias, por isso, depois de conseguir lugar à mesa, qualquer mesa, não lhe faltarão oportunidades para meter conversa.

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