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As dez melhores ruas de Lisboa

Restaurantes, lojas e curiosidades das artérias que fazem bater o coração da cidade

Fotografia: Ana Luzia
Rua do Carmo, uma das melhores da cidade

Senhoras e senhores, aqui estão as melhores ruas de Lisboa e são para percorrer de uma ponta à outra. Há ruas com os restaurantes da moda, há ruas mais exóticas e clandestinas, há outras que são verdadeiras incubadoras de criativos, sem nos esquecermos daquela rua que já ganhou o nome de uma cor e onde vamos continuar a beber copos.

As dez melhores ruas de Lisboa

Rua Rodrigues de Faria

Rua Rodrigues de Faria

A rotatividade de lojas e empresas nesta antiga gráfica lisboeta é estonteante e o espaço está quase sobrelotado – aliás, vê-se pelo estacionamento. A rua do LX Factory continua a marcar pontos e há sempre qualquer coisa nova para descobrir. Quem lá trabalha está habituado a ver os vizinhos mudarem de lojas e de pisos e mal podemos esperar pelo próximo open day.

ROTA 

Não se vai perder na rua, até porque está num espaço fechado. Aqui há vários restaurantes, de pizzarias a tabernas modernas, mas os mais populares são a Cantina Lx, uma homenagem à cantina da antiga Gráfica Mirandela – aliás aproveitou alguma mobília – ou o mais recente Rio Maravilha

Para sobremesas, não lhe faltam opções. Tem a OH!Brigadeiro, onde já se sabe o que vai comer, ou, se preferir um cheesecake, a LXeeese Cake tem sempre o clássico de frutos vermelhos, o Lemon Pie e sabores do dia, que vão variando. Agora que a fome já não é problema, está na altura das compras. 

A Kare continua a ser uma boa opção para prendas de aniversário ou objectos excêntricos para a casa. Por falar nisso, espreite os móveis vintagee os néons da Retroshop, onde até encontra cromos antigos de futebol da Rússia. A June e a Pura Cal estão entre as nossas lojas de decoração preferidas na cidade.

No outlet da SkunkFunk encontra casacos a bons preços e na loja da Queen of Hearts pode ouvir-se o barulho da agulha de Frank Carrilho. 

O melhor da rua e uma das melhores livrarias de Lisboa é a Ler Devagar

Rua Nova do Carvalho

Rua Nova do Carvalho

Rua Nova do Carvalho, onde fica isso? Há quem a confunda com a Nova do Almada, no Chiado, mas outra placa assenta-lhe na perfeição e toda a gente reconhece: a Rua Cor-de-Rosa. Aqui, longe parecem estar os tempos de marinheiros e prostituição. Já mal se ouvem as histórias antigas, de quando os marinheiros gregos ali atracavam para dançar e partir pratos na cave de uma discoteca e de quando se dava preservativos de borla à porta do Texas Bar, actual MusicBox. Até o assassino de Martin Luther King ali se passeou poucos dias antes de ser capturado. Agora, bares trendy e um cheirinho do antigamente tornam a rua do Cais do Sodré a melhor para sair à noite em Lisboa. 

ROTA

Antes de começar a beber, comece por enganar a fome com um prego de atum em bolo do caco no Povo, a tasca moderna dos mesmos donos do MusicBox. Também há prego normal. 

No Viking, mais 
cedo ou mais tarde vai
 acabar com um 
pequeno copo azul na 
mão. Chama-se “shot da
 casa” mas 
também é conhecido 
como “pesadelo azul”. Na manhã seguinte vai perceber porquê. Sabemos que já está demasiado velho para essas coisas de beber shots e é para isso que a Espumantaria do Cais existe. Afogue as mágoas com um cocktail Cacilheiro ou com um Francês, “para um romance estrangeiro falhado”. 

Em Lisboa as pizzarias brotam como cogumelos e o Cais do Sodré não podia ser excepção. No La Puttana (o nome é uma singela homenagem ao passado que ainda não está assim tão ultrapassado), sente-se nos bancos corridos com uma Contadina à frente, com cogumelos Portobello. 

Duplex, é o nome de mais um bar da rua. Em cima é o restaurante de Alberto Oliveira (ex-Pedro e o Lobo), em baixo é bar.

Quando os bares fecharem, rume até ao Ménage (aberto até às seis da manhã), o bar de strip da rua. Aqui, os pratos da ementa são outros, como a table dance ou a private dance. É possível ainda algemar os clientes no palco – um clássico das despedidas de solteiro.

Rua Coelho da Rocha

Rua Coelho da Rocha

No fim de 2013, os prédios da Coelho da Rocha eram o cenário de fundo para uma reportagem do The New York Times sobre Campo de Ourique, “um bairro que nunca tinha sido destino turístico mas que estava a mudar graças aos residentes mais novos e a uma vanguarda de lojas e restaurantes”. Desde essa altura, a rua onde viveu Fernando Pessoa e Luís de Sttau Monteiro inspirou-se ainda mais – e o estacionamento tornou-se ainda mais caótico. Os prazeres desta vida no campo incluem um restaurante japonês onde também é difícil arranjar lugar à mesa e uma loja de bagels digna de Brooklyn. 

ROTA 

Ok, começamos por fazer batota, mas é só desta vez. Embora não seja na Coelho da Rocha (fica no número 120 da Saraiva de Carvalho), o Raffi’s Bagels encontra-se geograficamente no início ou no fim da rua. Experimente o Chelsea, a nossa sugestão. 

Hikidashi. Decore este nome porque a Taberna Japonesa está na lista dos melhores japoneses da cidade. Os lugares são numa mesa corrida ao balcão, por isso não é o sítio ideal para conversas privadas. 

Sopa alentejana com bacalhau ou migas com entrecosto frito são uma boa maneira de matar saudades do Alentejo n’A Trempe.
 Legumes e fruta sempre frescos na Horta do Bairro. Experimente os maracujás amarelos, mas cuidado: são caros. 

Veja como o quarto de Fernando Pessoa está mais arrumado do que o seu na casa onde o escritor viveu (e morreu). Um pouco mais à frente, vamos ser sinceros, O Venezuela tem o pior aspecto de sempre, mas nem precisa de lá entrar. Fique nas duas mesas da esplanada desta tasca e peça os famosos caracóis, caso seja altura deles.

Cure a ressaca com um “sumo funcional” da Goji Detox no Mercado de Campo de Ourique. Ganhe coragem e escolha o purificante, de couve galega, aipo, limão, banana, maçã verde e espinafres.

Ou então atire-se a uma fatia do Melhor Bolo de Chocolate do Mundo, que nunca passa de moda. 

Rua do Carmo / Rua Nova do Almada

Rua do Carmo / Rua Nova do Almada

Turistas de mapa em riste, freaks que cospem fogo, empresários apressados a caminho do trabalho, fado que sai de uma carrinha... Subir o Chiado pela Rua do Carmo é animação garantida e a rua mantém-se obrigatória nas listas de melhores da cidade. Às lojas mais tradicionais que sobreviveram ao incêndio de há 26 anos, juntam-se as mais modernas, onde se encontra desde o último modelo da Nike ao mais recente iPhone. Separada da Rua do Carmo pelos Armazéns do Chiado, a Rua 
Nova do Almada ganhou nova alma desde que o Tribunal da 
Boa Hora dali saiu: depois da ressaca, o movimento voltou e há novos vizinhos nas portas do lado. 

ROTA

Deixe tudo nas mãos do senhor Carlos, da Luvaria Ulisses, e compre as luvas que melhor lhe assentarem. A loja mantém a mesma decoração desde a fundação, em 1925, e é um clássico da cidade.

Se ainda não tomou o pequeno-almoço e tiver com um desses caprichos matinais, desfrute uma bola de gelado no Santini – compensa o tempo de espera na fila que pode ser grande ao fim-de-semana.

Renove o seu stock de canetas na loja da Muji, mas se preferir escrever no iPad veja os últimos modelos na loja Apple Reseller, a segunda maior da Europa (só na Suíça há um espaço maior).

Para manter a linha, uma aula de total insanity (sem máquinas, só suor e insanidade) no Envy.

De repente, já estamos na Rua Nova do Almada e é tempo para um desvio nas Escadinhas do Santo Espírito da Pedreira para comprar um disco na Louie Louie. Mate saudades da limonada da Merendinha no Liquid, onde agora se bebe Purple Rain, um bizarro sumo detox de açaí e beterraba.

A Tiger e a Breed são das vizinhas mais novas da rua, a primeira com artigos de decoração de design escandinavo para a casa, a segunda com T-shirts “urbanas”, dizem eles, e ténis de várias marcas e modelos. 

Rua do Alecrim

Rua do Alecrim

Alecrim aos molhos. Estamos habituados a subir a rua a caminho do Chiado, ou a descê-la para o Cais do Sodré. Um dos sítios onde as rendas em Lisboa são mais caras e onde uma fauna mais hipster e alternativa caminha alegremente ao sabor das modas com vista para o rio.

ROTA

A rua apareceu nas notícias por causa da 
Figaro’s. Publicidade grátis, é verdade, e tudo graças à placa que proíbe a entrada de mulheres – mas aceita a entrada de cães. O conceito desta barbearia hipster é recuar aos anos 20 em mentalidade e nos métodos, com barba à navalha e cortes clássicos.

Continuemos rua abaixo, sempre no espírito alternativo, até ao 
O Bom, o Mau e o Vilão, onde se bebem cocktails, se comem pregos em bolo do caco e se dança. Para outras experiências, ao lado tem sempre o Cabaret Burlesque Show na Pensão Amor, onde pode acordar com um cocktail Corpse Reviver 2 (o 1 não é suficiente).

Há cozido à portuguesa n’A Charcutaria, sushi na Confraria LX, peixe no Peixola , bife na Brasserie de l’Entrecôte e tudo e mais alguma coisa no Palácio Chiado

Rua de São Paulo / Rua da Boavista

Rua de São Paulo / Rua da Boavista

Um passeio de cabeça no ar por estas ruas siamesas dá-nos ideia da quantidade de prédios abandonados. Em breve, quando os edifícios começarem a ser remodelados, esperamos estar aqui a assinar contrato de uma casa, como as lojas que têm surgido nos últimos tempos entre Santos e o Cais do Sodré. Está aqui o melhor mexicano da cidade.

ROTA

Comece por beber um copo de vinho no Vinharia, que surgiu como uma espécie de bar de apoio da Casa de Pasto e já ganhou vida própria. Aliás, foi na Casa de Pasto que Mick Jagger jantou antes do Rock In Rio em 2014. Diz-se que comeu um “prato light, de peixe-espada preto” e bebeu cerveja. Peça o mesmo para se sentir uma estrela à escala planetária.

Para a cerveja mais barata da rua, rume ao Cata Que Farás ali ao lado. No Castro Beer encontra baldes de minis e uma mesa de matrecos.
Se preferir um chá, instale-se na mesa na montra da Arco da Velha.

Finalmente, o Pistola Y Corazón, a taqueria onde todos querem ir. Também há bifanas de Vendas Novas no BDO Bar e se a noite acabar tarde ainda pode tomar o pequeno-almoço no Mezzanine

Na hora de limpar o pó ao cartão de crédito, rume à SAL Concept Store, perfeita para redecorar a casa ou comprar um presente original. 

Rua dos Anjos / Rua do Benformoso

Rua dos Anjos / Rua do Benformoso

“Já foi ao Intendente, Senhor Presidente?/Compreendo que tenha pouco tempo.” António Costa parece ter ouvido os conselhos da antiga canção dos Da Weasel e mudou o seu escritório para lá, quando ainda era responsável pela autarquia. Com ele o cenário em volta transformou-se: primeiro o largo e aos poucos a Rua dos Anjos e a Rua do Benformoso foram-se libertando da má fama. Aqui também é como numa cassete, há um lado A (o da Rua dos Anjos), onde há mais bares antigos e pequenos negócios que começam a florescer; e o lado B (da Rua do Benformoso), mais exótico e cada vez com mais restaurantes com cozinha do Nepal e Bangladesh.

ROTA

Vamos fazer-lhe um caldinho, desta vez com as sopas do Pho-Phu. O restaurante vietnamita tem um menu reduzido, mas o que importa mesmo – e alimenta – são as sopas de massa de arroz.

Há sempre as opções gastronómicas em casa de famílias chinesas da rua. Não diga que vem da nossa parte, mas experimente perguntar na Rua do Benformoso e estar atento a portas abertas para ver o que acontece.

Nos dias mais quentes faz sentido frequentar o terraço dos Amigos do Minho. É com as uvas da latada que crescem neste terraço escondido que a associação faz o seu vinho. Junte os amigos e marque um jantar de grupo para provar o bacalhau da dona São.

Visite a Bem Formosa Praça, já sem lixo nem carros, com nova pintura e programação feita pela Associação Renovar
 a Mouraria – não perca os concertos de músicas do mundo.

Aos sábados há karaoke no
 Bar Palma e aqui, em vez de ladie’s night, promovem a “festa do homem”. Tome uma cerveja artesanal na esplanada do
 Sabor K Intende. Em frente, esteja atento à agenda do Mob Lisboa.

Para decorar a casa, os móveis da Retrox Vintage Shop, a loja onde encontra peças vintage nórdicas e portuguesas, para vários bolsos.

Nos primeiros sábados do mês fazem-se bons negócios na Feira dos Anjos, na Rua dos Anjos: há artesanato, peças vintage em segunda mão e comida no bairro.

Rua do Poço dos Negros

Rua do Poço dos Negros

Em 2008, uma operação da ASAE fechava várias mercearias, charcutarias e lojas da rua e ficava tudo praticamente ao abandono. Uma boa altura para um grupo de artistas começar a fazer intervenções em espaços vazios, naquela que foi a primeira edição do festival MANPOWER. No fim de 2014, e por pressão de comerciantes e moradores, o evento voltou para nunca mais desaparecer. E desde aí a rua tem cada vez mais novidades.

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Tertúlias, workshops, lançamento de livros e sessões de poesia. O Atelier Real é uma boa forma de passar uma tarde mais intelectual. Também tem um bar com petiscos e conservas.

É oficina, ateliê, galeria, é um Poço de Ideias. Aqui se organiza o MANPOWER, festival que ocupa as lojas da rua com intervenções artísticas.

Os filetes de polvo com açorda do Zapata não se esquecem facilmente. A sala para fumadores torna o espaço ideal para jantares de grupo, mas descanse, que também há espaço para não-fumadores com ar limpinho.

Do mesmo dono do Café Buenos Aires, a Companhia Portugueza do Chá tem mais de 100 tipos de chás de várias partes do mundo e com várias cores. É experimentar vários. Do Vietname ao Japão, há muito por onde escolher.

O grupo de teatro Cão Solteiro já está na rua há vários anos. A companhia formada em 1997 organiza também cursos de cinema e já chegou a fazer uma sessão de 24 horas de leitura de poesia carmelita.

Este Rés do Chão apercebeu-se das várias lojas abandonadas na rua. Instalou-se numa delas e ajuda quem procura um espaço na cidade para desenvolver projectos. Aqui também pode alugar um espaço para trabalhar ou para um evento. 

Rua Duque de Ávila

Rua Duque de Ávila

As obras que entupiram a rua anos a fio já lá vão e hoje respira-se saúde por aqui. Os 
moradores ainda se lembram de quando o chão de casa tremia com a passagem de transportes públicos, mas agora as bicicletas da ciclovia são mais silenciosas. Árvores, esplanadas, uma zona pedonal... Uma espécie de oásis no caos das Avenidas Novas, com cada vez mais novidades de lojas.

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Aos sábados, domingos e feriados, é dia de brunch no Vélocité Café, café popular entre ciclistas. Para outra pedalada, compre café do Nicarágua na Pérola do Chaimite, difícil de encontrar noutros sítios. Calha bem com um éclair Saint Honoré do L’Éclair, o nosso sítio preferido para comer esse supra-sumo da pastelaria francesa. Quem mora ou trabalha ali perto, de certeza que engordou alguns quilos desde que a loja abriu.

Não pense mais nisso e continue a pedalar. Experimente, por exemplo, ir da Gulbenkian ao Jardim do Arco do Cego. Quando chegar, beba uma cerveja no quiosque. Alguns moradores já lhe chamam o “novo Bairro Alto”, pela quantidade de miúdos que ali bebem copos depois – ou durante – as aulas. Em alternativa, um iogurte natural no Gomo, antes de rumar à Pó dos Livros

Rua Dom Pedro V

Rua Dom Pedro V

A rua não é longa, mas tem tanta coisa a acontecer entre o miradouro de São Pedro de Alcântara e o Jardim do Príncipe Real que seria sempre obrigatória numa lista das melhores ruas de Lisboa. Os responsáveis são em grande parte os restaurantes: desde ceviches a tapas fast-food, passando pelas melhores empadas, há muito por onde escolher.

ROTA

Quartas e domingos há Euromania e uma fila gigantesca para tapas a um euro nos 100 Montaditos. O ideal é ir à hora do lanche, quando as coisas estão mais calmas.

Experimente um ceviche e um pisco sour na Cevicheria a olhar para o polvo no tecto. Agarre numa caixa de pizza de cogumelos porcini do Pizza à Pezzi e muitos guardanapos e jante num banco com vista no miradouro de São Pedro de Alcântara. Encomende uma lampreia na Antiga Casa Faz Frio.

Veja a bola e beba um gin Brockman’s ao fim da tarde no Pub Lisboeta.

Já testámos, e as empadas do Doce Real estão entre as melhores de Lisboa. Espreite a nova colecção de Lidja Kolovrat na loja com o seu nome.

Depois do trabalho, há happy hour de cerveja e sangria no Lost In.

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