Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Porto icon-chevron-right Críticas de restaurantes

Críticas de restaurantes

O panorama gastronómico do Porto avaliado por quem sabe. Com a ajuda dos nossos críticos escolha onde jantar, marcar um almoço de negócios ou organizar aquele encontro de amigos que nunca mais sai do grupo de Whatsapp

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Puro 4050
© João Saramago Puro 4050

Antes de navegar pelo slideshow abaixo, fique a saber que as críticas de restaurantes da Time Out são uma experiência relatada por quem anda há anos a fazer disto vida. Em anonimato, os nossos especialistas em Comer & Beber sentam-se à mesa, provam de tudo um pouco, pedem a conta e depois escrevem sobre o que acharam dos pratos, do serviço, do espaço e de tudo o que pode transformar uma refeição numa experiência 5 estrelas – ou num pesadelo.

Isto de ser fiscal da restauração portuense não é fácil, mas encaramos o sacrifício como um género de serviço público. Sirva-se à vontade das nossas críticas de restaurantes. E repita.

Críticas de restaurantes

Apego
©DR
Restaurantes, Restaurantes

Apego

icon-location-pin Bonfim

Não foi preciso estar com muita atenção para perceber que nos últimos anos a cena gastronómica portuense mudou. E muito. E no meio de nascimentos quase espontâneos de dezenas de restaurantes e espaços de restauração, bons e maus, todos os meses, há alguns que desafiam a norma e chegam a bom porto pelo caminho mais arriscado – tal e qual os salmões do Norte que sobem os rios contra a corrente e proporcionam, a quem vê, um bonito espectáculo da natureza.

É a esses restaurantes que mais atenção gostamos de dar. Não só porque exploram novos produtos ou técnicas, mas porque nos divertem à mesa, nos dão experiências e nos criam memórias. E comer, nos dias que correm, é muito feito disso. Assim foi no Apego, um restaurante no topo da Rua de Santa Catarina, na parte mais deserta daquela que é a artéria mais movimentada da cidade.

A Time Out diz
Puro 4050
© João Saramago
Restaurantes, Italiano

Puro 4050

icon-location-pin Flores

A EXPECTATIVA A ideia de ir conhecer mais um “conceito gastronómico inovador” na cidade deixou-me com a excitação de um actor porno ao final do dia. E a ideia de o conceito ser italiano e não ter à frente uma única pessoa italiana aumentou ainda mais a desconfiança. Duvido de restaurantes italianos feitos por portugueses, como duvido de sushi feito por chineses, como duvido de cozinha portuguesa feita por ingleses. QUEM NÃO COME BURRATA É BURRO Mas depois apareceu a burrata (200 g, 8,50€). Em Portugal, é difícil encontrar burrata nos restaurantes e uma das razões é porque ela deve ser consumida fresca, como se fosse um requeijão, tem de ser importada e custa mais do que queijo da Serra DOP. As pessoas tendem a olhar para estas bolas polidas como uma espécie de mozarela que podiam barrar nas tostas ao pequeno-almoço ou servir numa dessas saladas de cadeia de centro comercial.

A Time Out diz
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Euskalduna Studio - Dashi de Cavala
©Marco Duarte
Restaurantes, Cozinha contemporânea

Euskalduna Studio

icon-location-pin Bonfim

Quando cheguei, ele já lá estava. Extremamente pontual. Mais um ponto a favor. Conheci-o no Tinder e à terceira mensagem estávamos a falar de fatias de toucinho do céu, ovos moles, queijadas de Sintra e pastéis de nata. À quinta, enviou-me um daqueles tutoriais sobre como cozinhar um bife na perfeição – o meu ponto fraco gastronómico, já que vivo sempre em stress com medo de o deixar passar demais. Por isso, já que a conversa se desenrolava mais na cozinha do que em qualquer outra parte da casa, pareceu-me adequado convidá-lo para uma visita ao novo Euskalduna Studio, o restaurante do chef Vasco Coelho Santos, que passou pelas cozinhas bascas do Mugaritz, duas estrelas Michelin e em 9.º lugar do World’s 50 Best Restaurants, e do Arzak, com três estrelas e em 30.º da lista. Euskalduna quer, precisamente, dizer basco, em basco.

A Time Out diz
Pedro Lemos
©João Saramago
Restaurantes

Pedro Lemos

icon-location-pin Foz

Pedro Lemos é, quem diria, engenheiro de formação. Mas não é por essa via que o seu talento é conhecido. O seu percurso cedo virou para os tachos e, depois de ter aprendido com Castro e Silva, Hélio Loureiro e Aimée Barroyer ( que saudades do Pestana Palace…), assumiu-se como chef na Quinta da Romaneira. 
Daí à abertura do seu Pedro Lemos foi um tiro. E na mouche. Recentemente foi considerado pelo famoso Matt Kramer, da Wine Spectator, como o melhor chef do Porto e escolhido, juntamente com George Mendes (Aldea, Nova Iorque) e Rui Correira (Restaurante Douro, Nova Iorque), para as comemorações do 10 de Junho em Nova Iorque. Voltas e reviravoltas que para aqui não contam.

A Time Out diz

Críticas de restaurantes

Namban Oporto Kitchen Café
© Marco Duarte
Restaurantes, Japonês

Namban Oporto Kitchen Café

icon-location-pin Baixa

A simpatia de Miguel Cunha e a mão para a cozinha de Sako Arao são os melhores trunfos deste bonito recanto
 na Rua dos Bragas. A dupla maravilha mudou-se para aqui, recentemente, depois de ter conquistado muitas barrigas nas Galerias Lumière, espaço que se tornou pequeno para tanta fama e já só funcionava mediante reserva.

Numa ardósia na parede apresentam as sugestões do dia e há muitas opções para
 o pequeno-almoço. Chamam à atenção, por exemplo, as torradas de pão de arroz de fermentação lenta e as panquecas de trigo sarraceno, ambas servidas com feijão azuki doce e manteiga de coco ou com creme de soja e compota fermentada.

Como chegámos pela hora de almoço, coube-nos em sorte um outro panorama. Para começar a refeição, serviram-nos um caldo fino e saboroso, bem aromático, muito leve e muito fresco, apropriado para um dia de Verão (assim pode sempre comer sopa durante o estio sem suar as estopinhas). Na sua composição? Uma receita simples com ingredientes despretensiosos, abrilhantada por curgetes, ervilhas de quebrar, grão de bico, menta e raspas de limão. Estes dois últimos a dar aquele toque fresco e cítrico que muda tudo.

A Time Out diz
O Carniceiro
© Marco Duarte
Restaurantes, Restaurantes

O Carniceiro

icon-location-pin Santa Catarina

É tramado quando temos amigos um bocado metafísicos, com uma sensibilidade artística de tal forma apurada que se estende dos olhos ao palato e que conseguem ver num prato de atum um quadro de Kandinsky. Do outro lado da mesa fiz uma tentativa de imaginar um Rembrandt, olhando atentamente para a luz que incidia sobre os rabos de porco desfeitos numa moleza boa de carne, gordura e cartilagens, com muitos cominhos à mistura (5€). Mas lembraram-me mais uma pintura de Pollock, um tanto desajeitada, e desisti.

A piada deste prato estava na simplicidade. Não são muitos os restaurantes que apostam em partes menos nobres dos animais – talvez com medo que 
a clientela torça o nariz (coisa que está a mudar e ainda bem) –, mas os rabos de porco acompanhados por um creme de amêndoa, pickles de couve flor e crocantes de amêndoa (havia doçura, sal e crocância, só senti falta de um elemento mais fresco para contrabalançar), foi um começo com graça. Menos engraçados foram os cornetos de carne maturada (5€). Esta carne é uma das especialidades deste restaurante, inserido no ZERO, o alojamento que o grupo lisboeta Mainside abriu na Rua do Ateneu Comercial do Porto. Dentro deste espaço desafogado de estilo retro-industrial há ainda um cofre, que deu assistência ao Banco Mello e à União de Bancos, que ali funcionaram, forrado 
a carpetes que custaram os olhos da cara, segundo o funcionário que nos atendeu.

A Time Out diz
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Muti
©Cátia da Costa
Restaurantes, Pizza

Muti

icon-location-pin Baixa

Vivi em Itália e por lá ficaria se não gostasse tanto de cá estar. Ainda não encontrei povo tão parecido connosco como aquele. Somos todos demasiado burocráticos, intrometidos na vida alheia e epicuristas por natureza, sobretudo quando o assunto é comida. Em suma, somos iguais. Por isso, uma tábua de queijos e enchidos para começar a refeição é sempre uma boa aposta. Aqui ou na terra do Papa. A de tamanho pequeno veio para a mesa com rodelas de salame picante, salame de Nápoles, presunto de Parma, mais queijo parmesão, pecorino e provolone (14€). Uns DOP, outros não. Tudo bom e acompanhado por um atendimento atencioso e vinho branco a copo.

Ainda antes da pizza, um dos pratos do dia: raviólis de abóbora (17€). A massa estava al dente, cozinhada no ponto e, presumo, era caseira, dada a grossura. Um pouco mais fina, ficava melhor. Senti falta de mais recheio, soube pouco a abóbora, contudo, o molho de natas e manteiga, carregado de pimenta preta, estava bom, assim como a bresaola, uma espécie de carne seca bovina que abrilhantava o prato e equilibrava o doce com o salgado. O azeite de trufa por cima era desnecessário, o prato estava bem composto, mas pode sempre funcionar como sugestão à parte.

A Time Out diz
Bollywood
©Cátia da Costa
Restaurantes, Indiano

Bollywood

icon-location-pin Baixa

Como transformar um buraco escuro e pequeno numa coisa maravilhosa? Quando se deparar com um impasse de bricolage, peça ajuda a Atul Parbudas, o dono deste novo restaurante de street food indiana na Baixa (e também do Portugandhi, no Marquês). Este Bollywood não vai constar em nenhum catálogo de ideias para a
casa, é certo, mas é genuíno,
 a começar pela decoração: cadeiras de madeira coloridas, mesas pequenas onde só cabem 20 pessoas no total, um banco corrido com uma almofada comprida forrada a tecido de estofo
 de automóvel dos anos 80,
 e dezenas de fotografias de celebridades cinematográficas de Bollywood espalhadas pelas paredes. Genuína é também a comida que aqui se faz. E a conjugação destes dois factores resultam num espaço (outrora irrelevante) que se assemelha agora a um gabinete terapêutico. Porque cuidar do estômago é cuidar da alma – teoria que defendo com convicção. Mas vamos ao que interessa.

Papadoms salgadinhos e estaladiços e chutneys doces e picantes (1€), e um cesto de bom pão naan com queijo e alho (3,50€), muito guloso, para começar. Depois, chamuças, obviamente (4€/2 uni.). A massa estaladiça e fininha e com uma boa fritura estava merecedora de umas cinco estrelas, tal como os recheios saborosos.

A Time Out diz
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Semea by Euskalduna
© Marco Duarte
Restaurantes, Fusão

Semea by Euskalduna

icon-location-pin Flores

A menina tinha razão. O raio do vinho era bom. Um Aventura branco de 2017,
 um regional alentejano resultado de uma mistura de castas que deixava um arrasto mineral e perfumado na boca e dava vontade de soltar estalidos com a língua e sonoros “ahhhhs” no fim. Depois, o barulho da crosta do pão caseiro, feito a partir de massa mãe, a ceder à pressão aplicada pelos indicadores e polegares. Com muito ar, uma leve acidez, pedia para ser barrado com o paté de abacate e poejo que o acompanhava. Lá fora chovia, as bátegas contra a vidraça. O riso dela. Tudo isto era música para os meus ouvidos.

Houve tempos em que o meu Id e
 o meu Ego entravam em conflito em restaurantes. Se o primeiro, inato, não suporta uma data de coisas – como favas e ervilhas murchas, mel, cenoura cozida...
– o outro usa toda a sua diplomacia para o convencer a experimentar, com o objectivo de me tornar num homem mais erudito gastronomicamente, menos abrutalhado, menos esquisitinho. Mas, verdade seja dita, isto só acaba bem quando se confia no chef. E ao Vasco Coelho Santos eu deixava que ele me alimentasse a favas e cenouras cozidas. Por isso, à confiança, pedi a cabeça de xara (7€), um paté feito com as partes moles da cabeça do porco, como a língua, a pele, as cartilagens.

A Time Out diz
Casario
©João Saramago
Restaurantes, Português

Casario

icon-location-pin Ribeira

Corro o risco de ser preso, de ficar
 com um termo de identidade e residência, com uma pulseira electrónica no pé, ou pior, de levar com uma medida cautelar de afastamento e de me ver obrigado a dar uma distância mínima de 500 metros sempre que passar por um dos seus restaurantes.
 O chef Miguel Castro e Silva não sabe, mas tem um stalker, vai já para muitos anos.

Dos tempos do Bull & Bear, aqui no Porto, onde fui quando era ainda um jovem de barba rala, aos seus espaços em Lisboa, já com uma pilosidade facial mais aceitável
 no mundo dos negócios, segui-o. Foi ele que me fez gostar de favas e cheguei a levar para casa algumas das suas criações em vácuo cozinhadas a baixa temperatura, das quais foi pioneiro em Portugal. Por isso, se o Miguel tivesse uma banda, eu era uma groupie e pedia-lhe para me fazer um filho.

A Time Out diz
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EARLY Cedofeita
© João Saramago
Restaurantes, Restaurantes

Early Cedofeita

icon-location-pin Baixa

Deitar cedo e cedo erguer é uma boa ideia para quem quer apanhar as coisas deliciosas que Patrícia e Emanuel Sousa, irmãos e donos deste restaurante que abriu no Verão em Cedofeita, preparam todos os dias. O ambiente é acolhedor, com uma decoração moderna e minimalista, com toques vintage aqui e ali, e uma sala espelhada interior, mais reservada, que vale a pena espreitar. A carta também não é dada a grandes floreados. E ainda bem. É simples, boa e eficaz.

Chegámos para um pequeno-almoço reforçado. Da secção Grãos, Cereais e Frutas escolhemos uma taça de pudim de chia preparada com leite de amêndoa, meia líquida mas com uma boa consistência, mais creme de caju e adornada com uma saborosa banana da Madeira, mirtilos e sementes de papoila (4,50€). Bem boa. Ainda dessa lista pedimos as papas de arroz com leite e água de coco, mel de urze, baunilha, lascas de coco e canela (4,50€). Reconfortante, apesar de lhe faltar sabor e alegria.

A Time Out diz
Cozinha da Amélia - Arroz de Vitela
©João Saramago
Restaurantes, Português

Cozinha da Amélia

icon-location-pin Porto

Uma má companhia pode deitar tudo a perder. E a História faz questão de 
nos atirar isso à cara. Atentemos no que aconteceu a Adão e Eva, que acabaram expulsos do Paraíso; à conta de Dalila, Sansão perdeu a força e ficou sem as tranças; e a vida pouco recomendável de Clyde atirou Bonnie para um fim trágico. Se tivéssemos que contar a história deste restaurante apenas do ponto de vista dos protagonistas, dispensando os actores secundários, este teria chegado sem dificuldade às
 cinco estrelas. Ainda assim, nada foi tão dramático como os exemplos supracitados. Ninguém nos convidou a sair, mantivemos todo o cabelo na cabeça e dali fomos para casa e não desta para melhor. Mas vamos ao que interessa. A dona Amélia tinha um restaurante na Ramada Alta, mas mudou-se para o Campo Alegre onde continua a fazer felizes os seus clientes de sempre. E para sempre.

A Time Out diz
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Casa Beira Alta - Bolo de Bolacha
©Cátia Costa
Restaurantes, Português

Casa Beira Alta

icon-location-pin Campo Alegre

Falaram-me bem deste despretensioso restaurante na Boavista, portanto, meti o estômago a caminho. A refeição começou com um atendimento atencioso, se bem que um pouco exagerado, ao qual se seguiu um croquete saboroso, um rissol com um grande camarão, um bom bolinho de bacalhau e uma patanisca cheia deste peixe. Continuou com uns filetes de peixe branco (a precisar de mais tempero e mais tempo a escorrer) e com uns belíssimos rojões, muito tenros e saborosos, a especialidade da casa. Tudo rematado por uma das melhores fatias de bolo de bolacha que comi nos últimos tempos.

A Time Out diz
Senhor Zé
©João Saramago
Restaurantes, Português

Senhor Zé

icon-location-pin Santa Catarina

Sabíamos ao que íamos. 
José Canelas (sala) e Maria da Soledade (cozinha), corpo e alma da mítica Casa Nanda durante quase 40 anos (juntamente 
com a dona Fernanda, que lá permaneceu), partiram para outra aventura no final do ano passado, numa altura em que a comida tradicional portuguesa parece caída no esquecimento pelos restaurateurs. Abriram o Senhor Zé ali para os lados dos Poveiros. E o senhor Zé abriu-nos a porta com uma recepção cordial e calorosa que só sai genuína depois de muitos anos a virar frangos – apesar de não termos comido nenhum nesse dia. Entretive-me a roer a boa broa, enquanto deitava uma mirada aos recortes de revistas e jornais encaixilhados nas paredes a dar conta da abertura deste novo restaurante. Não sobrava espaço nem para mais um louvor.

A Time Out diz
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MUU - Steakhouse
© João Saramago
Restaurantes, Steakhouse

MUU

icon-location-pin Galerias

O Muu é tão bonito que o meu namorado ficou à conversa com o empregado de mesa, que entretanto se instalara no sofá ao meu lado, tecendo rasgados elogios aos rebites, às dobradiças, às chapas acobreadas, e ao impressionante trabalho que o metalúrgico fizera ao revestir parte do restaurante a metal. O resto da elegância desta steakhouse na Baixa dividia-se entre uma parede em tijolinho, a dar ares industriais; uma imponente garrafeira iluminada, com uma grande oferta de vinhos; uns opulentos pedaços de carne em maturação, numa vitrina sobre a cozinha aberta, e outros pormenores. A minha meia hora a decidir o que vestir para o jantar foi em vão, pensei. E aceitei que naquela noite havia muito mais para onde olhar. Depressa a nossa atenção recaiu sobre o que começou a chegar à mesa.

A Time Out diz
BOP
© João Saramago
Restaurantes, Cafés

BOP

icon-location-pin Baixa

Fomos de férias para um sítio remoto onde comer e dormir eram práticas diárias comuns entre os hóspedes. O calor abrasador,
 a parca oferta cultural (à
 parte dos animadíssimos arraiais para emigrantes) e 
os bons restaurantes da zona foram o cocktail ideal para regressarmos à base mais pesados. O fruto do meu excesso instalou-se nos quadris, o dele na barriga. Jurámos que voltaríamos
 ao ginásio e que nos próximos tempos só comeríamos verdes 
e grelhados. Projectadas as expectativas, fomos almoçar ao BOP e saímos de lá a rebolar, a amaldiçoar a gula desenfreada, e a fazer novas juras em cima das anteriores. O BOP tem poucas mesas. Em contrapartida tem uma colecção de vinis digna de reverência (a banda sonora é feita com a ajuda de um gira-discos e depende muito do estado de espírito do funcionário no dia). Também tem uma lista de cervejas simpática e serve um café 100% arábica.

A Time Out diz
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Gion
©Marco Duarte
Restaurantes, Japonês

Gion

icon-location-pin Baixa

Há quem dobre a roupa interior por cores, ou esfregue os dentes 37 vezes de cada lado. Em cima e em baixo. O meu transtorno obsessivo-compulsivo não é tão minucioso mas é a fraqueza perfeita para me tornar o alvo de chacota da Rita, a minha mulher, que, mal entrou no Gion, não perdeu a oportunidade. “Tens a certeza de que queres comer aqui? Não te vais sentir mal? Se calhar era melhor fazeres jejum. Não te fazia mal nenhum fazeres jejum.” As mesas estavam enviesadas em relação à parede e, adepto da simetria, não suporto coisas que não estejam paralelas. Suei frio enquanto descia as escadinhas (dissimuladamente, claro, para não dar parte de fraco), e as mesas desalinhadas (para que coubessem mais porque o espaço é pequeno) foram rapidamente esquecidas à conta do bom atendimento. Rápido, atencioso e informado, foi dos melhores nos últimos tempos.

A Time Out diz
Pedro Limão
©DR
Restaurantes, Cozinha contemporânea

Pedro Limão

icon-location-pin Bonfim

Há uns anos, à saída de um restaurante com estrela Michelin, perguntei ao chef, que se despedia dos clientes à porta, se ele tinha deitado MDMA na comida. O meu estado de excitação e de alegria era tal que ponderei seriamente a hipótese de me terem drogado a refeição. A resposta foi um não, obviamente, portanto atribuí a felicidade que sentia ao incrível menu de degustação dessa noite e à brilhante harmonização que o escanção fizera com os pratos. Desde então já me sentei à mesa de muitos
 e bons restaurantes, que me serviram coisas incríveis e que me ensinaram outras tantas. Em quase todos sabia ao que ia, por isso, a surpresa era expectável. Mas numa destas sextas-feiras quentes à noite, e sem ter dado um aviso prévio ao meu sentido retronasal, fui jantar a um simpático restaurante, com poucas mesas,
 ali para os lados do Bonfim, e saí de lá como se tivesse embarcado numa bela trip.

A Time Out diz
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Casa Ferreira
© Marco Duarte
Restaurantes, Português

Casa Ferreira

icon-location-pin Cedofeita

Sempre gostei da Casa Ferreira. Não apenas da comida, muito caseira, muito boa, mas do conjunto em si. Daquele serviço atencioso e rápido, do sítio com paredes de pedra e sempre cheio de locais ao almoço, do balcão de entrada onde se ajustavam as contas e, volta e meia, se bebia um digestivo. A nova Casa Ferreira não tem este encanto. A mudança para a Rua do Breiner trouxe-lhe talvez o dobro do espaço e, ao que parece, pelo menos à hora do almoço, menos gente. As conversas dos outros ouvem-se mais, as mesas do principio da sala ficam ocupadas e lá ao fundo há um vazio - suponho que os grupos da noite dêem conta do recado. Quanto à comida, garante o actual dono, filho do fundador, está tal e qual na mesma. "É a minha mãe que cozinha. Os pratos são iguais".

A Time Out diz
Brick Clérigos
© João Saramago
Restaurantes, Europeu contemporâneo

Brick Clérigos

icon-location-pin Baixa

Os restaurantes com mesas comunais podem ser perigosos. Ainda no outro dia, sentou-se ao meu lado um indivíduo enorme que passou o tempo a dar-me cotoveladas e a falar da ciência do Insterstellar como se a sua amiga estivesse do outro lado da sala. Acontece. O mais comum, no entanto, é que as pessoas façam um esforço por serem civilizadas, e por vezes há até encontros felizes e cruzam-se conversas e as interações prosseguem porta fora. É o convívio, é a partilha, é bonito. Ora este Brick tem porventura a mesa comunal mais bonita do país, um grande rectângulo de madeira no centro do qual poisam flores, tachos, boiões. O espaço é luminoso, rústico e sofisticado, um cruzamento de monte alentejano com Notting Hill, com a cozinha aberta, logo ali. É de lá que vêm os pratos, quem cozinha muitas vezes é quem serve. O quê?

A Time Out diz
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Almeja
© João Saramago
Restaurantes, Português

Almeja

icon-location-pin Baixa

Eu bem tento ser um homem elegante. Encostado a uma das laterais do guarda-roupa há um fato que todos os dias me desafia: “Quando é que me voltas a vestir, seu gordo?”. Há uns dias enchi-me de coragem e enfiei-me dentro dele. A minha mulher perdeu-se de riso e, antes que tivesse oportunidade de me tornar num alvo da sua chacota, convidei-a para jantar. E a Rita, habituada a ver-me sempre mal-amanhado, nem se importou de sair à rua com um boneco da Michelin. Arranjei estacionamento à porta do Almeja numa sexta-feira à noite (estava com uma sorte dos diabos), mas o casaco apertado restringia-me os movimentos, pelo que só à terceira tentativa é que consegui enfiar 
o carro no lugar.

A Time Out diz
Il Pizzaiolo
© Marco Duarte
Restaurantes, Pizza

Il Pizzaiolo

icon-location-pin Galerias

Sempre fui uma pessoa de constituição magra, mas há uns dez anos, a estudar em Itália, consegui a proeza de engordar sete quilos em quatro meses. E convenhamos, agora que olho para as fotografias, a semelhança entre a minha pessoa e uma alheira com a pele a estalar é por demais evidente. A um quarteirão de distância da minha casa existia uma trattoria, uma espécie de adega, chamada Posto al Sole. Lá faziam-se as melhores pizzas napolitanas da cidade, de massa fina, bordas grossas, ingredientes frescos, tudo regado com um fio de azeite ácido a rematar. Desde então (uma década!), a minha sina tem sido procurar uma massa de pizza como aquela. Fui uma primeira vez ao Il Pizzaiolo quando abriu.

A Time Out diz
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Typographia Progresso
© João Saramago
Restaurantes, Restaurantes

Typographia Progresso

icon-location-pin Flores

Perguntaram-nos se queríamos o couvert, uma gentileza que não se encontra em todos os lugares. Na maior parte dos sítios espetam-te com ele à frente e se respirares sobre o cesto debitam-te sumariamente o conteúdo na conta. Mas aqui, comer o couvert deveria ser uma imposição. Como a sopa, quando somos pequenos. Enquanto não rapares o prato, não há bife ou sobremesa para ninguém. O pão do Typographia Progresso do chef Luís Américo, que é uma espécie de rei Midas, já que transforma em ouro tudo em que toca – basta ver os casos de sucesso do restaurante Cantina 32 e do Puro 4050, que recebeu cinco estrelas de um dos críticos da Time Out –, é artesanal e feito ali mesmo, como fizeram questão de me garantir. Barrei um pouco de manteiga de alho negro e paprica sobre um pão de batata doce fofo e saboroso, ainda quente. Não mentiam sobre
 a qualidade do couvert.

A Time Out diz
O Golfinho
©João Saramago
Restaurantes, Português

O Golfinho

icon-location-pin Baixa

O almoço de uma segunda-feira chuvosa e lamurienta pede uma francesinha e uma fatia de pudim
 para levantar o moral. Fomos a’O Golfinho, com um balcão corrido, meia dúzia de mesas e pouco mais. Mas escassez
 só no espaço, porque a comida veio bem servida. A boa francesinha trazia um molho mais fino do que o habitual, mas agradável, fatias de pão torradas, linguiça saborosa e um ovo estrelado com a gema a escorrer. As batatas fritas podiam estar mais secas, mas o cérebro agradeceu a gordura extra. Quanto ao pudim caseiro, estilo francês, com gemas e vinho do Porto, foi o remate feliz numa refeição que tornou a vida um pouco mais tolerável.

A Time Out diz
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Nogueira's Porto
© Marco Duarte
Restaurantes, Steakhouse

Nogueira's Porto

icon-location-pin Galerias

As mulheres não têm sempre razão. A Rita, a minha, dona de um nariz empertigado, mas adorável, cheio de sardas, comunicou-me que ia fazer um detox. Assim, consummatum est. Portanto, se eu quisesse comer, eu que cozinhasse, porque dali em diante ela iria beber couves e acelgas através de uma palhinha. Não a tentei demover, obviamente, porque a esta altura do campeonato um homem deve poupar o pouco latim que lhe resta. Mas fiz-lhe saber que achava má ideia, na esperança de sacar de um “eu avisei-te” mais tarde. Na terça-feira ao fim do dia ligam-me do ginásio. A Rita tinha tido uma quebra de tensão durante uma aula de air fit não sei quê e caíra redonda no chão. Dramática, quando lá cheguei parecia que lhe tinham roubado um rim. “Carne, mulher, uma pessoa precisa de carne”, disse-lhe no carro a caminho de casa. E no Nogueira’s Porto, o restaurante de uma família que começou a vender churrasco na década de 90, havia de sobra.

A Time Out diz
Mundo - Restaurante
© Marco Duarte
Restaurantes, Global

Mundo

icon-location-pin Baixa

No início é uma alegria. Vamos viajar, ver o mundo, ser eternamente jovens. Depois há hipotecas para pagar ao banco, contas da luz astronómicas, berros da canalha e o mundo fica a ver-se por um canudo. Esquece lá a viagem ao Japão, a escapadinha a Itália, ou o jantar de sexta com os amigos da bola. Tudo parece muito mais complicado do que passar um camelo pelo buraco de uma agulha. Por isso, depois de muito queixume de que “já não íamos a lado nenhum”, levei a Rita a ver o Mundo. Este restaurante, com a mão de Carlos Bravo e José Ribeiro, donos da Casa de Pasto da Palmeira e do LSD, e com a consultoria 
do chef João Pupo Lameiras, é um dos lugares mais animados da Baixa nas noites que correm.

A Time Out diz
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ikeda
© Cláudia Paiva
Restaurantes, Japonês

Ikeda

icon-location-pin Campo Alegre

Reza a história que o químico Kikunae Ikeda teve uma epifania enquanto sorvia ruidosamente (como devem ser ingeridos os caldos japoneses) o seu dashi ao jantar. Naquela noite de 1907, espantou-se quando percebeu que a comida estava mais saborosa do que era costume por causa da adição de kombu ao prato. Daí até começar a estraçalhar esta alga em laboratório foi um instante e o resultado foi a descoberta do ácido glutâmico, responsável pelo quinto gosto: o umami, que é também a palavra-passe para aceder à internet deste restaurante. A casa é bonita, decorada com painéis 
em madeira, cerâmicas cuidadas em cima das mesas e até os pauzinhos delicados diferem dos que se vêem na maior parte dos restaurantes asiáticos da cidade.

A Time Out diz
Mito
© João Saramago
Restaurantes, Fusão

Mito

icon-location-pin Baixa

Antes de cruzarmos a ombreira da porta éramos dois tântalos esfomeados. Duas personificações do filho de Zeus que, diz a mitologia grega, foi sentenciado ad aeternum a ficar com fome e sede, amarrado a uma árvore, num vale abundante em vegetação e água. Sempre que Tântalo tentava colher os frutos das árvores, os ramos afastavam-se. Sempre que tentava beber água, ela fugia. No Mito, o primeiro restaurante do chef Pedro Braga, que passou pelas cozinhas do Reitoria e do Tenra antes de embarcar nesta aventura a solo, perceberam isso assim
 que entrámos e, antes que nos desse uma fraqueza, o serviço, atencioso, foi dos mais rápidos que já presenciei no Porto.

A Time Out diz
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© João Saramago
Restaurantes, Vegetariano

Época Porto

icon-location-pin Cedofeita

O Época Porto funciona como todas as coisas na vida deveriam funcionar. Na verdade, este restaurante deveria ser uma espécie de bitola para o mundo. Por exemplo: a carta é curta, resume-se a três ou quatro opções que mudam diariamente. O stress fica lá fora, o ambiente neste espaço marcadamente escandinavo – influenciado, talvez, pela temporada que o casal à frente do projecto passou na Dinamarca – convida a relaxar com uma playlist cuidada e livros de gastronomia sobre as mesas. E tudo o que Liliana Alves e Tiago Teixeira lhe põem à frente é feito com produtos da época, maioritariamente biológicos. Por isso, não é de admirar que estivesse cheio ao almoço, com gente de várias idades e diferentes tribos urbanas.

A Time Out diz
A Viela
©Marco Duarte
Restaurantes, Português

A Viela

icon-location-pin Campanhã

A Viela, perto da estação de Campanhã, é mais cantina social do que tasca. E isto não é, de forma alguma, mau. Estava à pinha, por isso dividimos a mesa com um casal de velhotes. Optámos pelo bife da casa, servido sem opção entre o médio e o bem passado, acompanhado por umas boas batatas fritas cortadas à mão e um arroz sequinho. Para sobremesa, um pudim de ovos caseiro que não desiludiu. Não sendo estrela Michelin, matou a fome e, por 6€, ainda deu direito a bebida e café.

A Time Out diz
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Cafeína
©DR
Restaurantes

Cafeína

icon-location-pin Foz

Uma das coisas que eu e a Rita mais gostamos de fazer é admirar a fauna dos sítios que frequentamos. Não que sejamos um par modelo, bem comportado à mesa, cheio de etiqueta e boas maneiras, digno 
de imitação. Ainda há bem pouco tempo fomos ao Terminal 4450 e ela partiu-se a rir quando me agarrei ao osso do tomahawk que nos serviram, como se fosse um homem das cavernas depois de um extenuante dia de caça. Desmanchou-se a rir. E eu senti que naquela noite a minha meta de a fazer feliz estava cumprida. Há uns dias fomos jantar ao Cafeína de Vasco Mourão e ficámos a aguardar mesa junto ao balcão onde um casal de meia idade, bem-posto, bebia delicadamente flutes de espumante.

A Time Out diz
Adega São Nicolau
© Cláudia Paiva
Restaurantes, Português

Adega São Nicolau

icon-location-pin Ribeira

Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz. Não concordo com “As Regras da Sensatez” cantadas por Rui Veloso, sempre achei a letra da canção muito deprimente, mas confesso que quase tive de dar a mão à palmatória neste caso. A Adega São Nicolau é um daqueles lugares que fazem as pessoas felizes por antecipação. Como, por exemplo, quando a menina que atende o telefone aceita uma reserva para duas pessoas ao almoço. Assim 
que desligamos a chamada,
 o corpo transforma-se num autómato, deixa de conseguir pensar no trabalho, e foca-se nos bons bolinhos de bacalhau, estaladiços, quentes, quase a queimar a língua, cheios deste peixe, que antecedem a refeição. A comida estava boa como sempre.

A Time Out diz
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Casa dos Presuntos o "Xico"
©Marco Duarte
Restaurantes, Português

Casa de Presuntos "Xico"

icon-location-pin Bonfim

Não sei do que gostei mais. Se dos canários a chilrear em gaiolas à entrada, se dos rojões suculentos, mergulhados num molho guloso a saber a cominhos. Não sei se gostei mais das fatias fininhas de salpicão de Cinfães, se do atendimento afável. Se dos cubinhos melosos de queijo de Celorico da Beira ou da decoração da casa, cheia de presuntos vindos de Castelo Branco pendurados sobre o balcão. Não sei se gostei mais da boa bola, doce e bem recheada, se dos 15€ que paguei para duas pessoas. Mas uma coisa é certa, gostei de tudo o que lá havia.

A Time Out diz
BAO'S - taiwanese burger
© João Saramago
Restaurantes, Taiwanês

BAO'S – Taiwanese Burger

icon-location-pin Cedofeita

Às sextas-feiras à noite temos um acordo. Fingimos que somos namorados outra vez e saímos para jantar. Enquanto trato da barba, a Rita faz uma trança. Enquanto ela escolhe o vestido, eu tento não ir para a rua com um sapato de cada nação. Desta vez fomos ao Bao’s – Taiwanese Burger, na Rua de Cedofeita, especializado em baos, uns pãezinhos taiwaneses recheados e cozinhados a vapor. Temos este fraquinho pela comida asiática. Desde o início. Conheci-a num restaurante em Lisboa de pho, que se dedica a preparar robustas sopas vietnamitas. Lembro-me como se fosse hoje.

A Time Out diz
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Zenith Brunch & Cocktails
©João Saramago
Restaurantes, Cafés

Zenith Brunch & Cocktails Bar

icon-location-pin Baixa

O Tinder é muito engraçado: as pessoas instalam a app no telemóvel na esperança de comerem ou serem comidas. Primeiro, uma troca de mensagens, depois um convite para jantar. E se o repasto correr bem, vão lambuzar-se para outro lado. Comer é, definitivamente, o verbo mais conjugado nas relações modernas. Foi no Tinder que o conheci e, e uma das coisas que mais me atraiu na conversa dele, foi ter-me dito, lá para a terceira mensagem, que era “um bom garfo”. Passámos, desde essa altura, a conjugar o verbo sempre democraticamente e no presente do indicativo.

A Time Out diz
O Afonso
©Marco Duarte
Restaurantes, Português

O Afonso

icon-location-pin Porto

– é desta, car*%#?, liga-me o Zé, esfomeado e já sem paciência.
– ‘Tá bem, pá. Encontramo-nos à porta’.

Desde que o restaurante 
O Afonso, ali em Cedofeita, apareceu no Parts Unknown, o programa do Anthony Bourdain, o gajo não me larga para lá
 irmos fazer uma crítica. Admito que o episódio me despertou 
a curiosidade para aquela francesinha rechonchuda mas, quem me conhece, sabe que
 sou fiel como um cão a uma outra desta cidade. Somos uma espécie de amantes, eu dou-lhe umas dentadas e ela enche-me de prazer. Por isso, fui a arrastar-me para o restaurante, a sentir-me um pulha que trai um amor de anos. Ele estava ao balcão, de fino na mão e numa excitação. 
Eu, sentia-me um puto desconfortável que tenta ignorar uma mulher bonita, evitando olhar para a chapa onde o pão torrava e os bifes cozinhavam languidamente.

A Time Out diz
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Esquina do Avesso
©João Saramago
Restaurantes, Petiscos

Esquina do Avesso

icon-location-pin Leça da Palmeira

Sempre achei que a mais-valia da gastronomia do Porto (e arredores) estava na cozinha tradicional. Achei e acho. Nos últimos 15/20 anos assistiu-se à entrada da cozinha dita de autor e nos últimos 4/5 ela massificou-se. Como em muitos casos de massificação, não correu bem a todos os aventureiros. Hoje em dia é frequente ver restaurantes abrir e fechar em seis meses, chefs rodarem de uma casa para outra noutros tantos meses e muitos negócios megalómanos com cozinhas ambiciosas espetarem-se contra a parede. Porque tal como a cozinha tradicional, é preciso ter mãos e ideias para fazer cozinha de chef. Por isso, quando se trata de pôr na balança as duas linhas de cozinha, no Porto, salvo algumas excepções (que têm vindo a aumentar em número ao longo do tempo), a tradicional pesa mais.

RO
© João Saramago
Restaurantes, Japonês

RO

icon-location-pin Aliados

Uma das coisas boas que a internet deu ao mundo foi o YouTube. E uma das coisas boas que o YouTube deu ao mundo foi a resposta, em vídeo, a qualquer coisa que se lhe pergunte sob as palavras “how to”. Desde montar móveis específicos do IKEA a comer Kit Kat como as manas Kardashian (1m47s com quase dois milhões de visualizações), desde tutoriais de beijos a, e é isto que me traz aqui hoje, comer ramen como deve ser. Para quem nunca o fez na vida (eu própria até há quatro ou cinco anos), recomenda-se uma passagem pelo YouTube antes de uma ida ao RO, numa transversal aos Aliados.

A Time Out diz
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O presunto é servido com broa de Avintes.
© João Saramago
Restaurantes, Português

Casa Louro

icon-location-pin Santa Catarina

Tivesse aberto na segunda 
década dos anos zero por 
um grupo de investidores
 gastronómicos e o nome seria, 
é provável, presuntaria. O dito 
presunto é a especialidade 
desta casa tradicional, gerida 
por portistas, onde as gentes
 se encostam ao balcão a comer presunto vindo de Chaves, Felgueiras ou Amarante. Tanto é servido simples para comer
 à fatia, como com broa de Avintes, como em excelentes sanduíches, num pão de água simples mas estaladiço, com um bloco generoso de fatias de presunto. Ao mesmo nível estava a sopa juliana que comi lá no outro dia, com as couves e os legumes mergulhados num caldo intenso (pareceu-me ser feito de ossos – do presunto?), nada espesso.

A Time Out diz
Sandes de bifana bem generosas.
© João Saramago
Restaurantes, Português

O Astro

icon-location-pin Campanhã

É um clássico de Campanhã e uma razão válida para
 querer perder o comboio. Uma tasca na verdadeira acepção 
da palavra, no interior com um balcão e uma só mesa, na rua, uma esplanada patrocinada por uma marca de bebidas. Na janela que dá para a rua está o mais importante da casa: uma frigideira sempre ao lume, com um molho a fervilhar, onde
 o dono se vai abastecer de carne de porco, cortada fina, para edificar as exímias bifanas.

Nota-se a cada trinca um leve
 sabor a vinho, alho e louro, e nota-se algum picante. O pão embebe ligeiramente o molho, mas é um belíssimo exemplar da espécie, com a carne a desfazer-se na boca. Muito boas também as moelas, tenras, servidas com uma bola de água ao lado, engraçados os rissóis, fresquíssimos os finos. Recomenda-se este O Astro.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

A Time Out diz
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As mariazinhas da Ó Maria
© João Saramago
Restaurantes, Restaurantes

Ó Maria

icon-location-pin Porto

Sempre que passo à porta do Ó Maria fico com a sensação de que o sítio está vazio – e está, de facto, muitas vezes vazio. Depois, quando lá vou fico com a sensação que o sítio está vazio porque é grande de mais. "Marta, isso não existe!" Olhe que existe. O restaurante, que ocupa uma esquina da Rua da Conceição, é tão grande que se torna frio e impessoal. Não fosse ter descoberto a simpatia de quem atende e a qualidade das sanduíches, e continuaria a ser um daqueles casos que só de olhar lá para dentro, me dava um aperto no coração [um crítico também tem sentimentos, bolas]. Ao fim de quase dois anos de vida a passar ali semana sim, semana não, decidi dar uma oportunidade.

A Time Out diz
Casa Expresso
©João Saramago
Restaurantes, Português

Casa Expresso

icon-location-pin Baixa

Nota Prévia: a Expresso aqui referida é a Casa Expresso e não o Restaurante Expresso, vizinho do lado, com ligação no interior. E estas quatro estrelas são dadas sobretudo às sandes da tasca
– como diz a juventude, uma tasca com T grande, a cheirar a vinho quando se entra, balcão em inox com gente encostada a beber uns copos e a comer salgados todo o dia. Valem para as incríveis e bojudas sandes de rojões, para as de panado de porco e de fígado de cebolada, e também para a mousse. Ao almoço há propostas como o pratinho de feijoada a 4€ (uma pratada infinita, aliás), alheiras com ovo e outros pratos tradicionais. Uns melhores que outros. Mas tudo a preços pré-crise.

A Time Out diz
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Casa Ferreira
© Marco Duarte
Restaurantes, Português

Casa Ferreira

icon-location-pin Cedofeita

Sempre gostei da Casa Ferreira. Não apenas da comida, muito caseira, muito boa, mas doconjunto em si. Daquele serviço atencioso e rápido, do sítio com paredes de pedra e sempre cheio de locais ao almoço, do balcão de entrada onde se ajustavam as contas e, volta e meia, se bebia um digestivo. A nova Casa Ferreira não tem este encanto. A mudança para a Rua do Breiner trouxe-lhe talvez o dobro do espaço e, ao que parece, pelo menos à hora do almoço, menos gente. As conversas dos outros ouvem-se mais, as mesas do principio da sala ficam ocupadas e lá ao fundo há um vazio - suponho que os grupos da noite dêem conta do recado.

A Time Out diz
Pisca
©João Saramago
Restaurantes, Português

Pisca

icon-location-pin Foz

Não quero dar ideias estapafúrdias, nem complicar a vida aos residentes da Foz, mas se cortassem o trânsito na zona do Passeio Alegre, a Cantareira teria tudo para se tornar the next big thing. O sítio é bonito, a vista é belíssima e qualquer restaurante que se monte ali, com uma comida decente, tem tudo para correr bem. Vou muito à Casa de Pasto da Palmeira, várias vezes fico na esplanada e nunca gostei de ver os carros a passar à frente. Interrompe a conversa, distrai os comensais. Preferia que fosse tudo um empredrado com esplanadas bonitas. Enquanto isso não acontece (será que vai acontecer um dia?), fiquemo-nos pelo que já existe. E o que existe é este Pisca.

A Time Out diz
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Antiqvvm
©DR
Restaurantes, Europeu contemporâneo

Antiqvvm

icon-location-pin Massarelos

Uma nota acessória. Os colegas do guia Michelin que avaliam os restaurantes em Portugal apreciam duas coisas: música de elevador e menus cheios de estrangeirismos culinários anglo-franceses. Talvez por isso haja restaurantes que façam por cumprir os requisitos, mesmo que não precisem. Há umas semanas, num jantar no The Yeatman, que ganhou a segunda estrela, foi um concerto inteiro para casais aborrecidos, pontoado por descrições orais capazes de dar cabo da memória até de um indivíduo que nunca fumou canabinóides. Agora, no Antiqvvm, quase o mesmo. Horas a ouvir smooth radio nhó nhó e empregados a debitar informação culinária como se fosse uma lengalenga.

A Time Out diz
Namban Oporto Kitchen Café - Sopa
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Japonês

Namban Oporto Kitchen Café

icon-location-pin Baixa

Nem todos os restaurantes estão obrigados à mesma rapidez no serviço.

1. Num fine dining, com contas superiores a 50€ por cabeça, tem de ter qualquer coisa na boca dez minutos depois de assentar o rabo na pele de antílope.

2. Num restaurante normal, de almoço, mais de 20 minutos e é bom que pergunte ao empregado se se esqueceu do pedido.

3. Num McDonald’s, por sua vez, são dois minutos desde que a jovem de chapéu ridículo o cumprimenta até ter o tabuleiro nas mãos, mais do que isso e ganha direito a indemnização e queixa na Unicef. Tudo isto é relativamente pacífico.

Mas depois há o Namban. E o Namban não se parece com nada.

A Time Out diz
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Boulevard Burger House - Chicken Wings
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Hambúrgueres

Boulevard Burger House

icon-location-pin Cedofeita

Quando o empregado de um restaurante vê alguém a chegar pelas 14.30 muitas vezes transforma-se naquele central do Real Madrid que não fala espanhol. Quando isso acontece num sítio de hambúrgueres e o cliente decide começar por pedir umas asinhas de frango de barbecue, a reacção pode descambar para um empratamento com fluídos bocais. Na Boulevard da Adolfo Casais Monteiro, lugar americanado a pedir Instagrams, não aconteceu assim. Numa visita tardia e solitária, a rapariga fez um sorriso tranquilo e a sorrir avisou: “A nossa dose de asinhas é composta por 12 unidades”. Eu respondi: “Tudo bem”.
 E a seguir pedi um hambúrguer com bacon.

A Time Out diz
Cozinha do Manel
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Português

A Cozinha do Manel

icon-location-pin Bonfim

Vamos jogar ao “Adivinhem 
que figura pública não aparece retratada nas paredes de
 A Cozinha do Manel?” Eu faço de Fernando Mendes, campeão de concursos sem preço e de galerias de fotos de restaurantes (presente também neste, obviamente). Vou dando umas ajudas. Pensem numa grande figura do Porto.- Pinto da Costa? Rui Moreira? Não acertou. Ambos estão em fotos nas paredes deste magnífico restaurante do Bonfim. Ok, agora uma personalidade do jet set mas que também se assuma como um intelectual.- Margarida Rebelo Pinto? Errado. Aparecem logo no corredor da entrada. Apontemos então para cima, primeiros-ministros?

A Time Out diz
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Mondo Deli - Salmão Marinado com Beterraba
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Fusão

Mondo Deli

icon-location-pin Baixa

Sou fã de mesas corridas. Quando o Casanova inaugurou o conceito, em Lisboa, a coisa foi controversa. Alguns espíritos urbanos sentiam-se devassados na sua privacidade ou incomodados com o exibicionismo dos vizinhos. As minhas experiências foram sempre interessantes. Logo numa das primeiras refeições comunais, lembro-me de ficar ao lado de uma actriz conhecida que relatava intimidades coloridas de colegas de telenovela. Entretenimento do bom. Noutra altura, foi um grupo de holandeses em férias no Porto a dar-me uma lição sobre ervas psicotrópicas (em troca, mostrei-lhes o que deixa os portugueses malucos: bacalhau). Formação para a vida.

A Time Out diz
Belos Aires
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Steakhouse

Belos Aires

icon-location-pin Baixa

No meu imaginário, e na minha reduzida experiência de restaurantes 100% argentinos (alguns numa curta passagem por Buenos Aires), pensar num restaurante de alma argentina leva-me de imediato para dois cenários: um sítio grande, em estilo de barracão, com madeiras escuras – calma, não estou em delírio a pensar no Chimarrão – e em grelhas à vista dos clientes, com muitos homens à volta, legumes lado a lado com carnes e salsichas, o lume bem quente. Talvez seja estúpido, talvez só aconteça comigo (ou há por aí algum leitor que me acompanhe nesta panca?), mas onde quero chegar é a um só ponto: esperava tudo deste luso-argentino, tudo menos umas mesas de madeira amorosas, com almofadas igualmente amorosas, pequeninos jarros de flores a enfeitar algumas prateleiras, uma micro-esplanada (óptima, note-se), a respirar a palavra amoroso por todo o lado.

A Time Out diz
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daTerra Baixa
©DR
Restaurantes, Vegetariano

daTerra Baixa

icon-location-pin Flores

Primeiro ponto indiscutível
 sobre o DaTerra, na Mouzinho
 da Silveira: o espaço é dos bons. Tiro o chapéu a quem decidiu envidraçar uma das paredes quase até ao chão e a quem o decorou sem pretensiosismos, só com mesas de madeira. Tiro também o chapéu a quem todos os dias monta o buffet colorido, tornando o repasto bem apetecível. Segundo ponto, desta vez discutível: a comida. Não fiquei altamente impressionado com tudo o que já lá comi, há algumas ajustes a fazer, mas no geral, e tendo em conta a variedade, o sabor dos pratos e o preço do buffet (9,90€ ao jantar e 7,50€ ao almoço), compreendo que esteja sempre cheio e que as pessoas, como eu, voltem.

A Time Out diz
Taberna Santo António
© João Saramago
Restaurantes, Português

Taberna Santo António

icon-location-pin Baixa

Uma conversa recente sobre a qualidade dos restaurantes tradicionais do Porto e o receio de que a gourmetização subisse à cabeça de alguns empresários da área e fizesse estragos dos grandes fez-me voltar a um clássico da cidade onde sou sempre bem recebido e servido. Eu, qualquer cliente habitual, qualquer estreante ou qualquer turista – aqui fala-se, por exemplo, francês na ponta da unha. 
A casa está invariavelmente cheia, a Dona Hermínia está invariavelmente bem-disposta (recebe, conversa e mantém a cozinha debaixo de olho) e o balcão das sobremesas está sempre bem recheado. Tão bem que dá vontade de ignorar tudo o que são salgados e fazer da refeição um grandioso pijaminha de doces.

A Time Out diz
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Terminal 4450 - Black Angus
© João Saramago
Restaurantes, Steakhouse

Terminal 4450

icon-location-pin Leça da Palmeira

Tenho um bom amigo, que me costuma acompanhar nestas andanças, e com o qual perco longas horas a falar de comida, a trocar impressões sobre detalhes de pratos e a discutir refeições passadas, presentes e futuras. E quase sempre que acabamos um jantar ou almoço num sítio novo, eu faço-lhe a mesma pergunta: ‘’Voltavas?’’ Ora se faço esse exercício com ele, obviamente que faço comigo. Voltavas Francisco? É que isto da crítica Time Out, gostam sempre de me relembrar os senhores que me desafiaram a escrever, envolve a comida, o espaço, o serviço, o ambiente, blá, blá, blá. Por isso, ponho as coisas na balança e avalio bem antes de me atirar com certezas para as estrelas.

A Time Out diz
Wish Restaurant & Sushi - Sushi
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Japonês

Wish Restaurant & Sushi

icon-location-pin Foz

O nome soava-me a algo pretensioso: Wish. O apelido fazia pensar que dali não vinha nada de bom: Restaurante & Sushi. Assim mesmo com “e” comercial, numa mistura de cozinhas que me deixam sempre desconfiado. Sou assim, nunca vi com bons olhos esta mania dos restaurantes quererem ser os faz-tudo da comida. É raro, raríssimo, conseguir jogar-se bem em dois campeonatos. E neste sítio, pelos preços altos que pediam, pelo espaço que era, uma bonita sala na Foz Velha, mais temia que os pratos não estivessem à altura
do conceito. Bem sei que a ideia funcionava nos tempos do extinto Shis, e que a equipa do Wish não é muito diferente: o mesmo chef, António Vieira e o mesmo sushiman, Miguel Fragoso.

A Time Out diz
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Peebz - Hambúrguer Peebz
© João Saramago
Restaurantes, Hambúrgueres

Peebz

icon-location-pin Foz

Espero não me arrepender amargamente daquilo que vou dizer, mas aqui vai: enquanto abrirem hamburguerias com a qualidade do Peebz no Porto, a praga dos hambúrgueres pode continuar a atacar as ruas da cidade. Vou mais longe: se este simpático restaurante da Foz se quiser expandir para o centro da cidade eu vou lá, de propósito, recebê-lo de braços abertos. E comer, claro.
 Há muito tempo que não provava um hambúrguer tão bom, com um equilíbrio tão certo entre um pão adocicado, carne de qualidade e ingredientes frescos. Até as batatas estavam no ponto: bem fritas, sem se sentir o óleo, crocantes, algumas ainda com casca nas pontas.

A Time Out diz
Porto Meu
©João Saramago
Restaurantes, Petiscos

Porto Meu

icon-location-pin Baixa

Já não se aguentam restaurantes com “alheira em cama de grelos” no menu. Quase tudo o que é taberna moderna de petiscos tem a sua alheira em cama de grelos. Percebe-se porquê. Alheira é bom e nem sal precisa. É só pôr lume e depois sofisticar o prato com um nome de escola de hotelaria. Dito isto, alguns restaurantes conseguem dar cabo de uma coisa destas. E o Porto Meu é um deles. Numa visita recente ao restaurante da Rua da Picaria,
 o enchido vinha com a pele mole e sem cama nem colchão. Os grelos surgiram no meio da alheira – uma entrada (!!) desoladora, feia e quase tão fria como o espaço
 (a única fonte de calor da sala principal, nas traseiras do restaurante, parecia vir de um aquecedor de esplanada).

A Time Out diz
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República dos Cachorros
Fotografia: Cláudia Paiva
Restaurantes, Cervejarias

República dos Cachorros

icon-location-pin Baixa

Devo começar por dizer que não fui pela primeira vez à República dos Cachorros para escrever estas linhas. Sou um cliente habitual da casa. Habitual e habituado à correria dos empregados. Eficientes e rápidos, como se quer. Ora sempre que lá fui comi a mesma coisa: o tradicional cachorro. Salsicha fresca, linguiça, queijo, uma leve gordura amanteigada e molho picante, o pão estaladiço, cortado em bocadinhos. Divinal. Bem sei que não foram os primeiros da cidade, que há outros muito bons, mas não vim para aqui entrar em discussões – sim, sim, sei que isto é tema para dar discussão. Até porque há mais na República dos Cachorros do que o tradicional cachorro.

A Time Out diz
Pizza a Pezzi - Patate
©Marco Duarte
Restaurantes, Pizza

Pizza a Pezzi

icon-location-pin Baixa

Fui dos que rejubilei com a abertura do Pizza a Pezzi no Porto. Não que conhecesse o negócio de algum lado (sabia que existia em Lisboa), mas a ideia de haver um sítio que vendesse pizzas al taglio à moda de Itália, soava-me bem – provei algumas quando estive lá de férias. Costumo até gostar mais das pizzas de massa fina e estaladiça, mas estas, com uma base mais grossa, não lhes ficam atrás. Aliás, grossa, no caso do Pizza a Pezzi, não é sinónimo de massuda. É, isso sim, sinónimo de estaladiça. O que sobressai no caso, são os ingredientes de qualidade. Pude comprová-lo na excelente pizza de abóbora e mozzarella.

A Time Out diz
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Taberna dos Mercadores
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Português

Taberna dos Mercadores

icon-location-pin Ribeira

Já andava há algum tempo a tentar jantar na Taberna dos Mercadores. Tentei marcar mesa duas ou três vezes, para o próprio dia, e a resposta era sempre a mesma: “desculpe mas não temos. Por acaso conhece o nosso espaço? É que é pequeno.” De facto não conhecia. Sabia que era pequeno, mas não minúsculo. Nunca imaginei que enchesse com pouco mais de 16 pessoas. Achei que as mesas esgotavam graças à genealogia da casa: é dos mesmos donos da Adega de São Nicolau, essa instituição portuense da qual sou fã assumido. Por isso mesmo, quando consegui finalmente marcar mesa (com dois dias de antecedência), numa quente noite de Agosto e com a Ribeira a transbordar de turistas, senti-me um sortudo.

A Time Out diz
Antunes
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Português

Antunes

icon-location-pin Baixa

A D. Maria Luísa está no Antunes aproximadamente desde os seus 22 anos (e tem a particularidade de ser irmã de um conhecido dragão da cidade). Sempre com a mesma simpatia, afabilidade e sorriso na cara, embora já um pouco cansada destas lides, festejou com toda a alegria e orgulho o recente cinquentenário desta casa. Tal como os macarons da Ladurée em Paris, o puré de Jöel Robuchon ou o coq au vin de Paul Bocuse, o pernil do Antunes, da Rua do Bonjardim, está para durar e deixar seguidores. O pernil de porco assado (15€), em dose generosa para duas pessoas, é fumado, mas não em demasia, com o courato e a gordura a pedirem para não ficar no prato.

A Time Out diz
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A Sandeira
© A Sandeira
Restaurantes, Restaurantes

A Sandeira

icon-location-pin Taipas

Já aqui escrevi, noutra ocasião que os portuenses parecem ter um talento nato para fazer boas sanduíches. A sério. Sabem escolher o pão, sabem escolher os ingredientes, temperá-los, conjugá-los. São bons nisto e ponto final. Não me espantei, por isso, quando fui à A Sandeira pela primeira vez e gostei da sanduíche que provei – gostei muito, aliás. Era a São Bento, com tomate, brie e abacate, já agora. A conjugação pareceu-me interessante, mas também fui surpreendido pela qualidade do pão – descobri depois que vem da Padaria Ribeiro; pela temperatura a que vinha, ligeiramente tostado, crocante por fora e morno; e pela base, comum a todas as sanduíches, de alface, sementes de sésamo e papoila e um molho especial, levemente ácido, que barra todas as sandes. Gostei tanto que lá voltei.

A Time Out diz
Shiko - Prato
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Japonês

Shiko

icon-location-pin Batalha

O restaurante Quarentae4 era um dos locais de Matosinhos onde eu mais gostava de comer sushi e sashimi. Quando soube que Ruy Leão tinha partido, no final do ano passado, logo tentei perceber qual iria ser o seu futuro. O primeiro projecto chama-se Shika, é uma mota de street food e a última vez que a vi estava estacionada a servir boa comida japonesa num dos melhores cenários da cidade, o Passeio das Virtudes. O Shiko aparece logo a seguir e tem a originalidade de servir petiscos em pequenas porções num ambiente relaxado e airoso.

A Time Out diz
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Brasão Cervejaria
© João Saramago
Restaurantes, Cervejarias

Brasão Cervejaria

icon-location-pin Aliados

É impossível entrar na Rua Ramalho Ortigão – a primeira à direita de quem desce a Avenida dos Aliados – e não reparar nos bonitos toldos em tons de chocolate, nas venezianas e nos pomposos candeeiros pretos de ferro forjado. Modernidade, requinte e bom gosto é o que salta à vista do lado de fora do Brasão, dos mesmos donos d’O Paparico. Mas mal se entra, há um contraste engraçado. Lá dentro, o ambiente é rústico, com madeiras escuras, paredes de granito, algumas com bonitos pratos pintados, um belo painel de mosaico no chão, uns originais candeeiros de latão cobreado e louças de barro vidrado. É um curioso misto de saloon com cervejaria retro sofisticada.

A Time Out diz
Casa de Chá da Boa Nova - Lula Gigante com Molho Bordalês
©DR
Restaurantes

Casa de Chá da Boa Nova

icon-location-pin Leça da Palmeira

Depois do triste abandono, a Casa de Chá da Boa Nova, um dos primeiros projetos de Siza Vieira, voltou de novo à ribalta. O restauro teve o cuidado de a manter igual ao que sempre foi – com as cadeiras de madeira e couro, as cortinas vermelhas, os candeeiros individuais de base nos esboços iniciais. Uma forma de dar a sensação, a que quem cá entrou no passado, de que o tempo não passou por aqui. Somos convidados a desfrutar uma bebida na sala da esquerda, que, empoleirada sobre as ondas, nos faz abrir o apetite e prepararmo-nos para a experiência que se segue.

A Time Out diz
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Tosta de abacate com camarão
© Marco Duarte
Restaurantes, Europeu contemporâneo

Brick Clérigos

icon-location-pin Baixa

Os restaurantes com mesas comunais podem ser perigosos. Ainda no outro dia, sentou-se ao meu lado um indivíduo enorme que passou o tempo a dar-me cotoveladas e a falar da ciência do Insterstellar como se a sua amiga estivesse do outro lado da sala. Acontece. O mais comum, no entanto, é que as pessoas façam um esforço por serem civilizadas, e por vezes há até encontros felizes e cruzam-se conversas e as interações prosseguem porta fora. É o convívio, é a partilha, é bonito. Ora este Brick tem porventura a mesa comunal mais bonita do país, uma grande rectângulo de madeira no centro do qual poisam flores, tachos, boiões.

A Time Out diz
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Fusão

BB Gourmet Bolhão

icon-location-pin Baixa

Gosto pouco de restaurantes vazios. Não gosto que ouçam as minhas conversas – apesar de me divertir a ouvir as dos outros –, não gosto de ter três pares de olhos em cima (média de empregados numa sala?) e, claro, fico sempre na dúvida se o vazio é sinónimo de comida mediana ou falta de boa comunicação. No BB Gourmet Bolhão, por pertencer a uma família numerosa e rodada na área, fiquei preso à primeira ideia. Tudo porque jantei lá num dia de semana e a sala estava semivazia. Tive toda a atenção do mundo, é 
facto, num serviço bem simpático. E entrei a fundo no menu, optando por ignorar os snacks que já tinha testado noutras núpcias (nota positiva aqui também), indo directo à carta mais substancial.

A Time Out diz
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Portugandhi - Gambas
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Indiano

Portugandhi

icon-location-pin Baixa

No mundo dos restaurantes étnicos, sou pouco adepto das fusões. Desconfio de italo-indianos, dos que têm cozinha do mundo mas que tendem a cair para um país em específico e, como tal, desconfiei desta fusão Portugal-Índia – por mais histórica que seja. Também estranhei o indiano chique que é o Portugandhi. Estranhei ainda mais quando os papadoms vieram com quatro molhos: tâmaras e tamarindo, iogurte e menta, picante e frutos vermelhos. Os três primeiros estavam óptimos, o último, mais normal. Nesse minuto decidi que ia ignorar o lado nacional da ementa – apesar de serem poucos pratos. Escolha acertada.

A Time Out diz
Sins Sandwich
©João Saramago
Restaurantes

Sins Sandwich

icon-location-pin Baixa

O Porto tem um romance tórrido com sanduíches. É a conclusão a que chego depois de andar a subir e descer as ruas da Baixa. Umas melhores do que outras, é verdade, mas quase todas com o seu je ne sais quoi e um toque de diferenciação. Andava eu intrigado com esta relação quando me pediram para avaliar um dos novos sítios de sanduíches da cidade, o Sins Sandwich, criado por um franco-argelino. Fui lá uma, fui lá duas, fui lá três vezes. E posso garantir que eu, Francisco Beltrão, vou lá voltar o dobro, o triplo das vezes, se for preciso. Porque também me apaixonei. Pela sanduíche de costela mendinha.

A Time Out diz
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Cantinho do Avillez - Porto
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Português

Cantinho do Avillez

icon-location-pin Flores

Com os seus tempos áureos no final do século XIX, início do XXI, quando ligava o rio à cidade e tinha um importante papel mercantil – há casas centenárias que ainda persistem e merecem ser exploradas –, a Mouzinho da Silveira perdeu força nas últimas décadas. Mas, quiçá graças ao fenómeno das low cost, que têm feito renascer a Baixa, hoje a rua está outra vez a entrar na moda.
 E entre as novidades que todas as semanas acontecem no eixo Aliados–Ribeira, ninguém fica indiferente à estreia de José Avillez no burgo.

A Time Out diz
Nabos da Púcara
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Petiscos

Nabos da Púcara

icon-location-pin Baixa

Assim que se passa a porta, uma mercearia. Nas prateleiras bons azeites, boas conservas, bons pães – muitas coisas raras (como uma leve e extraordinária broa de Avintes) de produção nacional e de qualidade. Logo a seguir, na refrigeração, legumes da época e ao lado vinhos seleccionados. Tudo sem aquele ar de ostentação gourmet que se banalizou em cada esquina. Uma loja de bairro com o que o vizinho exigente precisa, guardanapos de papel incluídos. Valendo por si, este ambiente funciona também como um atestado para o restaurante, que se funde no mesmo espaço.

A Time Out diz
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Cantina 32 - Prego
Fotografia: João Saramago
Restaurantes

Cantina 32

icon-location-pin Flores

A terminar a refeição a rapariga poisa o vaso no meio da mesa, como se fosse um elemento decorativo a acompanhar o café. O meu amigo, um indivíduo alienado como Eliseu (a peneira do Benfica) sorri, mas assinala: “Falta a sobremesa”. Ela contrapõe, vitoriosa: “O vaso é a sobremesa”. O efeito é extraordinário. Toda a gente ri do equívoco. De repente, já não é apenas comida – é teatro, é encenação, é recriação. É aquilo a que hoje se convencionou chamar cozinha emocional, e que se sintetiza assim: o que acontece na cabeça importa mais do que o que acontece no estômago ou, pelo menos, importa primeiro.

A Time Out diz
Rei dos Galos de Amarante - Sopa
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Português

Rei dos Galos de Amarante

icon-location-pin Baixa

O nome deste restaurante deve-se ao anterior proprietário, que não só era de Amarante como vendia frangos no antigo Mercado do Anjo, ainda antes da construção do Palácio da Justiça. A D. Rosa e o Sr. Rodrigo, actuais proprietários, são amorosos e de uma simpatia e educação imaculada. Estão já algo cansados, mas fiquem todos sossegados que prepararam dignamente a nova geração. É uma casa de comida e para comer. Esqueçam a decoração, as mesas e os copos, porque aqui o interesse é na matéria-prima de primeira qualidade e no sabor das coisas boas das nossas avós. Pedimos de entrada uma fatia de queijo da Serra, que estava maravilhosa.

A Time Out diz
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LSD Largo São Domingos
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Fusão

LSD Largo São Domingos

icon-location-pin Flores

Para os menos informados, LSD quer dizer Largo de São Domingos. Em tempos antigos, a Rua das Flores era conhecida pelos terrenos hortícolas e florícolas que existiam naquela zona. Pouco tempo depois de a rua ser aberta iniciou-se a construção da bonita e imponente Igreja da Santa Casa da Misericórdia do Porto, e muito mais tarde a centenária Araújo e Sobrinho, que brevemente vai dar origem a um novo projeto hoteleiro. Este gastronómico Largo de São Domingos, conta agora, além do DOP e Traça, com o mais recente LSD. Projeto repartido entre os donos da Casa de Pasto da Palmeira e o recém-regressado ao Porto Cândido Pereira (ex-Terra). Saúdo este regresso pois considero-o um dos bons chefes de sala da cidade do Porto.

A Time Out diz
O Buraco
© Marco Duarte
Restaurantes, Português

O Buraco

icon-location-pin Baixa

Dois sócios que trabalham juntos há mais de 30 anos raramente se dão bem. Mas aconteceu neste buraco, uma instituição no Bolhão que continua a receber calorosamente os portuenses. O espaço usa as mesmas madeiras escuras do início, mas o serviço é alegre e toda a gente se sente lá bem. Os habitués estão em casa, os novatos são rapidamente integrados. Mal uma pessoa poisa chegam logo os rissóis de peixe, recheio de consistência perfeita, muito saborosos. As opções para prato principal mudam diariamente, mas a pescada frita com salada russa é recorrente e incontornável: o peixe imaculado, refrescado com limão; a salada em cubos, os legumes ainda rijinhos como deve ser.

A Time Out diz
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TRAM - Prato
©João Saramago
Restaurantes, Português

TRAM

icon-location-pin Miragaia

O nome não podia estar mais bem conseguido. Este Tram fica de portas abertas para o rio, mesmo no início da linha 1, que vai do Infante ao Passeio Alegre. Decoração com muito bom gosto, mesas de madeira clara, pratos de grés vidrado e lugar para cerca de 50 comensais. De realçar ainda o serviço - é profissional e bem formado, o que infelizmente é cada vez mais raro. De entrada, vieram uns excelentes cogumelos carnudos, bem salteados, pimenta preta moída, com a originalidade dos coentros e do alho a lembrar Bulhão Pato, e uma salada de rúcula com balsâmico - tudo perfeito para uma refeição ligeira acompanhada de sangria.

A Time Out diz
Reitoria - Cachaço de Porco Preto
Fotografia: João Saramago
Restaurantes, Steakhouse

Reitoria

icon-location-pin Baixa

O proprietário deste Reitoria estudou hotelaria em Lausanne e animou-se com a agitação da movida portuense para se lançar no primeiro projecto da sua carreira. O espaço, junto ao Largo Moinho de Vento e bem perto da Reitoria da Universidade do Porto, não podia estar mais bem conseguido. Afirma-se como Wine Bar e Steak house e instalou-se num bonito prédio portuense do séc XIX restaurado a preceito, com uma bela varanda com oliveiras a embelezar o cenário. Duas mesas em madeira de ripas largas e ferro convidam a um copo no exterior e a uma das focaccias feitas na casa.

A Time Out diz
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Portarossa - Francesinha
©João Saramago
Restaurantes, Italiano

Portarossa

icon-location-pin Foz

O Corte Real, restaurante fozeiro de referência foi parar às mãos do empresário portuense Vasco Mourão, que já tinha no portefólio o Cafeína, um porto seguro, e o instável Terra. Nasceu assim o Portarossa, uma pizzaria refinada, para mais com alternativas belíssimas de comida a sério. O espaço é perfe