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Críticas de cinema

Os filmes que estão ou estiveram em cartaz, avaliados pelas críticas de cinema da Time Out

Mais críticas de cinema

Mulheres do Século XX
1/3

Mulheres do Século XX

Cruzamento de cinco pessoas numa nesga de tempo em que tentam aprender a navegar num oceano existencial que parece demasiado vasto. Uma nesga de um tempo analógico, com punk, feminismo, humor e um presidente decente (Jimmy Carter). Nada começa nem acaba no que aqui se vê, entregue por um elenco exemplar. Uma obra extraordinária, luminosa, para ver em loop.

Por Jorge Lopes

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O Herói de Hacksaw Ridge
2/3

O Herói de Hacksaw Ridge

O novo filme de Mel Gibson é a história, verdadeira, de um objector de consciência que se recusou a pegar em armas na II Guerra Mundial e mesmo assim foi um dos seus heróis. É também, até ver, o melhor filme de 2016.

Por Nuno Henrique Luz

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O Ornitólogo
©DR
3/3

O Ornitólogo

O filme de João Pedro Rodrigues é a história de Fernando (Paul Hamy), um estudioso de pássaros, que depois de um acidente de barco no Douro se perde no mato e vive uma aventura excêntrica. O Ornitólogo mostra que se um realizador é capaz de pensar e depois sabe rodear-se das pessoas certas encontrará sempre as imagens para fazer passar o que quer dizer, e em grande estilo.

Por Nuno Henrique Luz

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Mais críticas de cinemas

São Jorge
©DR
1/26

São Jorge

No Portugal intervencionado pela troika, Jorge (Nuno Lopes), um pugilista endividado vai trabalhar para uma firma de cobranças e ganhar dinheiro para tentar manter em Portugal o filho e a mulher, uma imigrante brasileira que ameaça voltar ao seu país com a criança. Marco Martins faz da crise o motor da história, sem se pôr a fazer comício, e evoca os climas visuais e anímicos do policial de boxe americano e do melhor cinema social europeu clássico. Nuno Lopes dá-se de corpo e alma a Jorge, uma bisarma de bom coração que acredita até ao fim que pode pôr a adversidade KO.

Por Eurico de Barros

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Alice nas Cidades
©DR
2/26

Alice nas Cidades

Bem se pode dizer que Philip Winter (Rüdiger Vogler), um escritor com um sério bloqueio criativo, acabado de percorrer a América com o pretexto de pesquisar material para novo livro, foi enganado pela mãe de Alice (Yella Rottländer). Aquilo do vou ali já venho, faz favor toma-me conta da menina, foi conversa pré- -desaparecimento. Conversa que leva um homem feito e uma criança de oito anos a regressar à Europa e, nela, a percorrer cidade atrás de cidade em busca da avó da petiza, que com a mãe já ninguém conta, no processo criando uma amizade quase pueril e particularmente estimulante para aquele homem cansado. Filme de estrada, Alice nas Cidades, agora disponível em versão restaurada, inicia um dos períodos mais criativos da carreira do realizador como observador e relator da nova realidade política, social e cultural da Alemanha e da Europa.

Por Rui Monteiro

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A Autópsia de Jane Doe
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3/26

A Autópsia de Jane Doe

O primeiro filme nos EUA do norueguês André Ovredal (O Caçador de Trolls) é uma inteligente e arrepiante peça de câmara, toda passada numa morgue, ao longo de uma noite, só com três personagens, uma das quais está morta (a Jane Doe do título). Uma masterclass de construção de terror cinematográfico mesmo até à última imagem.

Por Eurico de Barros

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Personal Shopper
4/26

Personal Shopper

No seu segundo filme com Kristen Stewart após As Nuvens de Sils Maria (2014), Olivier Assayas usa elementos do thriller e do cinema de terror para construir uma fantasmagoria realista, situada firme e audaciosamente entre o filme de género e o filme cinéfilo, e mantendo um registo ambíguo até ao fim. Stewart é magnífica no papel principal, o de uma personal shopper de uma top model, assombrada pela possibilidade da existência de uma vida para lá desta.

Por Eurico de Barros

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Toni Erdmann
5/26

Toni Erdmann

O filme-fenómeno de Maren Ade é uma convencional comédia dramática sobre a recuperação dos afectos entre um pai e uma filha separados geográfica e emocionalmente, mas com um embrulho formal, uma apresentação narrativa e um registo de cinema de “autor”. Com os excelentes Peter Simonischek no pai professor de música reformado e fã de pregar partidas, e Sandra Hüller na filha super-executiva.

Por Eurico de Barros

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Paris, Texas
6/26

Paris, Texas

Um homem caminha no deserto. Só, arrastando-se como um penitente, à beira da exaustão. Um ponto em movimento na imensidão árida da natureza. É uma imagem tão atraente quão misteriosa. Nada se sabe; porém, de pronto se entende que as cores carregadas de luz escondem, ofuscam uma tragédia neste filme em que Wim Wenders, com argumento de Sam Shepard, regista a perda, o desespero, a redenção e o sacrifício. A história de Travis (Harry Dean Stanton) é, de certo modo, simples, até comum, e a narrativa do seu desaustino bastante linear, como se o realizador pretendesse realçar na vulgaridade da acção o tumulto interior, a raiva deste ser perdido que transpira do texto e vai estender-se por diálogos e monólogos de uma lucidez crua. Um homem perde-se por uma mulher que o abandona, vagueia sem saber por onde, reencontra o filho e parte, outra vez, agora com uma missão: reunir a criança e a mãe antes de a sua jornada terminar. O reencontro com Jane (Nastassja Kinski) é um grande momento de cinema, um dos mais cativantes na obra do cineasta alemão, na sua representação da inquietude e do desejo e do ciúme, mas principalmente da frustração que vem junto com a verdade, com a desilusão de um casal que não foi feito para o ser, levado pelas circunstâncias como quem se deixa arrastar pela corrente de um rio até um fim que não desejou, contudo é inevitável.

Por Rui Monteiro

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El Dorado XXI
©DR
7/26

El Dorado XXI

As sombras de Wang Bing e Werner Herzog pairam sobre este soturno documentário que Salomé Lamas foi rodar à remota localidade de La Rinconada, nos Andes peruanos. Um “El Dorado” dura, miserável e cruelmente real, onde se procura ouro e outros minerais menos preciosos em condições climatéricas, de vida e trabalho no limite do suportável.

Por Eurico de Barros

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Delírio em Las Vedras
©DR
8/26

Delírio em Las Vedras

Edgar Pêra filma o Carnaval de Torres Vedras em 3D e mete-lhe lá dentro um punhado de actores a fingir que são repórteres de vários canais de televisão fictícios. Pêra documenta o delírio do “Carnaval mais português de Portugal” e goza com a cobertura entre o redundante, o enche-chouriços e o imbecil que as televisões fazem destes acontecimentos. Foi o último filme de Nuno Melo.

Por Eurico de Barros

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Moonlight
9/26

Moonlight

Vencedor de um Globo de Ouro (Melhor Filme Dramático) e candidato a oito Óscares, este filme indie de Barry Jenkins sobre três fases da vida desgraçada de um jovem negro de Miami, interpretado por três actores diferentes, não pode nem deve ser reduzido a um nicho étnico ou de causa gay. Seria minimizar o seu amplo alcance humano, o seu sólido músculo dramático e o seu profundo significado emocional.

Por Eurico de Barros

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Uma Discussão com 50 anos
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10/26

Uma Discussão com 50 anos

The New York Review of Books (NYRB) surgiu em 1963 durante uma greve à impressão de diários como The New York Times, e nestes 54 anos usou a crítica literária como um fim em si e como rastilho para reflexões sobre política e cultura, sem esquecer a poesia e a reportagem. O lastro de pensamento mais ou menos polémico e o notável rol de colaboradores legitimam em absoluto a existência de Uma Discussão com 50 Anos. Na direcção da NYRB, em 1963 como hoje, está Robert B. Silvers, função que partilhou com Barbara Epstein até à sua morte, em 2006. Silvers é a âncora visual e argumentativa de um filme que avança pela história do jornal ao sabor da associação de ideias, entre imagens da redacção na actualidade, um mundo silencioso forrado a papel (o filme foi rodado em 2013 e lançado originalmente no ano seguinte, a pretexto do cinquentenário da publicação), testemunhos de colaboradores e imagens de arquivo. Dentre os 50 anos de discussões sobressaem Susan Sontag e o fascismo, Yasmine El Rashidi e a Praça Tahrir, Michael Greenberg e a ocupação de Zuccotti Park, Timothy Garton Ash e a queda do comunismo em Praga. Sem esquecer a pega mais vistosa, a pretexto do feminismo, entre Gore Vidal, que transbordou para o palco do Dick Cavett Show em 1971. Um documentário luminoso feito por evidentes entusiastas, um director octogenário que, diz, não dá ordens a quem escreve. Tudo o que faz é “pedir e esperar”.

Por Jorge Lopes

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Ama-San
11/26

Ama-San

A realizadora portuguesa Cláudia Varejão foi ao Japão filmar as “Ama-San” (“mulheres do mar”), que há mais de dois mil anos mergulham no mar em busca de pérolas e fauna marinha comestível, e continuam a não usar equipamento moderno para respirar debaixo de água. Um magnífico e completo documento sobre um grupo de mulheres que perpetua uma tradição ancestral.

Por Eurico de Barros

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Silêncio
12/26

Silêncio

Martin Scorsese levou mais de 25 anos a concretizar este projecto, a adaptação do livro do escritor católico japonês Shusaku Endo, passado no Japão do século XVII, quando os missionários jesuítas portugueses e os cristãos locais eram perseguidos e supliciados. E nunca se viu um filme sobre o martírio, a tortura física e da alma e a agonia da dúvida tão bonito como este.

Por Eurico de Barros

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Manchester by the Sea
13/26

Manchester by the Sea

O cinema americano está tão inflacionado de super-heróis, que só podemos acolher de braços abertos este filme de Kenneth Lonergan com o seu naturalismo bisonho, a história de infelicidade vivida e dirimida em família, as suas personagens reconhecível e falivelmente humanas e a sua negação dos clichés positivos de Hollywood. Grandes interpretações de Casey Affleck e do jovem Lucas Hedges.

Por Eurico de Barros

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Rogue One: Uma História de Star Wars
14/26

Rogue One: Uma História de Star Wars

Primeiro filme de uma nova série autónoma, Rogue One é uma espécie de Missão: Impossível no universo de ficção científica criado por George Lucas (trata-se de roubar os planos da Estrela da Morte – a acção decorre antes da do Guerra das Estrelas original). (Quase) sem a presença da Força, Rogue One põe mais ênfase no “Guerra” do que no “Estrelas” e é uma lufada de ar e uma transfusão de sangue fresco numa saga que bem precisava disso. Felicity Jones e Diego Luna encabeçam o elenco e Darth Vader pica o ponto.

Por Eurico de Barros

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Custe o que Custar
15/26

Custe o que Custar

Taylor Sheridan (Sicario- Infiltrado) escreveu – e muito bem – este western contemporâneo desencantado e irónico, passado num Texas devastado pela crise, e realizado com limpeza e músculo pelo escocês David Mackenzie, como se fosse uma fita dos anos 70. Jeff Bridges, Chris Pine e Ben Foster, impecáveis, fazem as despesas da interpretação.

Por Eurico de Barros

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Hitchcock/Truffaut
16/26

Hitchcock/Truffaut

Uma lição estupenda, um pequeno mas instrutivo ensaio sobre Hitchcock, uma porta de entrada que nos tenta a explorarmos a fundo um dos catálogos mais peculiares, e ainda hoje surpreendentemente universal, da arte do século XX. Isto é, para saber mais sobre o homem que sabia demais sobre nós, não haverá disponível síntese melhor do que Hitchcock/Truffaut.

Por Nuno Henrique Luz

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Eu, Daniel Blake
17/26

Eu, Daniel Blake

O filme de Ken Loach é a história de um carpinteiro viúvo (Dave Johns) que vive por princípios morais de senso comum até que um ataque de coração o atira para a via sacra da burocracia do estado social inglês. Visualmente, Eu, Daniel Blake é discreto e elegante, e Johns dá uma energia espontânea a Blake que é um dos encantos do trabalho de Loach com os actores.

Por Nuno Henrique Luz

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Vaiana
18/26

Vaiana

A nova longa-metragem animada digital e em 3D da Disney (mas com toques de animação tradicional) é uma deslumbrante e mexida aventura passada nos Mares do Sul há dois mil anos. Vaiana, a filha do chefe de uma tribo polinésia, alia-se ao semi-deus Maui  para salvar o seu povo de uma força maléfica. A lendária dupla John Musker/Ron Clements (A Pequena Sereia) realiza.

Por Eurico de Barros

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Ela
19/26

Ela

Isabelle Huppert é simplesmente imperial nesta comédia macabra cruzada de thriller e de farsa familiar, onde Paul Verhoeven reduz a pó o estereótipo da mulher vítima indefesa e passiva, e sem iniciativa sexual nem pulsões desviantes.

Por Eurico de Barros

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O Exame
20/26

O Exame

Mais um grande filme que sai da Roménia. Cristian Mungiu tira uma radiografia moral aos seus compatriotas com esta história passada numa sociedade que funciona à custa da cunha, do pedido, do empenho, do amigo ou do parente que dão um jeitinho.

Por Eurico de Barros

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O Primeiro Encontro
21/26

O Primeiro Encontro

Denis Villeneuve adaptou um premiado conto longo do escritor de ficção científica Ted Chiang, Story of Your Life, e o resultado é este filme sobre um “primeiro encontro” entre humanos e extraterrestres, onde a procura da comunicação é mais importante do que a acção. Com Amy Adams.

Por Eurico de Barros

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Agnus Dei - As Inocentes
©DR
22/26

Agnus Dei - As Inocentes

Pouco depois do fim da II Guerra Mundial, na Polónia, uma médica francesa ateia e comunista é chamada a um convento onde várias freiras que foram violadas por soldados soviéticos ficaram grávidas. Anne Fontaine filma o encontro de dois mundos opostos sem melodramas nem maniqueísmos.

Por Eurico de Barros

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O Tesouro
©DR
23/26

O Tesouro

Um pai de família romeno e um vizinho procuram um tesouro enterrado no jardim do bisavô deste. Corneliu Porumboiu assina um filme de um humor impassível, sobre a ganância humana e o estado da sociedade na Roménia.

Por Eurico de Barros

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Café Society
24/26

Café Society

Bobby (Jesse Eisenberg) está farto de Nova Iorque e vai para Los Angeles, onde conhece Vonnie (Kristen Stewart), a secretária de um agente (Steve Carell) que é também tio de Bobby. Um filme aparentemente igual a tantos outros de Woody Allen mas em que ele acerta na mistura exacta de história, imagem, duração, escala, tom, música, actores, diálogos e período histórico.

Por Nuno Henrique Luz

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Fogo no Mar
25/26

Fogo no Mar

O documentarista italiano Gianfranco Rosi visita a ilha de Lampedusa para filmar os refugiados e migrantes económicos que lá aportam, o trabalho de quem os recolhe e trata e o quotidiano de um menino local.

Por Eurico de Barros

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O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu
26/26

O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu

O filme tem imenso material de Oliveira, incluindo uma história inédita. Esse material vale cinco estrelas. Descontamos uma porque, neste documentário como no seu título, está um “Eu” a mais. O de João Botelho, realizador. Neste filme, o que é bom não é de Botelho, e o que é de Botelho não é bom.

Por Nuno Henrique Luz

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Mais críticas de cinemas

A Idade das Sombras
©DR
1/34

A Idade das Sombras

Este épico razoavelmente contido em torno da luta pela reconquista da independência da Coreia durante a anexação japonesa, situado na década de 1920, passa por vários estados climatéricos. Primeiro é uma malha densa de espionagem e duplicidade com o seu quê de John le Carré em que o espectador pode perder-se entre a batelada de personagens que irrompe pelo ecrã: a resistência no terreno, cercada, tenta angariar dinheiro para adquirir explosivos em Xangai, onde se refugia o seu líder, Jung Che-san (Byung-hun Lee); ao mesmo tempo que faz por convencer Lee Jung-chool (Kang-ho Song), novo capitão coreano da polícia de Seul, ex-intérprete da oposição e o eixo do filme, a passar de novo para o lado da insurgência. A teia simplifica- -se e a tensão cresce na longa viagem de comboio Xangai-Seul, momento alto do filme, com o seu quê de Scorsese, a resistência a dissimular dinamite na bagagem e Lee no meio da ponte entre rebeldes e o seu parceiro Hashimoto (Tae-goo Eom), um japonês alucinado. A captura dos resistentes e o contra-ataque no último terço polui os sentidos com sadismo em excesso, mas o requinte do atentado final, ao som do Boléro de Ravel, tem um certo ar redentor.

Por Jorge Lopes

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Estrada 47
©DR
2/34

Estrada 47

Poucas pessoas, fora aquelas que se interessam por história militar, sabem que o Brasil entrou na II Guerra Mundial, lutando em Itália sob comando americano. Esta fita de Vicente Ferraz, uma co-produção com Portugal, põe em cena com eficácia e interesse dramático a história de um punhado de soldados brasileiros que se perdem da sua unidade na frente de combate, em pleno Inverno.

Por Eurico de Barros

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Neruda
3/34

Neruda

Há os factos e há a ficção, a poesia e ainda uma viagem às contradições e peculiaridades do carácter de um homem. Poeta, boémio, comunista, senador do seu partido, homem do povo com gosto pelas coisas da burguesia. Isto é: Neruda, segundo o realizador chileno Pablo Larraín, numa película astuta em evitar os hábitos do género biográfico, mas um pouco dispersa e vaga na disposição do seu conjunto de símbolos.

Por Rui Monteiro

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Logan
4/34

Logan

Os mutantes da série X-Men (ou o que resta deles) já não podem com uma gata pelo rabo, mas antes de pendurar de vez as garras de adamântio, Logan (Hugh Jackman) tem que cumprir uma derradeira tarefa, nesta fita elegíaca e ultra-violenta de James Mangold. A continuação da franchise está garantida, claro, com uma nova geração de mutantes liderada pela jovem Laura, uma Wolverine teen.

Por Eurico de Barros

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Um Instante de Amor
5/34

Um Instante de Amor

Escrito mais uma vez com Jacques Fieschi, seu colaborador desde o primeiro filme que realizou, Encontro de Fim-de-Semana, o novo filme de Nicole Garcia, Um Instante de Amor, mantém-se fiel à uma linha romanesca e clássica do cinema francês e reitera o interesse da realizadora e actriz por enredos de conflitos humanos com protagonistas masculinas ou femininas de personalidades bem vincadas. Baseado num livro da escritora italiana Milena Agus, que Garcia e Fieschi adaptaram muito livremente e transpuseram para a França rural dos anos 50, Um Instante de Amor tem como heroína Gabrielle (Marion Cotillard), uma rapariga espontânea e brusca, que os pais julgam ser desequilibrada, que se resigna a uma união sem amor, para depois se apaixonar por um jovem militar internado na clínica suíça onde se foi tratar. É uma história sobre as ironias dolorosas do amor, totalmente dominada pela figura excessiva de Gabrielle, que Marion Cotillard interpreta com total controlo dramático da personagem.

Por Eurico de Barros

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Stefan Zweig: Adeus, Europa
©DR
6/34

Stefan Zweig: Adeus, Europa

O maior elogio que se pode fazer a Adeus, Europa é notar que a desesperança que vai tomando conta do escritor austríaco Stefan Zweig no período aqui retratado, entre 1936 e 1942, transparece exemplarmente nas feições de Josef Hader, o actor que lhe dá corpo. Nele e em Aenne Schwarz, que compõe Lotte Zweig, ex-secretária e segunda esposa do autor. A progressão da desesperança é mostrada na mão cheia de capítulos em que o filme se divide. Em Setembro de 36 Zweig, judeu exilado e um dos mais famosos escritores em língua germânica do século passado, insiste em Buenos Aires, num encontro do PEN Club, quando a sombra da guerra se avoluma, que a mais fundamental das questões é a necessidade de encontrar forma de coexistência pacífica entre raças, classes e credos. Soa a anacronismo bem-intencionado, e o rápido evoluir dos acontecimentos, ilustrado nas suas passagens pela Baía e por Nova Iorque em 1941, demonstram a impossibilidade da condição não interventiva e racional que Zweig considerava basilar no papel de um intelectual, desembocando na ida do casal para Petrópolis, refúgio ilusório que termina com o suicídio de ambos em 42. A estrutura narrativa de Adeus, Europa livra-o da formatação dos telefilmes. O elenco está recheado de actores portugueses – uns sobressaem a espaços, outros estão no papel de parede.

Por Jorge Lopes

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Lego Batman: O Filme
7/34

Lego Batman: O Filme

Vindo da iconoclasta série de televisão Robot Chicken, o realizador Chris Mckay faz aqui, em animação digital e tom gozão em jorro contínuo, um filme superior aos presunçosos e solenes da série O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan. Batman.

Por Eurico de Barros

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A Mulher Canhota
©DR
8/34

A Mulher Canhota

Embora tecnicamente dirigido pelo dramaturgo e novelista Peter Handke, a adaptação ao cinema deste, digamos, thriller intelectual e psicológico, é, dizem más-línguas bem informadas, tão influenciada por Wim Wenders (um dos produtores da película) que faz sentido incluí-la na programação do ciclo dedicado ao realizador de As Asas do Desejo.

Em resumo, o filme conta a história de Marianne (Edith Clever), aos 30 anos aborrecida e infeliz que nem uma alforreca no casamento com o seu dominador marido, Bruno (Bruno Ganz), que resolve abandoná-lo para viver sozinha com o filho, Stefan (Markus Mühleisen), com quem, aliás, não se consegue relacionar. Assim como não se consegue relacionar com o pai ou qualquer dos seus amigos. Mais, para viver como mulher independente financeiramente não tem outro remédio senão trabalhar de tradutora para o mulherengo editor interpretado por Bernhard Wicki. Até reencontrar Franziska (Angela Winkler), uma amiga perdida no tempo, que não só admira a sua coragem como a introduz em um círculo feminista onde o mal-estar de Marianne não é uma excentricidade. Este é o resumo, porque o tutano deste enredo em que nunca nada parece acontecer, e o objectivo do autor, esses, encontram-se no subtexto, debaixo de muitos panos de psicologia e uma boa camada de semiótica que se desvendam como um quebra-cabeças.

Por Rui Monteiro

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Fragmentado
9/34

Fragmentado

M. Night Shyamalan regressa do limbo dos maus filmes com este thriller sobrenatural sobre um homem com 23 personalidades (James McAvoy) que rapta três adolescentes para as sacrificar a uma 24ª identidade, maligna e com poderes sobre-humanos, que está para se manifestar. Tem atmosfera, suspense, terror e uma jovem actriz em ascensão, Anya Taylor-Joy (A Bruxa) no papel da refém mais inteligente e astuta.

Por Eurico de Barros

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La La Land - Melodia de Amor
Dale Robinette
10/34

La La Land - Melodia de Amor

As carradas de nomeações para os Globos de Ouro e para os Óscares, o entusiasmo e o hype em redor deste musical de Damien Chazelle são manifestamente exagerados. É um gigantesco déjà vu do género, com citações em todas as direcções, dos musicais da MGM a Jacques Demy e ao Coppola de Do Fundo do Coração, de que o realizador é um conhecedor e um fã sincero e entusiástico.

Por Eurico de Barros

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O Divã de Estaline
11/34

O Divã de Estaline

Rodado em Portugal, o terceiro filme de Fanny Ardant como realizadora tem um imponente Gérard Depardieu no papel de Estaline, e é uma fábula sombria e pessimista sobre o poder totalitário e aqueles que se vendem a ele ou tentam resistir. Também com Emmanuelle Seigner e Paul Hamy.

Por Eurico de Barros

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As Asas do Desejo
©Wim Wenders Stiftung
12/34

As Asas do Desejo

Só as crianças e os na sua situação vêem Damiel (Bruno Ganz) e Cassiel (Otto Sander), velhos anjos deambulando pela nublada Berlim Ocidental de 80s, olhando para os humanos, às vezes olhando por eles, eventualmente fornecendo algum alívio aos aflitos, mas nem sempre com êxito. Um dia, porém, Damiel apaixona-se por um dos seus objectos de observação. E vai daí anuncia o desejo de se tornar humano, sentir as coisas fisicamente e senti-las ainda mais emocionalmente para concretizar a sua paixão por Marion (Solveig Dommartin), a trapezista do circo falido a que dedica atenção, como dedica, mas sem amor de premeio, àquela equipa de cinema onde Peter Falk faz de tipo sensível e sensitivo. O que traz um problema. Ao tornar-se humano não há garantias do anjo transviado encontrar a sua amada. Em As Asas do Desejo, a cinefilia que andava a infectar o cinema de Wenders desde O Amigo Americano, tornou-se marca, sinal de autoria, porém sem causar estrago (esse viria depois) a esta película tão poética como desconsolada.

Por Rui Monteiro

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Bone Tomahawk
13/34

Bone Tomahawk

Um raro, bem carpinteirado e consideravelmente arrepiante western de terror, primeiro filme de S. Craig Zahler. O inafundável Kurt Russell interpreta um xerife que lidera um grupo que vai salvar três pessoas raptadas por um grupo de índios que degeneraram e se tornaram canibais.

Por Eurico de Barros

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O Bosque dos Quincôncios
©DR
14/34

O Bosque dos Quincôncios

Primeira longa-metragem realizada pelo jovem actor francês Grégoire Leprince-Radiguet, que é também o protagonista e o argumentista. Um típico pequeno filme de autor francês, com uma insólita (e artificial) particularidade: uma boa parte dos diálogos são ditos em verso alexandrino. Nem sempre convence, mas há que louvar o arrojo de Leprince- -Radiguet logo no filme de estreia.

Por Eurico de Barro

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Homenzinhos
15/34

Homenzinhos

O novo filme de Ira Sachs (O Amor é uma Coisa Estranha) é uma história nova- -iorquina, portátil e muito económica (talvez até um pouco demais) sobre o diferendo entre duas famílias por causa da renda de uma loja, que põe em causa a amizade entre dois adolescentes, um da família proprietária, outro da que aluga. Os miúdos (Theo Taplitz e Michael Barbieri), ambos estreantes, são muito bons.

Por Eurico de Barros

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O Estado das Coisas
©DR
16/34

O Estado das Coisas

Há mais de 30 anos, as coisas não corriam nada bem entre o realizador alemão e os seus produtores em Hollywood. Aproveitando um intervalo nas filmagens de Hammett, Wim Wenders vem para Portugal, instala-se na Praia Grande e (com uma passagem narrativa fundamental e conclusiva por Los Angeles) cria uma obra em que uma equipa de filmagens é forçada a parar tudo quando o dinheiro acaba e o fornecimento de película estanca no meio de uma disputa, digamos, conceptual, entre os produtores americano e europeu. Sem nada para fazer, a equipa fala. Fala de cinema, no momento em que quer o papel do autor quer o da arte estavam definitivamente a ser postos em causa.

Por Rui Monteiro

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A Morte de Luís XIV
©DR
17/34

A Morte de Luís XIV

O catalão Albert Serra recria a agonia do Rei-Sol, morto de gangrena numa perna a 1 de Setembro de 1715. O filme, com um impressionante Jean-Pierre Léaud no papel principal, nunca sai do quarto do monarca, e é pictórico, claustrofóbico e arrastado. Serra não frisa o suficiente o facto de aquele homem que se despede da vida, entre médicos, cortesãos, familiares e amantes, ser também um símbolo supremo de poder.

Por Eurico de Barros

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Autobiografia
©DR
18/34

Autobiografia

“Amei muito o Mário, o que não dizer que fossemos amantes, não fomos.” As palavras de Cruzeiro Seixas marcam o documentário de Cláudia Rita Oliveira, destinado a mostrar a obra de um representante do surrealismo, porém tomado pelo amor nascido da longa amizade com Mário Cesariny. O que explica a sua exibição em conjunto com Autografia, versão restaurada do documentário realizado por Miguel Gonçalves Mendes, em 2004. É, pode-se dizer, a história de um desencontro amoroso, de uma relação com altos e baixos. Baixos muito baixos e muito tardiamente resolvidos; altos e baixos de uma intensidade que transborda para as respectivas obras como um prolongamento da vida.

Por Rui Monteiro

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Na Via Láctea
©Petr Nasic
19/34

Na Via Láctea

Emir Kusturica regressa ao território e ao tempo da Guerra da Bósnia, para encenar, no meio de grande fogo de artifício, a história de amor entre um leiteiro sérvio comprometido e uma misteriosa refugiada ítalo-sérvia ainda mais comprometida. O cenário é o do costume: caos e destruição e nonsense, onde não faltam um sortido de militares, oportunistas, bandidos, ciumeira, muito álcool e tiroteio e inevitável pop balcânica… Ou seja: Kusturica a fazer valer a sua marca através de um leiteiro melancólico no meio de uma miríade de metáforas.

Por Rui Monteiro

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O Vendedor
20/34

O Vendedor

Asghar Farhadi (O Passado, Uma Separação) continua a contar histórias da classe média urbana e educada do Irão. O Vendedor expõe um sismo emocional no seio de um casal, ele professor, encenador e actor, ela actriz, e reitera todas as qualidades de escrita, realização e direcção de actores de Farhadi, embora seja demasiado demonstrativo no último acto.

Por Eurico de Barros

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Porquê Ele?
21/34

Porquê Ele?

É o dia fatal em que os pais vão conhecer o namorado. Com as devidas adaptações de género e circunstância, apesar do seu potencial cómico, convenhamos, não costuma ser um grande dia para os protagonistas. Nem dar grandes comédias. Contudo, desta vez, sem ser realmente uma grande comédia, verdade é John Hamburg apresentar um filme em que o riso não é provocado apenas pela boçalidade de certas situações e diálogos, mas também pelo sentido de observação, pela inteligência e pela radicalização de situações vulgares em indutores de riso. E ter Bryan Cranston e James Franco no mesmo elenco, enfim, dá um jeitaço.

Por Rui Monteiro

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A Longa Estrada Para Casa
22/34

A Longa Estrada Para Casa

Décadas depois de ser abandonado num comboio, Dev Patel surge como um homem aprumado e calmo a sair das águas, como um renascido. E depois a realização entre o xaroposo, o demagógico e o comovente de Garth Davis regressa ao passado, à aventura de uma criança numa metrópole sobrelotada. Um filme torpedeado pela ausência de ousadia, pela incapacidade de ir além do postal ilustrado por bons sentimentos.

Por Rui Monteiro

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Cantar!
23/34

Cantar!

A nova longa-metragem animada dos Estúdios Illumination, criadores dos Minions, transpõe a ideia de programas como American Idol ou The Voice para um mundo de animais antropomorfizados. E os bichos que querem ser cantores são o melhor do filme, porque a animação digital está uns furos abaixo da da concorrência.

Por Eurico de Barros

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Estive em Lisboa e Lembrei de Você
©DR
24/34

Estive em Lisboa e Lembrei de Você

José Barahona, português radicado no Brasil, filma um livro do brasileiro Luiz Ruffato, sobre um rapaz de Minas Gerais que vem trabalhar para Lisboa e apanha em cheio com um Portugal em crise. Uma produção luso-brasileira modesta, mas honesta no seu realismo.

Por Eurico de Barros

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Eis o Admirável Mundo em Rede
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Eis o Admirável Mundo em Rede

Werner Herzog, se nunca trata a internet como um ser vivo, não deixa por isso de a ver como capaz de um dia se transformar em qualquer coisa com inteligência e vontade próprias. Como estado da arte das fantasias do momento, o filme de Herzog é divertido e às vezes mesmo um gozo pegado. Como exercício especulativo, é igual a tantos outros. Vale pela paródia com base em factos reais e ideias fantásticas, portanto.

Por Nuno Henrique Luz

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Miss Violence
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Miss Violence

Era uma família tão disfuncional como qualquer outra comemorando o aniversário de uma das filhas. Eis senão quando a rapariga vai até à janela, põe uma perna de fora, depois a outra, e, sentada no parapeito, a família por detrás em grande festança, sorri, e atira-se. Escusado será dizer que a vida desta gente nunca mais será a mesma, neste filme do realizador grego Alexandros Avranas.

Por Rui Monteiro

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A Primavera de Christine
©DR
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A Primavera de Christine

A Primavera de Christine, da austríaca Mirjam Unger, é a história de uma menina de nove anos, a Christine do título (interpretada por Zita Gaier), que passa os últimos dias da Segunda Guerra Mundial refugiada com a família num casarão deserto nos arredores de Viena. A loucura dos tempos nunca é camuflada, mas sobre ela está sempre um olhar sardónico e optimista, sem jamais ser pateta ou piegas, que faz de A Primavera de Christine um filme delicioso sobre uma criança que se adapta como pode ao mundo, um mundo que nunca é o previsto.

Por Nuno Henrique Luz

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Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los
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Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los

Realizado por David Yates a partir do livro de JK Rowling com o mesmo nome, Monstros Fantásticos é a história de Newt Scamander, um cientista despistado que vive para procurar, estudar e proteger criaturas mágicas. Não é um grande filme, mas é uma boa diversão em estilo retrofuturista, e Redmayne, no papel de Newt, é uma presença mais contagiante do que Daniel Radcliffe alguma vez foi como Harry Potter.

Por Nuno Henrique Luz

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Gimme Danger
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Gimme Danger

Gimme Danger é um filme de Jim Jarmusch sobre Iggy Pop e os Stooges. Acima de tudo, é a história visceral, comovente, inacreditável de uma das bandas mais influentes do rock.

Por Nuno Henrique Luz

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Uma História Americana
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Uma História Americana

Ewan McGregor estreia-se a realizar com esta adaptação de Pastoral Americana , o bestseller de Philip Roth. Mas é areia literária a mais para a camioneta cinematográfica de McGregor, que também reservou para si o papel principal.

Por Eurico de Barros

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Sete Minutos Depois da Meia-Noite
31/34

Sete Minutos Depois da Meia-Noite

Rufias fazem a vida negra a Conor. A mãe sofre de cancro, o pai sem utilidade, e a avó, na verdade, uma desconhecida. O miúdo fecha-se em si, tem pesadelos. Às tantas aparece um monstro à janela. E uma erupção de fantasia no filme de J. A. Bayona.

Por Rui Monteiro

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A Toca do Lobo
©DR
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A Toca do Lobo

A Toca do Lobo é porventura o livro mais conhecido de Tomaz de Figueiredo (1902-1970), avô que a realizadora Catarina Mourão não chegou a conhecer e pai de Maria Rosa Figueiredo. A relação, quer dizer, a não-relação entre Tomaz e Maria Rosa é o núcleo deste documentário aturadamente pesquisado (abundam as fotografias e documentos de arquivo, os filmes caseiros e as imagens da RTP) e delicadamente urdido.

Por Jorge Lopes

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O Clã
33/34

O Clã

Pablo Trapero baseia-se em história verdadeira e apresenta-a como uma fábula política e criminal com inclinação psicológica. Uma espécie de análise das motivações dos criminosos no contexto da Argentina pós-ditadura militar, através de uma família exemplar… que se dedicava ao rapto e à tortura.

Por Rui Monteiro

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Abril e o Mundo Extraordinário
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Abril e o Mundo Extraordinário

Em 1941 a Europa ainda está na era da máquina a vapor. E depois há um crime, uma invenção perdida que faria avançar a humanidade e uma investigação que leva Avril, o seu gato falante, o avô, e o aventureiro Julius à descoberta de quem matou e porque foram mortos os pais da moça, cientistas que talvez tivessem descoberto o segredo para sair da pasmaceira.

Por Rui Monteiro

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Mais críticas de cinemas

Na Vertical
1/28

Na Vertical

O novo filme do autor de O Desconhecido do Lago e O Rei da Evasão é uma deambulação sobre um cineasta chamado Léo (Damien Bonnard) que anda à procura de inspiração para o seu novo filme pela região da Lozère. Encontra uma pastora que vive com o pai e dois filhos numa quinta, engravida a rapariga, mas quando o bebé nasce, ela desinteressa-se da criança e vai-se embora. Léo mete-se à estrada com o menino, passando por uma série de incidentes entre o realista e o fantástico, enquanto que Guiraudie passa por uma série de assuntos, da situação dos pais solteiros à homossexualidade, passando pelos constrangimentos das leis sociais, mas sempre no quadro de uma narrativa dispersa e vaporosa, onde a liberdade formal parece esconder um certo desleixo. Na Vertical é um filme muito francês, muito de nicho “autorista”, e que finalmente, não tem grande coisa para contar ou para dizer.

Por Eurico de Barros

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A Bela e o Monstro
2/28

A Bela e o Monstro

A pior tradução até agora para imagem real de um clássico animado da Disney, e logo um dos mais bem-amados. Um filme artificioso, berrante, insosso, com buchas dispensáveis na história e mais prejudicado do que ajudado pelos efeitos digitais (ver a inexpressividade dos objectos animados no castelo do Monstro). A banal Emma Watson é uma Bela da segunda divisão, e Dan Stevens (Downton Abbey) um Monstro mais pingão que feroz. O realizador Bill Condon recuperou a banda sonora original de Alan Menken e Howard Ashman, mas os filmes não são só para os ouvidos. Por Eurico de Barros

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Ouro
3/28

Ouro

Nem Matthew McConaughey em mais um daqueles papéis em que muda de aspecto físico (aqui, pança e meia careca) consegue salvar esta estereotipadíssima fita de Stephen Gaghan (Siryana) passada nos anos 80 e 90. Ouro é uma história de riqueza súbita, subida aos cumes dos mercados e queda vertiginosa, centrada numa fraude com uma jazida de ouro na Indonésia.

Por Eurico de Barros

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Vedações
4/28

Vedações

Denzel Washington realiza e interpreta este filme adaptado da peça homónima ambientada nos anos 50, escrita pelo falecido August Wilson em 1983, e pertencente a um ciclo de dez, todas passadas em Pittsburgh. Washington é Troy Maxson, um ex-jogador de basebol que trabalha na recolha do lixo, um homem revoltado e amargo, sobretudo com os dois filhos, um legítimo e outro ilegítimo. É uma interpretação bombástica, a fazer sinalefas ao Óscar (Denzel não o recebeu, Viola Davis sim). O filme está prisioneiro do palco de onde provém.

Por Eurico de Barros

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Jackie
5/28

Jackie

O filme do chileno Pablo Larraín apanha Jackie Kennedy nos dias entre o assassinato do marido em Dallas e o seu funeral, a dar uma entrevista exclusiva à revista Life e a tratar da imagem de Jack Kennedy para a posteridade, e da sua própria iconografia de viúva dele. Natalie Portman deixa à vista todo o esforço posto na tentativa de a personificar e não consegue diluir-se nela.

Por Eurico de Barros

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Elementos Secretos
6/28

Elementos Secretos

As boas intenções e a justiça retroactiva – recuperar do esquecimento e celebrar as mulheres negras que, mesmo em condições de segregação racial, trabalharam nos anos 50 e 60 para o programa espacial da NASA fazendo cálculos matemáticos – não chegam para resgatar da banalidade, e de um anonimato de telefilme, esta realização de Theodore Melfi, que também subaproveita um ramalhetes de bons actores e actrizes.

Por Eurico de Barros

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Patriots Day - Unidos por Boston
7/28

Patriots Day - Unidos por Boston

O cenário é a maratona de Boston, aquela que um par de terroristas atacou, em 2013, deixando mortos e feridos e assustando ainda mais a América ainda traumatizada com o 11 de Setembro. E o filme, além de uma homenagem às vítimas civis do atentado, é o reconhecimento do trabalho das forças policiais que, a bem dizer, quase num ápice, apanharam os criminosos. O papel central da película de Peter Berg, o do tipo comum com um objectivo, pertence ao sargento de polícia interpretado por Mark Wahlberg, o qual, apesar de uma boa interpretação – para os seus recursos dramáticos, claro –, é incapaz de transportar a história, escrita pelo realizador com Matt Cook e Joshua Zetumer, para fora da rotina de uma narrativa destinada a elevar a moral. Isto, que parece uma especialidade do cineasta, desenvolve-se de maneira vulgar, em jeito de contagem descendente, saltitando entre sobreviventes, bombeiros, paramédicos e investigadores para contar como se apanha um terrorista, fazendo de conta estar a construir um mosaico social da tragédia pela introdução de subnarrativas irrelevantes.

Por Rui Monteiro

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Miss Sloane - Uma Mulher de Armas
8/28

Miss Sloane - Uma Mulher de Armas

A interpretação de Jessica Chastain como Elizabeth Sloane, uma temível lobista profissional, é mesmo a única razão para perdermos tempo com este filme de John Madden, que aborda o tema do controlo de armas nos EUA de forma moralista, previsível e tendenciosa.

Por Eurico de Barros

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Poesia sem Fim
9/28

Poesia sem Fim

Ter visto A Dança da Realidade ou não é indiferente para a compreensão deste novo tomo da história de Alejandro Jodorowsky. Fiel a si próprio, a palavra-chave para usufruir a película do cineasta chileno é decifração, ou talvez aceitação. A aceitação de participar num jogo onde, quando pensamos ter compreendido as regras, verificamos que elas mudaram sem acrescentar qualquer mais-valia dramática ou visual. O que na verdade nem importa, pois estamos de facto perante o egocentrismo de um autor a tentar mostrar aos incréus como chegou a uma, digamos, filosofia de vida única e independente lutando contra a resignação e o preconceito. O que não deixa de ser, pronto, assim, estilo, sei lá… giro.

Por Rui Monteiro

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A Luz entre Oceanos
10/28

A Luz entre Oceanos

Michael Fasssbender e Alicia Vikander interpretam este melodrama realizado por Derek Cianfrance, baseado no livro de ML Steadman e passado numa ilha remota e deserta da costa australiana, logo após o fim da I Guerra Mundial. O filme parece querer estabelecer um novo recorde mundial de choradeira nos cinemas.

Por Eurico de Barros

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Até Nunca
©DR
11/28

Até Nunca

Rodado em Portugal e produzido por Paulo Branco, este filme do francês Benoît Jacquot tem um fantasma (Mathieu Amalric), mas que não é convencional nem usado para meter medo. Até Nunca é um drama de amor, perda e luto, parece escrito ás três pancadas e rodado contra-relógio, e não nos consegue mobilizar emocionalmente.

Por Eurico de Barros

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Passageiros
12/28

Passageiros

Um engenheiro mecânico (Chris Pratt) que vai numa viagem de 120 anos numa gigantesca nave, acorda 90 anos antes da chegada, por erro técnico. Um ano depois, vai despertar uma rapariga (Jennifer Lawrence) para ter companhia, mas esconde-lhe que o fez. Esta FC de Morten Tyldum até começa bem, mas acaba esburacada pelos clichés e pela inverosimilhança.

Por Eurico de Barros

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Saint Amour
©DR
13/28

Saint Amour

Todo o santo ano, Bruno (Benoît Poelvoorde) faz a sua rota de vinhos sem sair do Salão de Agricultura lá das berças em que vive com o pai. Ele e Jean (Gérard Depardieu) vivem apartados por aquelas divergências próprias de pais e filhos. Mas Jean não se conforma e tenta a aproximação pela via do alcoolismo, levando Bruno a uma verdadeira prova de vinhos através de França. Daqui sai uma variedade de filme de estrada, em que Benoît Delépine e Gustave Kervern são capazes de episódios de humor transgressivo, mas geralmente conformam-se à convencionalidade das regras narrativas.

Por Rui Monteiro

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O Benfeitor
14/28

O Benfeitor

Tudo começa com a dor e o que fazer dela depois de o filantropo Francis “Franny” Watts (Richard Gere) causar o acidente que matou os seus melhores amigos. O homem está, como se costuma dizer, um farrapo. A sua existência a dar para o excêntrico e para o exuberante desapareceu. Agora vive vida de rico fechado em hotel de luxo emborcando grandes quantidades de álcool e analgésicos. A possibilidade de redenção surge com o telefonema de Olívia (Dakota Fanning), a filha, anunciando casamento, gravidez e regresso a casa. O que desperta o protagonista do torpor e mantém o argumento vivo, até Andrew Renzi levar a película até à agonia moralista.

Por Rui Monteiro

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O Infiltrado
15/28

O Infiltrado

Adaptação ao cinema da autobiografia de Robert Mazur, um agente federal americano que nos anos 80 se infiltrou na rede de narcotráfico de Pablo Escobar. Brad Furman, o realizador, é um pezudo visual, a história recenseia cliché atrás de cliché do subgénero “filme de combate à droga”, e acaba por saturar. Com Bryan Cranston no papel principal.

Por Eurico de Barros

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O Amor Eterno
©DR
16/28

O Amor Eterno

Ora, aí pelo final do século XIX, Valentine casa com Jules. Cem anos depois, encontramos uma parente de Valentine, jovem de Paris em boa e feliz corrida para cair nos braços do homem que ama. Perdoe-se a vulgaridade do relato, mas é mesmo assim. Mais, Tran Anh Hung quer que se veja aqui, nestes dois momentos de encontro amoroso, uma espécie de desenlace de uma genealogia sentimental ao longo de 100 anos. Mas nem o trabalho suplementar de Audrey Tautou, Bérénice Bejo, Mélanie Laurent e Jérémie Renier safa o filme da monotonia.

Por Rui Monteiro

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A Mãe É que Sabe
©DR
17/28

A Mãe É que Sabe

Quando começa a acontecer alguma coisa em A Mãe É que Sabe é provável que o espectador esteja já um pouco, digamos, ausente, pois já lá vai meia película e não aconteceu coisa nenhuma. A não ser a história andar para trás de vez em quando para a protagonista (Maria João Abreu) se lembrar da mãe, dos seus conselhos e de mais umas miudezas que hão- -de ter a sua importância no resto de entrecho.

Por Nuno Henrique Luz

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Aliados
18/28

Aliados

Brad Pitt e Marion Cottilard fazem zero faísca juntos neste filme de Robert Zemeckis onde interpretam agentes aliados que se juntam para uma perigosa missão contra os nazis em Casablanca, e se apaixonam e casam. O argumento abusa das situações forçadas e tem crateras de verosimilhança.

Por Eurico de Barros

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Escola: Os Piores Anos da Minha Vida
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19/28

Escola: Os Piores Anos da Minha Vida

Para muitos o secundário são uns anos de… Enfim, o secundário são os anos da adolescência, estado de demasiado tumulto hormonal e motivo de variadas chatices e múltiplos disparates. Tempo que só é recordado e admirado muito tempo depois, quando verificada a rotina monótona e as desagradáveis responsabilidades da vida adulta. Sendo assim, principalmente em escolas dirigidas por rígidos códigos de comportamento (portanto, muito pouco provavelmente, estabelecimentos públicos), quem pode de facto acusar os rebeldes? Quem pode dizer que substituir o sino da escola por uma máquina de emitir traques não foi um acto de rebeldia de Rafe Khatchadorian (Griffin Gluck) e não apenas uma piada de mau gosto? Enfim, moral à parte, o filme de Steve Carr, concentrando-se na acirrada disputa entre o jovem “desenquadrado” e o autoritário director Dwight (Andy Daly) que lá acaba por ver a luz, traça um retrato interessante e quase subversivo da vida escolar. O busílis é ser uma comédia, uma paródia às relações entre alunos e professores e às contradições entre os que querem ensinar e os que não têm a certeza de quererem ser ensinados. E aí a mediocridade – ou a conformidade – instala-se. As cenas cómicas vivem cada vez mais da javardice e da repetição de gagues, ou de suas variações, há muito explorados pelo subgénero do cinema sobre a adolescência como forma consentida de abardinar sem querer saber de consequências – e assim a graça descabelada inicial esvai-se sem glória.

Por Rui Monteiro

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O Número
20/28

O Número

Christopher Plummer é um idoso judeu canadiano atacado de demência que foge de um lar para ir matar o oficial nazi que lhe assassinou a família em Auschwitz. Este filme de Atom Egoyan é penoso, abusa da credibilidade e nem a cambalhota final o salva do esquecimento imediato.

Por Eurico de Barros

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Animais Nocturnos
21/28

Animais Nocturnos

O segundo filme do estilista Tom Ford tem um enredo duplo, uma ficção dentro de outra ficção, e é só gesto sem discurso, pose sem substância, afectação oca, subaproveitando gente como Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon ou Laura Linney.

Por Eurico de Barros

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O Protector
22/28

O Protector

Condenado em liberdade condicional, tatuador com pouca clientela a entrar e a sair da sua caravana, enfim, homem com passado não recomendável a procurar manter-se nos carris. Quando, de súbito, um telefonema, uma filha adolescente, um pedido de auxílio… Nada que perturbe – enfim, um bocadinho – um anti-herói interpretado por Mel Gibson movido pela adrenalina da acção.

Por Rui Monteiro

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Chocolate
23/28

Chocolate

Roschdy Zem realiza e Omar Sy interpreta este filme biográfico sobre Chocolate, que foi o primeiro palhaço negro na França do final do século XIX, fazendo um popularíssimo e inovador duo com o francês George Footit, personificado por James Thierré, neto de Charlot.

Por Eurico de Barros

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Tão Só o Fim do Mundo
©DR
24/28

Tão Só o Fim do Mundo

O estereótipo estafado da família disfuncional em estridente recriminação colectiva, eis ao que se resume o novo filme do canadiano Xavier Dolan, adaptado de uma peça de teatro do francês Jean-Luc Lagarce.

Por Eurico de Barros

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Jack Reacher: Nunca Voltes Atrás
25/28

Jack Reacher: Nunca Voltes Atrás

Jack (Tom Cruise) é um antigo polícia militar, dotado de elevada inteligência forense assim como de uma vincada tendência para querer controlar tudo, além de ter algo de psicopata. De volta à sua unidade, é acusado de um homicídio antigo. O filme de Edward Zwick é um simples e pouco imaginativo veículo para Cruise, sem mais.

Por Nuno Henrique Luz

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Inferno
26/28

Inferno

Realizado pelo peso-pesado Ron Howard e interpretado pelo peso-pesadíssimo Tom Hanks a partir do último best seller do autor mais best seller de todos, Dan Brown –o Rodrigues dos Santos americano, mas sem o gig televisivo. O Dr Robert Langdon (Hanks) é uma espécie de Jason Bourne sem gadgets entretido com uma caça ao tesouro que se diria inspirada nas festas infantis, mas com Dante e Botticelli metidos a martelo.

Por Nuno Henrique Luz

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Cézanne e Eu
27/28

Cézanne e Eu

Danièle Thompson recria a amizade entre dois gigantes da cultura francesa do século XIX, o pintor Paul Cézanne e o escritor Emile Zola, num filme que nunca se eleva acima da ilustração competente e didáctica.

Por Eurico de Barros

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Companheiros Improváveis
28/28

Companheiros Improváveis

Viúvo depois de um casamento de décadas, triste e perdido num apartamento agora grande demais, tudo muda para Hubert (André Dussolier) quando uma rapariga, Manuela (Bérengère Krief), lhe entra pela casa e pela vida dentro. O realizador de Um Pai Fora de Prazo, François Desagnat, dirige as operações desta comédia confiando que a inspiração que ele não tem virá dos actores.

Por Nuno Henrique Luz

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Mais críticas de cinemas

Kong: Ilha da Caveira
©DR
1/6

Kong: Ilha da Caveira

A culpa não é do macaco, porque o King Kong em stop motion deste filme, o segundo da nova franchise intitulada MonsterVerse (iniciada com o Godzilla de Gareth Edwards, em 2014) até faz justiça expressiva ao gorila gigante da Ilha da Caveira. Mas o resto, meu Deus, o resto!... Kong: Ilha da Caveira consegue ser pior que o remake de King Kong feito por Peter Jackson em 2005. Passado em 1973, num mundo onde, aparentemente, ninguém viu o original de Cooper e Shoedsack, este reboot é uma descomunal e tonitruante mixorofada, parte filme de guerra do Vietname, parte filme de monstros, parte Parque Jurássico desvairado, passado numa Ilha da Caveira povoada por bichos gigantes e por uma espécie de lagartos mutantes vindos do centro da terra, que limpam o sebo ao atarantado elenco. Um filme sem rei nem roque de tamanho XXL.

Por Eurico de Barros

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As Cinquenta Sombras Mais Negras
2/6

As Cinquenta Sombras Mais Negras

O segundo filme baseado na trilogia de livros pseudo- -escandalosos de EL James tem um novo realizador, James Foley. Mas nem o mais oscarizado dos cineastas salvava esta pepineira, agora com argumento do próprio marido da escritora (tão mau, que em casa vai ser castigado de certeza). Os actores continuam a canastrar militantemente, o défice de tau-tau é enorme e ver roupa de cama a secar é mais erótico do que isto.

Por Eurico de Barros

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Assassin's Creed
©Kerry Brown
3/6

Assassin's Creed

O filme de Justin Kurzel transporta para a tela o jogo de vídeo homónimo e é uma mixorofada primária, maçadora, interminável, risível, visual e sonoramente agressiva e ultra-volenta. Vários actores que estimamos, como Jeremy Irons, Michael Fassbender, Marion Cotillard e Charlotte Rampling tentam não perder a dignidade no meio da confusão e dos diálogos atrozes.

Por Eurico de Barros

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Os Belos Dias de Aranjuez
©Donata Wenders
4/6

Os Belos Dias de Aranjuez

Um filme vácuo, sensaborão e penoso, adaptado por Wim Wenders de uma peça de Peter Handke, e inexplicavelmente filmado em 3D. Numa casa de campo, um autor escreve à máquina e visualiza as suas personagens, um homem e uma mulher, a dialogar a uma mesa no jardim. O tédio é espesso e pesado nesta natureza morta cinematográfica.

Por Eurico de Barros

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O Bosque de Blair Witch
5/6

O Bosque de Blair Witch

O hiper-realismo fantasiado de O Projecto de Blair Witch não podia ficar pelo filme-sensação de 1999, principalmente depois do falhanço de O Livro das Trevas: Blair Witch 2. Vai daí, agora aparece do nada um novo vídeo e o irmão de Heather parte à aventura na película de Adam Wingard, que conta a mesma história, mas com GoPros e um drone.

Por Rui Monteiro

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Serra Pelada
©DR
6/6

Serra Pelada

Nos anos 70 e 80, a mina de Serra Pelada, no estado brasileiro do Pará, foi o cenário para uma das grandes corridas ao ouro do século 20. Inspirado em A Cidade de Deus, filme que também procurava fazer espectáculo da pobreza e que também tinha um narrador de nariz empinado para explicar às massas os códigos da bandidagem, Serra Pelada é uma espécie de O Padrinho de pé descalço, sem um grama do talento de Coppola e sempre com o olhar repelente de um comerciante da desgraça.

Por Nuno Henrique Luz

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