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Oito viagens no tempo

Se o programa museu é, lá por casa, sinónimo de desânimo junto dos mais novos, saiba que não tem de ser assim

©Cam/Paulo Castanheira
Programa Descobrir do Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian

É uma grande injustiça dizer que a palavra museu cheira a mofo. Mas se começou por arrastá-los para uma exposição interminável que só interessou aos pais... é bem possível que o programa enfrente a resistência dos mais novos. Não desanime. A Time Out foi à procura dos museus mais apelativos para ir ao passado e ao futuro, sem sair do presente.

Newsmuseum

Newsmuseum

Já não há soldadinhos de chumbo ou Barbies no nº 26 da Rua Visconde de Monserrate, em Sintra, morada do antigo Museu do Brinquedo – coisa que os mais pequenos vão lamentar. Mas só até crescerem um bocadinho. No Newsmuseum há ecrãs gigantes para tocar e estúdios de rádio e televisão (com teleponto) onde se pode ser pivot e registar a gravação para levar para casa. O espaço inaugurou no dia 25 de Abril, a assinalar a revolução dos cravos. Esse é, aliás, um dos temas de reportagem que eles podem escolher logo à entrada para noticiar. Um alerta: não lhes vista roupa verde. É a cor de fundo na parede e isso tem uma razão de ser: permitir a sobreposição da figura da criança sobre imagens reais do acontecimento, a fingir um directo. A brincadeira repete-se no piso de cima, dentro de um estúdio de rádio, com um texto que começa com a frase: “Aqui, posto de Comando das Forças Armadas”, replicando o primeiro comunicado dos militares, lido por Joaquim Furtado em 1974. Mas até lá chegar há muito para ver nas salas temáticas dedicadas ao jornalismo de guerra ou aos duelos de opinião. Mais especificamente 16 horas de conteúdos. Este é sobretudo um espaço interactivo, bem ao gosto dos miúdos. 150 anos de história mediática de Portugal são resumidos num filme de nove minutos que passa num ecrã gigante com 67m2 ; no espaço dedicado ao jornalismo desportivo, com relvado e uma pista de tartan, eles podem abrir cacifos para conhecer as melhores histórias. A terminar, junto ao átrio central (onde se pode carregar nas paredes para ouvir soundbytes famosos ou olhar para os 70 ecrãs ligados a estações mundiais de notícias, na chamada Torre de Babel) o desafio é mesmo espreitar o futuro – com o risco de enjoar, se não apoiar as mãos. Coloquem os óculos de realidade virtual e descubram o que vai acontecer.

Rua Visconde de Monserrate, 26, Sintra. 21 012 6600. Todos os dias 09.30-19.00 (Abril a Setembro) e 09.30-18.00 (Outubro a Março). Desde 4€.

Museu das Comunicações

Museu das Comunicações

A exposição permanente chama-se Casa do Futuro e é mesmo uma casa, com porta, cozinha e sala de jantar. Só que especial: a aplicação da robótica às exigências do lar – que se chama domótica – faz com que tudo aqui seja controlável a partir do exterior. Os miúdos podem imaginar-se de férias do outro lado do mundo, ao mesmo tempo que acendem as luzes ou mexem nas persianas na sua casa. Lá dentro, a mesa da sala tem um ecrã led que permite mudar a cor do tampo, o frigorífico lê códigos de barras para não deixar nada estragar-se e os armários abrem-se com cartões magnéticos. No fim desta viagem ao futuro, eles vão gostar de perceber o caminho percorrido até lá, desde os meios de comunicação mais antigos, como o excêntrico telégrafo. Aos sábados há workshops que incluem oficinas de televisão e espionagem com walkie-talkies.

Rua do Instituto Industrial, 16. Seg-Sex 10.00-18.00, Sáb 14.00-18.00. Desde 2€.

Museu Berardo

Museu Berardo

Não é difícil fazer da visita ao museu um momento divertido só com comentários bem-humorados sobre a arte do século XX. Até a Matemática é bem-vinda, se quiser pôr os miúdos a calcular o peso da obra mais valiosa no valor total da colecção que vale 316 milhões de euros – o quadro de Picasso Femme dans un fauteuil (métamorphose), de 1929, avaliado em 18 milhões. Se falta imaginação aos pais, o melhor é deixá-los descobrir o museu por si, numa das actividades previstas, como as oficinas de magia, que ajudam a revelar os segredos das formas e cores das obras do Museu Berardo.

Praça do Império. Seg-Dom 10.00.19.00. Entrada gratuita (à excepção de algumas exposições temporárias).

Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian

Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian

Os jardins valem a pena, mas já não é só a morada que une o CAM ao Museu da Fundação Calouste Gulbenkian. Penelope Curtis assumiu a direcção conjunta das instituições e isso sente-se com um programa cheio, a cruzar os dois acervos. Para famílias, a agenda encontra-se carregada aos fins-de-semana (atenção às inscrições, que costumam esgotar cedo): há concertos comentados, visitas às exposições que são jogos de mistério para descobrir quem está ali desenhado, actividades de botânica, e urban scketchers no jardim.

Rua Dr. Nicolau de Bettencourt. Qua-Seg 10.00-17.45. Grátis (exposições 5€).

Museu Nacional da História Natural e da Ciência

Museu Nacional da História Natural e da Ciência

É o sítio ideal para explorar a evolução das espécies e ficar a saber mais sobre o reino animal e sobre o mundo vegetal, em destaque no Jardim Botânico. E porque o conhecimento não vem só do que se lê, nem mesmo de visitas-guiadas (que também há), vale a pena espreitar a agenda do museu. Entre festas e workshops, há um ateliê de ilustração científica e outro de cianotopia, método de registo de contornos feitos com luz, em variações de azul, que antecedeu a fotografia.

Rua da Escola Politécnica, 56-58. 21 392 1800 Museu: Ter-Sex 10.00-17.00; Sáb-Dom 11.00-18.00, 5€ Jardim Botânico: Ter-Sex 09.00-17.00; Sáb-Dom 09.00-18.00. (No Verão, até às 20.00). 2€.

Museu do Oriente

Museu do Oriente

Os pais adoram brunches, mas estão sempre a adiar por causa dos miúdos? Arranquem já no próximo domingo para o Museu do Oriente, com vista para o rio, onde eles são muito bem-vindos. Os sábados também são animados, com oficinas a cruzar as duas culturas, do Ocidente e do Oriente, e temas que passam pelos rituais sagrados, os hábitos à mesa e muitas histórias de países e pessoas, às vezes contadas de forma inusitada, como a partir dos formatos dos chapéus. O passado dos Descobrimentos mostra-se na exposição permanente e, em Outubro, chega a mostra China Hoje. Desafiar os Limites, sobre a forma como a arte contemporânea chinesa trata temas como direitos humanos e a liberdade de expressão. Quando chegarem a casa, eles vão ter muitas perguntas difíceis para lhe fazer.

Av. Brasília, Doca de Alcântara Norte. Ter-Dom 10.00- 18.00. 6€.

Museu Nacional de Arqueologia

Museu Nacional de Arqueologia

É já uma múmia famosa e não é só por ter mais de 2000 anos. O único caso conhecido em todo o mundo de uma múmia a que foi diagnosticado cancro na próstata (uma descoberta feita em 2011) faz parte da colecção deste museu. E é também bom saber que os guerreiros galaico-lusitanos de granito, à entrada, datam do século I d.C. e são tesouro nacional. Mas há mais para ver: máscaras funerárias, esfinges egípcias e achados nacionais de ourivesaria, numismática, vidro e escultura. Em dias especiais, há actividades também para famílias. Fique atento ao site para saber quais.

Praça do Império. Ter-Dom 10.00-18.00. 5€.

Museu da Farmácia

Museu da Farmácia

A agenda de actividades está cheia de opções para escolas. Há ateliês onde se aprende a fazer champô e uma aula de aprendiz de feiticeiro – pode dar-lhes o recado para levar ao professor. Visitar a exposição é, por si só, uma viagem ao passado. Eles vão gostar de saber que havia raspas de corno entre os ingredientes da Pedra de Goa, um segredo usado pelos jesuítas no século XVII para mordeduras de serpente. E até os pais vão ficar surpreendidos com a farmácia portátil que pertenceu aos czares russos. A geringonça data de 1800, era transportada por cavalos e fazia parte da bagagem nas viagens de família.

Rua Marechal Saldanha, 1. Seg-Sex 10.00-18.00. Sáb 14.00-18.00.

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