Arte & Cultura

Tudo o que precisa de saber sobre arte e cultura em Lisboa. As melhores exposições na cidade, os museus de Lisboa que tem de visitar e as peças de teatro que tem de ver. O melhor da agenda cultural de Lisboa

Os snack-bars mais modernos de Lisboa nos anos 50 e 60
Arte

Os snack-bars mais modernos de Lisboa nos anos 50 e 60

Em Lisboa nem se sabia bem como registar aquilo nas finanças: um balcão alto, com cadeiras altas para sentar e comer de frente para o empregado de balcão. Na América chamavam-lhes snack-bars e só se conheciam dos filmes. Até que os arquitectos Victor Palla e Joaquim Bento d’Almeida desenharam o Pique-Nique para o Rossio, com painéis de Júlio Pomar e tudo o resto desta dupla – dos bancos aos candeeiros. O CCB abre esta quarta-feira, 12 de Abril, ao público "Victor Palla e Bento d’Almeida: Arquitectura de Outro Tempo”, com curadoria dos netos dos arquitectos, João Palla Martins e Patrícia Bento d’Almeida, e mostra como estes dois modernos trouxeram este tipo de restaurante para Portugal. Veja como eram os primeiros snack-bares de Lisboa na altura em que eram dos lugares mais glamorosos da capital.

O design que veio do campo
Arte

O design que veio do campo

Volta e meia, lá voltamos nós à velha questão: o que é que separa o design da arte? Bem, se há sítios (ou momentos) onde os dois se encontram, a exposição “Slow Design”, que abre hoje ao público, no Espelho d’Água, é um deles. Inês Schertel, a autora, é o centro das atenções, a par com as peças que trouxe de Milão. O Salone del Mobile ainda nem arrefeceu e a brasileira de 59 anos já está a expor em Belém. Arquitecta de formação e designer na prática, tem pelo menos duas costelas de artista, a julgar pelo jogo de paciência que trabalhar a lã exige. Há seis anos que as mãos de Inês não tocam noutra matéria-prima. “Foi em Milão. Tinha ido visitar a Galleria Rossana Orlandi e reparei numa peça que estava enrolada num canto. Explicaram-se que era feita de lã de ovelha feltrada à mão no Quirguistão”, conta. A designer não esperou por mais explicações e voou directamente até à fonte. A Ásia foi a segunda de várias paragens, onde Inês foi recolhendo técnicas e inspirações. No Brasil, mais precisamente em São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul, esperava-a um rebanho de 400 ovelhas. Lã não faltava, tal como continua a não faltar. “Morei 30 anos em São Paulo, até que nos mudámos para esta grande propriedade, com uma mata nativa mesmo ao lado e este rebanho com imensas ovelhas que tinham de ser tosquiadas anualmente. Não sabia o que fazer. Não sabia fazer tricot, nem crochet”, explica. Em Belém, o que vemos é só uma amostra do trabalho de Schertel. E uma bela amostra. Com o foco nas

Leia um conto de Mário-Henrique Leiria que nunca antes leu
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Leia um conto de Mário-Henrique Leiria que nunca antes leu

Se só conhece Mário-Henrique Leiria dos seus Contos do Gin-Tonic, os próximos três anos vão ser uma descoberta. Ficção, Poesia e Dispersos e Cartas são os títulos das "Obras Completas" que a E-Primatur vai lançar até 2019 e que revelam todo o espólio conhecido do surrealista português. Esta semana as livrarias esperam a chegada do primeiro volume que dá a conhecer contos, teatro e ideias para guiões de cinema. Não perca a cabeça com esperas e leia já um dos inéditos agora revelados pela edição, com organização e notas de Tania Martuscelli.   Saiba tudo sobre a publicação do espólio de Mário-Henrique Leiria na próxima edição da Time Out Lisboa.   ATENTADO (contribuição para um jogo de massacre) O Primeiro-Ministro pegou no telefone e ordenou: — Chamem-me o Espião Principal. Desligou, acendeu um cigarro, recostou-se na cadeira e ficou à espera, rufando com os dedos da mão direita no tampo da enorme secretária de macacaúba. Bateram à porta. — Entre — rosnou o Primeiro-Ministro. A porta abriu-se, silenciosa. O Espião Principal entrou no gabinete, igualmente silencioso, quase num deslize, calado, esperou. – Vai haver o Atentado. Preciso que resolvas o caso. O mais rapidamente possível. Sem espetáculo. Podes ir. O Espião Principal pôs a máscara e a boina galega. Inclinou-se levemente, executou um movimento giratório e saiu. Em silêncio. O Primeiro-Ministro pegou de novo no telefone e ordenou: — Chamem-me o Espião Secundário. E ficou à espera, conti

Vhils em Lisboa: o roteiro perfeito
Coisas para fazer

Vhils em Lisboa: o roteiro perfeito

As luzes do BoCA viram-se para Periférico, uma criação performativa de Vhils que estará no Centro Cultural de Belém entre sexta-feira e sábado. Da proposta para fazer uma peça de palco, o artista urbano desenvolveu um espectáculo que reflecte sobre a evolução urbanística e a emergência das subculturas urbanas, em parceria com o rapper Chullage, DJ Ride e a bailarina Piny, juntando territórios artísticos como dança, música e artes visuais. A propósito, relembramos os trabalhos de Vhils que pode apreciar pela cidade. Uns mais acessíveis que outros.

Não percebe nada da vida? Agarre-se aos Pequenos Clássicos Ilustrados
Arte

Não percebe nada da vida? Agarre-se aos Pequenos Clássicos Ilustrados

É tão difícil para um adulto saber o que fazer depois de uma noite alcoólica como para uma criança compreender a corrida ao espaço. É legítimo não perceber nada da vida moderna e por isso os humoristas britânicos Jason Hazeley e Joel Morris ressuscitaram clássicos infantis ingleses e fizeram-nos crescer à força, tal como qualquer adulto numa crise de quarto de século: com ironia, auto depreciação e a precisar que lhes expliquem tudo tim-tim por tim-tim. Em Portugal ganhou-se agora esta preciosa chave para o dia-a-dia contemporâneo com a tradução pela Vogais.

Museus em Lisboa e outras sugestões

Cinco peças essenciais de "Utopia/Distopia" na reabertura do MAAT
Arte

Cinco peças essenciais de "Utopia/Distopia" na reabertura do MAAT

Na reabertura do MAAT olha em todos os sentidos: para o passado, para o futuro, para o presente, para os futuro possíveis, para os futuros que já foram imaginados e para os que foram temidos. “Utopia/Distopia – Mudança de Paradigma” coloca em confronto o entusiasmo e a disforia face à tecnologia e ao futuro, com obras desde os anos 1960 – o momento em que se deixa a euforia face ao futuro e florescem os olhares mais críticos com o final da segunda guerra mundial e as revoluções sociais dessa década, explica-nos numa visita guiada Pedro Gadanho, director do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia - MAAT e curador desta exposição, ao lado de João Laia e Susana Ventura. Na mostra, 60 peças ocupam todo o espaço expositivo do museu da Fundação EDP e com isto, pela primeira vez, o público que já tinha feito do edifício de Amanda Levete um fenómeno das redes sociais, pode agora conhecer-lhe todo o interior. Com a reabertura do MAAT, fechado desde Fevereiro para obras, o acesso às exposições deste edifício e da Central, que inaugurou quarta-feira a exposição “O Que Eu Sou” e era anteriormente e entrada livre, altera-se: para cada edifício, um bilhete de 5€ e o bilhete conjunto tem o valor de 9€. Pedimos a Pedro Gadanho uma ronda pela galeria principal (comprida e com muita arrumação) e o director seleccionou cinco obras que encapsulam o universo mais distópico do que utópico patente no MAAT até 21 de Agosto.

Teatro em Lisboa: em Abril vai ser só rir com estas comédias
Teatro

Teatro em Lisboa: em Abril vai ser só rir com estas comédias

Uma boa comédia, daquelas com observações actuais e inteligentes, mas sem pretensões pedagógicas, nem mensagem, nem nada dessas coisas, uma coisa mesmo só para entreter sem ser totalmente parva, é difícil de encontrar. Mas que há teatro em Lisboa assim, há. Por exemplo, estas três comédias e uma revista servem bem para desopilar.

Dos códices e incunábulos ao Harry Potter: uma viagem pelas bibliotecas em Lisboa
Coisas para fazer

Dos códices e incunábulos ao Harry Potter: uma viagem pelas bibliotecas em Lisboa

Bem-vindo a um arquivo sem fim de monografias, fonogramas, periódicos e muito, muito mais. Temos museus e recantos municipais, espaços que nos fazem recuar à época medieval e outros que ainda cheiram a fresco. Apresentamos 15 bibliotecas em Lisboa para colocar na sua lista de "próximos locais a visitar na cidade". Boas leituras. Ah, e se ainda está a pensar na palavra "incunábulo" aqui vai uma ajuda: trata-se de um livro impresso nos primórdios da imprensa, com recurso a tipos móveis. Não tem de quê.

Os museus de Lisboa que tem mesmo de visitar
Museus

Os museus de Lisboa que tem mesmo de visitar

Alguns museus ainda funcionam como a arrecadação lá de casa: servem para amontoar tralha. Mas as coisas estão a mudar, a começar pelo impressionante Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia e a acabar na proposta do Governo de fixar a entrada gratuita para quem tem menos de 30 anos de idade. Deixamo-lo com uma visita guiada aos melhores museus de Lisboa, dando razões para redescobrir os clássicos e ideias para explorar colecções surpreendentes.

As melhores obras de design e arquitectura de Lisboa
Coisas para fazer

As melhores obras de design e arquitectura de Lisboa

Os feitos arquitectónicos lisboetas estão longe de ter acabado na empreitada pombalina. Milhares de toneladas de betão, ferro e vidro depois, os últimos 60 anos foram ricos em grandes obras de arquitectura e de design, ao estilo de cada época. Em dez sugestões, visitar os grandes ex-líbris da modernidade e da contemporaneidade lisboetas está ao alcance de qualquer um. Recomendado: Lisboa é a melhor cidade do mundo para a Wallpaper

10 livros sobre Lisboa que tem de ler
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10 livros sobre Lisboa que tem de ler

Todos a têm como pano de fundo, embora a tratem sob diferentes perspectivas. Mas se há conclusão comum a todos estes livros sobre Lisboa, é que a cidade é linda de qualquer forma.

Exposições em Lisboa

Um skater de câmara na mão à solta no MAAT
Arte

Um skater de câmara na mão à solta no MAAT

O título da exposição vem de um poema de Teixeira de Pascoaes – “O Que Eu Sou”. Na reabertura do MAAT, a Central Tejo renova-se também com uma nova exposição que organiza parte da colecção da Fundação EDP em torno do tema da identidade, da biografia, da relação entre a vida e o trabalho artístico e da família. Falámos com Luiza Teixeira de Freitas, curadora convidada da exposição O Que Eu Sou, e chateámos Miguel Faro para saber todos os pormenores de Downhill, que fecha a exposição.

Los Carpinteros
Arte

Los Carpinteros

A dupla cubana Los Carpinteros cria uma explosão cristalizada no centro de artes das Carpintarias de São Lázaro, no Martim Moniz. A mostra assume o nome da dupla pela primeira vez em Portugal depois de passarem por museus e galerias internacionais como a Tate, o Moma ou o Museu de Arte Contemporânea de Cincinnati. No Centro de Artes que inaugura com esta instalação, Marco Castillo e Dagoberto Rodríguez penduram destroços que esculpiram a partir de móveis construíndos até aos anos 1980 nesse mesmo espaço, quando aí ainda funcionava uma das maiores carpintarias de Lisboa. As curadoras Verónica de Mello e Alda Galsterer abrem a programação do espaço cultural com esta instalação, que Los Carpinteros já tinham reproduzido antes com móveis construídos por eles próprios, para lembrar que a explosão, embora remeta em primeiro lugar para destruição, pode ser o início de qualquer coisa.

José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno
Arte

José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno

“Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser.” Foi o próprio mestre que o disse e é à boleia desta verdade sobre a arte (e também sobre styling) que a Gulbenkian dedica duas salas à exposição “José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno”. Na verdade, o título permite-nos outras liberdades. Afinal, quantas maneiras de ser moderno encontramos na vida e na obra de Almada Negreiros? No mínimo, várias, se pensarmos na excentricidade que levava à rua, nos manifestos desbocados, nas ilustrações novelescas, nos estudos geométricos, no cinema. E já lá vão cinco. Por essas e por outras é que Mariana Pinto dos Santos e Ana Vasconcelos, as curadoras de serviço, quiseram passar ao lado de uma viagem toda certinha (cronologicamente falando) pela obra de Almada Negreiros. De facto, muito mais interessante do que isso é olhar para trabalhos nunca antes mostrados ao público, nem a exposição que inaugurou o Centro de Arte Moderna, em , nem na que marcou a abertura do Centro Cultural de Belém, em (o que só nos faz pensar que o artista é um óptimo inaugurador). Aqui, no limite, inaugura-se todo um novo capítulo para quem apenas conhece a superfície da obra de Almada Negreiros. Ao longo de oito núcleos, distribuídos por duas galerias, sucedem-se as várias linguagens introduzidas e revisitadas pelo mestre, da abstracção geométrica às inúmeras representações dos saltimbancos, personagens de circo altamente apetecíveis aos olhos

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Ressonâncias: da Voz e dos Ecos
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Ressonâncias: da Voz e dos Ecos

Numa sala pequena na imensa Fundação Champalimaud, há um caos organizado de pinturas de Graça Morais à espera de serem montadas em “Ressonâncias: da Voz e dos Ecos”. São cerca de 100 obras, desde os anos 1980 a alguns inéditos feitos nos últimos meses com referências directas à actualidade: o retrato do jovem de Ponte de Sor agredido pelos filhos do embaixador do Iraque, uma figura que transporta um bebé como se o tivesse salvo dos escombros da guerra, homens tapam a boca para respirar num incêndio. As figuras que “salvam a humanidade” têm as caras metamorfoseadas em focinhos de carneiros, que Graça Morais associa à bondade e à beleza da sua infância em Trás-os-Montes. Em frente às duas pinturas de grandes dimensões que dão o tom à mostra, 20 Jan 2017 e 27 Jan 2017, as datas de tomada de posse de Donald Trump e do seu decreto anti-imigração, a pintora diz que esta dimensão política é a sua obrigação.

Últimas notícias de Arte e Cultura

"Design" é inglês? O MUDE diz que não em três exposições
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"Design" é inglês? O MUDE diz que não em três exposições

O MUDE não consegue estar fechado em casa, já sabemos. Enquanto não acabam as obras de requalificação do edifício da Rua Augusta, o Museu do Design e da Moda leva as tatuagens ao Palácio Pombal e põe-se esta semana no eléctrico 15 para Belém. “Novo Mundo — Visões Através da Bienal Iberoamericana de Diseño. 2008-2016” selecciona o design ibero-americano que esteve nos últimos nove anos na Bienal Iberoamericana de Diseño (BID), em Madrid, e leva-o até ao Jardim Botânico Tropical. Há candeeiros que misturam técnicas ancestrais de tecelagem de palhinha com garrafas PET, cartazes que reflectem a violência de alguns grandes centros urbanos sul-americanos ou embalagens ecológicas. A reflexão sobre este design transatlântico de línguas latinas continua até ao próximo ano. “O objetivo principal é fazer desta uma oportunidade para compreender este mapa que é o Atlântico Sul: existe ou não uma identidade ou especificidades? Qual o contributo trazido pelos designers ibero-americanos ao mundo global?”, diz Bárbara Coutinho, curadora de “Novo Mundo”, à Time Out Lisboa. Para olhar de perto este problema, a diretora do MUDE programou mais duas mostras até ao final do ano, com a colaboração da BID.   Clean.Equator © Carlos Salvatierra     Em Julho há “Como se Pronuncia Design em Português: Brasil Hoje” para mostrar a perspectiva de 100 designers brasileiros deste século sobre esta forma de comunicação. Este é o tomo II da tentativa de esmiuçar o significado de Design, depois d

Salazar inspirou nome de personagem no universo Harry Potter
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Salazar inspirou nome de personagem no universo Harry Potter

Que J. K. Rowling viveu em Portugal e se inspirou na Livraria Lello ou no típico traje académico para criar parte do universo de Harry Potter já toda a gente sabia. Mas este fim-de-semana a autora britânica confirmou mais uma ligação ao nosso país: Salazar Slytherin foi inspirado no antigo chefe de estado português António de Oliveira Salazar. I did indeed take his name from António Salazar, the Portuguese dictator. https://t.co/an6l8U3ma5 — J.K. Rowling (@jk_rowling) April 14, 2017 “De facto, fui buscar o nome a António Salazar, o ditador português”, disse no Twitter, rede onde interage regularmente com os seguidores. A pergunta veio de uma fã inglesa. O Salazar de Rowling era também um ditador. Salazar Slytherin foi um dos fundadores da Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts, a par de Godric Gryffindor, Helga Hufflepuff e Rowena Ravenclaw. Dos quatro era o mais cruel, o mais temido e o mais sedento de poder. Enquanto feiticeiro de sangue-puro (filho de feiticeiros), repudiava quem não tivesse o seu estatuto e não queria cá misturas entre feiticeiros e muggles (não-mágicos). Tinha a capacidade de falar com serpentes e era este o animal que representava a sua equipa. J. K. Rowling deu aulas de inglês no Porto entre 1991 e 1992. Entretanto, a Livraria Lello tornou-se local de peregrinação para os fãs do universo Harry Potter.   + Harry Potter em concerto na MEO Arena em Maio. 

Os Livros estão Loucos: clássicos reescritos para jovens
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Os Livros estão Loucos: clássicos reescritos para jovens

As Aventuras de Robinson Crusoé tem como título original qualquer coisa como A vida e as aventuras extraordinárias e surpreendentes de Robinson Crusoe de York, marinheiro: viveu 28 anos sozinho numa ilha inóspita ao largo da América. Ninguém quis encarar isto nos últimos 100 anos. Este título, que se assumiu como secundário, é ainda maior que isto e deixa prever que o livro de aventuras do século XVIII, que logo foi visto como manual para jovens aventureiros, é um diário de alguém realmente entediado, a tentar não perder o fio à meada da própria vida. Como no título, há outros momentos exaustivos em que o narrador é capaz de fazer a lista todas as coisas que possui na ilha ou em que tenta recontar a sua história só para ver se ainda se lembra bem do que se passou há décadas. A Guerra e Paz tentou acelerar o ritmo da história. DR   A editora pegou no texto original e mexeu-lhe para que se leia “numa hora o que antes se lia num dia”, lê-se na contracapa. "Os Livros Estão Loucos" é a colecção de clássicos reescritos para jovens leitores de hoje, dos 9 aos 14, diz o comunicado de imprensa. Cada livro enfia no meio do texto ilustração e diálogos de outros leitores que também estão a atirar-se ao livro; há letras que crescem para ocupar uma página inteira ou que se deitam ou ondulam se isso vier a propósito, numa espécie de poesia visual. DR   Crusoé deixa de aparecer na primeira pessoa para ser contado por um narrador muito mais directo ao assunto e, assim, estas não

Silêncio, escutemos o teatro
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Silêncio, escutemos o teatro

As Vozes do Bairro devolvem a tradição do teatro radiofónico à cena. Ciclo dirigido por Teresa Sobral, que conhece o seu primeiro capítulo este sábado, no Teatro da Trindade, com José Raposo como Sr. Valéry  Duas mesas de madeira, frente a frente, suportam todo o género de bugiganga. De um metalofone a uma chaleira retro (que não fosse isto ser um ensaio de imprensa e talvez considerássemos levar para casa). À frente, uma caixa de gravilha e outra de calçada portuguesa, rodeada de sapatos de diferentes formas. No fundo, estamos perante uma oficina, só que os mecânicos de serviço (Miguel Sobral Curado e Teresa Sobral) não estão aqui para mudar o óleo a coisa nenhuma.  Se tudo o que existe tem um som – e nós estamos quase certos que isto é facto – cá estão eles para o tornar o mais parecido possível com o original. Estamos no campo do teatro radiofónico, mais precisamente em As Vozes do Bairro, projecto dirigido por Teresa Sobral que recupera essa tradição quase perdida.  A partir de O Bairro (de Gonçalo M. Tavares), e com sonoplastia de Miguel Sobral Curado, dá-se este sábado o primeiro capítulo de As Vozes do Bairro, com José Raposo na pele de Sr. Valéry, às 16.00 e às 18.00. Seguem-se Filipe Duarte como Sr. Henri a 13 de Abril, Miguel Loureiro enquanto Sr. Brecht a 10 de Junho, Álvaro Correira faz de Sr. Calvino a 15 de Julho, Bruno Nogueira de Sr. Breton a 30 de Setembro e André Gago de Sr. Eliot a 21 de Outubro. Tudo no Teatro da Trindade INATEL.    José Raposo é a