Críticas de cinema

Os filmes que estão ou estiveram em cartaz, avaliados pelas críticas de cinema da Time Out
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Críticas de cinema - 5 Estrelas

Filmes, Animação

The Incredibles 2 - Os Super-Heróis

No segundo filme animado da superfamília Parr, de novo realizado por Brad Bird, há novidades sobre os papéis domésticos do Sr. Incrível e da Mulher-Elástica, bem como sobre os superpoderes do bebé Jack-Jack, de que o realizador aproveita para tirar o máximo rendimento cómico. Em tudo o resto, e felizmente, Bird mantém as qualidades técnicas, estéticas, visuais, narrativas e humorísticas que fizeram do original (datado de 2004) uma das expressões mais altas da animação por computador da Pixar, evitando ainda 
a tentação de emular, ao seu nível e neste universo específico, os detestáveis filmes de super-heróis da Marvel e da DC. Que, e a propósito, The Incredibles 2: Os Super-Heróis bate em toda a linha.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
A Morte de Estaline
©Ascot Elite
Filmes, Comédia

A Morte de Estaline

Armando Iannucci, criador de séries de sátira política como The Thick of It e Veep, flagela de riso (muito, muito negro) o horror totalitário em A Morte de Estaline. Baseado numa BD francesa. Com Michael Palin, Steve Buscemi e Simon Russell Beale.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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O Lamento
©DR
Filmes, Terror

O Lamento

Um grande, grande filme de terror sobrenatural do sul-coreano Na Hong-jin, e o primeiro dos três deste realizador a estrear-se em Portugal. O Lamento vai ficar para a posteridade como a resposta asiática a O Exorcista, de William Friedkin. É uma história de possessão demoníaca – não de uma pessoa, mas de vários habitantes de uma vila do interior da Coreia do Sul –, investigada por um polícia trapalhão cuja filha foi atingida, e em que Hong-jin afeiçoa o horror às características culturais e religiosas da sociedade em que vive.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Suspense

15:17 Destino Paris

Aos elaboradíssimos filmes de super-heróis, Clint Eastwood responde com um filme simplex até mais não, sobre heróis inesperados e arrancados ao quotidiano banal: os três amigos americanos, dois deles militares de licença, que estavam de férias na Europa e no dia 21 de Agosto de 2015 impediram um atentado terrorista no comboio Thalys de alta velocidade que ligava Amesterdão a Paris. Eastwood põe os três a interpretarem-se a eles próprios, reconstrói as suas vidas desde a infância, quando
se conheceram na escola, e
filma no limite do minimalismo eloquente e da síntese expressiva, dando uma lição de cinema à maneira dos clássicos.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Drama

Linha Fantasma

Um filme brilhante sobre perfeccionismo obsessivo, amor perseverante e luta pelo poder num microcosmo familiar, comercial e criativo (uma casa de moda de luxo na Londres dos anos 50), rodado por Paul Thomas Anderson com uma elegância, um rigor e um saber cinematográfico clássicos. Daniel Day-Lewis tem aqui o seu derradeiro papel, o excêntrico, mimado, exigente e genial costureiro Reynolds Woodcock, interpretado com a mesma fixação pela excelência no seu ofício que move a personagem que incarna. Vicky Krieps faz a sua nova e determinada amante, modelo e empregada, e Lesley Manville é Cyril, a austera irmã solteirona daquele.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Lumière!
©DR
Filmes

Lumière!

Thierry Frémaux, Delegado-Geral do Festival de Cannes e director do Instituy Lumière de Lyon, compilou e comentou aqui 108 filmezinhos de Louis e Auguste Lumière, e dos operadores da sua invenção, o cinematógrafo, feitos em França e em várias paragens do globo, de 1895 a 1905. Entre a realidade captada espontaneamente ou encenada, e os filmes humorísticos ou feitos em família, Lumière! é um testemunho preciosíssimo, tocante, variado e divertido de uma era desaparecida, e de como o cinema abriu os olhos para o mundo e começou de imediato a registá-lo em toda a sua multiplicidade.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Drama

Paterson

Uma comédia de Jim Jarmusch finamente encantadora e poética, quotidiana e excêntrica, o triunfo do espírito keep it simple. Paterson, com Adam Driver e Golshifteh Farahani, pode muito bem ser o melhor filme de sempre sobre condutores de autocarros de New Jersey que escrevem poesia, casados com iranianas que adoram pintar círculos em tudo e querem ser cantoras de country & western. Para já, é um dos melhores filmes do ano.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Fátima
©DR
Filmes

Fátima

Entre a fé e o esforço, 11 mulheres vêm em peregrinação a pé de Vinhais, em Trás-os-Montes, até Fátima (400 duros quilómetros),
no novo filme de João Canijo. O realizador está menos interessado em questionar o fenómeno de Fátima e as suas circunstâncias, do que em mostrar os efeitos físicos, emocionais e psicológicos que uma jornada deste tipo tem sobre um grupo de mulheres que se conhecem bem, vêm do mesmo sítio e têm as mesmas origens sociais. E Canijo consegue-o com um sentido de encenação do real único no cinema português.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Drama

Mulheres do Século XX

Cruzamento de cinco pessoas numa nesga de tempo em que tentam aprender a navegar num oceano existencial que parece demasiado vasto. Uma nesga de um tempo analógico, com punk, feminismo, humor e um presidente decente (Jimmy Carter). Nada começa nem acaba no que aqui se vê, entregue por um elenco exemplar. Uma obra extraordinária, luminosa, para ver em loop.

Por Jorge Lopes

A Time Out diz
Filmes

O Herói de Hacksaw Ridge

O novo filme de Mel Gibson é a história, verdadeira, de um objector de consciência que se recusou a pegar em armas na II Guerra Mundial e mesmo assim foi um dos seus heróis. É também, até ver, o melhor filme de 2016.

Por Nuno Henrique Luz

A Time Out diz
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O Ornitólogo
©DR
Filmes, Drama

O Ornitólogo

O filme de João Pedro Rodrigues é a história de Fernando (Paul Hamy), um estudioso de pássaros, que depois de um acidente de barco no Douro se perde no mato e vive uma aventura excêntrica. O Ornitólogo mostra que se um realizador é capaz de pensar e depois sabe rodear-se das pessoas certas encontrará sempre as imagens para fazer passar o que quer dizer, e em grande estilo.

Por Nuno Henrique Luz

A Time Out diz
Filmes, Fantasia

O Amigo Gigante

Lá dizia o Amigo Banana que tudo é relativo. Bem, nem tudo, embora o Amigo Banana tenha razão se tivermos em consideração o gigante de O Amigo Gigante, de Steven Spielberg, baseado no livro de Roald Dahl, cujo argumento foi o último assinado por Melissa Mathison antes de morrer de cancro em Novembro (o filme é-lhe dedicado). Para os humanos como nós, e para a pequena Sophie, a heroína do filme, o gigante bondoso e vegetariano que se torna seu amigo é… bem, gigante! Só que para os restantes, carnívoros e malvados gigantes do seu país, ele é miúdo e enfezado.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz

Críticas de cinema - 4 Estrelas

Juliet, Nua
©DR
Filmes, Comédia

Juliet, Nua

Uma comédia romântica como deve ser, baseada no livro de Nick Hornby e realizada por Jesse Peretz, que tocou na banda indie The Lemonheads e já realizou um ramalhete de bons filmes cómicos. Ethan Hawke, Rose Byrne e Chris O’Dowd, todos excelentes, formam o triângulo amoroso desta
fita deliciosa, amena e muito bem escrita, que mexe com música, com cromos da música, com conhecimento enciclopédico da dita e com personagens paradas na vida e acomodadas nas suas relações sentimentais, que têm que tomar decisões que podem novo ânimo às suas existências. A comédia é gozona sem ser ofensiva ou cruel e o drama é tangível sem precisar de ser extremado, as personagens nunca são reduzidas a clichés, e Peretz farta-se de tirar dividendo risonhos dos nerds da cultura pop (no caso vertente, os maluquinhos do indie rock).

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Ant-Man ve Wasp
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Filmes, Acção e aventura

Homem-Formiga e a Vespa

Peyton Reed é repetente na realização desta nova aventura do Homem-
Formiga, ainda melhor que o primeiro filme homónimo, de 2015. Paul Rudd volta a interpretar este super-herói da Marvel, agora emparceirando com a Vespa (Valentine Lilly) numa vertiginosa e jubilatória aventura que envolve que envolve combates com vilões normais
 e uma super-vilã fantasmática, um mergulho em profundidade no mundo quântico e perseguições com automóveis de vários tamanhos, tudo numa jigajoga entre o micro e o macro, o muito pequeno e muito grande, a miniaturização e a amplificação de pessoas, animais e objectos, nomeadamente o prédio do laboratório do genial Dr. Pym (Michael Douglas). Homem-Formiga e a Vespa é o melhor, mais bem esgalhado, mais divertido e mais dinâmico filme de super-heróis do Verão, e deste ano. Também com Michelle Pfeiffer, Laurence Fishburne e Michael Peña.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Drama

Sicário - Guerra de Cartéis

O italiano Stefano Solima (SuburraGomorra) substituiu Denis Villeneuve a realizar esta continuação de Sicário-Infiltrado, e a personagem de Emily Blunt foi descartada. Mas tudo o resto continua no lugar, incluindo a visão desapiedada do argumentista Taylor Sheridan sobre a sangrenta e amoral guerra fronteiriça entre os cartéis da droga mexicanos, agora a traficar imigrantes clandestinos em vez de cocaína, e sobretudo as personagens de Josh Brolin e Benicio del Toro, os homens frios e duros das operações clandestinas, que desta vez revelam mais alguma humanidade e sentido de honra do que seria de esperar.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Drama

Western

Um grupo de operários alemães vai erguer uma central hidroeléctrica numa zona remota da Bulgária, que confina com a Grécia. Em vez de desenvolver um enredo à base de lugares-comuns sentimentais, de confrontação ou de estereotipação nacional e política, bem como de metáforas prontas-a-usar sobre a Europa de hoje, a realizadora Valeska Grisebach faz um filme sobre o esforço - nem sempre fácil, espontâneo ou correspondido - de entendimento, comunicação e convívio entre seres humanos. O elenco é quase todo composto por amadores, muitos deles recrutados no local em que Western foi rodado, com destaque para o ex-feirante Meinhard Neumann) no principal papel masculino.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Mundo Jurássico: Reino Caído
©Universal Studios and Amblin Entertainment, Inc.and Legendary Pictures Productions, LLC
Filmes, Acção e aventura

Mundo Jurássico: Reino Caído

Apesar da assombrosa qualidade dos efeitos especiais que ressuscitam os dinossauros do início dos tempos, este segundo filme da nova trilogia que sucede à iniciada há 25 anos por Parque Jurássico, de Steven Spielberg, e que dá continuidade a Mundo Jurássico (2015), soçobra devido a um enredo crescentemente absurdo, a uma absoluta falta de originalidade e de frescura da história (um cabide para se pendurarem as tropelias dos dinossauros e em que o Indoraptor, um híbrido feito em laboratório, rouba o estrelato ao T-Rex) e à irritante tendência do realizador J.A. Bayona para se pôr a impingir sermões sobre temas tão variados como a manipulação genética ou a exploração dos animais para fins criminosos ou militares. O 3D volta a não servir para nada e o terceiro filme fica preparado com um final muito aberto.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
O Workshop
©Agora Films
Filmes, Drama

O Workshop

Vencedor do Festival de Cannes em 2008 com A Turma, sobre um professor e os seus alunos de um liceu difícil de Paris, o francês Laurent Cantet, a escrever de novo com Robin Campillo, volta a juntar aqui um adulto e jovens que estão a tactear o seu caminho no mundo (uma escritora de policiais que faz um workshop de escrita com adolescentes de La Ciotat, em Marselha), usando-os para expor as divisões, medos e tensões da França contemporânea. Um filme muito bem escrito, que finta simplificações de caracterização e situação, e foge a julgamentos apressados e moralismos reconfortantes.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Frantz
©DR
Filmes, Drama

Frantz

Um dos melhores filmes de François Ozon, sobre um livro pacifista de Maurice Rostand depois levado ao palco e adaptado para o cinema em 1932 por Ernst Lubitsch (O Homem que Eu Matei). O realizador francês acrescenta uma segunda parte à história original, alterando ainda o ponto de vista da personagem principal, um francês, para a alemã. Frantz é um drama sobre o perdão e a mentira, e sobre o peso da dor pelos mortos queridos, passado logo após a I Guerra Mundial, entre a Alemanha e a França. Nos papéis principais, Pierre Niney e Paula Beer são formidavelmente tocantes. Ozon mantém à distância qualquer manifestação melodramática e filma com parcimónia de intimidades, num preto e branco austero com assomos de cor para enfatizar picos emocionais do enredo.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Terror

Um Lugar Silencioso

A Terra é invadida e devastada por monstros alienígenas cegos mas hipersensíveis ao ruído, e para sobreviver, os humanos têm que se habituar a existir no mais absoluto silêncio, como a família liderada por John Krasinski (que também realiza), numa quinta no interior dos EUA. Partindo desta premissa, Krasinski e os seus co-argumentistas, Bryan Woods e Scott Beck, alinham uma série de situações de suspense esfrangalha-nervos, em que um simples prego saliente numa escada ou uma inundação numa cave podem ser fatais. Com Emily Blunt, que é mulher de Krasinski, na mãe, e a óptima Millicent Simmonds, que é surda-muda, na filha com a mesma deficiência.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Na Síria
©DR
Filmes, Drama

Na Síria

O director de fotografia belga Philippe Van Leeuw filma um grupo de civis trancados num apartamento de Damasco enquanto os perigos da guerra rondam lá fora e ameaçam entrar. A ideia do realizador é dar o ponto de vista dos civis anónimos num conflito, e o filme é vago o suficiente para esta situação poder ser extrapolada para outras guerras noutros países e não se confinar à Síria. Por isso, longe de ser virtuosamente político, propagandista ou engajado, Na Síria é um filme de terror de alta tensão claustrofóbica e de medo sempre à flor da pele, com a soberba Hiam Abass no papel
da mãe de família que mantém o grupo preso em casa unido e protegido.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Animação

A Idade da Pedra

Nick Park, criador de Wallace
 e Gromit e um dos fundadores dos estúdios Aardman, revela, na primeira longa-metragem de animação de volumes que assina sozinho, que o futebol foi inventado na Idade da Pedra. Pondo em confronto no relvado uma equipa de trogloditas e outra da Idade do Bronze, A Idade da Pedra está povoado por uma vasta galeria de personagens hilariantes e é uma cornucópia de gags em jacto contínuo, onde o humor absurdo anda de braço dado com o slapstick clássico. A animação tem, aqui e ali, uma ajudinha do computador, mas no essencial, Park permanece fiel à tradição artesanal que faz a diferença e a fama da Aardman.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Olhares Lugares
©DR
Filmes, Documentários

Olhares Lugares

À beira de fazer 90 anos e a perder a vista, Agnès Varda pegou em si, juntou-se ao fotógrafo e artista plástico JR, meio século mais novo que ela, e foram ambos, na carrinha deste, que também funciona como estúdio fotográfico ambulante, atravessar a França, fotografando pessoas a eito e depois colando esses retratos, em tamanho gigante, nas paredes das suas vilas, casas, quintas ou locais de trabalho. Apesar da presença de JR e das suas fotos descomunais, Olhares Lugares é um documentário todo ele de Varda. Melancólico e bem-disposto, peripatético, poético e artesanal, partindo dela para os outros, sempre em busca de histórias curiosas, coincidências, acasos e pequenos insólitos, sempre atraída pelas pessoas comuns e pelas suas vidas e interesses, e encontrando ao longo do caminho, coisas, objectos e gente que consegue relacionar com a sua própria existência, com os seus hábitos e gostos ou com o cinema: o seu, o dos outros ou o da sua geração. Precisamente, Olhares Lugares tem um final relacionado com cinema e com velhas amizades, passado na Suíça, e do qual Jean-Luc Godard não sai nada bem, dando a quem nunca simpatizou com a figura ainda mais razões para reforçar essa antipatia. Para Varda, tudo, tudo; para Godard, nada, nada.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Beuys
©DR
Filmes, Documentários

Beuys

O aspecto nunca foi grande coisa. Aquele chapéu de feltro à banda, o ar engordurado. E do temperamento, das companhias... É melhor nem falar. Mas não se deve julgar pelas aparências, que estas iludem, e, no caso de Joseph Beuys, escondiam um artista, mais de 30 anos depois de morrer, ainda capaz de causar uma boa controvérsia. Andres Veiel passou muito para lá da capa enxovalhada e escavou a história do fundador do grupo Fluxus que explorou o happening, a performance e a instalação, com tempo ainda para desenvolver um trabalho de teórico e de pedagogo assinalável. Mestre
de uma arte que não descurava o debate social nem a intervenção; incapaz de impedir que essas tensões se reflectissem na sua obra, Beuys foi um visionário.
De certo modo continua a ser, pois mesmo através da inúmera documentação recolhida, o retrato traçado por Veiel abre mais caminhos à discussão
sobre o papel da arte no mundo contemporâneo do que apresenta qualquer conclusão – como se o artista permanecesse um mistério.

Por Rui Monteiro

A Time Out diz
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Filmes, Drama

Loveless - Sem Amor

Farto de ouvir os pais, que
se vão divorciar, discutirem azedamente um com o outro, e de ser ignorado por eles, como se fosse invisível, Alyosha, de 
12 anos, desaparece de casa. Andrei Zvyagintsev, autor
de Elena e Leviatã e opositor
 de Vladimir Putin, filma esta história de desamor, egoísmo, desintegração social e aridez emocional e moral como um óbvio correlativo da situação colectiva da Rússia dos nossos dias, e com uma frigidez visual que não deixa dúvidas sobre o pessimismo que o cineasta nutre sobre o estado do seu país.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Gatos
©DR
Filmes, Documentários

Gatos

Gatos, gatos, gatos por toda a parte: nas ruas e nas varandas, nos muros e nas caixas de ar condicionado, nas esplanadas e nas lojas. Os gatos fazem parte da paisagem de Istambul, da sua identidade e da essência da cidade, como diz a turca Haroon Adalat no seu documentário Gatos, que se centra em sete das centenas de milhares de felinos que
ali vivem, ouvindo ainda
os seus donos, vizinhos ou quem cuida deles. O que falta a Gatos em enquadramento histórico-cultural, sobra em esplendor felino.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Três Cartazes
©Merrick Morton
Filmes, Comédia

Três Cartazes à Beira da Estrada

Frances McDormand ganhou 
o Globo de Ouro de Melhor Actriz Dramática com a sua interpretação arrasadora de uma mãe indignada com a ineficácia da justiça na sua cidadezinha do Missouri. O dramaturgo, argumentista e realizador ango-irlandês Martin McDonagh (Em Bruges) assina este filme de escrita densa, onde a tragédia pesada e o humor negro e sarcástico convivem. Também com Woody Harrelson e Sam Rockwell numa nódoa de agente da polícia.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
A partir de uma História Verdadeira
©DR
Filmes, Drama

A Partir de uma História Verdadeira

Neste filme sobre o convívio crescentemente inquietante entre uma autora de best-sellers na mó de baixo (Emmanuelle Seigner) e uma sedutora e possessiva ghostwriter (Eva Green), Roman Polanski recupera, embora em registo menos intenso, as atmosferas psicóticas, assombradas e asfixiantes de filmes anteriores como Repulsa, What? ou O Inquilino. Adaptado do romance homónimo de Delphine de Vigan pelo próprio Polanski e por Olivier Assayas.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Uma Mulher Fantástica
©DR
Filmes, Drama

Uma Mulher Fantástica

O chileno Sebastián Lelio (Glória) volta a lançar mão
 do melodrama no feminino nesta fita sobre Marina, uma mulher transgénero, que tem que enfrentar a família do falecido amante, um homem mais velho que deixou tudo por ela. Lelio não transforma
a fita num comício pelos direitos LGBT e a transgénero Daniela Vega, chama a si o filme e torna-o indissociável dela, em corpo, coração, personalidade e voz, investindo também na personagem as suas experiências pessoais e os dotes de cantora de ópera.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Drama

Roda Gigante

Pensem no reverso do espelho de Os Dias da Rádio e têm
Roda Gigante, o novo Woody Allen, passado em Coney 
Island nos anos 50. É um
 drama de adultério e ciúme, crescentemente azedo, que
se resolve tragicamente, com Kate Winslet brilhante no papel de uma prima emocional e espiritual de Blanche DuBois. Allen e o director de fotografia Vittorio Storaro deram à
 fita a rica personalidade 
visual dos melodramas em Technicolor da altura. Roda Gigante pode parecer forçado 
e superficialmente “teatral”, mas é elaborada e intensamente cinematográfico.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Drama

Derradeira Viagem

Um filme invernoso e soturno, trespassado de amargura e assombrado pelo remorso, com fogachos de comédia entre os momentos mais carregados, por onde passam fantasmas e traumas da guerra do Vietname mas também dos conflitos mais recentes em que os EUA se envolveram. Interpretando três antigos soldados, Steve Carell, Bryan Cranston e 
Larry Fishburne nunca são menos que magníficos nesta fita de Richard Linklater
 onde a conversa continua a ser central para a narrativa, como em quase toda a sua filmografia.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
A Liberdade do Diabo
©DR
Filmes, Documentários

A Liberdade do Diabo

Em vez de fazer um documentário mais convencional sobre o narcotráfico no México, Everardo González filmou exclusivamente, em A Liberdade do Diabo, vítimas e perpetradores dessa violência. As primeiras falam do que elas ou familiares seus sofreram, os segundos (provindos dos dois lados da lei), do sofrimento que causaram. Todos eles usam o mesmo tipo de máscara, que só deixa ver os olhos, o nariz e a boca, e que, ao mesmo tempo que protege a identidade dos participantes, sugere que estamos perante pessoas vítimas de queimaduras ou disformidades graves, e uma atmosfera de filme de terror, complementando de forma incómoda e inquietante os discursos dos participantes. O realizador consegue assim apresentar-nos o amplo e sinistro quadro de uma cultura de morte omnipresente e de uma violência crónica, brutalíssima, sem a menor compaixão, que atinge até as crianças, criada pelo narcotráfico, o grande flagelo do México dos nossos dias. E que tudo indica não ter solução à vista.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Lucky
©DR
Filmes, Drama

Lucky

O actor John Carroll Lynch estreou-se a realizar dirigindo Harry Dean Stanton naquele que seria o filme de despedida deste,que interpreta uma versão ficcionada de si mesmo, o Lucky do título, habitante de uma vilória do Arizona. Uma serena, límpida e eloquente celebração de um dos maiores, mais duradouros e mais queridos actores característicos americanos, aqui rodeado por colegas como Ed Begley, Jr, Beth Grant ou Tom Skerritt, e emperceirando com o seu velho amigo David Lynch, este no papel do dono de um cágado em fuga.

Por Eduardo de Barros

A Time Out diz
Filmes, Drama

O Quadrado

Uma sátira negra, desassombrada e levemente absurda do sueco Ruben Östlund (Força Maior) às utopias artístico-humanitárias, aos embustes da arte contemporânea e ao politicamente correcto, através da história de Christian (Claes Bang), o curador de um museu de Estocolmo precipitado numa espiral de situações embaraçosas e dramáticas, que expõem a distância entre o seu discurso público idealista e o seu comportamento pessoal. Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Animação

Coco

Em boa hora a Pixar foi ao México inspirar-se nos costumes e nas tradições populares deste país, nomeadamente na celebração do Dia dos Mortos. Graças a elas, Lee Unkrich e Adrian Molina realizaram
 esta feérica e divertidíssima animação musical e fantástica passada
 no mundo dos mortos mexicano, que promove os valores da família e consegue ser mais imaginativa, mais original e ter mais vida do que a maior parte dos filmes sobre gente viva e com actores de carne e osso.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
O Espírito da Festa
©DR
Filmes

O Espírito da Festa

Max (Jean-Pierre Bacri), um empresário de festas, tenta que tudo corra bem num importante casamento num castelo do século XVII, mas 
do noivo cretino aos seus bem-intencionados mas incompetentes empregados, todos os que o rodeiam parecem querer o contrário. Olivier Nakache e Eric Toledano, autores de Amigos Improváveis, voltam a mostrar em O Espírito da Festa que a comédia popular de qualidade não é um género em extinção no comédia francês.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Nos Interstícios da Realidade
©DR
Filmes

Nos Interstícios da Realidade

João Monteiro, um dos directores do MOTELX, faz justiça neste documentário ao realizador António de Macedo, falecido há um
mês. Por ter optado por
fazer cinema de género, e sobretudo filmes fantásticos, uma quase heresia em Portugal, Macedo foi ostracizado pelo meio cinematográfico e pelos poderes que distribuem os apoios financeiros, acabando por ter que deixar de filmar nos anos 90, após assinar Chá Forte com Limão (1993).

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
A Paixão de Van Gogh
©DR
Filmes, Drama

A Paixão de Van Gogh

O inglês Hugh Welchman e a polaca Dorota Kobiela demoraram sete anos – dois de produção e mais cinco de rodagem – para realizarem esta longa-metragem de animação onde abraçam a tese, lançada numa biografia publicada em 2011, segundo a qual Vincent van Gogh não se suicidou mas poderá ter sido assassinado, e expondo-a através dos quadros e do estilo do próprio artista. A Paixão de Van Gogh é o primeiro filme da história do cinema todo pintado à mão,
 a óleo e em tela, e minuciosamente: foram 125 os artistas que trabalharam nos seus 65 mil fotogramas.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Ficção científica

Blade Runner 2049

Denis Villeneuve realiza Blade Runner 2049 com aquela calma controlada que se lhe conhece dos seus trabalhos anteriores, como Sicário ou Primeiro Contacto, assinando um filme intrinsecamente ligado ao original de Ridley Scott do ponto de vista visionário, visual, narrativo, dramático
e especulativo, mas também percorrendo novos caminhos num universo familiar: um futuro ainda mais negro, devastado e cheio de gente, e cada vez mais desenvolvido tecnologicamente. Desde O Padrinho: Parte II, de Francis Ford Coppola (1972) que uma continuação não desmerecia do original.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Suspense

Good Time

O encontro entre os irmãos nova-iorquinos Josh e Ben Safdie proporciona a Robert Pattinson o primeiro papel com sustância a sério e consistência dramática palpável, desde que deixou o juvenil e meloso mundo dos vampiros e lobisomens da saga Twilight. Passado numa única noite, numa Nova Iorque periférica, este thriller urbano áspero, berrante e fatalista é também o melhor filme dos irmãos Safdie. Além de co-realizar, Ben interpreta também o irmão da personagem de Pattinson.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Reviver o Passado em Montauk
©Ziegler Film/Franziska Strauss Ressources
Filmes, Drama

Reviver o Passado em Montauk

Um escritor alemão vai a Nova Iorque promover o seu novo livro, reencontra a mulher com que teve um caso intenso 17 anos antes, e tenta recuperá-la. Eis o melhor filme de Volker Schlöndorff em muitos anos (sobre um livro autobiográfico de Max Frisch), escrito a meias com o irlandês Colm Tóibín. É um melodrama sem a menor ilusão romântica, uma elogia outonal pela quimera de um amor irrecuperável, uma história de fantasmas da paixão. Stellan Skarsgard e Nina Hoss são estupendos nos protagonistas.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Documentários

Stop Making Sense

Começa tudo com uma sombra. A sombra da cabeça de uma guitarra. Só depois se vêem os pés, caminhando, até pararem e uma mão pousar um leitor de cassetes portátil no chão. A câmara sobe, então, e mostra David Byrne dedilhando os primeiros acordes de “Psycho Killer”. Ele, o leitor de cassetes e uma canção num palco despido. O ano é 1984. O local: Los Angeles. A canção acaba e, primeiro, surge Tina Weymouth, acrescentando a espessura do som do seu baixo a “Heaven”. Mais tarde, enquanto na 
sombra do palco se vislumbra o movimento dos que carregam amplificadores e monitores, cabos, o praticável onde está montada a bateria, é a vez de Chris Frantz aparecer para acompanhar “Thank You for Sending Me”, e depois será a vez de Jerry Harrison. Os Talking Heads estão em palco. Os jogos podem começar. E que jogos, estes filmados por Jonathan Demme, em regime de quase neutralidade, fazendo o seu filme viver do espectáculo, das canções e das acções e das intenções da banda mais ousada dos anos 80.

Por Rui Monteiro

A Time Out diz
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Os Desastres de Sofia
©Jean-Louis Fernandez
Filmes

Os Desastres de Sofia

Christophe Honoré pegou em dois clássicos da Condessa de Ségur, Os Desastres de Sofia e As Meninas Exemplares, e realizou este belíssimo filme infantil, que nem cheira a mofo, nem se põe a fazer releituras, e onde o autor de As Canções de Amor dá um ar da sua graça (animais animados, momentos musicais pop a cargo de Alex Beaupain) sem cair no anacronismo ou no sentimentalismo. Caroline Grant, de cinco anos, interpreta Sofia com naturalidade, espontaneidade e energia. Ideal para toda a família.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Os Chapéus de Chuva de Cherburgo
©DR
Filmes, Drama

Os Chapéus de Chuva de Cherburgo

Quando se estreou Os Chapéus de Chuva de Cherburgo, em 1964, o cinema musical estava, a bem dizer, morto. Mas o filme de Jacques Demy, agora em versão digital restaurada, não era um musical de Hollywood, e, embora uma fantasia amorosa cantada e bailada em cores saturadas, a sua origem radicava num cinema mais realista e, de certo modo, mais maduro na sua abordagem social. O trunfo do filme, descontando a extraordinária visão artística de Demy, que de uma história de cordel criou um encantamento verosímil, é a banda sonora de Michel Legrand. É através dela que os amores adolescentes de um mecânico (Nino Castelnuovo) e da sua namorada (Catherine Deneuve) explodem em exaltantes canções de amor, apesar de apoquentados pela família, seguindo o seu caminho até serem tomados pela frustração, a resignação e os compromissos da vida adulta.

Por Rui Monteiro

A Time Out diz
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Filmes, Drama

Clash

Neste filme passado no Cairo, em 2013, durante os tremendos confrontos que se seguiram à deposição do presidente Mohammed Morsi, ligado 
à Irmandade Muçulmana, pelos militares, o realizador Mohamed Diab consegue expôr a situação política, religiosa 
e social do Egipto a partir do interior de um carro celular onde foram presos manifestantes pró e anti-Morsi.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Uma Viagem pela Cinema Francês com Bertrand Tavernier
©DR
Filmes, Documentários

Uma Viagem pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier

Bertrand Tavernier leva-nos numa soberba viagem à bolina por meio século de cinema francês,
ao sabor das suas preferências e escolhas (muito Becker e quase nenhum Bresson, por exemplo), carregada de histórias e anedotas. Muitas delas testemunhadas pelo próprio Tavernier, que foi cinéfilo, crítico, assistente de realização e agente de imprensa de um grande produtor, antes de se ter tornado cineasta. Um dos documentários do ano.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Drama

2 Mulheres, um Encontro

Um frente-a-frente Catherine Deneuve-Catherine Provost nesta comédia dramática no feminino. Deneuve faz uma aventureira e sedutora irresponsável que não tem cheta nem onde cair morta, e antiga amante do pai da personagem de Frot, uma parteira profissionalíssima e altruísta, mas com uma vida social e afectiva árida, e que, por compaixão, dá guarida àquela. Martim Provost escreve, filma e dirige na melhor tradição do cinema francês de qualidade.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Micróbio e Gasolina
©DR
Filmes, Comédia

Micróbio e Gasolina

A nova realização de Michel Gondry remete para os filmes de adolescentes dos anos 60 e 70 e para a BD clássica. Dois amigos e colegas de liceu, ambos outsiders, improvisam uma casa motorizada e sair à aventura no Verão, sem os pais saberem. Os miúdos (Ange Dargent e Théophile Baquet) são formidáveis de naturalidade e descontracção e Gondry realiza com uma enorme empatia por eles e uma graça e uma alegria irresistivelmente contagiosas.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Documentários

Eu Não Sou o Teu Negro

O filme de Raoul Peck (O Jovem Karl Marx) foi nomeado para o Óscar de melhor documentário. Para além do fundamental aspecto político, e da sua importância na conservação e avivamento e divulgação da memória, Peck acrescenta uma eloquente e dolorosa relação com a actualidade, digamos, um ponto de situação nada animador.

Por Rui Monteiro

A Time Out diz
Filmes, Comédia

Brazil: O Outro Lado do Sonho

Antes de alguém pensar que o “Brazil” do título tem alguma coisa a ver com o Brasil, avisa-se já que o baptismo do filme de Terry Gilliam, agora disponível em versão restaurada digitalmente, vem de uma canção muito popular nos anos de 30. E, já agora, a alegria da música serve como contraponto simbólico ao cinzento universo retro-pós-industrialista e à sensação permanente de opressão imposta pela cenografia. Na época, aliás, o realizador foi acusado de usar o trabalho de Roger Pratt para cobrir as insuficiências do argumento. A verdade, porém, é que o entrecho criado pelo dramaturgo Tom Stoppard, com a colaboração de Charles McKeown, embora simples, é um modelo de exemplaridade narrativa, carregado de humor negro, descrevendo os meandros de uma sociedade totalitária pronta para tudo para se defender e assim permanecer o oásis de uns poucos com a verosimilhança necessária. E mais verdade ainda é que Gilliam, habitualmente um pouco desleixado nos acabamentos, se esmerou nesta película, fazendo das várias partes um todo coerente e eficaz. Daí esta obra ter sobrevivido à crítica da sua época e, ao longo do tempo, ter crescido entre os cinéfilos até ser comercialmente vantajoso o seu restauro e regresso às salas.

Por Rui Monteiro

A Time Out diz
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Paula Rego, Histórias & Segredos
©Lila Nunes
Filmes

Paula Rego, Histórias & Segredos

Se Nick Willing não fosse filho de Paula Rego, este documentário nunca teria sido feito. E se ele não tivesse convencido a mãe a falar sobre a sua vida e a sua arte, talvez não tivesse sabido ou entendido melhor coisas sobre ela, o pai, a família, as pinturas dela e a sua própria juventude. É que em Paula Rego, Histórias & Segredos, não é só o espectador que é surpreendido pela franqueza da artista, pelo que ela revela sobre a sua intimidade e conta sobre a a dimensão pessoal, biográfica e catártica dos seus quadros: é também o seu filho e realizador do filme. Willing mostra como arte e vida são indissociáveis para a mãe. Os quadros de Paula Rego, pintora narrativa por excelência, começam por contar histórias, depois transfiguradas pelas histórias pessoais e os “segredos” da artista. Estes podem ser tão dolorosos, que as obras ficam inéditas, como sucedeu com a série sobre a depressão da pintora, só recentemente exposta em Londres. Paula Rego fala ainda sobre o seu casamento com o também artista Victor Willing, os casos extraconjugais de ambos, os abortos, os altos e baixos da sua existência familiar e criativa e o papel da pintura na sua vida, permitindo-nos ainda vê-la trabalhar no atelier. Este filme é também um gesto de amor de um filho para uma mãe que acontece ser uma das maiores e mais singulares artistas do nosso tempo.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Drama

Vale do Amor

Juntos pela primeira vez desde Loulou, de Maurice Pialat (1990), Gérard Depardieu e Isabelle Huppert interpretam um casal divorciado que uma misteriosa carta deixada pelo filho, que se suicidou seis meses antes, junta no Vale da Morte, nos EUA. Guillaume Nicloux prossegue aqui as experiências de metacinema e de jogo entre realidade e ficção, actores e personagens, de O Rapto de Michel Houellebeq. Um filme deliberadamente ambíguo, inquietante, comovente e espectral.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Drama

A Criada

Serpenteante, maquiavélico e perversamente erótico, o novo filme do realizador de Oldboy transpõe para a Coreia ocupada pelo Japão dos anos 30 do século XX o livro Fingersmith, da britânica Sarah Walters, passado na Inglaterra do século XIX, uma história de recorte policial e sensualidade lânguida, envolvendo falsas criadas, falsos nobres, uma herdeira milionária e uma série de reviravoltas, onde os enganadores também podem acabar por ser enganados. A fita multiplica-se em ingredientes, situações e personagens-tipo da literatura popular vitoriana de que o livro de Walters é um consumado pastiche, acrescentando-lhes um erotismo requintadamente asiático. Os actores – em especial Kim Tae-ri na criada e Cho Jin-woong na sua aparentemente ingénua ama – são óptimos, e Park Chan-wook respeita com meticulosidade todas as exigências do género, divertindo-se imenso a fazê-lo.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Suspense

O Amigo Americano

Jonathan (Bruno Ganz), um emoldurador, é diagnosticado com leucemia e contempla a possibilidade de deixar a família na miséria. É o correio que Ripley (Dennis Hopper) precisava para deslocar as falsificações que negoceia através da Europa, e que, neste filme, agora restaurado, Wenders transforma em metáfora sobre as relações entre Hollywood e a cultura alemã do pós-guerra. Há mais, claro, nesta libérrima versão do romance de Patricia Highsmith, pois o realizador, em pormenores e subtilezas do enredo, em certos planos e sequências, em certas falas e movimentos subjectivos, desafia a uma nova visão do policial. Uma visão que parece privilegiar equilibradamente entrecho e atmosfera. Para, depois, como quem não quer a coisa, favorecer a segunda e mergulhar numa abordagem narrativa que tem tanto de cinefilia como de herança do expressionismo alemão, afinal, uma recusa do realismo que atira as personagens para longe, bem longe dos limites do comportamento humanista, envolvidos por uma espécie de neblina existencial onde a ética não penetra.

Por Rui Monteiro

A Time Out diz
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Filmes, Drama

O Fundador

A história de Ray Kroc, o vendedor ambulante de máquinas de fazer batidos que nos anos 50 passou a perna aos verdadeiros criadores da McDonald’s, os irmãos Rick e Mac McDonald, e ergueu o maior império de fast food do mundo, com tantos clientes como anticorpos. John Lee Hancock ilustra aqui duas concepções de negócio, de ética e de dinâmica capitalista antitéticas, e o hiperactivo Michael Keaton, no papel de Kroc, leva o filme a reboque.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
São Jorge
©DR
Filmes

São Jorge

No Portugal intervencionado pela troika, Jorge (Nuno Lopes), um pugilista endividado vai trabalhar para uma firma de cobranças e ganhar dinheiro para tentar manter em Portugal o filho e a mulher, uma imigrante brasileira que ameaça voltar ao seu país com a criança. Marco Martins faz da crise o motor da história, sem se pôr a fazer comício, e evoca os climas visuais e anímicos do policial de boxe americano e do melhor cinema social europeu clássico. Nuno Lopes dá-se de corpo e alma a Jorge, uma bisarma de bom coração que acredita até ao fim que pode pôr a adversidade KO.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Alice nas Cidades
©DR
Filmes

Alice nas Cidades

Bem se pode dizer que Philip Winter (Rüdiger Vogler), um escritor com um sério bloqueio criativo, acabado de percorrer a América com o pretexto de pesquisar material para novo livro, foi enganado pela mãe de Alice (Yella Rottländer). Aquilo do vou ali já venho, faz favor toma-me conta da menina, foi conversa pré- -desaparecimento. Conversa que leva um homem feito e uma criança de oito anos a regressar à Europa e, nela, a percorrer cidade atrás de cidade em busca da avó da petiza, que com a mãe já ninguém conta, no processo criando uma amizade quase pueril e particularmente estimulante para aquele homem cansado. Filme de estrada, Alice nas Cidades, agora disponível em versão restaurada, inicia um dos períodos mais criativos da carreira do realizador como observador e relator da nova realidade política, social e cultural da Alemanha e da Europa.

Por Rui Monteiro

A Time Out diz
A Autópsia de Jane Doe
©DR
Filmes, Terror

A Autópsia de Jane Doe

O primeiro filme nos EUA do norueguês André Ovredal (O Caçador de Trolls) é uma inteligente e arrepiante peça de câmara, toda passada numa morgue, ao longo de uma noite, só com três personagens, uma das quais está morta (a Jane Doe do título). Uma masterclass de construção de terror cinematográfico mesmo até à última imagem.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Drama

Personal Shopper

No seu segundo filme com Kristen Stewart após As Nuvens de Sils Maria (2014), Olivier Assayas usa elementos do thriller e do cinema de terror para construir uma fantasmagoria realista, situada firme e audaciosamente entre o filme de género e o filme cinéfilo, e mantendo um registo ambíguo até ao fim. Stewart é magnífica no papel principal, o de uma personal shopper de uma top model, assombrada pela possibilidade da existência de uma vida para lá desta.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Comédia

Toni Erdmann

O filme-fenómeno de Maren Ade é uma convencional comédia dramática sobre a recuperação dos afectos entre um pai e uma filha separados geográfica e emocionalmente, mas com um embrulho formal, uma apresentação narrativa e um registo de cinema de “autor”. Com os excelentes Peter Simonischek no pai professor de música reformado e fã de pregar partidas, e Sandra Hüller na filha super-executiva.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes

Paris, Texas

Um homem caminha no deserto. Só, arrastando-se como um penitente, à beira da exaustão. Um ponto em movimento na imensidão árida da natureza. É uma imagem tão atraente quão misteriosa. Nada se sabe; porém, de pronto se entende que as cores carregadas de luz escondem, ofuscam uma tragédia neste filme em que Wim Wenders, com argumento de Sam Shepard, regista a perda, o desespero, a redenção e o sacrifício. A história de Travis (Harry Dean Stanton) é, de certo modo, simples, até comum, e a narrativa do seu desaustino bastante linear, como se o realizador pretendesse realçar na vulgaridade da acção o tumulto interior, a raiva deste ser perdido que transpira do texto e vai estender-se por diálogos e monólogos de uma lucidez crua. Um homem perde-se por uma mulher que o abandona, vagueia sem saber por onde, reencontra o filho e parte, outra vez, agora com uma missão: reunir a criança e a mãe antes de a sua jornada terminar. O reencontro com Jane (Nastassja Kinski) é um grande momento de cinema, um dos mais cativantes na obra do cineasta alemão, na sua representação da inquietude e do desejo e do ciúme, mas principalmente da frustração que vem junto com a verdade, com a desilusão de um casal que não foi feito para o ser, levado pelas circunstâncias como quem se deixa arrastar pela corrente de um rio até um fim que não desejou, contudo é inevitável.

Por Rui Monteiro

A Time Out diz
El Dorado XXI
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Filmes, Documentários

El Dorado XXI

As sombras de Wang Bing e Werner Herzog pairam sobre este soturno documentário que Salomé Lamas foi rodar à remota localidade de La Rinconada, nos Andes peruanos. Um “El Dorado” dura, miserável e cruelmente real, onde se procura ouro e outros minerais menos preciosos em condições climatéricas, de vida e trabalho no limite do suportável.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Delirio em Las Vedras
©DR
Filmes

Delírio em Las Vedras

Edgar Pêra filma o Carnaval de Torres Vedras em 3D e mete-lhe lá dentro um punhado de actores a fingir que são repórteres de vários canais de televisão fictícios. Pêra documenta o delírio do “Carnaval mais português de Portugal” e goza com a cobertura entre o redundante, o enche-chouriços e o imbecil que as televisões fazem destes acontecimentos. Foi o último filme de Nuno Melo.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Drama

Moonlight

Vencedor de um Globo de Ouro (Melhor Filme Dramático) e candidato a oito Óscares, este filme indie de Barry Jenkins sobre três fases da vida desgraçada de um jovem negro de Miami, interpretado por três actores diferentes, não pode nem deve ser reduzido a um nicho étnico ou de causa gay. Seria minimizar o seu amplo alcance humano, o seu sólido músculo dramático e o seu profundo significado emocional.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Uma Discussão com 50 anos
©DR
Filmes, Documentários

Uma Discussão com 50 anos

The New York Review of Books (NYRB) surgiu em 1963 durante uma greve à impressão de diários como The New York Times, e nestes 54 anos usou a crítica literária como um fim em si e como rastilho para reflexões sobre política e cultura, sem esquecer a poesia e a reportagem. O lastro de pensamento mais ou menos polémico e o notável rol de colaboradores legitimam em absoluto a existência de Uma Discussão com 50 Anos. Na direcção da NYRB, em 1963 como hoje, está Robert B. Silvers, função que partilhou com Barbara Epstein até à sua morte, em 2006. Silvers é a âncora visual e argumentativa de um filme que avança pela história do jornal ao sabor da associação de ideias, entre imagens da redacção na actualidade, um mundo silencioso forrado a papel (o filme foi rodado em 2013 e lançado originalmente no ano seguinte, a pretexto do cinquentenário da publicação), testemunhos de colaboradores e imagens de arquivo. Dentre os 50 anos de discussões sobressaem Susan Sontag e o fascismo, Yasmine El Rashidi e a Praça Tahrir, Michael Greenberg e a ocupação de Zuccotti Park, Timothy Garton Ash e a queda do comunismo em Praga. Sem esquecer a pega mais vistosa, a pretexto do feminismo, entre Gore Vidal, que transbordou para o palco do Dick Cavett Show em 1971. Um documentário luminoso feito por evidentes entusiastas, um director octogenário que, diz, não dá ordens a quem escreve. Tudo o que faz é “pedir e esperar”.

Por Jorge Lopes

A Time Out diz
Filmes

Ama-San

A realizadora portuguesa Cláudia Varejão foi ao Japão filmar as “Ama-San” (“mulheres do mar”), que há mais de dois mil anos mergulham no mar em busca de pérolas e fauna marinha comestível, e continuam a não usar equipamento moderno para respirar debaixo de água. Um magnífico e completo documento sobre um grupo de mulheres que perpetua uma tradição ancestral.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Drama

Silêncio

Martin Scorsese levou mais de 25 anos a concretizar este projecto, a adaptação do livro do escritor católico japonês Shusaku Endo, passado no Japão do século XVII, quando os missionários jesuítas portugueses e os cristãos locais eram perseguidos e supliciados. E nunca se viu um filme sobre o martírio, a tortura física e da alma e a agonia da dúvida tão bonito como este.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Drama

Manchester by the Sea

O cinema americano está tão inflacionado de super-heróis, que só podemos acolher de braços abertos este filme de Kenneth Lonergan com o seu naturalismo bisonho, a história de infelicidade vivida e dirimida em família, as suas personagens reconhecível e falivelmente humanas e a sua negação dos clichés positivos de Hollywood. Grandes interpretações de Casey Affleck e do jovem Lucas Hedges.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Ficção científica

Rogue One: Uma História de Star Wars

Primeiro filme de uma nova série autónoma, Rogue One é uma espécie de Missão: Impossível no universo de ficção científica criado por George Lucas (trata-se de roubar os planos da Estrela da Morte – a acção decorre antes da do Guerra das Estrelas original). (Quase) sem a presença da Força, Rogue One põe mais ênfase no “Guerra” do que no “Estrelas” e é uma lufada de ar e uma transfusão de sangue fresco numa saga que bem precisava disso. Felicity Jones e Diego Luna encabeçam o elenco e Darth Vader pica o ponto.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Suspense

Custe o que Custar

Taylor Sheridan (Sicario- Infiltrado) escreveu – e muito bem – este western contemporâneo desencantado e irónico, passado num Texas devastado pela crise, e realizado com limpeza e músculo pelo escocês David Mackenzie, como se fosse uma fita dos anos 70. Jeff Bridges, Chris Pine e Ben Foster, impecáveis, fazem as despesas da interpretação.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Documentários

Hitchcock/Truffaut

Uma lição estupenda, um pequeno mas instrutivo ensaio sobre Hitchcock, uma porta de entrada que nos tenta a explorarmos a fundo um dos catálogos mais peculiares, e ainda hoje surpreendentemente universal, da arte do século XX. Isto é, para saber mais sobre o homem que sabia demais sobre nós, não haverá disponível síntese melhor do que Hitchcock/Truffaut.

Por Nuno Henrique Luz

A Time Out diz
Filmes, Drama

Eu, Daniel Blake

O filme de Ken Loach é a história de um carpinteiro viúvo (Dave Johns) que vive por princípios morais de senso comum até que um ataque de coração o atira para a via sacra da burocracia do estado social inglês. Visualmente, Eu, Daniel Blake é discreto e elegante, e Johns dá uma energia espontânea a Blake que é um dos encantos do trabalho de Loach com os actores.

Por Nuno Henrique Luz

A Time Out diz
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Filmes, Animação

Vaiana

A nova longa-metragem animada digital e em 3D da Disney (mas com toques de animação tradicional) é uma deslumbrante e mexida aventura passada nos Mares do Sul há dois mil anos. Vaiana, a filha do chefe de uma tribo polinésia, alia-se ao semi-deus Maui  para salvar o seu povo de uma força maléfica. A lendária dupla John Musker/Ron Clements (A Pequena Sereia) realiza.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Drama

Ela

Isabelle Huppert é simplesmente imperial nesta comédia macabra cruzada de thriller e de farsa familiar, onde Paul Verhoeven reduz a pó o estereótipo da mulher vítima indefesa e passiva, e sem iniciativa sexual nem pulsões desviantes.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Drama

Dheepan

Eis um filme sobre refugiados que não regista nos radares dos media, das redes sociais e dos indignados profissionais: os da guerra civil no Sri Lanka entre guerrilheiros nacionalistas e separatistas tamil e o governo. Realizado por Jacques Audiard, Dheepan ganhou a Palma de Ouro em Cannes no ano passado. O principal intérprete, Jesuthasan Anthonythasan, combateu com os Tigres Tamil antes de se refugiar em França, tal como a personagem que interpreta, o Dheepan do título. Usando a identidade de um morto, ele foge da guerra e para isso finge ter uma família, já que nem sequer conhece a mulher que o acompanha, Yalini, a sua falsa esposa, e a “filha” do casal, Illayall, é uma órfã arrebanhada num campo de refugiados.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Drama

O Exame

Mais um grande filme que sai da Roménia. Cristian Mungiu tira uma radiografia moral aos seus compatriotas com esta história passada numa sociedade que funciona à custa da cunha, do pedido, do empenho, do amigo ou do parente que dão um jeitinho.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Ficção científica

O Primeiro Encontro

Denis Villeneuve adaptou um premiado conto longo do escritor de ficção científica Ted Chiang, Story of Your Life, e o resultado é este filme sobre um “primeiro encontro” entre humanos e extraterrestres, onde a procura da comunicação é mais importante do que a acção. Com Amy Adams.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Les Innocents
©DR
Filmes, Drama

Agnus Dei - As Inocentes

Pouco depois do fim da II Guerra Mundial, na Polónia, uma médica francesa ateia e comunista é chamada a um convento onde várias freiras que foram violadas por soldados soviéticos ficaram grávidas. Anne Fontaine filma o encontro de dois mundos opostos sem melodramas nem maniqueísmos.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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O Tesouro - Corneliu Porumboiu
©DR
Filmes

O Tesouro

Um pai de família romeno e um vizinho procuram um tesouro enterrado no jardim do bisavô deste. Corneliu Porumboiu assina um filme de um humor impassível, sobre a ganância humana e o estado da sociedade na Roménia.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Comédia

Café Society

Bobby (Jesse Eisenberg) está farto de Nova Iorque e vai para Los Angeles, onde conhece Vonnie (Kristen Stewart), a secretária de um agente (Steve Carell) que é também tio de Bobby. Um filme aparentemente igual a tantos outros de Woody Allen mas em que ele acerta na mistura exacta de história, imagem, duração, escala, tom, música, actores, diálogos e período histórico.

Por Nuno Henrique Luz

A Time Out diz
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Filmes, Documentários

Fogo no Mar

O documentarista italiano Gianfranco Rosi visita a ilha de Lampedusa para filmar os refugiados e migrantes económicos que lá aportam, o trabalho de quem os recolhe e trata e o quotidiano de um menino local.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes

O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu

O filme tem imenso material de Oliveira, incluindo uma história inédita. Esse material vale cinco estrelas. Descontamos uma porque, neste documentário como no seu título, está um “Eu” a mais. O de João Botelho, realizador. Neste filme, o que é bom não é de Botelho, e o que é de Botelho não é bom.

Por Nuno Henrique Luz

A Time Out diz
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Filmes, Drama

Boi Neon

Iremar (Juliano Cazarré), um vaqueiro que trabalha num rodeo e vive num camião, quer ser desenhador de vestidos extravagantes. Gabriel Mascaro, o realizador, ilustra a ideia de que nós somos um corpo, e é com ele que sonhamos.

Por Nuno Henrique Luz

A Time Out diz

Críticas de cinema - 3 Estrelas

Boom for Real: A Adolescência Tardia de Jean-Michel Basquiat
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Filmes, Documentários

Boom for Real: A Adolescência Tardia de Jean-Michel Basquiat

O rapaz podia nem sempre ter uma casa para dormir e andar aos caídos pela cidade a pintar paredes quando queria pôr a tinta em telas. Todavia, de acordo com o retrato traçado neste documentário de Sara Driver, convencimento e descaramento não lhe faltavam. E qualquer pessoa que falasse com ele ouvia Jean-Michel Basquiat afirmar que era o mais importante artista da sua geração. Título que, na verdade, não interessa à realizadora na criação deste (roubando um título a Dylan Thomas) retrato do artista enquanto jovem cão, que mostra o antes da carreira meteórica, interrompida pela morte, em 1988, filmado com muitas contribuições dos protagonistas sobreviventes da Nova Vaga nova-iorquina da década de 1980.

Por Rui Monteiro

A Time Out diz
O Espectador Espantado
©DR
Filmes

O Espectador Espantado

Eduardo Lourenço, Guy Maddin, F.J. Ossang, Laura Mulvey ou Augusto M. Seabra são algumas das figuras ligadas ao cinema, e não só (há também especialistas em neurologia, escritores e até membros da família do realizador), que Edgar Pêra foi ouvir neste filme-ensaio em 3D, sobre o que significa ser espectador de cinema, mas também para procurar definir e explicar o sentimento de espanto daquele ante o que se está a passar na tela, ou analisar as pulsões mais profundas, culturais, colectivas e inconscientes, que estão na sua base. O Espectador Espantado, (que antestreou no DocLisboa 2016), não se fica por aqui, já que o tema acaba por levar à discussão do futuro 
do cinema, tendo em conta a revolução digital, a proliferação de ecrãs, as experiências com realidade virtual e a alteração da situação clássica de apreciar um filme numa sala escura e em comunidade.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Sol Cortante
©DR
Filmes, Drama

Sol Cortante

Uma história de luto, dor e sentimento de culpa passada no seio de uma família luso-francesa e filmada no Alentejo, em plano Verão, pelas irmãs Clara e Laura Laperrousaz, filhas do documentarista Jérôme Laperrousaz (Continental Circus), aqui a estrearem-se nas longas-metragens. Ana Girardot no papel da mãe e as pequenas gémeas Océane e Margaux Le Caoussin, nas filhas, destacam-se nesta fita produzida por Paulo Branco, fotografada em écrã largo por Vasco Vieira (A Fábrica de Nada, Montanha) e contada com delicadeza e justeza emocional pelas duas realizadoras, que também escreveram o argumento.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
A Gaivota
©DR
Filmes, Drama

A Gaivota

Mais uma peça de Tchékov no cinema, desta vez uma nova versão de A Gaivota, realizada por Michael Mayer, um homem associado ao teatro. É uma adaptação preocupada em não apresentar a rigidez e a falta de personalidade que costumam caracterizar o teatro filmado, que acaba por ser um elemento de distracção do espectador e esbater e diluir a consistência dramática da peça, que foi também podada aqui e ali. Agarramo-nos então aos actores, sobretudo, do lado dos jovens, a Saiorse Ronan e Billy Howle, e do lado dos mais velhos, a Annette Bening, dominadora na sua Irina, e a Elizabeth Moss numa Masha azeda e de luto pela sua vida frustrada.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes, Acção e aventura

Prece ao Nascer do Dia

A história real de Billy Moore, um delinquente, toxicodependente
e pugilista inglês que foi encarcerado na prisão de Klong Prem, em Bangkok, e conseguiu sobreviver e manter a sanidade praticando muay thai, a arte marcial da Tailândia e desporto nacional do país, e entrando na equipa da prisão.

O filme é rodado em estilo bruto e feio pelo francês Jean-Stéphane Sauvaire, como bruta e feia é a existência em Klong Prem, e o realizador não desculpabiliza nem tenta tornar Moore (Joe Cole, de Peaky Blinders) simpático, embora não lhe negue humanidade. E o filme teria beneficiado se Sauvaire lhe tivesse rapado uns 20 ou 30 minutos, porque duas horas de violência gráfica e in your face acabam por saturar.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
Filmes, Romance

À Distância

Esta fita do venezuelano Lorenzo Vigas ganhou o Festival de Veneza de 2015, não sem controvérsia.
 Em Caracas, um homem de meia-idade paga a rapazes da rua para se desnudarem para ele. Nem ele lhes toca, nem eles lhe mexem. Um dia, o homem acolhe um adolescente que o agrediu e roubou, e a indefinida
 e desajeitada relação entre ambos envolve interesse, atracção sexual, dependência económica e afectiva
 e uma modalidade enviesada de carência e compensação tanto paternal como filial. O tom de À Distância é neutro e distante, e
 o filme é resolvido com um final imprevisto e pouco claro, com duas interpretações diferentes. Conforme a escolhida, fará menos ou mais sentido e terá maior ou menor impacto.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Filmes

Amar Pablo, Odiar Escobar

O filme é baseado no livro da jornalista vedeta colombiana Virginia Vallejo, que nos anos 80 se deixou fascinar pelo barão da droga e se tornou sua amante. O filme é um projecto pessoal de Javier Bardem, que o produz e interpreta Escobar com um impecável sotaque colombiano e uma ampla pança, dando o papel de Virgina à mulher, Penélope Cruz, que tem uma interpretação desastrosa, variando entre o registo de beldade e “famosa” tolinha, e o de latina histérica. Felizmente, a fita, mesmo sendo narrada por ela, passa mais tempo com Escobar, a sua família e os capangas, do que com a superficial e insofrível Virginia.

Por Eurico Barros

A Time Out diz
O Meu Amigo Pete
©Filmcoopi
Filmes, Drama

O Meu Amigo Pete

Não são poucos os filmes arruinados porque os seus realizadores não souberam quando ou como os acabar. É quase o que acontece a O Meu Amigo Pete, de Andrew Haigh. Charley é um adolescente que vive com o pai no Oregon e arranja um trabalho de Verão a cuidar dos cavalos de um treinador em fim de carreira. E afeiçoa-se a Pete, um cavalo também ele a dar as últimas. Haigh devia ter fechado a fita logo que Pete sai de cena, ou então pouco depois.

Por Eurico de Barros

A Time Out diz
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Nico, 1988
©DR
Filmes, Drama

Nico, 1988

Pouco sexo, muitas drogas e rock’n’roll, em versão meia-idade fanada, são o que a realizadora Susanna Nicchiarelli conseguiu empacotar neste filme sobre Christa Paffgen, isto é, Nico, quer dizer, aquela modelo que canta umas canções e depois fica a tocar pandeireta num disco dos Velvet Underground. “A minha carreira musical começou depois dos Velvet Underground”, diz Trine Dyrholm, encarnando muito bem os 40 e muitos anos desleixados e decadentes da cantora e compositora que a vida tão maltratou sem cuidar do seu enorme talento e das suas doridas e comoventes canções.
 A realizadora italiana escolheu acompanhar Nico no ano final da sua vida, revelando em magníficos cinzentos, mas com pouco nervo, o fundo do poço percorrido pela artista mais usada e desprezada da música pop alternativa.

Por Rui Monteiro

A Time Out diz