Críticas de cinema

Os filmes que estão ou estiveram em cartaz, avaliados pelas críticas de cinema da Time Out

Mais críticas de cinema

A Morte de Estaline
©Ascot Elite
1/11

A Morte de Estaline

5 /5 estrelas

Armando Iannucci, criador de séries de sátira política como The Thick of It e Veep, flagela de riso (muito, muito negro) o horror totalitário em A Morte de Estaline. Baseado numa BD francesa. Com Michael Palin, Steve Buscemi e Simon Russell Beale.

Por Eurico de Barros

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O Lamento
©DR
2/11

O Lamento

5 /5 estrelas

Um grande, grande filme de terror sobrenatural do sul-coreano Na Hong-jin, e o primeiro dos três deste realizador a estrear-se em Portugal. O Lamento vai ficar para a posteridade como a resposta asiática a O Exorcista, de William Friedkin. É uma história de possessão demoníaca – não de uma pessoa, mas de vários habitantes de uma vila do interior da Coreia do Sul –, investigada por um polícia trapalhão cuja filha foi atingida, e em que Hong-jin afeiçoa o horror às características culturais e religiosas da sociedade em que vive.

Por Eurico de Barros

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15:17 Destino Paris
3/11

15:17 Destino Paris

5 /5 estrelas

Aos elaboradíssimos filmes de super-heróis, Clint Eastwood responde com um filme simplex até mais não, sobre heróis inesperados e arrancados ao quotidiano banal: os três amigos americanos, dois deles militares de licença, que estavam de férias na Europa e no dia 21 de Agosto de 2015 impediram um atentado terrorista no comboio Thalys de alta velocidade que ligava Amesterdão a Paris. Eastwood põe os três a interpretarem-se a eles próprios, reconstrói as suas vidas desde a infância, quando
se conheceram na escola, e
filma no limite do minimalismo eloquente e da síntese expressiva, dando uma lição de cinema à maneira dos clássicos.

Por Eurico de Barros

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Linha Fantasma
4/11

Linha Fantasma

5 /5 estrelas

Um filme brilhante sobre perfeccionismo obsessivo, amor perseverante e luta pelo poder num microcosmo familiar, comercial e criativo (uma casa de moda de luxo na Londres dos anos 50), rodado por Paul Thomas Anderson com uma elegância, um rigor e um saber cinematográfico clássicos. Daniel Day-Lewis tem aqui o seu derradeiro papel, o excêntrico, mimado, exigente e genial costureiro Reynolds Woodcock, interpretado com a mesma fixação pela excelência no seu ofício que move a personagem que incarna. Vicky Krieps faz a sua nova e determinada amante, modelo e empregada, e Lesley Manville é Cyril, a austera irmã solteirona daquele.

Por Eurico de Barros

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Lumière!
©DR
5/11

Lumière!

5 /5 estrelas

Thierry Frémaux, Delegado-Geral do Festival de Cannes e director do Instituy Lumière de Lyon, compilou e comentou aqui 108 filmezinhos de Louis e Auguste Lumière, e dos operadores da sua invenção, o cinematógrafo, feitos em França e em várias paragens do globo, de 1895 a 1905. Entre a realidade captada espontaneamente ou encenada, e os filmes humorísticos ou feitos em família, Lumière! é um testemunho preciosíssimo, tocante, variado e divertido de uma era desaparecida, e de como o cinema abriu os olhos para o mundo e começou de imediato a registá-lo em toda a sua multiplicidade.

Por Eurico de Barros

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Paterson
6/11

Paterson

5 /5 estrelas

Uma comédia de Jim Jarmusch finamente encantadora e poética, quotidiana e excêntrica, o triunfo do espírito keep it simple. Paterson, com Adam Driver e Golshifteh Farahani, pode muito bem ser o melhor filme de sempre sobre condutores de autocarros de New Jersey que escrevem poesia, casados com iranianas que adoram pintar círculos em tudo e querem ser cantoras de country & western. Para já, é um dos melhores filmes do ano.

Por Eurico de Barros

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Fátima
©DR
7/11

Fátima

5 /5 estrelas

Entre a fé e o esforço, 11 mulheres vêm em peregrinação a pé de Vinhais, em Trás-os-Montes, até Fátima (400 duros quilómetros),
no novo filme de João Canijo. O realizador está menos interessado em questionar o fenómeno de Fátima e as suas circunstâncias, do que em mostrar os efeitos físicos, emocionais e psicológicos que uma jornada deste tipo tem sobre um grupo de mulheres que se conhecem bem, vêm do mesmo sítio e têm as mesmas origens sociais. E Canijo consegue-o com um sentido de encenação do real único no cinema português.

Por Eurico de Barros

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Mulheres do Século XX
8/11

Mulheres do Século XX

5 /5 estrelas

Cruzamento de cinco pessoas numa nesga de tempo em que tentam aprender a navegar num oceano existencial que parece demasiado vasto. Uma nesga de um tempo analógico, com punk, feminismo, humor e um presidente decente (Jimmy Carter). Nada começa nem acaba no que aqui se vê, entregue por um elenco exemplar. Uma obra extraordinária, luminosa, para ver em loop.

Por Jorge Lopes

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O Herói de Hacksaw Ridge
9/11

O Herói de Hacksaw Ridge

5 /5 estrelas

O novo filme de Mel Gibson é a história, verdadeira, de um objector de consciência que se recusou a pegar em armas na II Guerra Mundial e mesmo assim foi um dos seus heróis. É também, até ver, o melhor filme de 2016.

Por Nuno Henrique Luz

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O Ornitólogo
©DR
10/11

O Ornitólogo

5 /5 estrelas

O filme de João Pedro Rodrigues é a história de Fernando (Paul Hamy), um estudioso de pássaros, que depois de um acidente de barco no Douro se perde no mato e vive uma aventura excêntrica. O Ornitólogo mostra que se um realizador é capaz de pensar e depois sabe rodear-se das pessoas certas encontrará sempre as imagens para fazer passar o que quer dizer, e em grande estilo.

Por Nuno Henrique Luz

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O Amigo Gigante
11/11

O Amigo Gigante

5 /5 estrelas

Lá dizia o Amigo Banana que tudo é relativo. Bem, nem tudo, embora o Amigo Banana tenha razão se tivermos em consideração o gigante de O Amigo Gigante, de Steven Spielberg, baseado no livro de Roald Dahl, cujo argumento foi o último assinado por Melissa Mathison antes de morrer de cancro em Novembro (o filme é-lhe dedicado). Para os humanos como nós, e para a pequena Sophie, a heroína do filme, o gigante bondoso e vegetariano que se torna seu amigo é… bem, gigante! Só que para os restantes, carnívoros e malvados gigantes do seu país, ele é miúdo e enfezado.

Por Eurico de Barros

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Mais críticas de cinemas

O Workshop
©Agora Films
1/66

O Workshop

4 /5 estrelas

Vencedor do Festival de Cannes em 2008 com A Turma, sobre um professor e os seus alunos de um liceu difícil de Paris, o francês Laurent Cantet, a escrever de novo com Robin Campillo, volta a juntar aqui um adulto e jovens que estão a tactear o seu caminho no mundo (uma escritora de policiais que faz um workshop de escrita com adolescentes de La Ciotat, em Marselha), usando-os para expor as divisões, medos e tensões da França contemporânea. Um filme muito bem escrito, que finta simplificações de caracterização e situação, e foge a julgamentos apressados e moralismos reconfortantes.

Por Eurico de Barros

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Frantz
©DR
2/66

Frantz

4 /5 estrelas

Um dos melhores filmes de François Ozon, sobre um livro pacifista de Maurice Rostand depois levado ao palco e adaptado para o cinema em 1932 por Ernst Lubitsch (O Homem que Eu Matei). O realizador francês acrescenta uma segunda parte à história original, alterando ainda o ponto de vista da personagem principal, um francês, para a alemã. Frantz é um drama sobre o perdão e a mentira, e sobre o peso da dor pelos mortos queridos, passado logo após a I Guerra Mundial, entre a Alemanha e a França. Nos papéis principais, Pierre Niney e Paula Beer são formidavelmente tocantes. Ozon mantém à distância qualquer manifestação melodramática e filma com parcimónia de intimidades, num preto e branco austero com assomos de cor para enfatizar picos emocionais do enredo.

Por Eurico de Barros

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Um Lugar Silencioso
3/66

Um Lugar Silencioso

4 /5 estrelas

A Terra é invadida e devastada por monstros alienígenas cegos mas hipersensíveis ao ruído, e para sobreviver, os humanos têm que se habituar a existir no mais absoluto silêncio, como a família liderada por John Krasinski (que também realiza), numa quinta no interior dos EUA. Partindo desta premissa, Krasinski e os seus co-argumentistas, Bryan Woods e Scott Beck, alinham uma série de situações de suspense esfrangalha-nervos, em que um simples prego saliente numa escada ou uma inundação numa cave podem ser fatais. Com Emily Blunt, que é mulher de Krasinski, na mãe, e a óptima Millicent Simmonds, que é surda-muda, na filha com a mesma deficiência.

Por Eurico de Barros

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Na Síria
©DR
4/66

Na Síria

4 /5 estrelas

O director de fotografia belga Philippe Van Leeuw filma um grupo de civis trancados num apartamento de Damasco enquanto os perigos da guerra rondam lá fora e ameaçam entrar. A ideia do realizador é dar o ponto de vista dos civis anónimos num conflito, e o filme é vago o suficiente para esta situação poder ser extrapolada para outras guerras noutros países e não se confinar à Síria. Por isso, longe de ser virtuosamente político, propagandista ou engajado, Na Síria é um filme de terror de alta tensão claustrofóbica e de medo sempre à flor da pele, com a soberba Hiam Abass no papel
da mãe de família que mantém o grupo preso em casa unido e protegido.

Por Eurico de Barros

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A Idade da Pedra
5/66

A Idade da Pedra

4 /5 estrelas

Nick Park, criador de Wallace
 e Gromit e um dos fundadores dos estúdios Aardman, revela, na primeira longa-metragem de animação de volumes que assina sozinho, que o futebol foi inventado na Idade da Pedra. Pondo em confronto no relvado uma equipa de trogloditas e outra da Idade do Bronze, A Idade da Pedra está povoado por uma vasta galeria de personagens hilariantes e é uma cornucópia de gags em jacto contínuo, onde o humor absurdo anda de braço dado com o slapstick clássico. A animação tem, aqui e ali, uma ajudinha do computador, mas no essencial, Park permanece fiel à tradição artesanal que faz a diferença e a fama da Aardman.

Por Eurico de Barros

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Olhares Lugares
©DR
6/66

Olhares Lugares

4 /5 estrelas

À beira de fazer 90 anos e a perder a vista, Agnès Varda pegou em si, juntou-se ao fotógrafo e artista plástico JR, meio século mais novo que ela, e foram ambos, na carrinha deste, que também funciona como estúdio fotográfico ambulante, atravessar a França, fotografando pessoas a eito e depois colando esses retratos, em tamanho gigante, nas paredes das suas vilas, casas, quintas ou locais de trabalho. Apesar da presença de JR e das suas fotos descomunais, Olhares Lugares é um documentário todo ele de Varda. Melancólico e bem-disposto, peripatético, poético e artesanal, partindo dela para os outros, sempre em busca de histórias curiosas, coincidências, acasos e pequenos insólitos, sempre atraída pelas pessoas comuns e pelas suas vidas e interesses, e encontrando ao longo do caminho, coisas, objectos e gente que consegue relacionar com a sua própria existência, com os seus hábitos e gostos ou com o cinema: o seu, o dos outros ou o da sua geração. Precisamente, Olhares Lugares tem um final relacionado com cinema e com velhas amizades, passado na Suíça, e do qual Jean-Luc Godard não sai nada bem, dando a quem nunca simpatizou com a figura ainda mais razões para reforçar essa antipatia. Para Varda, tudo, tudo; para Godard, nada, nada.

Por Eurico de Barros

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Beuys
©DR
7/66

Beuys

4 /5 estrelas

O aspecto nunca foi grande coisa. Aquele chapéu de feltro à banda, o ar engordurado. E do temperamento, das companhias... É melhor nem falar. Mas não se deve julgar pelas aparências, que estas iludem, e, no caso de Joseph Beuys, escondiam um artista, mais de 30 anos depois de morrer, ainda capaz de causar uma boa controvérsia. Andres Veiel passou muito para lá da capa enxovalhada e escavou a história do fundador do grupo Fluxus que explorou o happening, a performance e a instalação, com tempo ainda para desenvolver um trabalho de teórico e de pedagogo assinalável. Mestre
de uma arte que não descurava o debate social nem a intervenção; incapaz de impedir que essas tensões se reflectissem na sua obra, Beuys foi um visionário.
De certo modo continua a ser, pois mesmo através da inúmera documentação recolhida, o retrato traçado por Veiel abre mais caminhos à discussão
sobre o papel da arte no mundo contemporâneo do que apresenta qualquer conclusão – como se o artista permanecesse um mistério.

Por Rui Monteiro

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Loveless - Sem Amor
8/66

Loveless - Sem Amor

4 /5 estrelas

Farto de ouvir os pais, que
se vão divorciar, discutirem azedamente um com o outro, e de ser ignorado por eles, como se fosse invisível, Alyosha, de 
12 anos, desaparece de casa. Andrei Zvyagintsev, autor
de Elena e Leviatã e opositor
 de Vladimir Putin, filma esta história de desamor, egoísmo, desintegração social e aridez emocional e moral como um óbvio correlativo da situação colectiva da Rússia dos nossos dias, e com uma frigidez visual que não deixa dúvidas sobre o pessimismo que o cineasta nutre sobre o estado do seu país.

Por Eurico de Barros

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Gatos
©DR
9/66

Gatos

4 /5 estrelas

Gatos, gatos, gatos por toda a parte: nas ruas e nas varandas, nos muros e nas caixas de ar condicionado, nas esplanadas e nas lojas. Os gatos fazem parte da paisagem de Istambul, da sua identidade e da essência da cidade, como diz a turca Haroon Adalat no seu documentário Gatos, que se centra em sete das centenas de milhares de felinos que
ali vivem, ouvindo ainda
os seus donos, vizinhos ou quem cuida deles. O que falta a Gatos em enquadramento histórico-cultural, sobra em esplendor felino.

Por Eurico de Barros

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Três Cartazes à Beira da Estrada
©Merrick Morton
10/66

Três Cartazes à Beira da Estrada

4 /5 estrelas

Frances McDormand ganhou 
o Globo de Ouro de Melhor Actriz Dramática com a sua interpretação arrasadora de uma mãe indignada com a ineficácia da justiça na sua cidadezinha do Missouri. O dramaturgo, argumentista e realizador ango-irlandês Martin McDonagh (Em Bruges) assina este filme de escrita densa, onde a tragédia pesada e o humor negro e sarcástico convivem. Também com Woody Harrelson e Sam Rockwell numa nódoa de agente da polícia.

Por Eurico de Barros

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A Partir de uma História Verdadeira
©DR
11/66

A Partir de uma História Verdadeira

4 /5 estrelas

Neste filme sobre o convívio crescentemente inquietante entre uma autora de best-sellers na mó de baixo (Emmanuelle Seigner) e uma sedutora e possessiva ghostwriter (Eva Green), Roman Polanski recupera, embora em registo menos intenso, as atmosferas psicóticas, assombradas e asfixiantes de filmes anteriores como Repulsa, What? ou O Inquilino. Adaptado do romance homónimo de Delphine de Vigan pelo próprio Polanski e por Olivier Assayas.

Por Eurico de Barros

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Uma Mulher Fantástica
©DR
12/66

Uma Mulher Fantástica

4 /5 estrelas

O chileno Sebastián Lelio (Glória) volta a lançar mão
 do melodrama no feminino nesta fita sobre Marina, uma mulher transgénero, que tem que enfrentar a família do falecido amante, um homem mais velho que deixou tudo por ela. Lelio não transforma
a fita num comício pelos direitos LGBT e a transgénero Daniela Vega, chama a si o filme e torna-o indissociável dela, em corpo, coração, personalidade e voz, investindo também na personagem as suas experiências pessoais e os dotes de cantora de ópera.

Por Eurico de Barros

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Roda Gigante
13/66

Roda Gigante

4 /5 estrelas

Pensem no reverso do espelho de Os Dias da Rádio e têm
Roda Gigante, o novo Woody Allen, passado em Coney 
Island nos anos 50. É um
 drama de adultério e ciúme, crescentemente azedo, que
se resolve tragicamente, com Kate Winslet brilhante no papel de uma prima emocional e espiritual de Blanche DuBois. Allen e o director de fotografia Vittorio Storaro deram à
 fita a rica personalidade 
visual dos melodramas em Technicolor da altura. Roda Gigante pode parecer forçado 
e superficialmente “teatral”, mas é elaborada e intensamente cinematográfico.

Por Eurico de Barros

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Derradeira Viagem
14/66

Derradeira Viagem

4 /5 estrelas

Um filme invernoso e soturno, trespassado de amargura e assombrado pelo remorso, com fogachos de comédia entre os momentos mais carregados, por onde passam fantasmas e traumas da guerra do Vietname mas também dos conflitos mais recentes em que os EUA se envolveram. Interpretando três antigos soldados, Steve Carell, Bryan Cranston e 
Larry Fishburne nunca são menos que magníficos nesta fita de Richard Linklater
 onde a conversa continua a ser central para a narrativa, como em quase toda a sua filmografia.

Por Eurico de Barros

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A Liberdade do Diabo
©DR
15/66

A Liberdade do Diabo

4 /5 estrelas

Em vez de fazer um documentário mais convencional sobre o narcotráfico no México, Everardo González filmou exclusivamente, em A Liberdade do Diabo, vítimas e perpetradores dessa violência. As primeiras falam do que elas ou familiares seus sofreram, os segundos (provindos dos dois lados da lei), do sofrimento que causaram. Todos eles usam o mesmo tipo de máscara, que só deixa ver os olhos, o nariz e a boca, e que, ao mesmo tempo que protege a identidade dos participantes, sugere que estamos perante pessoas vítimas de queimaduras ou disformidades graves, e uma atmosfera de filme de terror, complementando de forma incómoda e inquietante os discursos dos participantes. O realizador consegue assim apresentar-nos o amplo e sinistro quadro de uma cultura de morte omnipresente e de uma violência crónica, brutalíssima, sem a menor compaixão, que atinge até as crianças, criada pelo narcotráfico, o grande flagelo do México dos nossos dias. E que tudo indica não ter solução à vista.

Por Eurico de Barros

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Lucky
©DR
16/66

Lucky

4 /5 estrelas

O actor John Carroll Lynch estreou-se a realizar dirigindo Harry Dean Stanton naquele que seria o filme de despedida deste,que interpreta uma versão ficcionada de si mesmo, o Lucky do título, habitante de uma vilória do Arizona. Uma serena, límpida e eloquente celebração de um dos maiores, mais duradouros e mais queridos actores característicos americanos, aqui rodeado por colegas como Ed Begley, Jr, Beth Grant ou Tom Skerritt, e emperceirando com o seu velho amigo David Lynch, este no papel do dono de um cágado em fuga.

Por Eduardo de Barros

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O Quadrado
17/66

O Quadrado

4 /5 estrelas

Uma sátira negra, desassombrada e levemente absurda do sueco Ruben Östlund (Força Maior) às utopias artístico-humanitárias, aos embustes da arte contemporânea e ao politicamente correcto, através da história de Christian (Claes Bang), o curador de um museu de Estocolmo precipitado numa espiral de situações embaraçosas e dramáticas, que expõem a distância entre o seu discurso público idealista e o seu comportamento pessoal. Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano.

Por Eurico de Barros

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Coco
18/66

Coco

4 /5 estrelas

Em boa hora a Pixar foi ao México inspirar-se nos costumes e nas tradições populares deste país, nomeadamente na celebração do Dia dos Mortos. Graças a elas, Lee Unkrich e Adrian Molina realizaram
 esta feérica e divertidíssima animação musical e fantástica passada
 no mundo dos mortos mexicano, que promove os valores da família e consegue ser mais imaginativa, mais original e ter mais vida do que a maior parte dos filmes sobre gente viva e com actores de carne e osso.

Por Eurico de Barros

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O Espírito da Festa
©DR
19/66

O Espírito da Festa

3 /5 estrelas

Max (Jean-Pierre Bacri), um empresário de festas, tenta que tudo corra bem num importante casamento num castelo do século XVII, mas 
do noivo cretino aos seus bem-intencionados mas incompetentes empregados, todos os que o rodeiam parecem querer o contrário. Olivier Nakache e Eric Toledano, autores de Amigos Improváveis, voltam a mostrar em O Espírito da Festa que a comédia popular de qualidade não é um género em extinção no comédia francês.

Por Eurico de Barros

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Nos Interstícios da Realidade
©DR
20/66

Nos Interstícios da Realidade

4 /5 estrelas

João Monteiro, um dos directores do MOTELX, faz justiça neste documentário ao realizador António de Macedo, falecido há um
mês. Por ter optado por
fazer cinema de género, e sobretudo filmes fantásticos, uma quase heresia em Portugal, Macedo foi ostracizado pelo meio cinematográfico e pelos poderes que distribuem os apoios financeiros, acabando por ter que deixar de filmar nos anos 90, após assinar Chá Forte com Limão (1993).

Por Eurico de Barros

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A Paixão de Van Gogh
©DR
21/66

A Paixão de Van Gogh

4 /5 estrelas

O inglês Hugh Welchman e a polaca Dorota Kobiela demoraram sete anos – dois de produção e mais cinco de rodagem – para realizarem esta longa-metragem de animação onde abraçam a tese, lançada numa biografia publicada em 2011, segundo a qual Vincent van Gogh não se suicidou mas poderá ter sido assassinado, e expondo-a através dos quadros e do estilo do próprio artista. A Paixão de Van Gogh é o primeiro filme da história do cinema todo pintado à mão,
 a óleo e em tela, e minuciosamente: foram 125 os artistas que trabalharam nos seus 65 mil fotogramas.

Por Eurico de Barros

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Blade Runner 2049
22/66

Blade Runner 2049

4 /5 estrelas

Denis Villeneuve realiza Blade Runner 2049 com aquela calma controlada que se lhe conhece dos seus trabalhos anteriores, como Sicário ou Primeiro Contacto, assinando um filme intrinsecamente ligado ao original de Ridley Scott do ponto de vista visionário, visual, narrativo, dramático
e especulativo, mas também percorrendo novos caminhos num universo familiar: um futuro ainda mais negro, devastado e cheio de gente, e cada vez mais desenvolvido tecnologicamente. Desde O Padrinho: Parte II, de Francis Ford Coppola (1972) que uma continuação não desmerecia do original.

Por Eurico de Barros

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Good Time
23/66

Good Time

4 /5 estrelas

O encontro entre os irmãos nova-iorquinos Josh e Ben Safdie proporciona a Robert Pattinson o primeiro papel com sustância a sério e consistência dramática palpável, desde que deixou o juvenil e meloso mundo dos vampiros e lobisomens da saga Twilight. Passado numa única noite, numa Nova Iorque periférica, este thriller urbano áspero, berrante e fatalista é também o melhor filme dos irmãos Safdie. Além de co-realizar, Ben interpreta também o irmão da personagem de Pattinson.

Por Eurico de Barros

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Reviver o Passado em Montauk
©Ziegler Film/Franziska Strauss Ressources
24/66

Reviver o Passado em Montauk

4 /5 estrelas

Um escritor alemão vai a Nova Iorque promover o seu novo livro, reencontra a mulher com que teve um caso intenso 17 anos antes, e tenta recuperá-la. Eis o melhor filme de Volker Schlöndorff em muitos anos (sobre um livro autobiográfico de Max Frisch), escrito a meias com o irlandês Colm Tóibín. É um melodrama sem a menor ilusão romântica, uma elogia outonal pela quimera de um amor irrecuperável, uma história de fantasmas da paixão. Stellan Skarsgard e Nina Hoss são estupendos nos protagonistas.

Por Eurico de Barros

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Stop Making Sense
25/66

Stop Making Sense

4 /5 estrelas

Começa tudo com uma sombra. A sombra da cabeça de uma guitarra. Só depois se vêem os pés, caminhando, até pararem e uma mão pousar um leitor de cassetes portátil no chão. A câmara sobe, então, e mostra David Byrne dedilhando os primeiros acordes de “Psycho Killer”. Ele, o leitor de cassetes e uma canção num palco despido. O ano é 1984. O local: Los Angeles. A canção acaba e, primeiro, surge Tina Weymouth, acrescentando a espessura do som do seu baixo a “Heaven”. Mais tarde, enquanto na 
sombra do palco se vislumbra o movimento dos que carregam amplificadores e monitores, cabos, o praticável onde está montada a bateria, é a vez de Chris Frantz aparecer para acompanhar “Thank You for Sending Me”, e depois será a vez de Jerry Harrison. Os Talking Heads estão em palco. Os jogos podem começar. E que jogos, estes filmados por Jonathan Demme, em regime de quase neutralidade, fazendo o seu filme viver do espectáculo, das canções e das acções e das intenções da banda mais ousada dos anos 80.

Por Rui Monteiro

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Os Desastres de Sofia
©Jean-Louis Fernandez
26/66

Os Desastres de Sofia

4 /5 estrelas

Christophe Honoré pegou em dois clássicos da Condessa de Ségur, Os Desastres de Sofia e As Meninas Exemplares, e realizou este belíssimo filme infantil, que nem cheira a mofo, nem se põe a fazer releituras, e onde o autor de As Canções de Amor dá um ar da sua graça (animais animados, momentos musicais pop a cargo de Alex Beaupain) sem cair no anacronismo ou no sentimentalismo. Caroline Grant, de cinco anos, interpreta Sofia com naturalidade, espontaneidade e energia. Ideal para toda a família.

Por Eurico de Barros

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Os Chapéus de Chuva de Cherburgo
©DR
27/66

Os Chapéus de Chuva de Cherburgo

4 /5 estrelas

Quando se estreou Os Chapéus de Chuva de Cherburgo, em 1964, o cinema musical estava, a bem dizer, morto. Mas o filme de Jacques Demy, agora em versão digital restaurada, não era um musical de Hollywood, e, embora uma fantasia amorosa cantada e bailada em cores saturadas, a sua origem radicava num cinema mais realista e, de certo modo, mais maduro na sua abordagem social. O trunfo do filme, descontando a extraordinária visão artística de Demy, que de uma história de cordel criou um encantamento verosímil, é a banda sonora de Michel Legrand. É através dela que os amores adolescentes de um mecânico (Nino Castelnuovo) e da sua namorada (Catherine Deneuve) explodem em exaltantes canções de amor, apesar de apoquentados pela família, seguindo o seu caminho até serem tomados pela frustração, a resignação e os compromissos da vida adulta.

Por Rui Monteiro

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Clash
28/66

Clash

4 /5 estrelas

Neste filme passado no Cairo, em 2013, durante os tremendos confrontos que se seguiram à deposição do presidente Mohammed Morsi, ligado 
à Irmandade Muçulmana, pelos militares, o realizador Mohamed Diab consegue expôr a situação política, religiosa 
e social do Egipto a partir do interior de um carro celular onde foram presos manifestantes pró e anti-Morsi.

Por Eurico de Barros

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Uma Viagem pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier
©DR
29/66

Uma Viagem pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier

4 /5 estrelas

Bertrand Tavernier leva-nos numa soberba viagem à bolina por meio século de cinema francês,
ao sabor das suas preferências e escolhas (muito Becker e quase nenhum Bresson, por exemplo), carregada de histórias e anedotas. Muitas delas testemunhadas pelo próprio Tavernier, que foi cinéfilo, crítico, assistente de realização e agente de imprensa de um grande produtor, antes de se ter tornado cineasta. Um dos documentários do ano.

Por Eurico de Barros

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2 Mulheres, um Encontro
30/66

2 Mulheres, um Encontro

4 /5 estrelas

Um frente-a-frente Catherine Deneuve-Catherine Provost nesta comédia dramática no feminino. Deneuve faz uma aventureira e sedutora irresponsável que não tem cheta nem onde cair morta, e antiga amante do pai da personagem de Frot, uma parteira profissionalíssima e altruísta, mas com uma vida social e afectiva árida, e que, por compaixão, dá guarida àquela. Martim Provost escreve, filma e dirige na melhor tradição do cinema francês de qualidade.

Por Eurico de Barros

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Micróbio e Gasolina
©DR
31/66

Micróbio e Gasolina

4 /5 estrelas

A nova realização de Michel Gondry remete para os filmes de adolescentes dos anos 60 e 70 e para a BD clássica. Dois amigos e colegas de liceu, ambos outsiders, improvisam uma casa motorizada e sair à aventura no Verão, sem os pais saberem. Os miúdos (Ange Dargent e Théophile Baquet) são formidáveis de naturalidade e descontracção e Gondry realiza com uma enorme empatia por eles e uma graça e uma alegria irresistivelmente contagiosas.

Por Eurico de Barros

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Eu Não Sou o Teu Negro
32/66

Eu Não Sou o Teu Negro

4 /5 estrelas

O filme de Raoul Peck (O Jovem Karl Marx) foi nomeado para o Óscar de melhor documentário. Para além do fundamental aspecto político, e da sua importância na conservação e avivamento e divulgação da memória, Peck acrescenta uma eloquente e dolorosa relação com a actualidade, digamos, um ponto de situação nada animador.

Por Rui Monteiro

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Brazil: O Outro Lado do Sonho
33/66

Brazil: O Outro Lado do Sonho

4 /5 estrelas

Antes de alguém pensar que o “Brazil” do título tem alguma coisa a ver com o Brasil, avisa-se já que o baptismo do filme de Terry Gilliam, agora disponível em versão restaurada digitalmente, vem de uma canção muito popular nos anos de 30. E, já agora, a alegria da música serve como contraponto simbólico ao cinzento universo retro-pós-industrialista e à sensação permanente de opressão imposta pela cenografia. Na época, aliás, o realizador foi acusado de usar o trabalho de Roger Pratt para cobrir as insuficiências do argumento. A verdade, porém, é que o entrecho criado pelo dramaturgo Tom Stoppard, com a colaboração de Charles McKeown, embora simples, é um modelo de exemplaridade narrativa, carregado de humor negro, descrevendo os meandros de uma sociedade totalitária pronta para tudo para se defender e assim permanecer o oásis de uns poucos com a verosimilhança necessária. E mais verdade ainda é que Gilliam, habitualmente um pouco desleixado nos acabamentos, se esmerou nesta película, fazendo das várias partes um todo coerente e eficaz. Daí esta obra ter sobrevivido à crítica da sua época e, ao longo do tempo, ter crescido entre os cinéfilos até ser comercialmente vantajoso o seu restauro e regresso às salas.

Por Rui Monteiro

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Paula Rego, Histórias & Segredos
©Lila Nunes
34/66

Paula Rego, Histórias & Segredos

4 /5 estrelas

Se Nick Willing não fosse filho de Paula Rego, este documentário nunca teria sido feito. E se ele não tivesse convencido a mãe a falar sobre a sua vida e a sua arte, talvez não tivesse sabido ou entendido melhor coisas sobre ela, o pai, a família, as pinturas dela e a sua própria juventude. É que em Paula Rego, Histórias & Segredos, não é só o espectador que é surpreendido pela franqueza da artista, pelo que ela revela sobre a sua intimidade e conta sobre a a dimensão pessoal, biográfica e catártica dos seus quadros: é também o seu filho e realizador do filme. Willing mostra como arte e vida são indissociáveis para a mãe. Os quadros de Paula Rego, pintora narrativa por excelência, começam por contar histórias, depois transfiguradas pelas histórias pessoais e os “segredos” da artista. Estes podem ser tão dolorosos, que as obras ficam inéditas, como sucedeu com a série sobre a depressão da pintora, só recentemente exposta em Londres. Paula Rego fala ainda sobre o seu casamento com o também artista Victor Willing, os casos extraconjugais de ambos, os abortos, os altos e baixos da sua existência familiar e criativa e o papel da pintura na sua vida, permitindo-nos ainda vê-la trabalhar no atelier. Este filme é também um gesto de amor de um filho para uma mãe que acontece ser uma das maiores e mais singulares artistas do nosso tempo.

Por Eurico de Barros

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Vale do Amor
35/66

Vale do Amor

4 /5 estrelas

Juntos pela primeira vez desde Loulou, de Maurice Pialat (1990), Gérard Depardieu e Isabelle Huppert interpretam um casal divorciado que uma misteriosa carta deixada pelo filho, que se suicidou seis meses antes, junta no Vale da Morte, nos EUA. Guillaume Nicloux prossegue aqui as experiências de metacinema e de jogo entre realidade e ficção, actores e personagens, de O Rapto de Michel Houellebeq. Um filme deliberadamente ambíguo, inquietante, comovente e espectral.

Por Eurico de Barros

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A Criada
36/66

A Criada

4 /5 estrelas

Serpenteante, maquiavélico e perversamente erótico, o novo filme do realizador de Oldboy transpõe para a Coreia ocupada pelo Japão dos anos 30 do século XX o livro Fingersmith, da britânica Sarah Walters, passado na Inglaterra do século XIX, uma história de recorte policial e sensualidade lânguida, envolvendo falsas criadas, falsos nobres, uma herdeira milionária e uma série de reviravoltas, onde os enganadores também podem acabar por ser enganados. A fita multiplica-se em ingredientes, situações e personagens-tipo da literatura popular vitoriana de que o livro de Walters é um consumado pastiche, acrescentando-lhes um erotismo requintadamente asiático. Os actores – em especial Kim Tae-ri na criada e Cho Jin-woong na sua aparentemente ingénua ama – são óptimos, e Park Chan-wook respeita com meticulosidade todas as exigências do género, divertindo-se imenso a fazê-lo.

Por Eurico de Barros

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O Amigo Americano
37/66

O Amigo Americano

4 /5 estrelas

Jonathan (Bruno Ganz), um emoldurador, é diagnosticado com leucemia e contempla a possibilidade de deixar a família na miséria. É o correio que Ripley (Dennis Hopper) precisava para deslocar as falsificações que negoceia através da Europa, e que, neste filme, agora restaurado, Wenders transforma em metáfora sobre as relações entre Hollywood e a cultura alemã do pós-guerra. Há mais, claro, nesta libérrima versão do romance de Patricia Highsmith, pois o realizador, em pormenores e subtilezas do enredo, em certos planos e sequências, em certas falas e movimentos subjectivos, desafia a uma nova visão do policial. Uma visão que parece privilegiar equilibradamente entrecho e atmosfera. Para, depois, como quem não quer a coisa, favorecer a segunda e mergulhar numa abordagem narrativa que tem tanto de cinefilia como de herança do expressionismo alemão, afinal, uma recusa do realismo que atira as personagens para longe, bem longe dos limites do comportamento humanista, envolvidos por uma espécie de neblina existencial onde a ética não penetra.

Por Rui Monteiro

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O Fundador
38/66

O Fundador

4 /5 estrelas

A história de Ray Kroc, o vendedor ambulante de máquinas de fazer batidos que nos anos 50 passou a perna aos verdadeiros criadores da McDonald’s, os irmãos Rick e Mac McDonald, e ergueu o maior império de fast food do mundo, com tantos clientes como anticorpos. John Lee Hancock ilustra aqui duas concepções de negócio, de ética e de dinâmica capitalista antitéticas, e o hiperactivo Michael Keaton, no papel de Kroc, leva o filme a reboque.

Por Eurico de Barros

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São Jorge
©DR
39/66

São Jorge

4 /5 estrelas

No Portugal intervencionado pela troika, Jorge (Nuno Lopes), um pugilista endividado vai trabalhar para uma firma de cobranças e ganhar dinheiro para tentar manter em Portugal o filho e a mulher, uma imigrante brasileira que ameaça voltar ao seu país com a criança. Marco Martins faz da crise o motor da história, sem se pôr a fazer comício, e evoca os climas visuais e anímicos do policial de boxe americano e do melhor cinema social europeu clássico. Nuno Lopes dá-se de corpo e alma a Jorge, uma bisarma de bom coração que acredita até ao fim que pode pôr a adversidade KO.

Por Eurico de Barros

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Alice nas Cidades
©DR
40/66

Alice nas Cidades

4 /5 estrelas

Bem se pode dizer que Philip Winter (Rüdiger Vogler), um escritor com um sério bloqueio criativo, acabado de percorrer a América com o pretexto de pesquisar material para novo livro, foi enganado pela mãe de Alice (Yella Rottländer). Aquilo do vou ali já venho, faz favor toma-me conta da menina, foi conversa pré- -desaparecimento. Conversa que leva um homem feito e uma criança de oito anos a regressar à Europa e, nela, a percorrer cidade atrás de cidade em busca da avó da petiza, que com a mãe já ninguém conta, no processo criando uma amizade quase pueril e particularmente estimulante para aquele homem cansado. Filme de estrada, Alice nas Cidades, agora disponível em versão restaurada, inicia um dos períodos mais criativos da carreira do realizador como observador e relator da nova realidade política, social e cultural da Alemanha e da Europa.

Por Rui Monteiro

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A Autópsia de Jane Doe
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41/66

A Autópsia de Jane Doe

4 /5 estrelas

O primeiro filme nos EUA do norueguês André Ovredal (O Caçador de Trolls) é uma inteligente e arrepiante peça de câmara, toda passada numa morgue, ao longo de uma noite, só com três personagens, uma das quais está morta (a Jane Doe do título). Uma masterclass de construção de terror cinematográfico mesmo até à última imagem.

Por Eurico de Barros

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Personal Shopper
42/66

Personal Shopper

4 /5 estrelas

No seu segundo filme com Kristen Stewart após As Nuvens de Sils Maria (2014), Olivier Assayas usa elementos do thriller e do cinema de terror para construir uma fantasmagoria realista, situada firme e audaciosamente entre o filme de género e o filme cinéfilo, e mantendo um registo ambíguo até ao fim. Stewart é magnífica no papel principal, o de uma personal shopper de uma top model, assombrada pela possibilidade da existência de uma vida para lá desta.

Por Eurico de Barros

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Toni Erdmann
43/66

Toni Erdmann

4 /5 estrelas

O filme-fenómeno de Maren Ade é uma convencional comédia dramática sobre a recuperação dos afectos entre um pai e uma filha separados geográfica e emocionalmente, mas com um embrulho formal, uma apresentação narrativa e um registo de cinema de “autor”. Com os excelentes Peter Simonischek no pai professor de música reformado e fã de pregar partidas, e Sandra Hüller na filha super-executiva.

Por Eurico de Barros

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Paris, Texas
44/66

Paris, Texas

4 /5 estrelas

Um homem caminha no deserto. Só, arrastando-se como um penitente, à beira da exaustão. Um ponto em movimento na imensidão árida da natureza. É uma imagem tão atraente quão misteriosa. Nada se sabe; porém, de pronto se entende que as cores carregadas de luz escondem, ofuscam uma tragédia neste filme em que Wim Wenders, com argumento de Sam Shepard, regista a perda, o desespero, a redenção e o sacrifício. A história de Travis (Harry Dean Stanton) é, de certo modo, simples, até comum, e a narrativa do seu desaustino bastante linear, como se o realizador pretendesse realçar na vulgaridade da acção o tumulto interior, a raiva deste ser perdido que transpira do texto e vai estender-se por diálogos e monólogos de uma lucidez crua. Um homem perde-se por uma mulher que o abandona, vagueia sem saber por onde, reencontra o filho e parte, outra vez, agora com uma missão: reunir a criança e a mãe antes de a sua jornada terminar. O reencontro com Jane (Nastassja Kinski) é um grande momento de cinema, um dos mais cativantes na obra do cineasta alemão, na sua representação da inquietude e do desejo e do ciúme, mas principalmente da frustração que vem junto com a verdade, com a desilusão de um casal que não foi feito para o ser, levado pelas circunstâncias como quem se deixa arrastar pela corrente de um rio até um fim que não desejou, contudo é inevitável.

Por Rui Monteiro

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El Dorado XXI
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45/66

El Dorado XXI

4 /5 estrelas

As sombras de Wang Bing e Werner Herzog pairam sobre este soturno documentário que Salomé Lamas foi rodar à remota localidade de La Rinconada, nos Andes peruanos. Um “El Dorado” dura, miserável e cruelmente real, onde se procura ouro e outros minerais menos preciosos em condições climatéricas, de vida e trabalho no limite do suportável.

Por Eurico de Barros

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Delírio em Las Vedras
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46/66

Delírio em Las Vedras

4 /5 estrelas

Edgar Pêra filma o Carnaval de Torres Vedras em 3D e mete-lhe lá dentro um punhado de actores a fingir que são repórteres de vários canais de televisão fictícios. Pêra documenta o delírio do “Carnaval mais português de Portugal” e goza com a cobertura entre o redundante, o enche-chouriços e o imbecil que as televisões fazem destes acontecimentos. Foi o último filme de Nuno Melo.

Por Eurico de Barros

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Moonlight
47/66

Moonlight

4 /5 estrelas

Vencedor de um Globo de Ouro (Melhor Filme Dramático) e candidato a oito Óscares, este filme indie de Barry Jenkins sobre três fases da vida desgraçada de um jovem negro de Miami, interpretado por três actores diferentes, não pode nem deve ser reduzido a um nicho étnico ou de causa gay. Seria minimizar o seu amplo alcance humano, o seu sólido músculo dramático e o seu profundo significado emocional.

Por Eurico de Barros

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Uma Discussão com 50 anos
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48/66

Uma Discussão com 50 anos

4 /5 estrelas

The New York Review of Books (NYRB) surgiu em 1963 durante uma greve à impressão de diários como The New York Times, e nestes 54 anos usou a crítica literária como um fim em si e como rastilho para reflexões sobre política e cultura, sem esquecer a poesia e a reportagem. O lastro de pensamento mais ou menos polémico e o notável rol de colaboradores legitimam em absoluto a existência de Uma Discussão com 50 Anos. Na direcção da NYRB, em 1963 como hoje, está Robert B. Silvers, função que partilhou com Barbara Epstein até à sua morte, em 2006. Silvers é a âncora visual e argumentativa de um filme que avança pela história do jornal ao sabor da associação de ideias, entre imagens da redacção na actualidade, um mundo silencioso forrado a papel (o filme foi rodado em 2013 e lançado originalmente no ano seguinte, a pretexto do cinquentenário da publicação), testemunhos de colaboradores e imagens de arquivo. Dentre os 50 anos de discussões sobressaem Susan Sontag e o fascismo, Yasmine El Rashidi e a Praça Tahrir, Michael Greenberg e a ocupação de Zuccotti Park, Timothy Garton Ash e a queda do comunismo em Praga. Sem esquecer a pega mais vistosa, a pretexto do feminismo, entre Gore Vidal, que transbordou para o palco do Dick Cavett Show em 1971. Um documentário luminoso feito por evidentes entusiastas, um director octogenário que, diz, não dá ordens a quem escreve. Tudo o que faz é “pedir e esperar”.

Por Jorge Lopes

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Ama-San
49/66

Ama-San

4 /5 estrelas

A realizadora portuguesa Cláudia Varejão foi ao Japão filmar as “Ama-San” (“mulheres do mar”), que há mais de dois mil anos mergulham no mar em busca de pérolas e fauna marinha comestível, e continuam a não usar equipamento moderno para respirar debaixo de água. Um magnífico e completo documento sobre um grupo de mulheres que perpetua uma tradição ancestral.

Por Eurico de Barros

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Silêncio
50/66

Silêncio

4 /5 estrelas

Martin Scorsese levou mais de 25 anos a concretizar este projecto, a adaptação do livro do escritor católico japonês Shusaku Endo, passado no Japão do século XVII, quando os missionários jesuítas portugueses e os cristãos locais eram perseguidos e supliciados. E nunca se viu um filme sobre o martírio, a tortura física e da alma e a agonia da dúvida tão bonito como este.

Por Eurico de Barros

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Manchester by the Sea
51/66

Manchester by the Sea

4 /5 estrelas

O cinema americano está tão inflacionado de super-heróis, que só podemos acolher de braços abertos este filme de Kenneth Lonergan com o seu naturalismo bisonho, a história de infelicidade vivida e dirimida em família, as suas personagens reconhecível e falivelmente humanas e a sua negação dos clichés positivos de Hollywood. Grandes interpretações de Casey Affleck e do jovem Lucas Hedges.

Por Eurico de Barros

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Rogue One: Uma História de Star Wars
52/66

Rogue One: Uma História de Star Wars

4 /5 estrelas

Primeiro filme de uma nova série autónoma, Rogue One é uma espécie de Missão: Impossível no universo de ficção científica criado por George Lucas (trata-se de roubar os planos da Estrela da Morte – a acção decorre antes da do Guerra das Estrelas original). (Quase) sem a presença da Força, Rogue One põe mais ênfase no “Guerra” do que no “Estrelas” e é uma lufada de ar e uma transfusão de sangue fresco numa saga que bem precisava disso. Felicity Jones e Diego Luna encabeçam o elenco e Darth Vader pica o ponto.

Por Eurico de Barros

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Custe o que Custar
53/66

Custe o que Custar

4 /5 estrelas

Taylor Sheridan (Sicario- Infiltrado) escreveu – e muito bem – este western contemporâneo desencantado e irónico, passado num Texas devastado pela crise, e realizado com limpeza e músculo pelo escocês David Mackenzie, como se fosse uma fita dos anos 70. Jeff Bridges, Chris Pine e Ben Foster, impecáveis, fazem as despesas da interpretação.

Por Eurico de Barros

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Hitchcock/Truffaut
54/66

Hitchcock/Truffaut

4 /5 estrelas

Uma lição estupenda, um pequeno mas instrutivo ensaio sobre Hitchcock, uma porta de entrada que nos tenta a explorarmos a fundo um dos catálogos mais peculiares, e ainda hoje surpreendentemente universal, da arte do século XX. Isto é, para saber mais sobre o homem que sabia demais sobre nós, não haverá disponível síntese melhor do que Hitchcock/Truffaut.

Por Nuno Henrique Luz

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Eu, Daniel Blake
55/66

Eu, Daniel Blake

4 /5 estrelas

O filme de Ken Loach é a história de um carpinteiro viúvo (Dave Johns) que vive por princípios morais de senso comum até que um ataque de coração o atira para a via sacra da burocracia do estado social inglês. Visualmente, Eu, Daniel Blake é discreto e elegante, e Johns dá uma energia espontânea a Blake que é um dos encantos do trabalho de Loach com os actores.

Por Nuno Henrique Luz

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Vaiana
56/66

Vaiana

4 /5 estrelas

A nova longa-metragem animada digital e em 3D da Disney (mas com toques de animação tradicional) é uma deslumbrante e mexida aventura passada nos Mares do Sul há dois mil anos. Vaiana, a filha do chefe de uma tribo polinésia, alia-se ao semi-deus Maui  para salvar o seu povo de uma força maléfica. A lendária dupla John Musker/Ron Clements (A Pequena Sereia) realiza.

Por Eurico de Barros

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Ela
57/66

Ela

4 /5 estrelas

Isabelle Huppert é simplesmente imperial nesta comédia macabra cruzada de thriller e de farsa familiar, onde Paul Verhoeven reduz a pó o estereótipo da mulher vítima indefesa e passiva, e sem iniciativa sexual nem pulsões desviantes.

Por Eurico de Barros

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Dheepan
58/66

Dheepan

4 /5 estrelas

Eis um filme sobre refugiados que não regista nos radares dos media, das redes sociais e dos indignados profissionais: os da guerra civil no Sri Lanka entre guerrilheiros nacionalistas e separatistas tamil e o governo. Realizado por Jacques Audiard, Dheepan ganhou a Palma de Ouro em Cannes no ano passado. O principal intérprete, Jesuthasan Anthonythasan, combateu com os Tigres Tamil antes de se refugiar em França, tal como a personagem que interpreta, o Dheepan do título. Usando a identidade de um morto, ele foge da guerra e para isso finge ter uma família, já que nem sequer conhece a mulher que o acompanha, Yalini, a sua falsa esposa, e a “filha” do casal, Illayall, é uma órfã arrebanhada num campo de refugiados.

Por Eurico de Barros

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O Exame
59/66

O Exame

4 /5 estrelas

Mais um grande filme que sai da Roménia. Cristian Mungiu tira uma radiografia moral aos seus compatriotas com esta história passada numa sociedade que funciona à custa da cunha, do pedido, do empenho, do amigo ou do parente que dão um jeitinho.

Por Eurico de Barros

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O Primeiro Encontro
60/66

O Primeiro Encontro

4 /5 estrelas

Denis Villeneuve adaptou um premiado conto longo do escritor de ficção científica Ted Chiang, Story of Your Life, e o resultado é este filme sobre um “primeiro encontro” entre humanos e extraterrestres, onde a procura da comunicação é mais importante do que a acção. Com Amy Adams.

Por Eurico de Barros

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Agnus Dei - As Inocentes
©DR
61/66

Agnus Dei - As Inocentes

4 /5 estrelas

Pouco depois do fim da II Guerra Mundial, na Polónia, uma médica francesa ateia e comunista é chamada a um convento onde várias freiras que foram violadas por soldados soviéticos ficaram grávidas. Anne Fontaine filma o encontro de dois mundos opostos sem melodramas nem maniqueísmos.

Por Eurico de Barros

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O Tesouro
©DR
62/66

O Tesouro

4 /5 estrelas

Um pai de família romeno e um vizinho procuram um tesouro enterrado no jardim do bisavô deste. Corneliu Porumboiu assina um filme de um humor impassível, sobre a ganância humana e o estado da sociedade na Roménia.

Por Eurico de Barros

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Café Society
63/66

Café Society

4 /5 estrelas

Bobby (Jesse Eisenberg) está farto de Nova Iorque e vai para Los Angeles, onde conhece Vonnie (Kristen Stewart), a secretária de um agente (Steve Carell) que é também tio de Bobby. Um filme aparentemente igual a tantos outros de Woody Allen mas em que ele acerta na mistura exacta de história, imagem, duração, escala, tom, música, actores, diálogos e período histórico.

Por Nuno Henrique Luz

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Fogo no Mar
64/66

Fogo no Mar

3 /5 estrelas

O documentarista italiano Gianfranco Rosi visita a ilha de Lampedusa para filmar os refugiados e migrantes económicos que lá aportam, o trabalho de quem os recolhe e trata e o quotidiano de um menino local.

Por Eurico de Barros

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O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu
65/66

O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu

4 /5 estrelas

O filme tem imenso material de Oliveira, incluindo uma história inédita. Esse material vale cinco estrelas. Descontamos uma porque, neste documentário como no seu título, está um “Eu” a mais. O de João Botelho, realizador. Neste filme, o que é bom não é de Botelho, e o que é de Botelho não é bom.

Por Nuno Henrique Luz

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Boi Neon
66/66

Boi Neon

4 /5 estrelas

Iremar (Juliano Cazarré), um vaqueiro que trabalha num rodeo e vive num camião, quer ser desenhador de vestidos extravagantes. Gabriel Mascaro, o realizador, ilustra a ideia de que nós somos um corpo, e é com ele que sonhamos.

Por Nuno Henrique Luz

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Mais críticas de cinemas

Cabaret Maxime
©DR
1/115

Cabaret Maxime

3 /5 estrelas

Não é Nova Iorque, é Lisboa. Não é um bar americano, é o extinto Maxime. O novo filme de Bruno de Almeida, escrito com o seu habitual colaborador, John Frey, e interpretado por muitos dos actores com quem costuma trabalhar (Michael Imperioli, John Ventimiglia, Drena De Niro, etc.), mais 
Ana Padrão, Manuel João Vieira e Celeste Rodrigues, apresenta uma estranha desconexão espacial: estamos em Nova Iorque do Sodré, ou em Lisbrooklyn? Passada esta sensação, ficamos com uma série B maneirinha, tendência Abel Ferrara, sobre o dono de um cabaré à antiga num bairro decadente, e a sua “família” de empregados e artistas, a braços com o aburguesamento da zona e um mafioso. Mas será que o filme não podia ter sido feito só com actores portugueses?

Por Eurico de Barros

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Han Solo - Uma História de Star Wars
Foto: Cortesía Disney
2/115

Han Solo - Uma História de Star Wars

3 /5 estrelas

As presenças de Ron Howard na realização, e de Lawrence
Kasdan (que já assinou as histórias de outros filmes da saga) e do seu filho Jonathan no argumento, garantem que este segundo título da “Star Wars Anthology” está, tal como o primeiro, Rogue One (2016), mais fiel ao espírito, ao estilo e à vibração da trilogia original criada por George Lucas, do que os dois novos e muito decepcionantes filmes oficiais. A fita conta as aventuras de
Han Solo na sua juventude (interpretado pelo aceitável Alden Ehrenreich), em estilo de western espacial, destacando-se Chewbacca (que Solo conhece aqui) e L3, a dróide revolucionária e co-piloto de Lando Calrissian (Donald Glover). Woody Harrelson faz muito bem de Beckett, um mercenário pragmático.

Por Eurico de Barros

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Godard, o Temível
©Praesens Film
3/115

Godard, o Temível

3 /5 estrelas

Baseando-se em Un An Après, um dos livros escritos pela
actriz Anne Wiazemsky (que morreu o ano passado) sobre Jean-Luc Godard depois de se
ter divorciado dele, em 1979, Michael Hazanavicius (O Artista) filma uma sátira gostosa, se
bem que não inteiramente conseguida, à figura tutelar de toda uma cinefilia, e que decerto não terá agradado nada aos zelotas mais ardentes do autor de O Acossado. Louis Garrel compõe impecavelmente, até ao leve ciciar, o realizador na sua fase de delírio maoísta, algures 
entre A Chinesa e o Maio de
 68, representando-o como
 uma figura de burlesco revolucionário. Dispensava-
se era o pastiche insistente da gramática visual godardiana.

Por Eurico de Barros

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O Labirinto da Saudade
©DR
4/115

O Labirinto da Saudade

3 /5 estrelas

Podia esperar-se o pior deste documentário sobre Eduardo Lourenço, a partir do seu livro O Labirinto da Saudade (1978), e quando o autor faz 95 anos: a mitificação em vida daquele que foi transformado, malgré lui, no pensador do regime, com o patrocínio e a participação de um grupo de amigos e admiradores ilustres. Felizmente, Miguel Gonçalves Mendes foge à estrutura do documentário de cabeças falantes e identidade televisiva, apostando numa encenação cinematográfica, e visualmente muito inventiva, e dando quase sempre a palavra ao biografado. Claro que é impossível sintetizar o pensamento de Eduardo Lourenço, e o referido livro, num filme de pouco mais de uma hora, mas é este um bom esforço. O que não fica nada bem num documentário sobre um homem que sempre recusou o reducionismo, o estereótipo e o sectarismo, é a deferência de O Labirinto da Saudade para com Ramalho Eanes, Jorge Sampaio e Mário Soares, e o tratamento caricatural e gozão dado a Cavaco Silva.

Por Eurico de Barros

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O Segredo da Câmara Escura
©DR
5/115

O Segredo da Câmara Escura

3 /5 estrelas

O primeiro filme feito fora do Japão, em França, por Kiyoshi Kurosawa, mestre do policial, do terror e do fantástico, transporta os arredores de Paris a atmosfera dos contos de fantasmas tradicionais nipónicos. O enredo passa-se no soturno palacete de
um antigo fotógrafo de moda (Olivier Gourmet) agora obcecado em reproduzir velhos daguerreótipos em tamanho natural, usando a filha (Constance Rousseau) como modelo. O edifício é assombrado pelo espectro da mulher daquele, e a chegada
de um jovem assistente (Tahar Rahim) vai alterar drasticamente a rotina. O filme perde o pé à verosimilhança perto do final, mas até lá, instala um ambiente fantasmagórico cerrado, associando a fotografia à captação do mundo sobrenatural.

Por Eurico de Barros

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Ruth
©DR
6/115

Ruth

3 /5 estrelas

A história da rocambolesca e anedótica vinda de Eusébio,  
de Moçambique para o Benfica, às escondidas do Sporting, em Dezembro de 1960, sob o nome de Ruth (o da filha de um benfiquista de Lourenço Marques), contada por António Pinhão Botelho sobre argumento da sua mãe, a jornalista Leonor Pinhão. É um filme lhano, desembaraçado e correcto sobre Eusébio 
(Ivan Regalla) antes de ser o Pantera Negra, e sobre um Portugal autoritário mas em que o futebol e a clubite eram mais inocentes que hoje, e não tinham sido estragados pelas televisões, pelo dinheiro e pelos dirigentes.

Por Eurico de Barros

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As Boas Maneiras
©DR
7/115

As Boas Maneiras

3 /5 estrelas

Este filme de Juliana Rojas e Marco Dutra insinua​ uma crítica à segregação racial e social no Brasil, antes de investir descaradamente na materialização do horror. E a maneira como o fazem é o mais estimulante da fita. Uma feira de atracções onde a superstição popular se mistura com a banda desenhada e o musical. Aqui e ali, surpreendente.

Por Rui Monteiro

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Ilha dos Cães
©2017 Twentieth Century Fox Film Corporation
8/115

Ilha dos Cães

3 /5 estrelas

As pessoas que gostam mais de gatos do que de cães têm toda a razão para torcer o nariz ao relambório que Wes Anderson faz à espécie canina nesta sua segunda longa-metragem animada, após a muito superior O Fantástico Senhor Raposo (2009), onde associa a gataria a todos os vilões da história, passada no Japão, num futuro próximo, quando o presidente da Câmara da cidade fictícia de Megasaki envia todos os cães, atacados por um vírus contagioso, para uma ilha onde só há lixo e ruínas industriais. O enredo simplório e previsível é em parte compensado pela mestria visual de Anderson, que combina o desenho, a animação de modelos imagem a imagem e os efeitos digitais sob a égide da estética da arte nipónica, da tradicional às manga, e exibe a sua obsessão pontilhista pelos detalhes e a sua fixação pela encenação geométrica.

Por Eurico de Barros

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Maria by Callas
©DR
9/115

Maria by Callas

3 /5 estrelas

Este documentário do fotógrafo Tom Volf recorre a fotos, imagens e entrevistas de arquivo e home movies, para pôr Maria, a mulher por detrás da mítica Callas, a maior cantora de ópera de todos os tempos, a contar a sua vida, a dar a sua versão de alguns factos mais importantes da sua carreira e dos seus amores, e a falar da relação com a sua arte. Volf revela assim uma mulher com uma educação e uma visão do mundo tradicional, inteligente, fina, cheia de personalidade e com muito feitio, profissional enorme e exigente, e devotadíssima ao canto. Mas que, se tivesse tido escolha, teria preferido ser mãe de família extremosa e esposa devotada ao marido.

Por Eurico de Barros

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Soldado Milhões
10/115

Soldado Milhões

3 /5 estrelas

Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa assinam um
raro filme de guerra português,
 e o primeiro passado na I Guerra Mundial, para contarem a história de Aníbal Augusto Milhais, o “Soldado Milhões”, herói da Batalha de La Lys,
 faz agora 100 anos. A fita
 tem imprecisões, falhas e ingenuidades, mas há aqui 
uma vontade de fazer cinema narrativo baseado em factos
 da nossa história, e um grande esforço de rigor na recriação
 da época e na apresentação da acção militar (as sequências de guerra foram rodadas no Campo de Tiro de Alcochete). João Arrais interpreta o Milhais jovem do tempo do conflito e Miguel Borges é o Milhais de 1943, já com família e a perseguir um lobo com a filha mais nova, em Valongo, a sua terra natal.

Por Eurico de Barros

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Chavela
©DR
11/115

Chavela

3 /5 estrelas

Chavela Vargas será, para a maioria, uma desconhecida. Pudera, a memória é curta e a cantora nascida na Costa Rica, vencedora de um Grammy e ícone da música popular no México, morreu em 2012, depois de anos de silêncio. Com este documentário, baseado numa entrevista registada duas décadas antes da sua morte e até aqui inédita, Catherine Gund e Daresha Kyi pretendem acabar com esse anonimato e apresentar não só uma grande cantora, como, mais do que tudo, uma mulher invulgar, ainda mais na sua época. E não foi só (enfim, também foi, não sejamos inocentes) por se enfiar entre os lençóis de Ava Gardner, viver um ano de cama e pucarinho com Frida Kahlo, ou andar de pistola à cinta (ou à liga?) e não hesitar em disparar quando se sentia particularmente bem-disposta. Pois a jornada em que se meteu, nas
 suas alegrias e dores, aqui conduzida pela sua música e pelas suas palavras, entre a profunda espiritualidade e uma acentuada queda para o deboche e a provocação, é um retrato sério (embora um pouco condescendente) de uma vida sem dúvida singular.

Por Rui Monteiro

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Ready Player One: Jogador 1
©DR
12/115

Ready Player One: Jogador 1

3 /5 estrelas

Steven Spielberg adapta à tela o livro de FC de Ernest Cline, passado num futuro próximo e distópico, em que as pessoas se evadem para um universo de realidade virtual, o OASIS, onde podem ser quem quiserem e viver todas as aventuras, bem como competir pelo seu controlo. O filme é um misto de viagem nostálgica à cultura de massas dos anos 80 e de caça ao tesouro num mundo artificial high tech, com o qual realizador pretende captar duas gerações diferentes: a dos saudosistas da cultura pop daquela década (que incluem fitas realizadas ou produzidas pelo próprio Spielberg) e a dos gamers e geeks da era da net, dos smartphones e dos filmes de super-heróis.

Por Eurico de Barros

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Custódia Partilhada
©DR
13/115

Custódia Partilhada

3 /5 estrelas

A primeira realização do
actor francês Xavier Legrand, premiada no Festival de Veneza, não é mais um filme banalmente sociológico nem um melodrama pingão sobre uma família despedaçada pela violência doméstica. Todos os membros da família representada são presas do medo, a mãe e os filhos, que saíram de casa, mas também o pai, que reivindica o direito a
ter visitas com o mais novo. Só que aqueles são as vítimas e este é o agressor, atirando Custódia Partilhada para o território do thriller. Legrand fez um filme de terror realista.

Por Eurico de Barros

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Colo
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14/115

Colo

3 /5 estrelas

Teresa Vilaverde assina o último dos filmes portugueses a estrear-se sobre a crise. Mas a realizadora de Três Irmãos e Os Mutantes usa a crise económica que afectou os portugueses como pretexto para mostrar a crise da família no nosso tempo. Aquela só acentua o crescente distanciamento, a falta de comunicação, o isolamento interior e a alienação emocional entre pai (João Pedro Vaz),
mãe (Beatriz Batarda) e filha adolescente (Alice Albergaria), filmados num apartamento de um bairro indistinto de Lisboa, com austeridade sombria e uma câmara que é como uma testemunha púdica e relutante dos acontecimentos.

Por Eurico de Barros

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O Último Retrato
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15/115

O Último Retrato

3 /5 estrelas

No seu quinto filme a realizar, o actor Stanley Tucci conta uma história verídica ocorrida em 1964, envolvendo o escritor e crítico americano James Lord e
o seu amigo, o pintor e escultor suíço Alberto Giacometti, que lhe propôs posar para um retrato que demorou a acabar mais do que aquele esperava. Em parte, retrato cliché do grande artista enquanto ser humano imperfeito e criador caótico, em parte, história
de uma amizade testada por circunstâncias excêntricas, a fita é resgatada pelas interpretações de Armie Hammer e de Geoffrey Rush, que é a cara chapada do desconchavado e imprevisível Giacometti.

Por Eurico de Barros

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Lady Bird
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16/115

Lady Bird

3 /5 estrelas

A primeira realização a solo 
da actriz e argumentista Greta Gerwig é um filme indie afável, desempoeirado, sensível, bem observado e bem escrito sobre as inquietações, andanças e hesitações de uma miúda de 17 anos. A autodenominada Lady Bird do título (óptima Saoirse Ronan), chegada ao pai (Tracy Letts) e atazanada pela sempre preocupada e possessiva mãe (Laurie Metcalf, de A Teoria do Big Bang), ansiosa por deixar a pasmaceira da sua Sacramento (onde Gerwig nasceu) e ir estudar numa boa universidade e viver numa grande cidade. Greta Gerwig não inventou a pólvora
do género, apesar de todo o banzé encomiástico gerado em redor do filme, que esteve nomeado para cinco Óscares mas acabou por não ganhar nenhum.

Por Eurico de Barros

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Correspondencias
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17/115

Correspondencias

3 /5 estrelas

Tudo começou com o exílio, forçado, claro, do poeta, romancista e ensaísta Jorge de Sena. A ausência durou duas décadas passadas primeiro no Brasil, depois nos Estados Unidos. Durante esse tempo, Portugal, de outras maneiras também, mas que agora não vêm a propósito, esteve sempre presente na sua correspondência com a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen.

É dessa singela matéria que se faz o filme de Rita Azevedo Gomes (Prémio José Saramago para Melhor Documentário na edição de 2016 do Doclisboa), no qual, entre outros, Mário Barroso, Luís Miguel Cintra, Tânia Dinis e Rita Durão 
dão voz às palavras. Juntas, arrumadas conforme os estados de alma, escritas num português exemplar e criativo e vivo como já não se escreve nem ouve. Cartas que são, na verdade, diálogos entre
dois intelectos excepcionais, assim, em privado, exercendo uma liberdade lírica, política
e pessoal que o exílio imposto pelo salazarismo perseguia, mas que estes espíritos privilegiados insistiam em não calar, por difíceis que fossem os caminhos da comunicação.

Por Rui Monteiro

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Ramiro
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18/115

Ramiro

3 /5 estrelas

A quinta longa-metragem de ficção de Manuel Mozos tem como protagonista o Ramiro do título (António Mortágua), alfarrabista, poeta muito bissexto, desmazelado, desprendido das coisas
 e do tempo em que vive. Tem um cão, uma semi-namorada, alguns amigos avulsos e é o encarregado de educação da vizinha adolescente, órfã e grávida, que vive com a avó. Uma comédia
do quotidiano, anónimo e de bairro lisboeta, que evoca um 
Jim Jarmusch trocado por miúdos, onde Mozos leva, discreta, amavelmente e sem sobressaltos, a água ao seu moinho.

Por Eurico de Barros

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Mark Felt: O Homem que Derrubou a Casa Branca
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19/115

Mark Felt: O Homem que Derrubou a Casa Branca

3 /5 estrelas

Peter Landesman atira-se ao caso Watergate a partir da perspectiva de Mark Felt, vulgo Deep Throat (Garganta Funda), o denunciante cuja identidade permaneceu incógnita durante 30 anos. Mas falta-lhe a garra e a ousadia de ir narrativamente um pouco mais além.

Por Rui Monteiro

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Eu, Tonya
20/115

Eu, Tonya

3 /5 estrelas

Margot Robbie interpreta a campeã americana e patinadora olímpica que em 1994 caiu em desgraça, após ter estado envolvida numa agressão à sua rival Nancy Kerrigan. Craig Gillespie realiza o filme em estilo de mockumentary, como uma tragédia white trash, e é simpático para com Tonya, apresentada como vítima de uma mãe exploradora do seu enorme talento no gelo, da sua pouca educação, do seu feitio rebelde e de um marido burgesso. Só que depois contradiz-se, por excesso de condescendência gozona para com ela e os seus, e abusa das cabriolas formais.

Por Eurico de Barros

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O Nosso Último Tango
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21/115

O Nosso Último Tango

3 /5 estrelas

Eles são o Fred Astaire e a Ginger Rogers do tango na argentina. María Nieves e Juan Carlos Copes, os maiores e mais aclamados bailarinos daquele país e na cena internacional, sinónimos e símbolos do tango, bem como coreógrafos, dançaram juntos durante quase 50 anos. Foram também amantes, casaram-se e separaram-se – Juan Carlos era um Casanova militante – , mas continuaram a ser um par artístico, mesmo quando não se podiam ver um ao outro (insultavam-se em voz baixa durante as actuações). Hoje estão ambos na casa dos 80 e contam, em separado, a sua história ao realizador alemão German Kral, que conseguiu juntá-los brevemente em palco, e a um grupo de jovens bailarinos e coreógrafos de Buenos Aires, seus grandes admiradores.

Por Eurico de Barros

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Black Panther
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22/115

Black Panther

3 /5 estrelas

Criado em 1966 por Stan Lee e Jack Kirby para a Marvel, Black Panther foi o primeiro herói negro dos comics com super-poderes. E é a identidade secreta de T’Challa, o rei de um país africano fictício, Wakanda, uma utopia étnica high tech, que se desenvolveu mais que qualquer outra nação devido a um minério com propriedades especiais, o vibranium. Realizado por Ryan Coogler (Creed: O Legado de Rocky) e interpretado por Chadwick Boseman, Black Panther, apesar do seu original e detalhado enquadramento, obedece em tudo o resto ao caderno de encargos do filme de super-heróis.

Por Eurico de Barros

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The Florida Project
©Marc Schimdt
23/115

The Florida Project

3 /5 estrelas

Passado num motel barato
 e berrante à sombra do
 Disney Magic Kingdom, 
numa zona degradada
 onde pululam os párias, os chupistas, os marginais e
 os automarginalizados da sociedade da abundância, esta fita de Sean Baker (Tangerine) 
é contada do ponto de vista da travessa e incansável Moonee (Brooklynn Prince), de seis anos, ali que vive com a mãe desempregada e desbocada. The Florida Project tem uma história ténue e a espaços desconexa, mas Baker não transige
 com o miserabilismo ou a condescendência “sociológica”, e faz de Moonee a força motriz do filme, apoiada por Willem Dafoe no papel do severo mas decente gerente do motel.

Por Eurico de Barros

 

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Amor Amor
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24/115

Amor Amor

3 /5 estrelas

Na sua segunda-metragem após O Capacete Dourado (2007), Jorge Cramez adapta ao nosso tempo, e situa em Lisboa, a comédia La Place Royale ou l’amoureux extravagant, escrita por Corneille no século XVII. É uma história sobre a dança dos amores e desamores, 
sobre as ousadias, dilemas 
e hesitações sentimentais. Cramez compensa alguns problemas de escrita com uma realização guiada por uma idea visual, uma preocupação com o rigor do enquadramento e a imagem bonita e original, 
sem ser preciosa ou rebuscada (soberba fotografia de João Ribeiro), um olhar de bom gosto sobre a capital e um elenco razoavelmente coeso.

Por Eurico de Barros

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As Estrelas Não Morrem em Liverpool
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25/115

As Estrelas Não Morrem em Liverpool

3 /5 estrelas

História real: em 1979, Gloria Grahame, caída fora das graças de Hollywood, já na casa dos 50 e a sofrer de cancro, estava em Londres a fazer teatro e conheceu Peter Turner, de 28 anos, aspirante a actor e natural de Liverpool. Apaixonaram-se e estiveram juntos por algum tempo, até à morte da actriz,
em 1981. Poucos anos depois, Turner publicou Film Stars Don’t Die in Liverpool, uma memória dessa relação com a intérprete de Corrupção e Cativos do
 Mal. É esse livro que Paul McGuigan adapta neste filme que Annette Bening chama todo a si. Apesar de não ter aquela inconfundível boca de Grahame, Benning interpreta-a com a combinação certa de melancolia na decadência e de voluntarismo carismático, e Jamie Bell dá-lhe boa réplica como Peter Turner.

Por Eurico de Barros

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The Post
26/115

The Post

3 /5 estrelas

Steven Spielberg regressa aos anos 70, quando nos jornais ainda nem se sonhava com computadores e internet, para recordar o braço-de-ferro entre o The Washington Post e a Casa Branca, pela publicação dos Pentagon Papers, documentos secretos do governo sobre a Guerra do Vietname. O filme é uma ilustração dramatizada, e sublinhada a grosso, da Primeira Emenda da Constituição americana, que defende a liberdade de imprensa e de expressão. Com Meryl Streep no papel de Katharine Graham, a proprietária e publisher do jornal, e Tom Hanks no do seu director, Ben Bradlee, The Post está no seu melhor quando evoca esses dias das máquinas de escrever e da impressão a chumbo, e faz o elogio
do trabalho de equipa dos jornalistas, sempre sob a tirânica pressão das horas de fecho.

Por Eurico de Barros

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Faithfull
©DR
27/115

Faithfull

3 /5 estrelas

Quando, em 1979, “The Ballad of Lucy Jordan” começou a ser ouvida e um filme a pôs no caminho do êxito, Marianne Faithfull era, para muitos, uma desconhecida, e, para os outros, com mais idade e memória, uma curiosidade da cultura pop dos anos de 60, mais conhecida como amante (em sentido musical, mas principalmente carnal) dos Rolling Stones e de um rancho de outros músicos populares na época. Ninguém, quer dizer, poucos se lembraram dela também como a autora de um álbum terno e fundamental, As Tears Go By, gravado em 1965 com o apoio de vários companheiros de luxúria. Broken English foi, como se costuma dizer, o álbum de regresso de uma grande cantora que sobreviveu a tudo na arte e na vida. E quando todos a pensavam arrumada, esquecida, se não mesmo morta, a antiga musa da década de 1960 renasceu, tal qual como a Fénix. É este percurso acidentado que a actriz e realizadora francesa Sandrine Bonnaire regista com sensibilidade, através de documentos, imagens de arquivo e múltiplos testemunhos (incluindo o de Mick Jagger), neste retrato sobre o declínio e o renascimento, onde é a intimidade da mulher por detrás da artista que sobressai.

Por Rui Monteiro

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Jogo da Alta Roda
28/115

Jogo da Alta Roda

3 /5 estrelas

O primeiro filme como realizador do argumentista Aaron Sorkin conta a história da ascensão e queda de Molly Bloom (Jessica Chastain),
 a chamada “princesa do póquer” dos EUA, que organizava jogos de póquer exclusivos, frequentados
 por estrelas de cinema, milionários, realeza saudita, músicos e atletas famosos. Sorkin pinta Molly como uma vítima da sua intromissão num mundo exclusivamente masculino, mas também
de alguns passos em falso
que deu, nesta fita “de argumento”, em que a palavra tem mais peso – por vezes, demasiado – do que a câmara.

Por Eurico de Barros

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Barbara
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29/115

Barbara

3 /5 estrelas

Um “falso” filme biográfico, ou um filme biográfico conceptual sobre a cantora francesa Barbara (1930-1997), em que o realizador, Mathieu Amalric, também interpreta o realizador do filme dentro do filme, e Jeanne Balibar, por sua vez, personifica a actriz que faz de Barbara neste. Saímos desta fita hábil, amaneirada e impressionista tão pouco informados sobre a cantora como entrámos.

Por Eurico de Barros

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Há Quem Prefira as de Véu
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30/115

Há Quem Prefira as de Véu

3 /5 estrelas

Sou Abadi, iraniana a viver em França, assina esta divertida farsa que mete a ridículo o fundamentalismo islâmico, recorrendo a um velho expediente do género, a troca de identidade sexual. Martin não pode ver a namorada, Leila, presa no seu apartamento de Paris pelo irmão mais velho, que voltou radicalizado do Médio Oriente, e veste uma burca para passar por muçulmana e libertar a sua amada.

Por Eurico de Barros

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120 Batimentos por Minuto
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31/115

120 Batimentos por Minuto

3 /5 estrelas

O argumentista (A Turma) e realizador (Les Revenants) Robin Campillo recua ao início da década de 90 em Paris, para reconstituir a militância radical da Act-Up Paris (organização a que pertenceu), formada para defender os direitos dos seropositivos. A fita tem uma urgência e uma efervescência visual, narrativa e dramática que espelha a do colectivo e das personagens principais, uma delas representante do próprio Campillo.

Por Eurico de Barros

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Só Para Bravos
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32/115

Só Para Bravos

3 /5 estrelas

Uma dramatização dos factos passados com um grupo de bombeiros do Arizona que em 2013 esteve envolvido num enorme incêndio florestal. Baseado num artigo de 2017 da GQ, Joseph Kosinski conta esta história de coragem, dedicação, amizade e espírito de sacrifício colectivo de forma clássica, limpa e directa no cinema e na emoção, filmando os incêndios com realismo e sem abusar da espectacularidade. Com Josh Brolin, Jeff Bridges, Jennifer Connelly e Miles Teller.

Por Eurico de Barros

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The Only Living Boy in New York
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33/115

The Only Living Boy in New York

3 /5 estrelas

Mark Webb, que circula entre os videoclips, as superproduções de estúdio e os filmes indie, assina aqui uma história nova- iorquina de crise familiar e iniciação à maturidade, com tacto narrativo e sentido da
 boa temperatura emocional, sem tirar dividendos melodramáticos ou estereotipar as personagens. E tem um sólido naipe de actores, com Jeff Bridges (também produtor) à cabeça, mais o jovem Callum Turner no protagonista e ainda Pierce Brosnan, Kate Beckinsale e Cynthia Nixon.

Por Eurico de Barros

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Rosas de Ermera
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34/115

Rosas de Ermera

3 /5 estrelas

José Afonso estava em Coimbra e durante três anos não teve notícias dos pais nem da irmã mais nova, que, sabiam lá ele e o irmão, estavam presos em Timor. Foi durante a II Guerra Mundial, e a história desta família apartada pelas circunstâncias, que seria sempre interessante contar, mais interessante se torna quando se sabe ser a família do autor de Venham Mais Cinco.

Por Rui Monteiro

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Peregrinação
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35/115

Peregrinação

3 /5 estrelas

João Botelho transformou a incrível aventura de Fernão Mendes Pinto nos Descobrimentos num exemplo de como se pode rodar um filme histórico num país sem indústria de cinema e sem dinheiro para tais andanças.Peregrinação é, inevitavelmente, visualmente parco e sem rasgos de espectacularidade, mas mesmo assim, sempre a tentar que não se vejam as costuras, consegue reter algo do poder dramático, da força evocativa e do ímpeto aventureiro do livro.

Por Eurico de Barros

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Stronger - A Força de Viver
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36/115

Stronger - A Força de Viver

3 /5 estrelas

A história real de Jeff Bauman, que perdeu as pernas no atentado terrorista da Maratona de Boston de 2013, identificou os bombistas e
foi transformado, contra sua vontade, num herói americano, é contada por David Gordon Green com um realismo e uma franqueza pouco vulgares neste tipo de filmes de superação 
da adversidade. Com um excelente Jake Gyllenhaa
l no papel de Bauman, muito bem coadjuvado por Miranda Richardson e Tatiana
 Maslay.

Por Eurico de Barros

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Todos os Sonhos do Mundo
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37/115

Todos os Sonhos do Mundo

3 /5 estrelas

Filha de imigrantes em França, Laurence Ferreira Barbosa
 conta a história do desejo de emancipação de Paméla, uma adolescente da lusodescendência francesa, e através dela, dá uma ideia das tensões de geração, das sensibilidades dos dilemas de identidade e das aspirações dos jovens luso-descendentes, e da sua relação diversa com Portugal. Sem caricaturas ou clichés e com uma protagonista, Paméla Ramos, que, em parte,
 se interpreta a si própria.

Por Eurico de Barros

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O Outro Lado da Esperança
38/115

O Outro Lado da Esperança

3 /5 estrelas

Uma história que mistura dureza e compaixão, cepticismo em relação ao sistema e esperança na decência de pessoas avulsas, muita música retro, uma realização sobriamente pragmática, humor de cara fechada e actores patuscos. Adivinharam, é mais um 
filme de Aki Kaurismaki, 
que aqui cruza os destinos
 de um finlandês dono de um restaurante e de um refugiado sírio em fuga em Helsínquia.

Por Eurico de Barros

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Amor de Improviso
39/115

Amor de Improviso

3 /5 estrelas

O cómico paquistano-americano Kumali Nanjani transformou a história de como conheceu a mulher,
 a autora e argumentista Emily V. Gordon, numa comédia romântica semi-autobiográfica. Que é também um filme sobre lealdades familiares e culturais divididas e como lidar com
os prováveis futuros sogros quando a ex-namorada está em coma no hospital. Com o próprio Nanjani, Zoe Kazan e os estupendos Ray Romano e Holly Hunter.

Por Eurico de Barros

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O Sabor da Cereja
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40/115

O Sabor da Cereja

3 /5 estrelas

O Sabor da Cereja, embora um pouco corroído pelo tempo e sem o fulgor de 1997, quando sacou Palma de Ouro no Festival de Cannes, tem algo que se lhe diga. O que se mantém e continua 
a sustentar esta história de um homem que se quer suicidar e procura quem o enterre a seguir, é o humanismo das personagens e a substância dos diálogos que
 o cineasta iraniano criou para Badii. Dele, não sabemos nem saberemos nada. Nem a razão
 do desespero ou o porquê da preocupação com o enterro. Nem interessa, pois estamos perante uma busca para encontrar razão de esperança, mesmo no interior de uma ditadura saída da idade das trevas, realizada com subtileza e elegância – e considerável dose de ingenuidade.

Por Rui Monteiro

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Al Berto
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41/115

Al Berto

3 /5 estrelas

Vicente Alves do Ó continua
a filmar a vida de poetas portugueses, recriando aqui os tempos que Al Berto passou na sua Sines natal, logo depois do 25 de Abril e de ter voltado de Bruxelas, para onde tinha fugido do serviço militar. O filme dirá muito ao realizador, por motivos pessoais, e àqueles que viveram esses tempos com Al Berto. O mesmo já não se passa com quem o vá ver à espera de uma biografia mais convencional e mais completa.

Por Eurico de Barros

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Borg vs McEnroe
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42/115

Borg vs McEnroe

3 /5 estrelas

Mais do que um filme sobre a célebre final do Torneio de Wimbledon de 1980, onde Bjorn Borg procurava a quinta vitória consecutiva e John McEnroe procurava, por seu lado, derrotá-lo e derrubá-lo do poleiro de “menino de ouro” do ténis mundial, Borg vs McEnroe é sobre o próprio Borg (Sverrir Gudnason), ou não fosse o realizador, Janus Metz, sueco como ele. Esta é uma fita diligente, sem grandes surpresas ou revelações sobre os jogadores (Shia LaBoeuf personifica McEnroe) ou a final propriamente dita.

Por Eurico de Barros

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A Fábrica do Nada
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43/115

A Fábrica do Nada

3 /5 estrelas

O filme de Pedro Pinho sobre uma empresa de elevadores de Alverca ameaçada de fecho, e as movimentações do seu pessoal para a manter a funcionar e salvarem os empregos, dispara em muitas direcções: é uma ficção chegadinha à realidade da crise, uma reflexão sobre o estado do movimento laboral e o futuro do capitalismo, uma interrogação sobre os tempos de transição que vivemos e até tem um interlúdio musical. E precisava de um produtor que tivesse sabido 
onde talhar nas suas atarefadas e prolixas três horas de duração.

Por Eurico de Barros

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It
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44/115

It

3 /5 estrelas

Depois da minissérie de 1990 de Tommy Lee Wallace, eis
a adaptação ao cinema do
livro de Stephen King pelo argentino Andy Muschietti, dividida em dois filmes, um para cada época em que a acção decorre (aqui actualizada para os anos 80 e os nossos dias).
O bom jovem elenco de It, e
o tempo que Muschietti dá a cada um dos sete miúdos para serem personagens plenas, compensa o Pennywise de Bill Skarsgard, inferior ao de Tim Curry na minissérie.

Por Eurico de Barros

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Sorte à Logan
45/115

Sorte à Logan

3 /5 estrelas

Sob o signo de uma celebérrima canção de John Denver, Steven Soderbergh assina uma versão sulista e redneck de Ocean’s Eleven, um divertimento engenhoso, castiço, muito ritmado e que contorna várias convenções do filme de grande assalto, mantendo-se fiel ao formato no essencial. Com Channing Tatum, Adam Drive, Riley Keogh (que é neta de Elvis Presley), e um Daniel Craig desopilante num rebenta-cofres de cabelo oxigenado chamado Joe Bang.

Por Eurico de Barros

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Una - Negra Sedução
46/115

Una - Negra Sedução

3 /5 estrelas

Algures em Inglaterra, uma rapariga entra
 numa empresa e confronta 
um dos seus quadros, um homem chamado Peter. Passa-se que 15 anos antes, quando 
a rapariga, chamada Una (Rooney Mara), tinha 13 e era vizinha do homem, Peter (Ben Mendelsohn), este envolveu-se sexualmente com ela. Depois de tudo ter vindo a público, Peter foi julgado por abuso de menores, passou quatro anos na cadeia, saiu e depois mudou de nome, de cidade, de emprego, de vida. Una veio procurar Peter não para se vingar dele expondo-o aos colegas, ou para
 o matar. É que a relação entre ambos não foi forçada por Peter nem envolveu violência. Una veio procurar Peter para saber porque é que ele a abandonou numa pensão sem dizer água vai, antes de ser preso. Adaptado por Peter Harrower da sua peça Blackbird, este filme de Benedict Andrews dá um twist inesperado – e ousado – nos estereótipos das histórias sobre pedofilia. Mara 
e Mendelsohn são muito bons 
e, no final, o filme deixa uma dúvida inquietante no ar.

Por Eurico de Barros

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A Viagem a Espanha
47/115

A Viagem a Espanha

3 /5 estrelas

Depois de A Viagem e A Viagem a Itália, que começaram como séries de televisão e depois tiveram montagens para cinema, eis mais do mesmo. Desta vez, Steve Coogan e Rob Brydon levam as suas personas audiovisuais até ao país vizinho, falam das dores pessoais e profissionais e de tudo e mais alguma coisa, e fartam-se de comer e beber. A Viagem a Espanha saboreia-se bem, mas já se nota um certo travo a comida requentada.

Por Eurico de Barros

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O Futebol
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48/115

O Futebol

3 /5 estrelas

Radicado em Espanha há 20 anos, o brasileiro Sérgio Oksman aproveitou o Mundial de 2014, disputado no seu país, para, em colaboração com o espanhol Carlos Mugiro, rodar esta melancólica elaboração ficcional muito próxima da realidade, sobre o seu reencontro com o pai, em São Paulo, em 2013. 
De resto, há pouquíssimo futebol em O Futebol: farrapos de conversa sobre bola, relances de jogos na televisão, uma velha caderneta de cromos.

Por Eurico de Barros

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Como Cães Selvagens
49/115

Como Cães Selvagens

3 /5 estrelas

Nicolas Cage protagoniza, por uma vez em modo bom actor, o novo filme de Paul Schrader – argumentista de Taxi Driver e O Touro Enraivecido, realizador de American Gigolo ou O Acompanhante. O subtil sarcasmo que o realizador introduz na construção desta tragicomédia é a sua mais-valia. Contudo, embora enuncie uma estética, às tantas parece determinado em amaciá-la, torná-la mais conforme à regra.

Por Rui Monteiro

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Uma Vida de Cão
50/115

Uma Vida de Cão

3 /5 estrelas

A nova comédia triste de Todd Solondz recorre a uma cadela “salsicha” para veicular a visão cerradamente misantrópica e cruelmente sardónica que o autor de Felicidade tem do seu semelhante, e da existência em geral. O cãozinho do título é o macguffin que Solondz utiliza para contar quatro histórias de pessoas cruéis, infelizes, à deriva, imbecis ou frustradas (só escapam um menino a recuperar de um cancro e um casal trissómico). Entre os actores estão Julie Delpy, Greta Gerwig, Danny devito (em cujo segmento Solondz crava várias farpas no meio cinematográfico) e Ellen Burstyn, e o final é de uma brutalidade patética inaudita. Uma Vida de Cão é desigual, mas ao menos o realizador continua a não ceder terreno ao sentimentalismo de tostão a dúzia ou à demagogia do optimismo.

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As Donzelas De Rochefort (The Young Girls Of Rochefort)
51/115

As Donzelas De Rochefort (The Young Girls Of Rochefort)

3 /5 estrelas

Três anos depois do êxito do musical experimental Os Chapéus de Chuva de Cherburgo, o realizador francês voltou a insistir no género e mais uma vez, porque em equipa que ganha não se mexe, com Catherine Deneuve (em parceria com a irmã, Françoise Dorléac) na interpretação e Michel Legrand responsável pela banda sonora. Agora em versão restaurada, foi outro êxito e ainda valeu candidatura a Óscar, mas… Esta história de amores simples atormentados por problemas reais, embora na aparência tão delirante e graciosa como a anterior, surge um pouco domada. Apesar de uma até mais apurada partitura de Legrand; mesmo com a experiência de Dorléac a espevitar o talento de Deneuve, é como se o cineasta retirasse os elementos mais experimentais e estimulantes para se comprazer com uma norma mais acessível ao gosto do público.

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A Fabulosa Gilly Hopkins
©DR
52/115

A Fabulosa Gilly Hopkins

3 /5 estrelas

Eis um bom filme para a família e que consegue ser sentimental sem nunca caramelizar. A adolescente do título (interpretada pela espigadota Sophie Nélisse), encontra o lar de adopção de sonho, para depois aparecer a sua rica e bondosa avó (Glen Close), que a quer levar para casa e fazê-la conhecer a mãe, a qual Gilly sempre idealizou.

Por Eurico de Barros

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Valérian e a Cidade dos Mil Planetas
53/115

Valérian e a Cidade dos Mil Planetas

3 /5 estrelas

É o filme francês, europeu e independente mais caro de sempre (197 milhões de euros), com o qual Luc Besson desafia Hollywood no seu próprio jogo e no seu território (uma superprodução de ficção científica baseada numa banda desenhada, apontada ao mercado global). E é também uma transposição para a tela, com aceitável sucesso, do complexo e riquíssimo universo gráfico da série Valérian e Laureline, criada
há exactamente 50 anos por Mézières (desenho) e Christin (argumento). Dane DeHaan não serve na personagem de Valérian, do aspecto ao modo de ser, mas a Laureline de Cara Delevingne vai sendo cada vez mais convincente, à medida que o enredo progride. É o melhor trabalho de Besson desde Vertigem Azul, e superior a qualquer filme de super-heróis saído da salsicharia cinematográfica de Hollywood.

Por Eurico de Barros

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Carros 3
54/115

Carros 3

3 /5 estrelas

Faísca McQueen é atirado sem cerimónias para fora das pistas pelos carros de uma nova geração high tech, mas quer mostrar que não está acabado e passa a ter uma treinadora motivacional, a jovem Cruz Rodriguez, sua grande fã. A agradável surpresa introduzida a certa altura no argumento, o talento único da Pixar para humanizar objectos e máquinas e a altíssima qualidade da animação digital do estúdio, fazem de Carros 3 uma animação ganhadora, e melhor que Carros 2.

Por Eurico de Barros

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Dunkirk
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55/115

Dunkirk

Se tivesse sido rodado com a II Guerra Mundial ainda fresca na memória colectiva britânica, como foi o caso, em 1958, de A Epopeia de Dunquerque, de Leslie Norman, este Dunkirk de Christopher Nolan seria um filme de agitação e inspiração patriótica. Pelo contrário, é uma fita onde a escala de superprodução contrasta com a abordagem semidocumental e descritiva, e o tom carregado e não-heróico. Nolan recorreu a um mínimo de efeitos digitais e apostou em aviões e barcos da época, ou réplicas, o que confere outra autenticidade ao filme.

Por Eurico de Barros

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Lady Macbeth
56/115

Lady Macbeth

3 /5 estrelas

Filme de estreia de William Oldroyd, que pega no romance 
de Nikolai Leskov, Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk (1865)
 e o transpõe da Sibéria para a Inglaterra rural do século XIX. Esta história sombria e secamente brutal de uma jovem (Florence Pugh) mal casada com um proprietário rico, rude e opressor, arrasa os clichés do filme de época romântico, bucólico e arrumadinho.

Por Eurico de Barros

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O Verdadeiro Campeão
©DR
57/115

O Verdadeiro Campeão

3 /5 estrelas

A história de Chuck Wepner, o pugilista anónimo que inspirou a personagem de Rocky Balboa a Sylvester Stallone, ao combater com Muhammad Ali em 1975. Liev Schreiber produz o filme e interpreta Wepner neste modesto mas honesto drama proletário americano, realizado por Philippe Falardeau. Também com Naomi Watts, Elizabeth Moss e Ron Perlman.

Por Eurico de Barros

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Oleg y las Malas Artes
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58/115

Oleg y las Malas Artes

3 /5 estrelas

O compositor e pianista russo Oleg Karavaychuk, que morreu no ano passado, aos 89 anos, era um figura extravagante, com o seu ar andrógino, a sua cabeleira desarrumada e a sua voz de cana rachada, que lhe valeram a alcunha de “o compositor louco”. Nos anos 50, Karavaychuk foi proibido de tocar, e dedicou-se a compor música para os filmes de cineastas como Sergei Parajanov ou Kira Muratova, e a colaborar com artistas de vanguarda. Foi ao ouvir a sua música num filme de Muratova, e ao ver no YouTube um vídeo dele a tocar piano, que Andrés Duque, venezuelano radicado em Espanha, o descobriu, e rumou à Rússia para fazer um filme sobre ele. Em Oleg y las Malas Artes, Duque dá carta branca a Karavaychuk, que fala sobre os tempos de Estaline e Putin, toca o piano de Nicolau II no Hermitage e expõe as suas originais teorias sobre música. É pena que a fita seja tão curta e saiba a tão pouco, porque ficou mesmo muito por contar.

Por Eurico de Barros

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Homem-Aranha - Regresso a Casa
59/115

Homem-Aranha - Regresso a Casa

3 /5 estrelas

O segundo reboot do super-herói aracnídeo é o melhor filme desta série, com Tom Holland bem metido no papel de Peter Parker/Spidey. O realizador Jon Watts cruza o filme de super-heróis com a comédia de adolescentes liceais, arrancando uma fita descontraída, cheia de sentido de humor e sem a sisudez, a auto-importância e o gigantismo descerebrado do costume. Há ainda um vilão original (Michael Keaton na boa forma habitual) e responsável por um twist no argumento daqueles de causar um torcicolo.

Por Eurico de Barros

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As Falsas Confidências
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60/115

As Falsas Confidências

3 /5 estrelas

O falecido encenador e realizador suíço Luc Bondy rodou esta versão contemporânea da comédia de Marivaux para o canal ARTE, ao mesmo tempo que apresentava a sua encenação num teatro de Paris. Os actores filmavam-na durante o dia e interpretavam-na em palco à noite, e Bondy funde os dois espaços no final, já que As Falsas Confidências tem o seu clímax na cena do Teatro Odeon. 

Esta história de um homem (Louis Garrel) que vai trabalhar para a viúva rica e mais velha (Isabelle Huppert) pela qual estáapaixonadosofre,na linguagem e nas peripécias,
com o deslocamento temporal e epocal a que é submetido, já que foi escrita em 1737 e “arrastada” por Bondy para a Paris do século XXI, e nem sempre resulta vestir roupas modernas a obras antigas. 

Garrell, Huppert, Bulle Ogier e o restante elenco ajudam
a atenuar esta sensação de anacronismo, mas nunca nos abstraímos totalmente dela. E aquele final “fora da ficção” era dispensável. 

Por Eurico de Barros

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Mãe Rosa
61/115

Mãe Rosa

3 /5 estrelas

O filipino Brillante Mendoza, autor de Lola e Cativos, conta uma história de corrupção “ordinária” nos bairros pobres de Manila, nesta fita de um naturalismo feio e sujo, atirado à cara do espectador por uma câmara peripatética 
em simulação de imediatismo documental. Mas Lino Brocka já andou por aqui antes de Mendoza. No papel principal, Jaclyn Jose ganhou o prémio de Melhor Actriz no Festival de Cannes de 2016.

Por Eurico de Barros

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Paris Pode Esperar
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62/115

Paris Pode Esperar

3 /5 estrelas

Aos 80 anos, Eleanor Coppola realizou a sua primeira longa- metragem de ficção, vagamente baseada em recordações pessoais. É uma versão estival, muito light
e com ênfase na gastronomia, de Lost in Translation da filha Sofia, passada numa França próspera
e sem problemas. Confeitaria cinematográfica despretensiosa e escapista, com a sempre luminosa Diane Lane, Alec Baldwin e Arnaud Viard.

Por Eurico de Barros

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Glória
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63/115

Glória

3 /5 estrelas

Dos realizadores búlgaros de A Lição, Kristina Grozeva e Petar Valchanov, um bom filme satírico e negro sobre a corrupção política na Bulgária. Um honesto, humilde e gago trabalhador ferroviário acha uma pequena fortuna em notas na linha, e devolve o dinheiro. Uma troca de relógios vai levar a que passe de herói nacional e trabalhador exemplar, a mentiroso ridicularizado em público e malandro destratado pela polícia.

Por Eurico de Barros

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Félicité
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64/115

Félicité

3 /5 estrelas

É um mundo de contrastes. Um mundo sem alternativa. Um mundo em que a adaptação às circunstâncias é uma forma de sobrevivência. A vida de Félicité (a estreante e muito impressionante Véro Tshanda Beya Mputu) vai dar um grande volta quando o filho adolescente tem um desastre de moto, vai parar ao hospital, e esta cantora de cabaré, em Kinshasa, descobre que tem de pagar um balúrdio de dinheiro que não tem pela operação. Adaptando- se, como de costume, a protagonista acaba por aceitar
o auxílio oferecido por Tabu (Papi Mpaka), que ainda vai arranjando os distúrbios crónicos do frigorífico da cantora e se torna seu amante, o que é fonte de tanto prazer como de perturbação. Alain Gomis, no seu quarto filme, além de transportar uma influência clara dos irmãos Dardenne, prossegue o seu caminho de cineasta em busca de uma identidade cultural, explorando, em jeito de realismo social e ao ritmo bamboleante da pop africana, as ruas da capital da República Democrática do Congo, o que faz do filme uma obra estimulante, embora algo condescendente.

Por Rui Monteiro

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David Lynch: The Art Life
65/115

David Lynch: The Art Life

3 /5 estrelas

O trio de realizadores deste documentário está interessado não nos filmes de David Lynch, mas sim nos seus quadros, já que antes de se dedicar ao cinema, o realizador de Veludo Azul e Mulholland Drive cursou artes plásticas e queria ser pintor e levar uma “vida de artista”. Lynch n&atild