Críticas de restaurantes

O panorama gastronómico do Porto avaliado por quem sabe. Com a ajuda dos nossos críticos escolha onde jantar, marcar um almoço de negócios ou organizar aquele encontro de amigos que nunca mais sai do grupo de Whatsapp

© João SaramagoPuro 4050

Antes de navegar pelo slideshow abaixo, fique a saber que as críticas de restaurantes da Time Out são uma experiência relatada por quem anda há anos a fazer disto vida. Em anonimato, os nossos especialistas em Comer & Beber sentam-se à mesa, provam de tudo um pouco, pedem a conta e depois escrevem sobre o que acharam dos pratos, do serviço, do espaço e de tudo o que pode transformar uma refeição numa experiência 5 estrelas – ou num pesadelo.

Isto de ser fiscal da restauração portuense não é fácil, mas encaramos o sacrifício como um género de serviço público. Sirva-se à vontade das nossas críticas de restaurantes. E repita.

Críticas de restaurantes

Euskalduna Studio
©Marco Duarte
1/3

Euskalduna Studio

5 /5 estrelas

Quando cheguei, ele já lá estava. Extremamente pontual. Mais um ponto a favor. Conheci-o no Tinder e à terceira mensagem estávamos a falar de fatias de toucinho do céu, ovos moles, queijadas de Sintra e pastéis de nata. À quinta, enviou-me um daqueles tutoriais sobre como cozinhar um bife na perfeição – o meu ponto fraco gastronómico, já que vivo sempre em stress com medo de o deixar passar demais. Por isso, já que a conversa se desenrolava mais na cozinha do que em qualquer outra parte da casa, pareceu-me adequado convidá-lo para uma visita ao novo Euskalduna Studio, o restaurante do chef Vasco Coelho Santos, que passou pelas cozinhas bascas do Mugaritz, duas estrelas Michelin e em 9.º lugar do World’s 50 Best Restaurants, e do Arzak, com três estrelas e em 30.º da lista. Euskalduna quer, precisamente, dizer basco, em basco.

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Bonfim
Puro 4050
© João Saramago
2/3

Puro 4050

5 /5 estrelas

A EXPECTATIVA

A ideia de ir conhecer mais um “conceito gastronómico inovador” na cidade deixou-me com a excitação de um actor porno ao final do dia. E a ideia de o conceito ser italiano e não ter à frente uma única pessoa italiana aumentou ainda mais a desconfiança. Duvido de restaurantes italianos feitos por portugueses, como duvido de sushi feito por chineses, como duvido de cozinha portuguesa feita por ingleses...

 

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Flores
Pedro Lemos
©João Saramago
3/3

Pedro Lemos

5 /5 estrelas

Pedro Lemos é, quem diria, engenheiro de formação. Mas não é por essa via que o seu talento é conhecido. O seu percurso cedo virou para os tachos e, depois de ter aprendido com Castro e Silva, Hélio Loureiro e Aimée Barroyer ( que saudades do Pestana Palace…), assumiu-se como chef na Quinta da Romaneira. 
Daí à abertura do seu Pedro Lemos foi um tiro. E na mouche. Recentemente foi considerado pelo famoso Matt Kramer, da Wine Spectator, como o melhor chef do Porto e escolhido, juntamente com George Mendes (Aldea, Nova Iorque) e Rui Correira (Restaurante Douro, Nova Iorque), para as comemorações do 10 de Junho em Nova Iorque. Voltas e reviravoltas que para aqui não contam.

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Foz

Críticas de restaurantes

Nogueira's Porto
© Marco Duarte
1/55

Nogueira's Porto

4 /5 estrelas

As mulheres não têm sempre razão. A Rita, a minha, dona de um nariz empertigado, mas adorável, cheio de sardas, comunicou-me que ia fazer um detox. Assim, consummatum est. Portanto, se eu quisesse comer, eu que cozinhasse, porque dali em diante ela iria beber couves e acelgas através de uma palhinha. Não a tentei demover, obviamente, porque a esta altura do campeonato um homem deve poupar o pouco latim que lhe resta. Mas fiz-lhe saber que achava má ideia, na esperança de sacar de um “eu avisei-te” mais tarde. Na terça-feira ao fim do dia ligam-me do ginásio. A Rita tinha tido uma quebra de tensão durante uma aula de air fit não sei quê e caíra redonda no chão. Dramática, quando lá cheguei parecia que lhe tinham roubado um rim. “Carne, mulher, uma pessoa precisa de carne”, disse-lhe no carro a caminho de casa. E no Nogueira’s Porto, o restaurante de uma família que começou a vender churrasco na década de 90, havia de sobra.

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Galerias
Mundo
© Marco Duarte
2/55

Mundo

4 /5 estrelas

No início é uma alegria. Vamos viajar, ver o mundo, ser eternamente jovens. Depois há hipotecas para pagar ao banco, contas da luz astronómicas, berros da canalha e o mundo fica a ver-se por um canudo. Esquece lá a viagem ao Japão, a escapadinha a Itália, ou o jantar de sexta com os amigos da bola. Tudo parece muito mais complicado do que passar um camelo pelo buraco de uma agulha. Por isso, depois de muito queixume de que “já não íamos a lado nenhum”, levei a Rita a ver o Mundo. Este restaurante, com a mão de Carlos Bravo e José Ribeiro, donos da Casa de Pasto da Palmeira e do LSD, e com a consultoria 
do chef João Pupo Lameiras, é um dos lugares mais animados da Baixa nas noites que correm.

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Baixa
Ikeda
© Cláudia Paiva
3/55

Ikeda

4 /5 estrelas

Reza a história que o químico Kikunae Ikeda teve uma epifania enquanto sorvia ruidosamente (como devem ser ingeridos os caldos japoneses) o seu dashi ao jantar. Naquela noite de 1907, espantou-se quando percebeu que a comida estava mais saborosa do que era costume por causa da adição de kombu ao prato. Daí até começar a estraçalhar esta alga em laboratório foi um instante e o resultado foi a descoberta do ácido glutâmico, responsável pelo quinto gosto: o umami, que é também a palavra-passe para aceder à internet deste restaurante. A casa é bonita, decorada com painéis 
em madeira, cerâmicas cuidadas em cima das mesas e até os pauzinhos delicados diferem dos que se vêem na maior parte dos restaurantes asiáticos da cidade.

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Campo Alegre
Mito
© João Saramago
4/55

Mito

4 /5 estrelas

Antes de cruzarmos a ombreira da porta éramos dois tântalos esfomeados. Duas personificações do filho de Zeus que, diz a mitologia grega, foi sentenciado ad aeternum a ficar com fome e sede, amarrado a uma árvore, num vale abundante em vegetação e água. Sempre que Tântalo tentava colher os frutos das árvores, os ramos afastavam-se. Sempre que tentava beber água, ela fugia. No Mito, o primeiro restaurante do chef Pedro Braga, que passou pelas cozinhas do Reitoria e do Tenra antes de embarcar nesta aventura a solo, perceberam isso assim
 que entrámos e, antes que nos desse uma fraqueza, o serviço, atencioso, foi dos mais rápidos que já presenciei no Porto.

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Baixa
Época Porto
© João Saramago
5/55

Época Porto

4 /5 estrelas

O Época Porto funciona como todas as coisas na vida deveriam funcionar. Na verdade, este restaurante deveria ser uma espécie de bitola para o mundo. Por exemplo: a carta é curta, resume-se a três ou quatro opções que mudam diariamente. O stress fica lá fora, o ambiente neste espaço marcadamente escandinavo – influenciado, talvez, pela temporada que o casal à frente do projecto passou na Dinamarca – convida a relaxar com uma playlist cuidada e livros de gastronomia sobre as mesas. E tudo o que Liliana Alves e Tiago Teixeira lhe põem à frente é feito com produtos da época, maioritariamente biológicos. Por isso, não é de admirar que estivesse cheio ao almoço, com gente de várias idades e diferentes tribos urbanas.

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Cedofeita
A Viela
©Marco Duarte
6/55

A Viela

4 /5 estrelas

A Viela, perto da estação de Campanhã, é mais cantina social do que tasca. E isto não é, de forma alguma, mau. Estava à pinha, por isso dividimos a mesa com um casal de velhotes. Optámos pelo bife da casa, servido sem opção entre o médio e o bem passado, acompanhado por umas boas batatas fritas cortadas à mão e um arroz sequinho. Para sobremesa, um pudim de ovos caseiro que não desiludiu. Não sendo estrela Michelin, matou a fome e, por 6€, ainda deu direito a bebida e café.

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Campanhã
Cafeína
©DR
7/55

Cafeína

4 /5 estrelas

Uma das coisas que eu e a Rita mais gostamos de fazer é admirar a fauna dos sítios que frequentamos. Não que sejamos um par modelo, bem comportado à mesa, cheio de etiqueta e boas maneiras, digno 
de imitação. Ainda há bem pouco tempo fomos ao Terminal 4450 e ela partiu-se a rir quando me agarrei ao osso do tomahawk que nos serviram, como se fosse um homem das cavernas depois de um extenuante dia de caça. Desmanchou-se a rir. E eu senti que naquela noite a minha meta de a fazer feliz estava cumprida. Há uns dias fomos jantar ao Cafeína de Vasco Mourão e ficámos a aguardar mesa junto ao balcão onde um casal de meia idade, bem-posto, bebia delicadamente flutes de espumante.

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Foz
Adega São Nicolau
© Cláudia Paiva
8/55

Adega São Nicolau

4 /5 estrelas

Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz. Não concordo com “As Regras da Sensatez” cantadas por Rui Veloso, sempre achei a letra da canção muito deprimente, mas confesso que quase tive de dar a mão à palmatória neste caso. A Adega São Nicolau é um daqueles lugares que fazem as pessoas felizes por antecipação. Como, por exemplo, quando a menina que atende o telefone aceita uma reserva para duas pessoas ao almoço. Assim 
que desligamos a chamada,
 o corpo transforma-se num autómato, deixa de conseguir pensar no trabalho, e foca-se nos bons bolinhos de bacalhau, estaladiços, quentes, quase a queimar a língua, cheios deste peixe, que antecedem a refeição. A comida estava boa como sempre.

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Ribeira
Casa de Presuntos "Xico"
©Marco Duarte
9/55

Casa de Presuntos "Xico"

4 /5 estrelas

Não sei do que gostei mais. Se dos canários a chilrear em gaiolas à entrada, se dos rojões suculentos, mergulhados num molho guloso a saber a cominhos. Não sei se gostei mais das fatias fininhas de salpicão de Cinfães, se do atendimento afável. Se dos cubinhos melosos de queijo de Celorico da Beira ou da decoração da casa, cheia de presuntos vindos de Castelo Branco pendurados sobre o balcão. Não sei se gostei mais da boa bola, doce e bem recheada, se dos 15€ que paguei para duas pessoas. Mas uma coisa é certa, gostei de tudo o que lá havia.

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Bonfim
BAO'S – Taiwanese Burger
© João Saramago
10/55

BAO'S – Taiwanese Burger

4 /5 estrelas

Às sextas-feiras à noite temos um acordo. Fingimos que somos namorados outra vez e saímos para jantar. Enquanto trato da barba, a Rita faz uma trança. Enquanto ela escolhe o vestido, eu tento não ir para a rua com um sapato de cada nação. Desta vez fomos ao Bao’s – Taiwanese Burger, na Rua de Cedofeita, especializado em baos, uns pãezinhos taiwaneses recheados e cozinhados a vapor. Temos este fraquinho pela comida asiática. Desde o início. Conheci-a num restaurante em Lisboa de pho, que se dedica a preparar robustas sopas vietnamitas. Lembro-me como se fosse hoje.

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Cedofeita
Zenith Brunch & Cocktails Bar
©João Saramago
11/55

Zenith Brunch & Cocktails Bar

4 /5 estrelas

O Tinder é muito engraçado: as pessoas instalam a app no telemóvel na esperança de comerem ou serem comidas. Primeiro, uma troca de mensagens, depois um convite para jantar. E se o repasto correr bem, vão lambuzar-se para outro lado. Comer é, definitivamente, o verbo mais conjugado nas relações modernas. Foi no Tinder que o conheci e, e uma das coisas que mais me atraiu na conversa dele, foi ter-me dito, lá para a terceira mensagem, que era “um bom garfo”. Passámos, desde essa altura, a conjugar o verbo sempre democraticamente e no presente do indicativo.

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Baixa
O Afonso
©Marco Duarte
12/55

O Afonso

4 /5 estrelas

– é desta, car*%#?, liga-me o Zé, esfomeado e já sem paciência.
– ‘Tá bem, pá. Encontramo-nos à porta’.

Desde que o restaurante 
O Afonso, ali em Cedofeita, apareceu no Parts Unknown, o programa do Anthony Bourdain, o gajo não me larga para lá
 irmos fazer uma crítica. Admito que o episódio me despertou 
a curiosidade para aquela francesinha rechonchuda mas, quem me conhece, sabe que
 sou fiel como um cão a uma outra desta cidade. Somos uma espécie de amantes, eu dou-lhe umas dentadas e ela enche-me de prazer. Por isso, fui a arrastar-me para o restaurante, a sentir-me um pulha que trai um amor de anos. Ele estava ao balcão, de fino na mão e numa excitação. 
Eu, sentia-me um puto desconfortável que tenta ignorar uma mulher bonita, evitando olhar para a chapa onde o pão torrava e os bifes cozinhavam languidamente.

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Porto
Esquina do Avesso
©João Saramago
13/55

Esquina do Avesso

Sempre achei que a mais-valia da gastronomia do Porto (e arredores) estava na cozinha tradicional. Achei e acho. Nos últimos 15/20 anos assistiu-se à entrada da cozinha dita de autor e nos últimos 4/5 ela massificou-se. Como em muitos casos de massificação, não correu bem a todos os aventureiros. Hoje em dia é frequente ver restaurantes abrir e fechar em seis meses, chefs rodarem de uma casa para outra noutros tantos meses e muitos negócios megalómanos com cozinhas ambiciosas espetarem-se contra a parede. Porque tal como a cozinha tradicional, é preciso ter mãos e ideias para fazer cozinha de chef. Por isso, quando se trata de pôr na balança as duas linhas de cozinha, no Porto, salvo algumas excepções (que têm vindo a aumentar em número ao longo do tempo), a tradicional pesa mais.

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Leça da Palmeira
RO
© João Saramago
14/55

RO

4 /5 estrelas

Uma das coisas boas que a internet deu ao mundo foi o YouTube. E uma das coisas boas que o YouTube deu ao mundo foi a resposta, em vídeo, a qualquer coisa que se lhe pergunte sob as palavras “how to”. Desde montar móveis específicos do IKEA a comer Kit Kat como as manas Kardashian (1m47s com quase dois milhões de visualizações), desde tutoriais de beijos a, e é isto que me traz aqui hoje, comer ramen como deve ser. Para quem nunca o fez na vida (eu própria até há quatro ou cinco anos), recomenda-se uma passagem pelo YouTube antes de uma ida ao RO, numa transversal aos Aliados.

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Aliados
Casa Louro
© João Saramago
15/55

Casa Louro

4 /5 estrelas

Tivesse aberto na segunda 
década dos anos zero por 
um grupo de investidores
 gastronómicos e o nome seria, 
é provável, presuntaria. O dito 
presunto é a especialidade 
desta casa tradicional, gerida 
por portistas, onde as gentes
 se encostam ao balcão a comer presunto vindo de Chaves, Felgueiras ou Amarante. Tanto é servido simples para comer
 à fatia, como com broa de Avintes, como em excelentes sanduíches, num pão de água simples mas estaladiço, com um bloco generoso de fatias de presunto. Ao mesmo nível estava a sopa juliana que comi lá no outro dia, com as couves e os legumes mergulhados num caldo intenso (pareceu-me ser feito de ossos – do presunto?), nada espesso.

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Santa Catarina
O Astro
© João Saramago
16/55

O Astro

4 /5 estrelas

É um clássico de Campanhã e uma razão válida para
 querer perder o comboio. Uma tasca na verdadeira acepção 
da palavra, no interior com um balcão e uma só mesa, na rua, uma esplanada patrocinada por uma marca de bebidas. Na janela que dá para a rua está o mais importante da casa: uma frigideira sempre ao lume, com um molho a fervilhar, onde
 o dono se vai abastecer de carne de porco, cortada fina, para edificar as exímias bifanas.

Nota-se a cada trinca um leve
 sabor a vinho, alho e louro, e nota-se algum picante. O pão embebe ligeiramente o molho, mas é um belíssimo exemplar da espécie, com a carne a desfazer-se na boca. Muito boas também as moelas, tenras, servidas com uma bola de água ao lado, engraçados os rissóis, fresquíssimos os finos. Recomenda-se este O Astro.

*As críticas da Time Out dizem respeito a uma ou mais visitas feitas pelos críticos da revista, de forma anónima, à data de publicação em papel. Não nos responsabilizamos nem actualizamos informações relativas a alterações de chef, carta ou espaço. Foi assim que aconteceu.

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Campanhã
Ó Maria
© João Saramago
17/55

Ó Maria

4 /5 estrelas

Sempre que passo à porta do Ó Maria fico com a sensação de que o sítio está vazio – e está, de facto, muitas vezes vazio. Depois, quando lá vou fico com a sensação que o sítio está vazio porque é grande de mais. "Marta, isso não existe!" Olhe que existe. O restaurante, que ocupa uma esquina da Rua da Conceição, é tão grande que se torna frio e impessoal. Não fosse ter descoberto a simpatia de quem atende e a qualidade das sanduíches, e continuaria a ser um daqueles casos que só de olhar lá para dentro, me dava um aperto no coração [um crítico também tem sentimentos, bolas]. Ao fim de quase dois anos de vida a passar ali semana sim, semana não, decidi dar uma oportunidade.

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Porto
Casa Expresso
©João Saramago
18/55

Casa Expresso

4 /5 estrelas

Nota Prévia: a Expresso aqui referida é a Casa Expresso e não o Restaurante Expresso, vizinho do lado, com ligação no interior. E estas quatro estrelas são dadas sobretudo às sandes da tasca
– como diz a juventude, uma tasca com T grande, a cheirar a vinho quando se entra, balcão em inox com gente encostada a beber uns copos e a comer salgados todo o dia. Valem para as incríveis e bojudas sandes de rojões, para as de panado de porco e de fígado de cebolada, e também para a mousse. Ao almoço há propostas como o pratinho de feijoada a 4€ (uma pratada infinita, aliás), alheiras com ovo e outros pratos tradicionais. Uns melhores que outros. Mas tudo a preços pré-crise.

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Baixa
Casa Ferreira
© Marco Duarte
19/55

Casa Ferreira

4 /5 estrelas

Sempre gostei da Casa Ferreira. Não apenas da comida, muito caseira, muito boa, mas doconjunto em si. Daquele serviço atencioso e rápido, do sítio com paredes de pedra e sempre cheio de locais ao almoço, do balcão de entrada onde se ajustavam as contas e, volta e meia, se bebia um digestivo. A nova Casa Ferreira não tem este encanto. A mudança para a Rua do Breiner trouxe-lhe talvez o dobro do espaço e, ao que parece, pelo menos à hora do almoço, menos gente. As conversas dos outros ouvem-se mais, as mesas do principio da sala ficam ocupadas e lá ao fundo há um vazio - suponho que os grupos da noite dêem conta do recado.

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Cedofeita
Pisca
©João Saramago
20/55

Pisca

4 /5 estrelas

Não quero dar ideias estapafúrdias, nem complicar a vida aos residentes da Foz, mas se cortassem o trânsito na zona do Passeio Alegre, a Cantareira teria tudo para se tornar the next big thing. O sítio é bonito, a vista é belíssima e qualquer restaurante que se monte ali, com uma comida decente, tem tudo para correr bem. Vou muito à Casa de Pasto da Palmeira, várias vezes fico na esplanada e nunca gostei de ver os carros a passar à frente. Interrompe a conversa, distrai os comensais. Preferia que fosse tudo um empredrado com esplanadas bonitas. Enquanto isso não acontece (será que vai acontecer um dia?), fiquemo-nos pelo que já existe. E o que existe é este Pisca.

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Foz
Antiqvvm
©DR
21/55

Antiqvvm

4 /5 estrelas

Uma nota acessória. Os colegas do guia Michelin que avaliam os restaurantes em Portugal apreciam duas coisas: música de elevador e menus cheios de estrangeirismos culinários anglo-franceses. Talvez por isso haja restaurantes que façam por cumprir os requisitos, mesmo que não precisem. Há umas semanas, num jantar no The Yeatman, que ganhou a segunda estrela, foi um concerto inteiro para casais aborrecidos, pontoado por descrições orais capazes de dar cabo da memória até de um indivíduo que nunca fumou canabinóides. Agora, no Antiqvvm, quase o mesmo. Horas a ouvir smooth radio nhó nhó e empregados a debitar informação culinária como se fosse uma lengalenga.

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Massarelos
Namban Oporto Kitchen Café
Fotografia: João Saramago
22/55

Namban Oporto Kitchen Café

4 /5 estrelas

Nem todos os restaurantes estão obrigados à mesma rapidez no serviço.

1. Num fine dining, com contas superiores a 50€ por cabeça, tem de ter qualquer coisa na boca dez minutos depois de assentar o rabo na pele de antílope.

2. Num restaurante normal, de almoço, mais de 20 minutos e é bom que pergunte ao empregado se se esqueceu do pedido.

3. Num McDonald’s, por sua vez, são dois minutos desde que a jovem de chapéu ridículo o cumprimenta até ter o tabuleiro nas mãos, mais do que isso e ganha direito a indemnização e queixa na Unicef. Tudo isto é relativamente pacífico.

Mas depois há o Namban. E o Namban não se parece com nada.

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Baixa
Boulevard Burger House
Fotografia: João Saramago
23/55

Boulevard Burger House

4 /5 estrelas

Quando o empregado de um restaurante vê alguém a chegar pelas 14.30 muitas vezes transforma-se naquele central do Real Madrid que não fala espanhol. Quando isso acontece num sítio de hambúrgueres e o cliente decide começar por pedir umas asinhas de frango de barbecue, a reacção pode descambar para um empratamento com fluídos bocais. Na Boulevard da Adolfo Casais Monteiro, lugar americanado a pedir Instagrams, não aconteceu assim. Numa visita tardia e solitária, a rapariga fez um sorriso tranquilo e a sorrir avisou: “A nossa dose de asinhas é composta por 12 unidades”. Eu respondi: “Tudo bem”.
 E a seguir pedi um hambúrguer com bacon.

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Cedofeita
A Cozinha do Manel
Fotografia: João Saramago
24/55

A Cozinha do Manel

4 /5 estrelas

Vamos jogar ao “Adivinhem 
que figura pública não aparece retratada nas paredes de
 A Cozinha do Manel?” Eu faço de Fernando Mendes, campeão de concursos sem preço e de galerias de fotos de restaurantes (presente também neste, obviamente). Vou dando umas ajudas. Pensem numa grande figura do Porto.- Pinto da Costa? Rui Moreira? Não acertou. Ambos estão em fotos nas paredes deste magnífico restaurante do Bonfim. Ok, agora uma personalidade do jet set mas que também se assuma como um intelectual.- Margarida Rebelo Pinto? Errado. Aparecem logo no corredor da entrada. Apontemos então para cima, primeiros-ministros?

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Bonfim
Mondo Deli
Fotografia: João Saramago
25/55

Mondo Deli

4 /5 estrelas

Sou fã de mesas corridas. Quando o Casanova inaugurou o conceito, em Lisboa, a coisa foi controversa. Alguns espíritos urbanos sentiam-se devassados na sua privacidade ou incomodados com o exibicionismo dos vizinhos. As minhas experiências foram sempre interessantes. Logo numa das primeiras refeições comunais, lembro-me de ficar ao lado de uma actriz conhecida que relatava intimidades coloridas de colegas de telenovela. Entretenimento do bom. Noutra altura, foi um grupo de holandeses em férias no Porto a dar-me uma lição sobre ervas psicotrópicas (em troca, mostrei-lhes o que deixa os portugueses malucos: bacalhau). Formação para a vida.

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Baixa
Belos Aires
Fotografia: João Saramago
26/55

Belos Aires

4 /5 estrelas

No meu imaginário, e na minha reduzida experiência de restaurantes 100% argentinos (alguns numa curta passagem por Buenos Aires), pensar num restaurante de alma argentina leva-me de imediato para dois cenários: um sítio grande, em estilo de barracão, com madeiras escuras – calma, não estou em delírio a pensar no Chimarrão – e em grelhas à vista dos clientes, com muitos homens à volta, legumes lado a lado com carnes e salsichas, o lume bem quente. Talvez seja estúpido, talvez só aconteça comigo (ou há por aí algum leitor que me acompanhe nesta panca?), mas onde quero chegar é a um só ponto: esperava tudo deste luso-argentino, tudo menos umas mesas de madeira amorosas, com almofadas igualmente amorosas, pequeninos jarros de flores a enfeitar algumas prateleiras, uma micro-esplanada (óptima, note-se), a respirar a palavra amoroso por todo o lado.

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Baixa
daTerra Baixa
©DR
27/55

daTerra Baixa

4 /5 estrelas

Primeiro ponto indiscutível
 sobre o DaTerra, na Mouzinho
 da Silveira: o espaço é dos bons. Tiro o chapéu a quem decidiu envidraçar uma das paredes quase até ao chão e a quem o decorou sem pretensiosismos, só com mesas de madeira. Tiro também o chapéu a quem todos os dias monta o buffet colorido, tornando o repasto bem apetecível. Segundo ponto, desta vez discutível: a comida. Não fiquei altamente impressionado com tudo o que já lá comi, há algumas ajustes a fazer, mas no geral, e tendo em conta a variedade, o sabor dos pratos e o preço do buffet (9,90€ ao jantar e 7,50€ ao almoço), compreendo que esteja sempre cheio e que as pessoas, como eu, voltem.

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Flores
Taberna Santo António
© João Saramago
28/55

Taberna Santo António

4 /5 estrelas

Uma conversa recente sobre a qualidade dos restaurantes tradicionais do Porto e o receio de que a gourmetização subisse à cabeça de alguns empresários da área e fizesse estragos dos grandes fez-me voltar a um clássico da cidade onde sou sempre bem recebido e servido. Eu, qualquer cliente habitual, qualquer estreante ou qualquer turista – aqui fala-se, por exemplo, francês na ponta da unha. 
A casa está invariavelmente cheia, a Dona Hermínia está invariavelmente bem-disposta (recebe, conversa e mantém a cozinha debaixo de olho) e o balcão das sobremesas está sempre bem recheado. Tão bem que dá vontade de ignorar tudo o que são salgados e fazer da refeição um grandioso pijaminha de doces.

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Baixa
Terminal 4450
© João Saramago
29/55

Terminal 4450

4 /5 estrelas

Tenho um bom amigo, que me costuma acompanhar nestas andanças, e com o qual perco longas horas a falar de comida, a trocar impressões sobre detalhes de pratos e a discutir refeições passadas, presentes e futuras. E quase sempre que acabamos um jantar ou almoço num sítio novo, eu faço-lhe a mesma pergunta: ‘’Voltavas?’’ Ora se faço esse exercício com ele, obviamente que faço comigo. Voltavas Francisco? É que isto da crítica Time Out, gostam sempre de me relembrar os senhores que me desafiaram a escrever, envolve a comida, o espaço, o serviço, o ambiente, blá, blá, blá. Por isso, ponho as coisas na balança e avalio bem antes de me atirar com certezas para as estrelas.

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Leça da Palmeira
Wish Restaurant & Sushi
Fotografia: João Saramago
30/55

Wish Restaurant & Sushi

4 /5 estrelas

O nome soava-me a algo pretensioso: Wish. O apelido fazia pensar que dali não vinha nada de bom: Restaurante & Sushi. Assim mesmo com “e” comercial, numa mistura de cozinhas que me deixam sempre desconfiado. Sou assim, nunca vi com bons olhos esta mania dos restaurantes quererem ser os faz-tudo da comida. É raro, raríssimo, conseguir jogar-se bem em dois campeonatos. E neste sítio, pelos preços altos que pediam, pelo espaço que era, uma bonita sala na Foz Velha, mais temia que os pratos não estivessem à altura
do conceito. Bem sei que a ideia funcionava nos tempos do extinto Shis, e que a equipa do Wish não é muito diferente: o mesmo chef, António Vieira e o mesmo sushiman, Miguel Fragoso.

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Foz
Peebz
© João Saramago
31/55

Peebz

4 /5 estrelas

Espero não me arrepender amargamente daquilo que vou dizer, mas aqui vai: enquanto abrirem hamburguerias com a qualidade do Peebz no Porto, a praga dos hambúrgueres pode continuar a atacar as ruas da cidade. Vou mais longe: se este simpático restaurante da Foz se quiser expandir para o centro da cidade eu vou lá, de propósito, recebê-lo de braços abertos. E comer, claro.
 Há muito tempo que não provava um hambúrguer tão bom, com um equilíbrio tão certo entre um pão adocicado, carne de qualidade e ingredientes frescos. Até as batatas estavam no ponto: bem fritas, sem se sentir o óleo, crocantes, algumas ainda com casca nas pontas.

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Foz
Porto Meu
©João Saramago
32/55

Porto Meu

2 /5 estrelas

Já não se aguentam restaurantes com “alheira em cama de grelos” no menu. Quase tudo o que é taberna moderna de petiscos tem a sua alheira em cama de grelos. Percebe-se porquê. Alheira é bom e nem sal precisa. É só pôr lume e depois sofisticar o prato com um nome de escola de hotelaria. Dito isto, alguns restaurantes conseguem dar cabo de uma coisa destas. E o Porto Meu é um deles. Numa visita recente ao restaurante da Rua da Picaria,
 o enchido vinha com a pele mole e sem cama nem colchão. Os grelos surgiram no meio da alheira – uma entrada (!!) desoladora, feia e quase tão fria como o espaço
 (a única fonte de calor da sala principal, nas traseiras do restaurante, parecia vir de um aquecedor de esplanada).

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Baixa
República dos Cachorros
Fotografia: Cláudia Paiva
33/55

República dos Cachorros

4 /5 estrelas

Devo começar por dizer que não fui pela primeira vez à República dos Cachorros para escrever estas linhas. Sou um cliente habitual da casa. Habitual e habituado à correria dos empregados. Eficientes e rápidos, como se quer. Ora sempre que lá fui comi a mesma coisa: o tradicional cachorro. Salsicha fresca, linguiça, queijo, uma leve gordura amanteigada e molho picante, o pão estaladiço, cortado em bocadinhos. Divinal. Bem sei que não foram os primeiros da cidade, que há outros muito bons, mas não vim para aqui entrar em discussões – sim, sim, sei que isto é tema para dar discussão. Até porque há mais na República dos Cachorros do que o tradicional cachorro.

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Baixa
Pizza a Pezzi
©Marco Duarte
34/55

Pizza a Pezzi

4 /5 estrelas

Fui dos que rejubilei com a abertura do Pizza a Pezzi no Porto. Não que conhecesse o negócio de algum lado (sabia que existia em Lisboa), mas a ideia de haver um sítio que vendesse pizzas al taglio à moda de Itália, soava-me bem – provei algumas quando estive lá de férias. Costumo até gostar mais das pizzas de massa fina e estaladiça, mas estas, com uma base mais grossa, não lhes ficam atrás. Aliás, grossa, no caso do Pizza a Pezzi, não é sinónimo de massuda. É, isso sim, sinónimo de estaladiça. O que sobressai no caso, são os ingredientes de qualidade. Pude comprová-lo na excelente pizza de abóbora e mozzarella.

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Baixa
Taberna dos Mercadores
Fotografia: João Saramago
35/55

Taberna dos Mercadores

4 /5 estrelas

Já andava há algum tempo a tentar jantar na Taberna dos Mercadores. Tentei marcar mesa duas ou três vezes, para o próprio dia, e a resposta era sempre a mesma: “desculpe mas não temos. Por acaso conhece o nosso espaço? É que é pequeno.” De facto não conhecia. Sabia que era pequeno, mas não minúsculo. Nunca imaginei que enchesse com pouco mais de 16 pessoas. Achei que as mesas esgotavam graças à genealogia da casa: é dos mesmos donos da Adega de São Nicolau, essa instituição portuense da qual sou fã assumido. Por isso mesmo, quando consegui finalmente marcar mesa (com dois dias de antecedência), numa quente noite de Agosto e com a Ribeira a transbordar de turistas, senti-me um sortudo.

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Ribeira
Antunes
Fotografia: João Saramago
36/55

Antunes

4 /5 estrelas

A D. Maria Luísa está no Antunes aproximadamente desde os seus 22 anos (e tem a particularidade de ser irmã de um conhecido dragão da cidade). Sempre com a mesma simpatia, afabilidade e sorriso na cara, embora já um pouco cansada destas lides, festejou com toda a alegria e orgulho o recente cinquentenário desta casa. Tal como os macarons da Ladurée em Paris, o puré de Jöel Robuchon ou o coq au vin de Paul Bocuse, o pernil do Antunes, da Rua do Bonjardim, está para durar e deixar seguidores. O pernil de porco assado (15€), em dose generosa para duas pessoas, é fumado, mas não em demasia, com o courato e a gordura a pedirem para não ficar no prato.

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Baixa
A Sandeira
© A Sandeira
37/55

A Sandeira

4 /5 estrelas

Já aqui escrevi, noutra ocasião que os portuenses parecem ter um talento nato para fazer boas sanduíches. A sério. Sabem escolher o pão, sabem escolher os ingredientes, temperá-los, conjugá-los. São bons nisto e ponto final. Não me espantei, por isso, quando fui à A Sandeira pela primeira vez e gostei da sanduíche que provei – gostei muito, aliás. Era a São Bento, com tomate, brie e abacate, já agora. A conjugação pareceu-me interessante, mas também fui surpreendido pela qualidade do pão – descobri depois que vem da Padaria Ribeiro; pela temperatura a que vinha, ligeiramente tostado, crocante por fora e morno; e pela base, comum a todas as sanduíches, de alface, sementes de sésamo e papoila e um molho especial, levemente ácido, que barra todas as sandes. Gostei tanto que lá voltei.

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Taipas
Shiko
Fotografia: João Saramago
38/55

Shiko

4 /5 estrelas

O restaurante Quarentae4 era um dos locais de Matosinhos onde eu mais gostava de comer sushi e sashimi. Quando soube que Ruy Leão tinha partido, no final do ano passado, logo tentei perceber qual iria ser o seu futuro. O primeiro projecto chama-se Shika, é uma mota de street food e a última vez que a vi estava estacionada a servir boa comida japonesa num dos melhores cenários da cidade, o Passeio das Virtudes. O Shiko aparece logo a seguir e tem a originalidade de servir petiscos em pequenas porções num ambiente relaxado e airoso.

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Batalha
Brasão Cervejaria
© João Saramago
39/55

Brasão Cervejaria

4 /5 estrelas

É impossível entrar na Rua Ramalho Ortigão – a primeira à direita de quem desce a Avenida dos Aliados – e não reparar nos bonitos toldos em tons de chocolate, nas venezianas e nos pomposos candeeiros pretos de ferro forjado. Modernidade, requinte e bom gosto é o que salta à vista do lado de fora do Brasão, dos mesmos donos d’O Paparico. Mas mal se entra, há um contraste engraçado. Lá dentro, o ambiente é rústico, com madeiras escuras, paredes de granito, algumas com bonitos pratos pintados, um belo painel de mosaico no chão, uns originais candeeiros de latão cobreado e louças de barro vidrado. É um curioso misto de saloon com cervejaria retro sofisticada.

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Aliados
Casa de Chá da Boa Nova
©DR
40/55

Casa de Chá da Boa Nova

4 /5 estrelas

Depois do triste abandono, a Casa de Chá da Boa Nova, um dos primeiros projetos de Siza Vieira, voltou de novo à ribalta. O restauro teve o cuidado de a manter igual ao que sempre foi – com as cadeiras de madeira e couro, as cortinas vermelhas, os candeeiros individuais de base nos esboços iniciais. Uma forma de dar a sensação, a que quem cá entrou no passado, de que o tempo não passou por aqui. Somos convidados a desfrutar uma bebida na sala da esquerda, que, empoleirada sobre as ondas, nos faz abrir o apetite e prepararmo-nos para a experiência que se segue.

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Leça da Palmeira
Brick Clérigos
© Marco Duarte
41/55

Brick Clérigos

4 /5 estrelas

Os restaurantes com mesas comunais podem ser perigosos. Ainda no outro dia, sentou-se ao meu lado um indivíduo enorme que passou o tempo a dar-me cotoveladas e a falar da ciência do Insterstellar como se a sua amiga estivesse do outro lado da sala. Acontece. O mais comum, no entanto, é que as pessoas façam um esforço por serem civilizadas, e por vezes há até encontros felizes e cruzam-se conversas e as interações prosseguem porta fora. É o convívio, é a partilha, é bonito. Ora este Brick tem porventura a mesa comunal mais bonita do país, uma grande rectângulo de madeira no centro do qual poisam flores, tachos, boiões.

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Baixa
BB Gourmet Bolhão
Fotografia: João Saramago
42/55

BB Gourmet Bolhão

4 /5 estrelas

Gosto pouco de restaurantes vazios. Não gosto que ouçam as minhas conversas – apesar de me divertir a ouvir as dos outros –, não gosto de ter três pares de olhos em cima (média de empregados numa sala?) e, claro, fico sempre na dúvida se o vazio é sinónimo de comida mediana ou falta de boa comunicação. No BB Gourmet Bolhão, por pertencer a uma família numerosa e rodada na área, fiquei preso à primeira ideia. Tudo porque jantei lá num dia de semana e a sala estava semivazia. Tive toda a atenção do mundo, é 
facto, num serviço bem simpático. E entrei a fundo no menu, optando por ignorar os snacks que já tinha testado noutras núpcias (nota positiva aqui também), indo directo à carta mais substancial.

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Baixa
Portugandhi
Fotografia: João Saramago
43/55

Portugandhi

4 /5 estrelas

No mundo dos restaurantes étnicos, sou pouco adepto das fusões. Desconfio de italo-indianos, dos que têm cozinha do mundo mas que tendem a cair para um país em específico e, como tal, desconfiei desta fusão Portugal-Índia – por mais histórica que seja. Também estranhei o indiano chique que é o Portugandhi. Estranhei ainda mais quando os papadoms vieram com quatro molhos: tâmaras e tamarindo, iogurte e menta, picante e frutos vermelhos. Os três primeiros estavam óptimos, o último, mais normal. Nesse minuto decidi que ia ignorar o lado nacional da ementa – apesar de serem poucos pratos. Escolha acertada.

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Baixa
Sins Sandwich
©João Saramago
44/55

Sins Sandwich

4 /5 estrelas

O Porto tem um romance tórrido com sanduíches. É a conclusão a que chego depois de andar a subir e descer as ruas da Baixa. Umas melhores do que outras, é verdade, mas quase todas com o seu je ne sais quoi e um toque de diferenciação. Andava eu intrigado com esta relação quando me pediram para avaliar um dos novos sítios de sanduíches da cidade, o Sins Sandwich, criado por um franco-argelino. Fui lá uma, fui lá duas, fui lá três vezes. E posso garantir que eu, Francisco Beltrão, vou lá voltar o dobro, o triplo das vezes, se for preciso. Porque também me apaixonei. Pela sanduíche de costela mendinha.

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Baixa
Cantinho do Avillez
Fotografia: João Saramago
45/55

Cantinho do Avillez

4 /5 estrelas

Com os seus tempos áureos no final do século XIX, início do XXI, quando ligava o rio à cidade e tinha um importante papel mercantil – há casas centenárias que ainda persistem e merecem ser exploradas –, a Mouzinho da Silveira perdeu força nas últimas décadas. Mas, quiçá graças ao fenómeno das low cost, que têm feito renascer a Baixa, hoje a rua está outra vez a entrar na moda.
 E entre as novidades que todas as semanas acontecem no eixo Aliados–Ribeira, ninguém fica indiferente à estreia de José Avillez no burgo.

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Flores
Nabos da Púcara
Fotografia: João Saramago
46/55

Nabos da Púcara

4 /5 estrelas

Assim que se passa a porta, uma mercearia. Nas prateleiras bons azeites, boas conservas, bons pães – muitas coisas raras (como uma leve e extraordinária broa de Avintes) de produção nacional e de qualidade. Logo a seguir, na refrigeração, legumes da época e ao lado vinhos seleccionados. Tudo sem aquele ar de ostentação gourmet que se banalizou em cada esquina. Uma loja de bairro com o que o vizinho exigente precisa, guardanapos de papel incluídos. Valendo por si, este ambiente funciona também como um atestado para o restaurante, que se funde no mesmo espaço.

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Baixa
Cantina 32
Fotografia: João Saramago
47/55

Cantina 32

4 /5 estrelas

A terminar a refeição a rapariga poisa o vaso no meio da mesa, como se fosse um elemento decorativo a acompanhar o café. O meu amigo, um indivíduo alienado como Eliseu (a peneira do Benfica) sorri, mas assinala: “Falta a sobremesa”. Ela contrapõe, vitoriosa: “O vaso é a sobremesa”. O efeito é extraordinário. Toda a gente ri do equívoco. De repente, já não é apenas comida – é teatro, é encenação, é recriação. É aquilo a que hoje se convencionou chamar cozinha emocional, e que se sintetiza assim: o que acontece na cabeça importa mais do que o que acontece no estômago ou, pelo menos, importa primeiro.

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Flores
Rei dos Galos de Amarante
Fotografia: João Saramago
48/55

Rei dos Galos de Amarante

4 /5 estrelas

O nome deste restaurante deve-se ao anterior proprietário, que não só era de Amarante como vendia frangos no antigo Mercado do Anjo, ainda antes da construção do Palácio da Justiça. A D. Rosa e o Sr. Rodrigo, actuais proprietários, são amorosos e de uma simpatia e educação imaculada. Estão já algo cansados, mas fiquem todos sossegados que prepararam dignamente a nova geração. É uma casa de comida e para comer. Esqueçam a decoração, as mesas e os copos, porque aqui o interesse é na matéria-prima de primeira qualidade e no sabor das coisas boas das nossas avós. Pedimos de entrada uma fatia de queijo da Serra, que estava maravilhosa.

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Baixa
LSD Largo São Domingos
Fotografia: João Saramago
49/55

LSD Largo São Domingos

4 /5 estrelas

Para os menos informados, LSD quer dizer Largo de São Domingos. Em tempos antigos, a Rua das Flores era conhecida pelos terrenos hortícolas e florícolas que existiam naquela zona. Pouco tempo depois de a rua ser aberta iniciou-se a construção da bonita e imponente Igreja da Santa Casa da Misericórdia do Porto, e muito mais tarde a centenária Araújo e Sobrinho, que brevemente vai dar origem a um novo projeto hoteleiro. Este gastronómico Largo de São Domingos, conta agora, além do DOP e Traça, com o mais recente LSD. Projeto repartido entre os donos da Casa de Pasto da Palmeira e o recém-regressado ao Porto Cândido Pereira (ex-Terra). Saúdo este regresso pois considero-o um dos bons chefes de sala da cidade do Porto.

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Flores
O Buraco
© Marco Duarte
50/55

O Buraco

4 /5 estrelas

Dois sócios que trabalham juntos há mais de 30 anos raramente se dão bem. Mas aconteceu neste buraco, uma instituição no Bolhão que continua a receber calorosamente os portuenses. O espaço usa as mesmas madeiras escuras do início, mas o serviço é alegre e toda a gente se sente lá bem. Os habitués estão em casa, os novatos são rapidamente integrados. Mal uma pessoa poisa chegam logo os rissóis de peixe, recheio de consistência perfeita, muito saborosos. As opções para prato principal mudam diariamente, mas a pescada frita com salada russa é recorrente e incontornável: o peixe imaculado, refrescado com limão; a salada em cubos, os legumes ainda rijinhos como deve ser.

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Baixa
TRAM
©João Saramago
51/55

TRAM

4 /5 estrelas

O nome não podia estar mais bem conseguido. Este Tram fica de portas abertas para o rio, mesmo no início da linha 1, que vai do Infante ao Passeio Alegre. Decoração com muito bom gosto, mesas de madeira clara, pratos de grés vidrado e lugar para cerca de 50 comensais. De realçar ainda o serviço - é profissional e bem formado, o que infelizmente é cada vez mais raro. De entrada, vieram uns excelentes cogumelos carnudos, bem salteados, pimenta preta moída, com a originalidade dos coentros e do alho a lembrar Bulhão Pato, e uma salada de rúcula com balsâmico - tudo perfeito para uma refeição ligeira acompanhada de sangria.

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Miragaia
Reitoria
Fotografia: João Saramago
52/55

Reitoria

4 /5 estrelas

O proprietário deste Reitoria estudou hotelaria em Lausanne e animou-se com a agitação da movida portuense para se lançar no primeiro projecto da sua carreira. O espaço, junto ao Largo Moinho de Vento e bem perto da Reitoria da Universidade do Porto, não podia estar mais bem conseguido. Afirma-se como Wine Bar e Steak house e instalou-se num bonito prédio portuense do séc XIX restaurado a preceito, com uma bela varanda com oliveiras a embelezar o cenário. Duas mesas em madeira de ripas largas e ferro convidam a um copo no exterior e a uma das focaccias feitas na casa.

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Baixa
Portarossa
©João Saramago
53/55

Portarossa

4 /5 estrelas

O Corte Real, restaurante fozeiro de referência foi parar às mãos do empresário portuense Vasco Mourão, que já tinha no portefólio o Cafeína, um porto seguro, e o instável Terra. Nasceu assim o Portarossa, uma pizzaria refinada, para mais com alternativas belíssimas de comida a sério. O espaço é perfeito. Temos esplanada exterior com uns excelentes aquecedores para os dias de frio, temos espaço para fumadores numa espécie de jardim de inverno, temos uma sala principal sem pretensiosismos, mas de muito bom gosto e muito bem frequentada, e temos um ótimo espaço para famílias e criançada aos fins-de-semana.

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Foz
Real Hamburgueria
©DR
54/55

Real Hamburgueria

4 /5 estrelas

No último ano, as hamburguerias aprenderam várias lições, tantas e tão boas que se conseguiu resgatar esta comida do buraco da fast food, elevando-a a fenómeno de moda, em concorrência apertada com petiscarias trendy e casas de conservas. Esta Real Hamburgueria, na zona de Cedofeita, é um dos melhores exemplos do que se pode fazer com uma rodela de carne picada, com o valor acrescentado de ser servida num sítio agradável por pessoas agradáveis. A base são hambúrgueres altos, bem assados, os aromas da caramelização da proteína notórios. O agrião igualmente transversal, a dar picante e textura.

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Baixa
Taxca
©João Saramago
55/55

Taxca

4 /5 estrelas

Já não se aguentam os restaurantes de petiscos modernos, estilos e com má comida. Parece que de repente todos os empresários recém-chegados ao meio foram a Madrid e voltaram de lá com uma fixação: repetir em Portugal as tabernas de tapeo. Os resultados são quase sempre embaraçosos: ou a decoração é desajustada e nova-rica ou a culinária é incompetente. Esta Taxca “A Badalhoca” foge à regra. Aberta em Setembro, na Rua da Picaria, a Taxa é um híbrido de bar e restaurante, com mesas altas e bancos ao balcão, onde não falta uma fileira de presuntos (há lá quadro mai lindo).

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Baixa

Críticas de restaurantes

BoLa Falafel
© João Saramago
1/43

BoLa Falafel

3 /5 estrelas

Quando era mais pequena fartei-me de fazer teatro. Primeiro, porque o meu pai tinha uma companhia de actores e de actrizes que eu substituía sempre que alguma ficava doente ou batia com a porta queixando-se de falta de protagonismo. Segundo, porque era gulosa e pronto. Fingia desfalecer se não comesse aquele mil-folhas, ou tonturas se não despachasse um rissol de leitão rapidamente. Por isso, quando os meus pais anunciaram que iam a Israel, toda a minha veia dramática aflorou com prontidão. Era necessário que me trouxessem tâmaras Medjool. No regresso, a bagagem da minha mãe era um escândalo: sete quilos deste fruto seco polposo e docíssimo.

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Porto
Tasquinha Zé Povinho
©DR
2/43

Tasquinha Zé Povinho

3 /5 estrelas

Num prato de barro pendurado na parede lê-se: “Bom e baratinho é no Zé Povinho”. E, contando que saímos de
lá a rebolar e com menos 7,50€ no bolso, não estão a dizer mentira nenhuma. Para começar, uma salada de polvo
com pimento, cebola e salsa que, não estando nada do
 outro mundo, deu para entreter enquanto não chegavam as pataniscas. Estas eram fofas e generosas no peixe, e vinham acabadas de fritar, sem pinga de óleo. Ao lado, umas migas de feijão frade com falta de tempero e, para fechar, uma tarte de leite condensado, húmida e deliciosa. O ponto alto da refeição.

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Cedofeita
Óbio
©Claudia Paiva
3/43

Óbio

3 /5 estrelas

A primeira lembrança que tenho da Vanessa é ela a lançar-se com toda a força à minha cara. Vinha preparada para me dar um soco, mas uma esquiva rápida safou-me do pior primeiro encontro de sempre. Ficámos amigas desde essa altura, mas fi-la jurar que só andávamos à pêra dentro do ringue. Isto porque no boxe ela ganha-me em força e em altura. Apesar das notórias diferenças físicas, temos uma conversa comum – aquela em que juramos que vamos começar a comer melhor (e a puxar mais ferro). 
Por isso, quando o Óbio abriu, ali nos Poveiros, cheio de produtos biológicos vindos de pequenos produtores e com uma simpática mercearia com azeites, compotas e manteigas à venda, pareceu-me óbvio leva-la lá.

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Baixa
Café Progresso
© Cláudia Paiva
4/43

Café Progresso

3 /5 estrelas

Progresso foi tudo o que eu esperei deste café que se intitula o mais antigo do Porto, nascido botequim no final
do século XIX. Fui lá quando reabriu, em Setembro do ano passado, com nova carta, nova cara e nova gerência, mas saí de boca amarga. O atendimento não foi dos mais afáveis, a comida não foi das mais saborosas, e a conta foi demasiado alta para a experiência. Ainda assim, voltei, muito recentemente e mais do que uma vez, porque não devemos condenar um restaurante à nascença só porque a primeira impressão não foi das mais amistosas. Quatro meses depois, pensei, já teriam tido tempo para afinar a carta e o pessoal. Ao pequeno-almoço correu tudo bem.

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Baixa
Grito's Café
©Claudia Paiva
5/43

Grito's Café

3 /5 estrelas

Ainda não tinham batido as 13.15 e mais de metade da comida anunciada na ementa já não existia na cozinha. Especialmente as moelas, pelas quais já salivávamos. Sobrou-nos uma costeleta de vitela tenra, bem temperada,
 e ligeiramente mal passada e uma alheira de Mirandela
 que não desiludiu, com a gordura que a caracteriza, acompanhada por umas batatas fritas ultracongeladas sem graça e um arroz solto, um pouco salgado. As sobremesas – uma mousse de chocolate e um cheesecake feitos por uma irmã da patroa – não estavam más.

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Matosinhos
Hard Rock Café
©Marco Duarte
6/43

Hard Rock Café

3 /5 estrelas

E nós que até estávamos com a pica toda. Havia festa depois de jantar e, convenhamos, com o passar da idade,
 os convites e a genica para grandes comemorações desaparecem que nem barris de cerveja em dia de Santos Populares. Por isso, entusiasmados, criámos todo um aparato à volta do assunto. O ambiente descontraído, a música, o atendimento (demasiado?) informal (sempre me questionei se contratam o pessoal pela sua esfuziante alegria ou se lhes dão alguma coisa para beber/fumar antes do serviço começar...) e a comida gulosa do Hard Rock Cafe pareciam ideais para uma sexta à noite para namoriscar. Fomos encaminhados até à mesa por 
uma menina que batia com os seus crachás na lapela, em maior número que o recorde de medalhas olímpicas conquistadas por Michael Phelps, e que anotou o nosso pedido de cócoras junto à mesa. As bebidas primeiro.

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Aliados
Terra
Fotografia: João Saramago
7/43

Terra

3 /5 estrelas

Nunca gostei de dados adquiridos ou de pessoas garantidas. É meio caminho andado para o deixa andar e para que o tédio e o desinteresse se instalem na vida como lapas agarradas a uma rocha. Prefiro a busca constante pela felicidade. Esteja ela no amor ou à mesa. E com isto quero dizer, que 
a relação entre um homem e
 uma mulher é muito parecida à relação que um homem ou uma mulher têm com um restaurante e com a sua comida. Se esta não os espicaça de vez em quando, se não lhes apimenta a vida, lá se vai o entusiasmo. Lá se vai o encanto. O Terra, de Vasco Mourão, também dono do Cafeína, é 
um daqueles casos em que se instituiu que era bom porque era bonito e porque era frequentado por gente fina da Foz.

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Foz
Adega do Carregal
©Claudia Paiva
8/43

Adega do Carregal

3 /5 estrelas

A minha mãe acha que eu ainda tenho 15 anos. Liga-me meia dúzia de vezes durante o dia a perguntar se tomei o pequeno-almoço, se comi bem ao almoço, o que é que vou jantar e se trinquei qualquer coisa a meio da tarde, para não me dar a fraqueza. Numa destas semanas ligou-me a avisar que andava pelo Porto, às compras, atrás de uma gravata para o meu pai. “Anda, que eu pago-te o almoço”, disse, chantagista. Encontrei-a minutos depois, sentada num banco da Praça Carlos Alberto, cheia de sacos enfiados nos braços. Da gravata do meu pai, nem sinal. Fomos até à Adega do Carregal, na Baixa, a poucos metros dali.

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Cedofeita
Casa Bragança
©DR
9/43

Casa Bragança

3 /5 estrelas

Tínhamos várias condicionantes logo à partida: 1) Era um restaurante na Baixa;2) Era hora de ponta;3) Estava a abarrotar de turistas. Ainda assim, arranjámos lugar. Pedimos umas pataniscas que se revelaram massudas, com um polme farinhento, mas que desapareceram da memória quando a sopa de peixe aterrou na mesa – aromática, a saber a camarão e pimenta, e com pedacinhos de peixe. Depois, chegou uma alheira banal, acompanhada por umas boas batatas fritas estaladiças e um ovo estrelado na perfeição.
 A picanha, alta, veio passada demais, mas trazia um feijão preto divinal com bocados de bacon, temperado com cominhos. Para terminar, um leite-creme caseiro, com limão. Vinha com grumos, a atestar a sua veracidade, mas que não incomodaram (muito).

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Baixa
Ammar
©João Saramago
10/43

Ammar

3 /5 estrelas

“Gosto de o ver comer.” Uma das características das mulheres do Norte é gostarem de ver os homens comer bem. Especialmente o que cozinham para eles, dedicadas e cheias de complacência, enquanto verbalizam mentalmente um “Come filho, que estás tão magrinho” mesmo que isso não seja, de todo, verdade. Durante a semana, quando vamos tomar café depois do jantar, ele empanzina-se sempre com fatias de bolo de bolacha, cheesecakes de frutos vermelhos ou palmiers com chocolate. Fecha os olhos enquanto os saboreia e vestígios dessa alarvice de fim de noite ficam-lhe espalhados pela barba e bigode. “Um charme” que apela, depois, à minha intervenção. Não foi diferente quando agarrou no pão morno e estaladiço do couvert do Ammar, o restaurante em Leça da Palmeira com vista para o oceano.

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Leça da Palmeira
Noshi Coffee
©Marco Duarte
11/43

Noshi Coffee

3 /5 estrelas

Eu e a minha mulher temos um acordo. Ao fim de cinco anos de casamento há que fazer cedências de parte a parte. Por cada três restaurantes que ela escolhe, vamos a um onde eu possa comer que nem um alarve. Desta vez não tive essa sorte e fomos almoçar em dia de trabalho, depois de ela argumentar via whatsapp que nunca íamos a lado nenhum. O costume. Eu sou um traste. Sugeriu o Noshi Coffee, na Baixa. Um restaurante/cafetaria com design moderno, cores claras, onde os hipsters bebericam o seu café de filtro nas calmas. Claro que estas coisas das cedências dão sempre azo a discussões de magnitude 3 na escala de Ritcher, quase sempre em via pública.

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Clérigos
The Dog – Casa do Cachorro
© João Saramago
12/43

The Dog – Casa do Cachorro

3 /5 estrelas

O almoço podia ter sido uma desgraça, já ia preparada para isso, porque a minha colega de trabalho é a desgraça em pessoa e fala sobre o assunto sem pausas para respirar. Já partiu o nariz, já foi operada aos dois joelhos e anda com uma crise de rins. Começo a achar que, tal como o meu prego de novilho com queijo Brie, mel e compota de cebola (4€), ela é feita de um material estranho. À primeira dentada fiquei com o bife pendurado na boca, qual cão com sede. O que, ainda assim, não desmotivou o senhor do balcão de mandar umas piadas de engate para cima de nós. Já o prego da vazia com queijo e fiambre estava óptimo (4,50€). Tenro, simples e saboroso. As batatas fritas, no ponto, sem gordura e estaladiças. Mas quanto ao cachorrinho, discordámos. Para ela estava bom, para mim salgadíssimo. O que me fez sair de lá a ameaçar partir-lhe mais qualquer coisa.

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Boavista
Páteo das Flores
©Marco Duarte
13/43

Páteo das Flores

3 /5 estrelas

O almoço andava a ser adiado há tempo demais, coordenar agendas de gajas é pior do que aprovar um Orçamento de Estado num parlamento que não se entende. Por isso, quando a apanhei a jeito aqui no Porto (ela mora em Lisboa), arrastei-a até ao recém-aberto wine bar com petiscos da Rua das Flores. Chegámos tarde, logo escapámos à enxurrada de turistas afogueados que acorrem aos bares de vinho da cidade como se esta fosse the ultimate experience. Relatos que, depois, imagino, partilhem efusivamente com os amigos e vizinhos back home. Mas vamos ao que interessa. Lá dentro, uma placa dourada anuncia que a decoração ficou a cargo de Pedro Mourão Interiors.

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Flores
Alfredo Portista
©Claudia Paiva
14/43

Alfredo Portista

3 /5 estrelas

Podia ter dado para o torto, já que sou um benfiquista ferrenho e o Zé, um sportinguista convicto. 
A bem da verdade, tentei, ao longo dos anos, que mudasse de cor clubística, mas ele gosta de sofrer. E como diz o povo: burro velho não aprende línguas. Mas foi na paz, viva o fair play, até à mesa. Entrámos numa tasca na Batalha decorada com retratos dos plantéis do Futebol Clube do Porto e petiscámos uns bolinhos de bacalhau quentinhos e nada massudos, com mais peixe do que batata, que escorregaram bem com dois finos frescos.

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Baixa
Cafetaria Praia da Luz
©Claudia Paiva
15/43

Cafetaria Praia da Luz

3 /5 estrelas

A Praia da Luz no seu todo – que em boa verdade é um território de pequenas dimensões – é um daqueles sítios que apetece em qualquer altura do ano. Nos primeiros dias de sol 
do ano, quando as ondas ainda são grandes, nos primeiros da Primavera, quando já há gente que se aventura na água, e, claro, no pino do Verão, de preferência quando dá para estender a toalha, nem que seja por 10 minutos. Infelizmente, não foi o caso. Fui almoçar à Cafetaria da Praia da Luz em dia de trabalho. Esplanada cheia, saladas a saírem da cozinha para o exterior, lá dentro (no andar intermédio, sublinhe-se, que em cima fica o restaurante mais a sério), alguns grupos de pessoas em almoços tranquilos, quase todas as mesas em frente à janela ocupadas.

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Foz
Oficina
©Marco Duarte
16/43

Oficina

3 /5 estrelas

Muito se tem ouvido falar do oficina. Muito se tem lido sobre o Oficina. Muito se tem instagramado o Oficina – a provocação do painel com neon à entrada, um directo “Fuck Art Let’s Eat”, trabalho assinado por Filipe Marques, está lá mesmo a pedir a fotografia. Mas há mais: apesar de trendy, cool, kitsch e outros estrangeirismos que tais, o quarteirão da Bombarda não tinha até agora uma oferta na restauração tão séria. Por séria entenda-se assinada por um chef credenciado – Marco Gomes, ex-Foz Velha –, num espaço muito bem trabalhado e decorado – o projecto
 é do galerista Fernando Santos, figura incontornável da rua –, carregado de obras 
de arte – Pedro Cabrita Reis é só um dos nomes que tem intervenções no restaurante.

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Cedofeita
Bocca
©Marco Duarte
17/43

Bocca

3 /5 estrelas

Quando me sento à mesa de um restaurante e pergunto “o que é que recomenda?” é como se pedisse: “vá, diga-me lá o que é que é bom”. Não sou dona de nenhum estabelecimento, mas ando no métier há tempo suficiente para saber que muitas vezes essa é a base para abrir um negócio. “Ah, eu faço uns ovos mexidos com espargos óptimos” – toma lá uma casa de petiscos; “Ah, eu nasci em Matosinhos e sempre fui comprar peixe a Angeiras” – inventa-se uma peixaria moderna; “Ah, eu não vivo sem carne e sempre quis ter um sítio com bifes maturados” – faça-se um templo carnívoro. Graças a Deus, boa parte das pessoas tem amor ao dinheiro e constrói a coisa com tino.

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Foz
Prégar
©João Saramago
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Prégar

3 /5 estrelas

A forma infeliz como acabou um almoço no Prégar podia ser razão suficiente para retirar uma estrela das acima pintadas: comi alguma coisa estragada e fiquei com uma breve, mas dura, intoxicação alimentar. Afirmo-o com toda a certeza, porque tanto eu como a minha companhia de almoço passámos, digamos, uma tarde menos agradável, tal e qual com os mesmos sintomas. E como foi tudo dividido ao centímetro, não restam dúvidas. Porque não penalizar o restaurante? Porque não devia acontecer, mas também acontece aos melhores. Relembro uma intoxicação alimentar no Noma, um dos melhores do mundo, em 2013. Deixou de ser um dos melhores? Não. E sobre este Prégar, só posso acreditar que se tratou de um infeliz azar.

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Flores
Tapabento Trindade
©Marco Duarte
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Tapabento Trindade

3 /5 estrelas

Há muitos ingredientes especiais no mais recente Tapabento da cidade. Poucas mesas em Portugal, mesmo como a estrelada aqui do lado, juntam cogumelos Eryngii, trufa negra, manteiga “das Marinhas” e a muito exótica pimenta nepalesa “Timut”, parecida com a de Sichuan (12€). No prato ressaltam ainda mirtilos e um pão escuro, dispensável mas que não desmerece o conjunto, um belo prato muito por causa do aroma da trufa, do molho beurre blanc elegantíssimo e do cogumelo, bem assado e carnudo, a lembrar um boleto.

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Baixa
Cozinha da Baixa
©João Saramago
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Cozinha da Baixa

3 /5 estrelas

A grande aposta da casa é no arroz de tomate. A dose vale 2,50€ e pode haver reforços a custo zero, o que é um excelente negócio para o cliente. Os bagos vêm malandrinhos, ainda rijos, envolvidos num caldo com troços de pimentos, tomates e aipo, uma originalidade boa. Pena usar-se arroz agulha e não o carolino, mais gordo e saboroso. De resto, a carta está organizada com acompanhamentos ao arroz, onde há clara predominância de fritos. Provaram-se umas chamuças destinadas a papilas ocidentais (4€), sardinhas pequenas (4€), ovos verdes (3,50€, a gema amarelinha, o que é cada vez mais raro, bom sinal) e trouxas de empadão (4,50€), também fritas, que ganharam o prémio cena-mais-louca-do-menu.

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Galerias
RIB - Beef & Wine
© João Saramago
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RIB - Beef & Wine

3 /5 estrelas

Fica mesmo na Praça da Ribeira e a esplanada tem o postal todo do Douro e da Ponte de D. Luís I. A especialidade são carnes e não vale a pena inventar. Num destes dias, eu e um amigo começámos com um bom couvert de pão quente, bom azeite e manteigas de trufa excelentes (2,50€). Para os principais, pedimos a entrecôte (150 g, 16€) e um bife da vazia maturado (300 g, 21€). A entrecôte chegou resfriada, mas bem grelhada, acompanhada por três tipos de sal. Estava média malpassada, como era suposto, mas a carne farinhenta e sem grande sabor. A vazia, por sua vez, parecia carne fresca, com muito pouca (ou nenhuma) maturação (apesar de nos terem falado em 14 dias).

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Ribeira
O Buraquinho
©DR
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O Buraquinho

3 /5 estrelas

Descemos a uma cave nos Poveiros para encher a barriga de vísceras e outras coisas boas. Uma pilha delas. O combinado médio leva bucho, tripa, orelheira, morcela e rojões (5,50€). Vêm num prato de sobremesa e formam um montinho de carnes com uns 15 centímetros. A acompanhar broa de centeio e dois palitos para picar. O pesadelo de qualquer vegan faz a delícia de quem conhece a casa, há muitas décadas aqui estabelecida e há uns meses remodelada. Para lá chegar, tem de se descer umas escadas. Em baixo, vê-se um balcão bonito de madeira escura, meia dúzia de mesas, ambiente de tasca antiga.

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Baixa
Presunção e Àgua Benta
©João Saramago
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Presunção e Àgua Benta

3 /5 estrelas

Podia começar esta crítica com uns trocadilhos sobre o nome do restaurante, mas prefiro abster-me de o fazer – até porque, além de fazer sentido pela morada,
 o Largo do Priorado, não encontro explicação para a ideia. Não senti presunção da parte de ninguém e fui muitíssimo bem recebido. Gostei do sítio, a sala de baixo estava cheia ao almoço, as cinco opções de pratos de dia soaram-me bem e arrisquei num arroz de cabrito – veio primeiro uma
sopa de feijão verde insossa e demasiado líquida. O aparatoso prato trazia um arroz com açafrão, grelos e alguns pedaços de cabrito bem cozinhado, até com alguma gordura. Bom, não histórico.


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Baixa
Galeria do Largo
©DR
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Galeria do Largo

3 /5 estrelas

– De que é feito o pão?– De cereais – responde o empregado. Já conhecia a versão sopa, habitual nas tascas. (“De que é a sopa?”. “De legumes.”). Sucede que a Galeria do Largo é um restaurante com preços puxadotes, guardanapos de pano e quadros com pessoas antigas e importantes nas paredes (tendência? Ali ao lado a Cantina 32 também os tem), que certamente não se contentariam com a resposta. O efeito teria sido atenuado fosse a comida superior. Mas não aconteceu. Em causa estava um pão de mistura de trigo e centeio, razoável, acompanhado de um pratinho de azeite e balsâmico, razoável, que abriu um almoço... razoável.

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Flores
3 Hyôshi
©José Saramago
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3 Hyôshi

3 /5 estrelas

O sítio comunga do mesmo problema do Zé Bota: fica escondido numa travessa atrás do Piolho e, como tal, só lá vai quem, bom, quem quer mesmo lá ir. Talvez isso explique que nas duas visitas o restaurante estivesse semivazio. O que não impediu os sushimen e a pessoa responsável (pareceu-me ser a pessoa responsável) de serem extremamente simpáticos. E não naquela onda de apaparicar os (quase) únicos clientes do dia. Aqui o serviço é muito, muito bom. Já a comida fica um bocadinho abaixo do que se quer num japonês. Ou numa tasca japonesa, como se intitula o 3 Hyôshi. É que além de sushi, há alguns petiscos nipónicos que estão no arranque da ementa e pelos quais fui aconselhado a começar.

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Clérigos
Cruel
©João Saramagp
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Cruel

3 /5 estrelas

Costumo tirar as medidas a um restaurante na primeira ocasião. Ou seja, ou vou logo com a cara do sítio ou não. Estou a falar, claro, do ambiente, da decoração, daquele primeiro embate com o serviço. E antes de provar qualquer coisa – reforço, tiro a pinta ao sítio, não à comida –, percebo se sou capaz de voltar ou não. Estranhamente, não aconteceu isso com o Cruel, um dos restaurantes da moda, com a consultoria do chef Luís Américo. Gostei da luz da primeira sala, do aparador, da decoração, da solução encontrada para o sítio não parecer uma antecâmara.


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Baixa
Lupin
©João Saramago
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Lupin

3 /5 estrelas

Quero começar este texto com um esclarecimento. Não tenho nada contra a comida vegetariana. “Oh!, oh!, mas porque haveria de ter, Francisco?”, perguntarão alguns que me lêem. Porque eu sei muito bem que há por aí gente que acha que não é comida digna e que gosta de fazer as piadolas costumeiras, do tipo, “e depois do vegetariano, onde vamos comer?”. E sei disto porque tenho amigos assim. Então, quero aqui frisar que gosto de restaurantes vegetarianos. Do mesmo modo que simpatizo com restaurantes
em sítios originais. Ok, é um segundo esclarecimento.


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Campo Alegre
Porta 4
©João Saramago
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Porta 4

3 /5 estrelas

O final da refeição no Porta 4 lembrou o irritante anúncio ao Danoninho que passava na TV, em que a criança ouvia da mãe o “falta-te um bocadinho assim”. Aos dois cozinheiros há pouco saídos da Escola de Hotelaria que decidiram, no Verão, abrir um bar de tapas nas Virtudes, que já foi oficina do chef Pedro Limão, faltou um bocadinho aqui e ali para as quatro estrelas. Faltou crocância ao pão aquecido com orégãos e azeite. Faltou sal ao caldo verde reinventado, com a couve picada muito fina, uma rodela de chouriço e pedaços de pão torrados – agradável, mas podia estar mais apurado.

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Baixa
1858 BBGourmet
© João Saramago
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1858 BBGourmet

3 /5 estrelas

Tenho acompanhado a vida do grupo bbgourmet ao longo dos anos. Gosto de quase todos os restaurantes, nem sempre simpatizo com as zonas escolhidas para abrir as lojas mas, regra geral, até tenho tido boas experiências. Excepção à regra, que me leva directo ao assunto: este foi o primeiro bbgourmet que me desiludiu. Já lá tinha ido uma vez ao almoço e tinha ficado com aquela sensação amarga. Serviço pouco simpático (o que não acontece nos outros), comida assim-assim, espaço vazio, frio... Bom, pensei, tive azar. Afinal, pelo que me venderam, este era “o” bbgourmet, o restaurante mais criativo de toda a irmandade.

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Baixa
Restaurante Chinês
© João Saramago
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Restaurante Chinês

4 /5 estrelas

Devo confessar que já lá iam uns anos desde a última vez que tinha entrado num restaurante chinês tão típico quanto este. Ok, vou exemplificar. A decoração é a característica dos anos 80, há fotografias na ementa, há chop sueys, galinhas fritas (ou "flitas", como os adolescentes gostavam de sublinhar no pedido), bananas fritas (flitas), talheres para quem não se ajeita com pauzinhos, tudo. Ou melhor, tudo aquilo que os anos zero deram cabo (em muitos casos, bem dado) e que deu origem aos buffets de sushinês. Foi assim, receoso, que fiz o primeiro e mais óbvio pedido: "um crepe, s.f.f." (um clepe! – bom, é a última vez, até porque aqui o serviço faz-se bem e em português).

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Bacalhau
©DR
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Bacalhau

3 /5 estrelas

Anda aí uma certa empresa nórdica a pagar formações fora de Portugal, desde o final do ano passado, a conceituados chefs da nossa praça, alguns deles até estrelados. O objectivo é tentar criar hábitos de consumo com o bacalhau fresco. Pessoalmente, acho-o muito pouco interessante e sensaborão. Mas, à parte os gostos pessoais, só não está a deixar mais mazelas às tradicionais empresas de bacalhau, que tantas famílias sustentam, porque felizmente os portugueses não estão a aderir a essa moda. Este Bacalhau, que fica, quem diria, no Muro dos Bacalhoeiros, na Ribeira, apela à portugalidade e é também uma loja de vinhos, azeites e queijos.

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Ribeira
Tattva Restaurant e Bar
© João Saramago
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Tattva Restaurant e Bar

3 /5 estrelas

Na mesa ao lado há jovens
 da Nova Zelândia, Coreia do Sul, Alemanha, Holanda, Estados Unidos. Parece publicidade da Benetton. Jantam todos juntos e têm como anfitrião um empregado da casa que vai distribuindo shots de Porto, avisando antes (sem sucesso) que “não é para beber tudo de uma vez”. Sou o único cliente a falar português e provavelmente também o único que não vai dormir num beliche nessa noite. Sugerem-me as chamuças de frango e sugerem muito bem, que elas vêm estaladiças, saborosas e secas de óleo, e com um molho agridoce e outro de menta.

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Batalha
Size
©João Saramago
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Size

3 /5 estrelas

Com a diversidade da Baixa, é fácil encontrar aquilo a que chamo (eu e outros quantos) de restaurantes-tipo. Tipo quê? Tipo bom para levar os amigos, tipo bom para impressionar uma miúda, tipo perfeito para comer até ficar sem fome, ideal para ir em dias de chuva, bom para ser bem tratado… e tudo o resto que quiserem categorizar. Do Size há a dizer que é o restaurante-tipo ideal para: 1)almoçar; 2) num sítio com luz; 3) ser bem servido; 4) comer rápido; 5) a preços da nova Baixa (ler carotes para a hora do almoço). Pelo que conta o perfil do Facebook, há sempre dois pratos do dia, que mudam todas as semanas, além de servir todos os complementos que pede uma hora de almoço.

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Galerias
OPorto Café
©João Saramago
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OPorto Café

3 /5 estrelas

O irmão mais velho deste novo projecto, o Oporto, já tem uns bons anos de atividade (e fica situado no simpático Largo da Igreja da Foz). Este Oporto Café, no Passeio Alegre, tem umas vistas esplendorosas para a Foz do Douro. Por isso, antes ou depois do repasto, um passeio a pé é mesmo obrigatório. Decoração fresca, relaxada e de muito bom gosto (com um curioso gosto pelos azuis), entre o azul bebé do exterior e os móveis pintados de branco, o azul escuro dos sofás e o cinza-petróleo do bar de entrada que convida a um copo depois do trabalho. Mesas de madeira com individuais vermelhos, algum inox bem integrado e alguns espelhos a dar amplitude à sala. Gostei.

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Foz
Comme Ça
©João Saramago
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Comme Ça

3 /5 estrelas

Até me considero rodado em restaurantes. Mas nunca tinha ido a um com um conceito tão radical: ao jantar só há pratos para duas pessoas. Só. “Mas se quiser vir sozinho?”, perguntei. “Vai ter de pedir o prato para dois”, responderam. Estranho, pensei eu. Ainda por cima quando existe uma mesa com lugar apenas para uma pessoa só. Mas pronto, c’est comme ça. Jantei lá num dia de semana, vésperas de Natal, sala cheia de grupos, atendimento assim-assim, e provei – provámos, já que tive de arrastar companhia – o que me pareceu o prato mais fora do comum da (curta) lista: truta salmonada com queijo da Serra.

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Baixa
TapaBento
©João Saramago
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TapaBento

3 /5 estrelas

Ao lado da Estação de São Bento e na fileira de boas casas de comida da cidade, abriu recentemente o TapaBento. Diz-se um sítio de Tapas & Coisas Boas e, sem perder a identidade de tasquinha, assume um lado rústico com alguma modernidade. Ao almoço tem sempre um menu com sopa, prato do dia, sobremesa, pão, bebida e café por 7,50€. No dia em que fui, a sopa era de aipo, com o sabor activo do mesmo a sobressair pouco e a confundir-se com um banal creme de legumes. O bacalhau à Brás, tem a primeira nota positiva por ser feito com batata palha caseira.

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São Bento
Casa Vasco
© João Saramago
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Casa Vasco

3 /5 estrelas

Esta Casa Vasco já foi Fooding House e Cafeina Wine & Tapas. Agora tem um estilo rústico- chique, paredes com lambris de madeira, cadeiras originais e vasos metálicos, um colorido campestre – tudo com bom gosto. Há uma esplanada mas tem a desvantagem de apanhar com a fumarada dos carros. Sentei-me no interior. Na mesa uma manteiga que, de tão dura, foi sorte não ir ter à mesa da tia do lado. Saltei para o tomate marinado com azeite e alecrim, servido num bonito frasco de compota. Montavam bem o pão banal. Os “ovos rancheiros” eram um taco de milho a saber a pipoca, com uma tomatada fresca, coentros, cebola estalada, ligeiramente picante, um gostoso avinagrado e um ovo bem estrelado por cima.

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Foz
Baixa Burguer
©João Saramago
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Baixa Burguer

3 /5 estrelas

Vão achar-me uma pessoa estranha, mas não gosto de restaurantes com serviço estilo FedEx. Daqueles em que faço o pedido, dou uma vista de olhos à sala, penso em tratar de pendentes, mas baixo os olhos para o telemóvel e o prato já aterrou na mesa. Aconteceu-me no Baixa Burguer. E por estar sozinho, até podia ter sido um favor que me faziam, mas não. Afinal, a pressa é inimiga da perfeição. E o hambúrguer estava bom, mas longe de ser perfeito. Note-se, porém, que apesar das hamburguerias nascerem que nem cogumelos, há aqui uma série de receitas interessantes e originais. Como o hambúrguer com molho de francesinha, que me deixou tentado.

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Baixa
Coma
©João Saramago
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Coma

3 /5 estrelas

Tem uma das salas mais bonitas da restauração do Porto, estilo moderno e urbano, em linha com o que de melhor existe na Europa. Logo à entrada, um balcão comprido com copos pendurados, tecto alto, ventoinhas e candeeiros em forma de cadeia de átomos. Ao fundo, um espaço mais reservado para onde passam mulheres de saias curtas e homens de blazer de grife, gente elegante à procura de comida elegante. A carta não os desmerece,
com muita coisa mediterrânica (saladas, pizzas, massas) e algumas criações luso-asiáticas.

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Aliados
O Antigo Carteiro
©João Saramago
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O Antigo Carteiro

3 /5 estrelas

Em Lordelo do Ouro, junto à Rua do Ouro, existe um simpático larguinho de casario baixo e castiço onde se respira tranquilidade e vizinhança à moda antiga. Enquanto passava na rua, uma moradora batia à porta da outra e pedia farinha para acabar o jantar do seu “mais que tudo”. “Ó mor, entra e tira aí de cima. Num te acanhes, carago!” Esta alma à Porto, ainda por cima com o rio ali tão perto, abrem de imediato o apetite. Conheço este Carteiro há pelo menos há 10 anos. Teve altos e baixos, mas mesmo com uma nova gerência, manteve o chef, alterou muito pouco a estrutura base, a sensação de estarmos em casa e a decoração.

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Porto
Frida
Fotografia: João Saramago
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Frida

3 /5 estrelas

Gostei logo da sala. Da parede forrada a jornais, dos sofás com capitoné, dos abat-jours. É verdade que há muito folclore da América do Sul, mas tudo arrumado, discreto, a mesma luz ténue que faz qualquer decoração parecer mais sofisticada, e um corpo feio nu parecer um corpo razoável nu, e a Frida Kahlo parecer não ter bigode. Também gostei do humor. Na casa de banho dos homens, em frente ao urinol, uma frase lembra que temos “o futuro do país nas mãos”. Outra coisa boa, o serviço: eficiente, simpático, conhecedor. Outra ainda, os produtos: quase tudo fresco e processado na casa. A terminar os elogios, nota alta para as margaritas.

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Cedofeita
Tia Orlanda
©João Saramago
42/43

Tia Orlanda

3 /5 estrelas

A Tia Orlanda é da Zambézia e dá a cara, juntamente com a simpática família, a um dos raros restaurantes de comida moçambicana no Porto. Fiz lá dois repastos bem agradáveis. Começando pelas entradas, pedi chamuças (1€). Bem diferentes das indianas, vinham com uma carne suculenta, coentros, cebola, muito picadinha e picante q.b. As gambas fritas (10.50€, meia dose) haviam sido marinadas num tempero que a Tia Orlanda não desvenda. Muito suculentas, embebidas num molho aveludado. Nos principais, o tocossado de peixe (7€) era uma posta fina de cherne estufado com tomate e pimento.

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Taipas
Kardoso
©João Saramago
43/43

Kardoso

3 /5 estrelas

Ir ao Kardoso e não comer uma das suas várias versões de francesinha é como ir ao Dragão e não ver o Papa. Perdão, a Roma. O atual proprietário, ex-Yuko e Paparico, criou à cerca de um ano uma casa com um conceito similar. Ambiente escuro, rústico, algo démodé e com espaço para cerca de 30 comensais. Petiscos, conservas e menos de meia dúzia de pratos de comida a sério. Experimentámos a Merkel Frita (6€), aqui fomos nós a fazer-lhe a cama. Salsicha alemã grossa em rodelas finas, passadas na frigideira e com ligeiro sabor a mostarda Savora, acompanhada de excelente pão.

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Baixa

Críticas de restaurantes

Presuntaria
©Marco Duarte
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Presuntaria

2 /5 estrelas

Não tenho por hábito julgar um livro pela capa, sem o ler, nem um restaurante pelo seu aspecto exterior, sem provar a sua comida, mas as luzes desligadas num dia sombrio e
 a televisão sintonizada num canal sensacionalista não foi
 dos melhores prenúncios. Também não havia presuntos pendurados por cima do balcão, como o nome sugeria, por isso, pus as minhas considerações sobre a decoração de lado e atirei-me à costeleta de vitela, um bom naco de carne tenra e saborosa (7€). Os lombinhos de porco não estavam maus (7€), mas as batatas fritas e as sobremesas ultracongeladas deixaram muito a desejar.

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Grande Porto
Adega do Quim
©João Saramago
2/12

Adega do Quim

2 /5 estrelas

Meus caros, se eu sobreviver até à próxima edição 
desta revista, deve-se única e exclusivamente à piedade 
da minha mulher. O sítio onde ela queria ir almoçar estava
 a abarrotar e eu, com pressa (um homem devia aprender
 a estar calado), sugeri irmos almoçar à Adega do Quim. Pedimos uma sandes de panado, uma vitela assada no forno, e uma mousse “caseira” de chocolate. Tudo para partilhar. 
A sandes era básica, pão seco e um panado desinteressante. A vitela estava saborosa, mas podia estar mais tenra. Gostei, contudo, do arroz que a acompanhava, e ela das batatas. Mas o pior foi quando a mousse “caseira” aterrou na mesa, um claro sucedâneo de pacote. A refeição acabou com a Rita a insultar o empregado e eu a pagar contrariado 15,90€ para duas pessoas. Não imaginam o que ando a ouvir em casa.

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São Bento
Moules & Jugs
©Marco Duarte
3/12

Moules & Jugs

2 /5 estrelas

Logo a abrir fez-se questão de informar o cliente de que o restaurante não é um franchise das casas de Lisboa, mas sim um posto avançado da própria casa de Lisboa. Nenhuma comoção, até porque as casas de Lisboa não me deixam eufórico. Estava sobretudo curioso para perceber se algo de positivo podia resultar da maior proximidade com os bivalves da Galiza e do sítio em si, um rés-do-chão com pátio nas traseiras, típico dos edifícios de Miguel Bombarda. Não resultou, embora o pátio seja muito agradável. De resto, tudo de facto “igual” aos seus irmãos ou pior. Os mexilhões existem com diversos molhos, das Meunière às Fraîche, das Chili às Bulhão Pato.

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Cedofeita
Muda
©João Saramago
4/12

Muda

2 /5 estrelas

Pouco tempo depois de este Muda inaugurar, jantei lá. Na altura, dei o benefício da dúvida, cumprindo o período de silêncio de três meses, após a abertura dos restaurantes, que sempre se cumpre neste espaço de crítica. Mas agora era a hora da verdade. Na noite anterior a lá comer passara pela porta, nas Galerias de Paris, e espantara-me com a esplanada cheia. Portugueses eram muito poucos, é verdade, mas mesmo os turistas já vão tendo formas de não caírem em armadilhas. No dia seguinte, fui lá almoçar e desta vez era só eu e o meu amigo no piso de baixo. Pratos à carta não havia, pelo que tivemos de nos submeter ao menu de almoço, com duas opções de entrada e de prato principal.

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Galerias
Raiz
©José Saramago
5/12

Raiz

2 /5 estrelas

Há um novo tipo de dono de restaurante que prolifera.
 Pode ter formação em direito
 ou em microbiologia, gestão 
ou engenharia, mas do que ele realmente parece gostar é de design. O novo empresário da restauração sabe de cadeiras girinhas, sabe escolher uma fonte de letra moderna para o menu e tem até ideias para o grafismo do site. Muitas vezes é audiência do Querido, Mudei a Casa, conhece o catálogo actualizado da Area e do Ikea e sempre que pode introduz um elemento vintage ou uma nota de improviso home made na sala. Outra coisa que o distingue é o cuidado na escolha da louça: excita-se mais com o tachinho à la Cruiset do que com os rojões que lá vêm dentro (tenros mas desenxabidos).

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São Bento
Dona Maria Pregaria
©DR
6/12

Dona Maria Pregaria

2 /5 estrelas

O Porto precisava de uma pregaria. E não sou eu que o diz. São as enchentes à porta da Dona Maria Pregaria, todas as horas de almoço, desde o dia em que abriu. Apesar de não ser caso único na cidade – 2015 tem sido forte na abertura de restaurantes de pregos – parecia que esta tinha alguma coisa em especial. Afinal, tinha várias. Nem todas boas. Para começar a ementa tem mais hambúrgueres do que pregos – e ainda assim decidiu chamar-se pregaria. Depois, os sumos de fruta não passam de concentrados com elevada dose se água, ou seja, a laranjada e a maracujada são duas grandes desilusões.

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Galerias
Flow
©João Saramago
7/12

Flow

2 /5 estrelas

Marcação feita para as 10.00, logo fui informado que a mesa poderia escorregar para as 10.30. Até aqui tudo bem, pois a gestão de expectativas é importante e só espera quem quer. Chegadas as 10.30 fui informado com uma simpatia artificial, tipo Casa dos Segredos, que ainda estava uma mesa à nossa frente e que teríamos de esperar mais um pouco. Às 11.20, e já estava eu a pensar que ia fazer uma crónica sobre gin, lá apareceu a mesa para o jantar xpto. Pelo menos deu tempo para apreciar o espaço, que é realmente muito bonito e que faz lembrar um riade marroquino.

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Baixa
Casa Santo António
©João Saramago
8/12

Casa Santo António

2 /5 estrelas

Andava cheio de expectativas para ir à Casa Santo António. Diziam-me que os petiscos eram deliciosos, que estava sempre cheio, que era bom ao almoço e ao jantar, que ia pagar pouco, que isto e que aquilo. E eu pensava que, para ter três espaços, dois deles na Baixa, a poucos metros de distância um do outro, algo de especial deviam ter estas tascas. Erro de principiante: nunca vás com as expectativas em alta, Francisco. Se houver queda, é maior. E o almoço, num dia de chuva – que nunca ajuda a compor salas –, correu mal. O pão do couvert era agradável, mas não trazia manteiga, azeite, emulsão, molho, nada. As azeitonas, pequenas, eram banais, mas bem temperadas.

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Baixa
Champanheria da Baixa Bistrô
©João Saramago
9/12

Champanheria da Baixa Bistrô

2 /5 estrelas

Napoleão dizia: “Bebo champagne quando ganho, para celebrar, e bebo champagne quando perco, para me consolar”. Se lhe servissem só bebidas, era pessoa para ter gostado da Champanheria da Baixa Bistrô. O restaurante vem no seguimento do primeiro investimento da Champanheria da Baixa, no Largo Mompilher.
No primeiro bebe-se. No segundo come-se. Tem uma localização privilegiada, junto ao Mercado do Bolhão – numa zona que se está a renovar – e fica num edifício dos anos 50 com personalidade arquitectónica, o que faz com que tudo pareça bater certo quando aqui se entra.

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Baixa
As 7 Maravilhas
©João Saramago
10/12

As 7 Maravilhas

2 /5 estrelas

Este As 7 Maravilhas fica na Rua das Taipas, rua que liga a antiga cadeia da relação à Ribeira do Porto e que é conhecida pelo famoso Rei dos Galos de Amarante. Há locais que são bons para beber um copo e onde, se alguém tiver fome, pode ter alguns entreténs de boca. É este o caso. Há até uma boa selecção de cervejas nacionais e estrangeiras, mas a comida é fraquinha. Tudo nesta casa acaba no exasperante “inha”. Sopinha, sandinha, comidinha ou saladinha. Quem entra pela portinha, virada para a ruinha, encontra um ambientezinho misto de antiga taberna, com um antigo balcão de casa de pasto que fica bem enquadrado no local, e uns toques de botequim brasileiro assumidamente négligée, com a mobília que havia lá em casa a dar apoio aos petiscos.

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Baixa
Rua
©DR
11/12

Rua

2 /5 estrelas

O Rua é um daqueles conceitos em voga no Porto com copos, petiscos, música ao vivo, noites temáticas, tudo. Uma daquelas ideias bonitas e bem-intencionadas, mas na qual tenho pouca fé. Para combater o preconceito, e curioso para experimentar uma ementa criada a meias com o chef da Casa de Pasto da Palmeira – restaurante de que gosto muito – fui a Cedofeita ver o que havia para trincar. O couvert à base de pão quente, azeite e molho balsâmico não trouxe nada de novo. Os croquetes de camarão com molho de ostra e pedaços do bicho estavam bons, mas dois dos quatro vinham gelados no interior.

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Cedofeita
Munchie
©João Saramago
12/12

Munchie

2 /5 estrelas

Os pedidos são feitos ao balcão da entrada e depois disso é preciso encontrar uma mesa livre (ou um bocado de passeio) no pátio exterior. A que encontrei tinha os individuais todos sujos, pelo que tive de esperar dez minutos para passar à fase seguinte. Entretanto, parecia que estava no meio da favela do Pirambu. Os andares de cima escancarados em cima de nós, tudo à volta em obras, tijolos e barris de cerveja à vista. Do prédio ao lado, o som de um berbequim frenético infernizava qualquer conversa. Quando limparam as mesas, foi com um detergente tão forte que até o cliente do lado enjoou.

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Baixa

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