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Rita Chantre | Tomate, mole, manjericão no Turvo
Rita Chantre

Os 100 melhores restaurantes em Lisboa

Dos clássicos às novidades, das tascas ao fine dining, do receituário português às cozinhas do mundo, estes são os 100 melhores restaurantes de Lisboa para 2026.

Hugo Torres
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Lisboa é feita de clássicos inesquecíveis, projectos ambiciosos e novidades excitantes. A restauração, um dos sectores mais dinâmicos da cidade, é um reflexo desse cruzamento de tempos e vontades, de preservação e imaginação. A Time Out pode bem atestá-lo. Há quase duas décadas que a acompanhamos, dia-a-dia, refeição a refeição. Assistimos à ascensão de Lisboa enquanto destino gastronómico e não rejeitamos ter desempenhado um papel nesse fenómeno. Não é soberba, é dedicação. Nesta lista (ordenada alfabeticamente), trazemos esse lastro connosco. Mas sem cristalizações, sem imobilismos, sem reverências. Estes são os sítios que mais nos entusiasmam agora, das tascas à alta gastronomia, em todos os intervalos de preços, de todo o tipo de cozinha. Pela primeira vez, limitámos a escolha a Lisboa (nada de arredores) e aplicámos uma regra dolorosa, em prol da diversidade: um chef, um restaurante. Abrimos uma única excepção – até porque a ortodoxia é uma chatice.

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Os 100 melhores restaurantes em Lisboa

  • Português
  • Xabregas
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

Uma casa inteiramente dedicada a um dos produtos mais emblemáticos da cozinha portuguesa, o bacalhau salgado seco. Aqui, podemos não ter as míticas 1001 receitas de bacalhau, mas, entre entradas e pratos principais, conte com duas a três dezenas de propostas na ementa. Sob a orientação de João Bandeira, também responsável pelo Via Graça, o restaurante mantém o foco nos clássicos, como o bacalhau à lagareiro e à Zé do Pipo, mas inclui propostas menos convencionais, como risoto de bacalhau com espargos ou carpaccio com rúcula e parmesão. Os portugueses fazem bem em lá ir. Os turistas deveriam pôr os pés ao caminho e fazer o mesmo.

  • Português
  • Santa Maria Maior

Numa zona pejada de restaurantes que mais não são do que armadilhas para turistas, esconde-se esta tasquinha de bons pratos tradicionais a preços de antigamente. Em tempos um segredo, hoje é preciso chegar cedo para conseguir um lugar. Pode ficar na fila, mas é coisa para demorar um bocado. Os pratos do dia anunciam-se à porta num papel branco com meia dúzia de sugestões, do bacalhau à minhota ao cozido à portuguesa, dos jaquinzinhos com arroz de tomate à cabidela e ao pernil. Clássicos como a alheira com ovo, o bitoque e os choquinhos grelhados não falham, tal como a energia pulsante da casa. Vá com abertura para misturas, conversas cruzadas e muito calor humano.

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  • Italiano
  • Beato
  • preço 2 de 4

Napolitano sem concessões ao clichê italiano para exportação, tanto os pratos como a música ambiente se podem resumir numa palavra: autêntico. O qualificativo abastardou-se nos últimos tempos, mas aqui encontra-se na plenitude do seu significado. O peixe e os bivalves são estrelas numa carta de mar, em que a pasta é sempre servida al dente e longe da banalidade que grassa um pouco por todo o lado. Atenção às entradas de lulinhas e petingas fritas, e aos polipetti affogati. Depois venha a massa, da tradicional com anchovas à de ovas de tainha. Um óptimo motivo para subir à Penha de França.

  • Brasileiro
  • Bairro Alto
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

Uma referência da cozinha baiana. Primeiro no Bairro Alto, depois também na Rua de São José, o restaurante prosperou com uma carta fiel às origens – e uma clientela feita sobretudo de brasileiros. O destaque vai para o acarajé, pastel de feijão fradinho recheado de vatapá e camarão seco, frito em azeite de dendê e acompanhado de molho picante de malagueta. Há ainda escondidinhos, bobó de camarão, moqueca e, ao domingo, feijoada à brasileira que anima a casa pela tarde dentro. Carolina Silva está sempre impecavelmente vestida de baiana.

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  • Português
  • Alvalade
  • preço 2 de 4

Com um molho guloso carregado de alho, o bitoque é, provavelmente, o mais afamado dos pratos desta casa nortenha em Alvalade, de onde saem também boas doses generosas de comida de conforto, dos rojões e da cabidela ao bacalhau à minhota e à lampreia, por encomenda quando é tempo dela (e ela aparece). É tudo anunciado à porta numa lista de pratos ainda escrita à mão. Entre as duas salas e a esplanada cabem umas 45 pessoas, mas não há nada como chegar cedo – não aceitam reservas e abundam esfomeados à porta.

  • Beato

No Alfredo, há uma tríade de clássicos que não pode falhar. O croquete é um deles, a desfazer-se na boca, feito com os ingredientes de um cozido à portuguesa tradicional. O Arroz do Alfredo, o mais nutritivo dos pratos, é enriquecido com bochecha de porco e chouriço e pode ser servido em doses para duas, três ou quatro pessoas. Por fim, a tarte de limão, sobremesa sem rival. Marin Colomès é um dos três sócios e está ao leme da pequena cozinha, juntamente com Marc le Rohellec – o primeiro a tempo inteiro, o segundo dividido entre Arroios e o restaurante que abriu em 2021 no Cais do Sodré. Conheceram-se no Boavista Social Club, de onde partiram à conquista de um novo bairro. 

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  • Chiado/Cais do Sodré
  • Recomendado

O chef João Magalhães Correia, um dos mais talentosos da cidade, abriu com a equipa do Imprensa este restaurante-bar. Um sítio onde a comida de inspiração italiana e os cocktails estão em grande nível (tal como a carta de vinhos naturais), e onde o ambiente divertido do espaço só o torna ainda mais convidativo. Destacam-se as ostras ao natural, mexilhões em guazzetto, stracciatella com espargos, polenta crocante com tártaro e maionese de tomate, fregola de polvo e tiramisù. São pratinhos, só pratinhos, mas resultam de uma cozinha precisa e muito bem trabalhada, sempre bem acompanhada na elegância dos líquidos. O restaurante principal de João Magalhães Correia, o Tricky’s, merece igualmente visita.

  • Sírio
  • Sete Rios/Praça de Espanha
  • Recomendado

No espaço de um antigo café de bairro, o Baraa Kitchen serve cozinha síria feita sem atalhos. Baraa é uma antiga professora de Matemática que veio como refugiada para Portugal, juntamente com o marido e os filhos. A sala é pequena, o serviço próximo e informal. A carta é feita de clássicos como hummus, falafel, mutabal, farikah ou fatteh, com ingredientes autênticos. Mas não deixe de provar as chamuças ou o baba ghanoush, e beber chá sírio de cardamomo (não há bebidas alcoólicas). No final, acabe com um arroz doce, uma baklava, uma mamounia ou uns bolinhos de pistáchio, sobremesas que também se podem levar para casa.

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  • Cozinha contemporânea
  • Santos

Leandro Carreira tem um longo percurso fora de Portugal. Vive e trabalha desde 2011 em Londres, aonde chegou para trabalhar com Nuno Mendes depois de passar pelo estrelado Mugaritz, no País Basco. Este é o seu primeiro espaço em Lisboa – e está pensado para agitar as águas. A cinco minutos do Tejo, é um restaurante de peixe e marisco, mas onde quase nada é servido fresco. A maturação e a fermentação estão no centro da sua cozinha, para extrair o máximo de sabor a cada peça. Cumprindo a micro-sazonalidade dos produtos, a carta muda com frequência e inclui, sempre que possível, peixes pouco habituais às nossas mesas. Os pratos dividem-se entre crus e quentes. Dentro do Barbela funciona ainda o Bela, bar de Lula Mascella com cocktails de assinatura e menu próprio de comida.

  • Português
  • Chiado
  • Recomendado

É porventura o mais emblemático dos restaurantes com estrela Michelin no país e tudo se deve a José Avillez e à sua equipa perfeitamente alinhada. Com duas estrelas Michelin e lugar cativo no 50 Best, o Belcanto é uma experiência desde o momento em que se passa a ombreira da porta. Num ambiente simultaneamente enfático e descontraído, para que a experiência possa ser aproveitada em pleno, o chef propõe um menu de degustação de grande nível (e já não os dois de outros tempos). São 11 momentos e uma viagem pela história do Belcanto, uma mistura de delicadeza, consistência e imaginação. Para experiências mais ligeiras às mãos do chef, também no Chiado, tem o Cantinho do Avillez e o Bairro do Avillez, onde pode optar pela Taberna, o Páteo, o Mini Bar e a Pizzaria Lisboa.

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  • Chiado
  • Recomendado

O tempo passa, a família cresce e evolui, mas o Bistro 100 Maneiras mantém-se sempre certeiro. Ljubomir Stanisic inaugurou-o em 2010, no Chiado, já depois de ter o 100 Maneiras ali ao lado, no Bairro Alto, onde chegou a ter uma estrela Michelin. O nome é mesmo bistro (e não bistrô, com sotaque francês). Significa “limpo” em sérvio – no fundo, limpo de preconceitos, à semelhança do chef. Na carta, fundem-se as influências de Ljubomir em pratos pouco convencionais. De destacar o bar, logo à entrada, que não existe para complementar o restaurante: vale por si, com uma aposta forte em cocktails de assinatura.

  • Princípe Real

Desde que Louise Bourrat venceu o Top Chef francês, em 2022, o Boubou’s tornou-se um dos fine dinings mais procurados de Lisboa. Aberto inicialmente como bistrô, em 2018, foi evoluindo e hoje está na linha da frente dos restaurantes que ambicionam, com justiça, a estrela Michelin. A cozinha é internacional, mas não faltam influências portuguesas, vindas do lado materno da chef, que detém o restaurante com o irmão e a cunhada, Alexis e Agnes. Com um serviço seguro, há dois menus de degustação disponíveis, de cinco e de sete momentos, com algumas opções à carta para completar a experiência. Louise Bourrat tem um outro espaço muito recomendável, o Gancho, que a Time Out considerou o melhor novo restaurante de 2025, assim como Boubou’s Sandwich Club. Este último, à noite, transforma-se no After Dark, um izakaya com o chef Matheus Simões Martins ao comando.

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  • Chiado

O ambiente informal e os tons terra são o primeiro sinal de que este não é um restaurante como o Cura, onde Pedro Pena Bastos conquistou uma estrela Michelin. Mas o Broto também não é um restaurante tradicional, muito menos uma tasca. O serviço é cuidado, a apresentação dos pratos é exímia, os ingredientes são de alta qualidade e a preparação mostra técnica e criatividade. Tudo foi pensado ao pormenor – e isso também se sente no preço, que corresponde ao “segmento médio-alto” que o chef quer conquistar no Chiado. Ainda assim, vai encontrar na carta surpresas como pataniscas, croquetes, açorda, coscorões, molhenga de tomate, borrego à colher, farturas e leite creme.

  • São Sebastião
  • Recomendado

O Busan leva o barbecue coreano a sério. Aqui, a carne é finalizada na chapa gogi-gu-i à mesa, mas a selecção e a preparação fazem a diferença. Do Wagyu “floco de neve” à entranha Black Angus, passando por cortes de porco, cordeiro e marisco, o menu é uma aula carnívora. Há kimchi e molhos feitos na casa, vegetais frescos cortados no momento e wraps de alface para embrulhar tudo o que é proteína e levar assim à boca. O ambiente é vibrante, o serviço discreto mas cuidado, sem vaidades nem celebridades – o que é um gosto e um descanso. Resumindo em poucas palavras, o melhor BBQ coreano da cidade.

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  • Africano ocidental
  • Sete Rios/Praça de Espanha
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

Presença dominante tanto na cozinha como na sala, a Tia Alice, natural da ilha cabo-verdiana de São Vicente, é uma daquelas figuras que faz a casa. O restaurante fica nas Laranjeiras e aos almoços enche-se de uma clientela fiel que vai de escriturários a atletas do Benfica e do Sporting. Não admira. Aqui, a comida dá muita energia, sempre com pratos do dia de raiz africana, da moqueca à moamba, com passagem por Portugal (atenção ao arroz de pato de fusão cabo-verdiana ou às iscas de porco). O que nunca muda é a cachupa, que pode ser rica ou refogada (do dia anterior, com ovo estrelado). Para muitos, não há melhor em Lisboa.

  • Chiado/Cais do Sodré
  • Recomendado

Um clássico é um clássico, mesmo que entretanto até tenha mudado de mãos. Miguel Garcia, que também tem o Bougain, comprou o Café de São Bento em 2022. Fez-lhe apenas obras de renovação, não para mudar alguma coisa, mas para substituir o que estava marcado pelo tempo. A porta mantém-se fechada, a mística do espaço conhecido pela discrição também, e o bife de lombo não perdeu nenhuma das características que fez do prato um dos mais badalados da cidade há já quatro décadas. Em 2026, abriu um novo espaço em Lisboa, na Baixa, mais exactamente dentro do Hotel 1904, do Benfica. É um dos restaurantes seleccionados para o Time Out Market.

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  • Belém
  • Recomendado

No restaurante de João Rodrigues, a montra de peixe e marisco impressiona, mas carne não falta e são as favas com entrecosto que ficam na memória: leguminosa no ponto, molho perfumado de coentros, execução precisa. Pastéis de bacalhau, vieiras, percebes, gambas, pregado com pil pil ou bacalhau à Brás também se destacam. Não sendo um restaurante de bairro nem barato, a relação entre produto, técnica e preço é justa. Assumidamente ibérico, o receituário é perfeito para desmontar tradicionalistas gastronómicos em três tempos. Obrigatória é a lula de torneira grelhada e manteiga de ovelha, um clássico do chef, que está amiúde ao balcão, juntamente com Lívia Orofino, que trouxe com ele do Feitoria.

  • Indiano
  • Chiado/Cais do Sodré
  • Recomendado

No Cantinho da Paz, quase nada mudou desde a morte de Sebastião, a alma da casa e um dos grandes anfitriões da cidade no nosso tempo. É a filha, Ana Fernandes, quem mantém vivo o restaurante, lugar de predilecção dos deputados da vizinha Assembleia da República. Na cozinha, Dona Lina, continua a preparar caril de gambas com coco espremido à mão, bojés e chamuças estaladiças. O célebre chacuti resiste, tal como a bebinca artesanal. Com uma sala pequena e uma clientela fiel, este é um raro testemunho da tradição culinária indo-portuguesa em Lisboa. É para ir muitas vezes.

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  • Nepalês
  • Avenidas Novas
  • Recomendado

Tanka Sapkota, chef e empresário nepalês por trás dos premiados Come Prima e Forno d’Oro, juntou-se ao irmão mais novo, Yogesh, e à cunhada para relançar a Casa Nepalesa com redobrada ambição. A nova carta inclui produtos raros como o yarchagumba, mas vai além do exotismo: momos de excelência, tártaro de borrego, javali guisado, caris aromáticos e especiarias moídas na hora. Arroz basmati dos Himalaias, sobremesas cuidadas e chás autóctones completam uma proposta focada em produto e identidade. É uma referência da alta cozinha nepalesa na cidade e no país – porventura, em todo o continente europeu.

  • Lisboa
  • Recomendado

O Cerqueira renasceu pelas mãos de dois antigos clientes brasileiros, sem apagar o passado de tasca. Mantêm-se clássicos como o bacalhau à minhota, aqui com polme de milho e cebolada afinada, mas há recriações como língua em picles, rissol de língua ou torresmos à brasileira. Sala viva de espírito informal, vinhos bem escolhidos e uma cozinha que respeita a tradição enquanto a transforma com técnica e ambição. Este restaurante é um tesouro escondido na Colina de Sant'Ana, talhado por uma equipa cheia de talento.

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  • Peruano
  • Chiado/Cais do Sodré

Esta cevicheria da Bica nasceu de dois amores: o da lusa-alemã Katharina Goyke e do chileno Matías de Araujo um pelo outro, e o de ambos pela comida peruana. A estrela é o ceviche, seja o tradicional, com peixe branco do dia, comprado no Mercado da Ribeira; sejam as criações do chef como o nikkei, com atum, leite de tigre, yuzu-ponzu, alga wakame, edamame, amendoim japonês e abacate. Aqui, o ceviche não é uma entrada de preços carregados. É o prato principal, o único, nas suas variadas versões, e a ideia é cumprir a sua vocação popular e fazer com que deixe de ser uma excentricidade marginal.

  • Japonês
  • Cais do Sodré
  • Recomendado

Depois de ter conquistado Cascais, onde hoje é uma instituição, o Confraria estendeu a sua cozinha japonesa a Lisboa, para onde a equipa de sushimen tratou de trazer as melhores receitas da casa. No piso térreo do Lx Boutique Hotel, o sushi tradicional convive bem com as especialidades de fusão: do carpaccio 7 ervas, com salmão, peixe branco e atum aos uramaki e temakis bem recheados. Para a sobremesa, a tarte tatin não falha. Faz parte da selecção de restaurantes do Time Out Market.

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  • Lisboa
  • Recomendado

Miguel Rodrigues e Filipe Ramalho trazem a escola do Sal Grosso e do Salmoura para esta pequena taberna moderna a preços para a clientela portuguesa. Só isso já seria muito bem-vindo, mas não se fica por aí. A dupla criou aqui uma cozinha saborosa, de partilha, mas sem empratamentos mínimos, sem pretensões a bistrô e ainda assim com momentos de genialidade. Brilham a cabidela de lebre, o xerém de camarão, o arroz de berbigão e a açorda de cação, sem descurar o croquete em brioche com jus, a língua de vaca com grão e poejo, as migas com abanicos de porco e o arroz doce de sarrabulho.

  • Cais do Sodré
  • Recomendado

O Corrupio é pequeno em espaço, mas grande nos sabores. Cheio de pinta e boa música, centrado no balcão de azulejos pintado à mão, aposta no receituário português, com produtos escolhidos a dedo e referências de vinho a condizer. A canja de galinha com ovo, por exemplo, é um achado. Daí pode seguir para os pastéis de massa tenra com bacalhau, para o camarão ao alhinho em molho sedoso, para as saladas de polvo com batata doce e de orelha tenra. O frango piri-piri reinventado, o arroz de cabrito com enchidos e laranja de impacto e o peixe do dia com arroz fresco de limão e coentros merecem a nossa devoção.

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  • Haute cuisine
  • São Sebastião

A saída de Pedro Pena Bastos deixou Rodolfo Lavrador, o seu braço direito, aos comandos da cozinha do Cura, um dos restaurantes do Ritz Four Seasons, detentor de uma estrela Michelin. Familiarizado com as tradições culinárias portuguesas, o novo chef tem traçado um caminho de sustentabilidade, ligado sobretudo à sazonalidade dos ingredientes. Numa mesa onde o produto é rei, a simplicidade da matéria-prima serve de base a outros experimentos – sejam eles com sabores do mundo, ou com as últimas técnicas culinárias.

  • Português
  • Chiado
  • Recomendado

Para conseguir lugar no Das Flores convém reservar com tempo. Nem vale a pena tentar aparecer sem mesa garantida. A explicação é simples: já são poucos os restaurantes como este em Lisboa, bons e baratos. Apesar de várias ameaças existenciais devido, mantém-se firme e com uma cozinha imaculada. Os croquetes fritos na hora são obrigatórios, seja como entrada ou como prato, com arroz de tomate. Também têm fama o bacalhau ou as iscas. É tudo familiar, caseiro, bem provido. Chamamos-lhe tasca por defeito e pelos valores finais da conta, mas estamos num restaurante com guardanapos de pano e serviço irrepreensível.

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  • Português
  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade
  • Recomendado

Nesta casa courense não há prato que desiluda. Se tivermos de deixar aqui escritos alguns dos nossos pratos preferidos, somos obrigados a dizer a massada de peixe e o polvo à lagareiro, embora os grelhados sejam sempre uma aposta segura, quer de carne, quer de peixe. Na altura certa, é um dos melhores restaurantes da cidade para comer lampreia, vinda precisamente do Alto Minho. Já nos dias de cozido à portuguesa, quarta-feira e sábado, o melhor é chegar cedo porque são especialmente concorridos.

  • Xabregas
  • Recomendado

O saudoso Pistola y Corazon vive! Depois de fecharem o mexicano mais acarinhado de Lisboa na década passada, Marta Fea e Damien Irizarry recolheram-se no projecto Foodriders e em alguma iniciativas soltas. Mas estão de volta aos restaurantes e em força. No Duro de Matar, há tacos, mas não levam carne de vaca. Há aguachile, mas não leva camarão. Há tostada, mas não leva queijo. Os clássicos são reinventados e as novas criações espreitam o futuro. Embora não entrem aqui produtos de origem animal, reinam os melhores sabores mexicanos. A taqueria faz parte da selecção do Time Out Market.

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  • Carnide/Colégio Militar
  • Recomendado

Chanfana, cabrito e leitão à Bairrada digno desse nome, uma raridade em Lisboa. Muito oportunamente instalado no Norte da cidade, num bairro residencial de Carnide, está longe do circuito turístico, embora a pele estaladiça e a suculenta carne dos pequenos suínos, guarnecida de batatas fritas caseiras, valha o desvio. Comece com os croquetes de leitão, peça uma cabidela de leitão para dividir e dar variedade à refeição, invista num vinho da Bairrada e aproveite a simpatia do serviço, que no final não pagará uma exorbitância. À frente do restaurante está uma família de Cantanhede, que entretanto abriu um segundo espaço no centro da cidade, na Duque de Palmela.

  • Chiado
  • Recomendado

É esta a excepção à regra “um chef, um restaurante” nesta lista: a primeira estrela Michelin em Portugal para um restaurante 100% vegetariano. José Avillez abriu-o ao lado do Belcanto, que é onde está a génese do Encanto – isto é, a cenoura com esfera de azeitona e leite de pinhão, que se foi destacando entre pratos de carne e de peixe. O reconhecimento do guia vermelho surgiu logo no ano de abertura, como previra a Time Out, consequência de um delicioso menu de degustação, com 12 momentos preparados de forma exemplar pelo braço direito de Avillez neste projecto, o chef Diogo Formiga. Equilíbrio, técnica, textura, leveza, tubérculos, raízes, leguminosas, cereais, frutos secos… Não falta nada.

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  • Chiado/Cais do Sodré

Numa cozinha com vestígios de sazonalidade, as experiências de Bonneville cruzam diferentes inspirações e influências. Algumas vêem a luz do dia, outras não. Vamos encontrar pratos mais ou menos corriqueiros, receitas dentro da caixa, às quais o chef adiciona um factor surpresa. Comida para partilhar? Também não há esse conceito por aqui – cada um come como quer. A carta conta com dois grandes sucessos: uma tosta de paté de cogumelos e um tártaro de vaca. Entre conversas intimistas e a algazarra das mesas de grupo, o Entropia proporciona também este conforto, o da atmosfera cheia e animada.

  • Bairro Alto

No Bairro Alto, André Lança Cordeiro cruza técnica francesa com produto português, num registo preciso e contido que resulta numa cozinha suis generis. Das mãos do chef saem pratos como o vol-au-vent de lavagante e moleja ou o pithivier de novilho e trufa. Nas sobremesas, sobressaem o mil-folhas de caramelo salgado e o Paris-brest de pistáchio e yuzu. Há dois menus, um mais simples, em que cliente escolhe entrada, prato e sobremesa, e o de degustação, com seis momentos. Para ambos está prevista a harmonização, a partir de uma carta de vinhos cuidada e que foi sempre um dos cartões de visita da casa.

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  • Estrela/Lapa/Santos

O menu é curto e está afixado na porta – três entradas, cinco pratos, uma sobremesa e dois cocktails de assinatura a somar a uma carta de vinhos naturais e de baixa intervenção. O chef, Petter Nyström, construiu uma experiência gastronómica centrada no sabor. Em Portugal, descobriu novos ingredientes, deixando para trás um rol de cozinhas nórdicas – do Bagatelle, o primeiro restaurante em Oslo a ter duas estrelas Michelin, ao Holzweiler Platz, onde ocupava o posto de chef executivo. O resto é pura criatividade – em combinações improváveis de sabores e texturas que fazem o palato viajar. O espaço é pequeno e descontraído, mas convém fazer reserva.

  • Belém
  • preço 4 de 4
  • Recomendado

Em 2022, foi confiada a André Cruz uma difícil tarefa: substituir o aclamado João Rodrigues aos comandos do estrela Michelin do Altis Belém. O chef encarou o desafio de frente e hoje tem nas mãos um dos mais entusiasmantes restaurantes de alta-cozinha na cidade. Num espaço que continua a cruzar o clássico com o contemporâneo, a interacção à mesa faz-se tanto com o serviço de sala como com a equipa da cozinha, incluindo o próprio André Cruz. Os dois menus de degustação, Folha e Raiz, mais as respectivas versões vegetarianas, são fruto de um trabalho de proximidade com pequenos produtores e de respeito pela sazonalidade dos produtos, para dar nova vida aos sabores tradicionais portugueses.

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  • Campo de Ourique
  • Recomendado

A pasta fresca convence à primeira garfada, tal como os ravioli de porco preto com ricotta e molho de tomate. A carta percorre a gastronomia italiana com espargos sobre ricotta, escalope alla milanese, tártaro alla Veneziana e bruschetta de lardo di Colonnata. Nos doces, há tiramisù no copo e cannoli sicilianos. Estamos, portanto, perante um italiano a sério, sem concessões, ainda que não estejamos só num restaurante – o Fiammetta é um espécie de mercearia-garrafeira-cafetaria, com pratos do dia. Seja qual for a categoria, a carta de vinhos é sólida, o serviço atento e o ambiente geral é de um bistrô.

  • Haute cuisine
  • Parque das Nações
  • preço 4 de 4
  • Recomendado

Com a saída do multi-estrelado Martín Berasategui, assim como do seu braço-direito, Filipe Carvalho (actual chef do JNcQUOI Fish e do JNcQUOI Table), o Fifty Seconds mudou – e para o perceber são precisos muito mais do que os 50 segundos que o elevador da Torre Vasco da Gama demora levar-nos ao restaurante. Vindo do Vistas, no Algarve (então com uma estrela Michelin), Rui Silvestre afastou o Fifty Seconds da linha clássica do chef espanhol e impulsionou-o para um novo ciclo, com um menu de 14 momentos inspirado pelo mar e pelas especiarias que Portugal começou a transportar do Oriente há mais de 500 anos. Chamou-lhe 1497, o ano da partida da expedição de Vasco da Gama em direcção à Índia.

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  • São Sebastião

Depois de Madrid e Barcelona, o restaurante da família La Ancha instalou-se no hotel Me Lisboa by Meliá. A carta não é exactamente a de Espanha. Não é sequer igual todos os dias: varia consoante a estação e o produto disponível. Mais de 640 pratos já foram criados, testados e vendidos nos restaurantes Fismuler desde 2016, mas apenas 20 a 30 chegam ao menu a cada dia. A estrela é o escalope San Román, um panado XXL servido com uma surpreendente cobertura de ovo cozinhado a baixa temperatura, trufa e cebolinho. Há outros pratos que raramente desaparecem, como a bocata de orelha crocante com salsa brava, a tarte tatin de alho francês com mortadela trufada ou o robalo confitado com gazpachuelo de codium. Nas sobremesas, brilha a tarta de queso, bem cozida por fora e líquida no interior.

  • Campo de Ourique

Este cantinho de Alessandra Borsato em Campo de Ourique é uma alegria. É uma alegria a música, o ambiente contidamente conversador, a informalidade, a cerveja, o vinho (escolhido por João Marujo, do Esporão) e sobretudo a comida. Uma mistura de influências nem sempre provável, a carta é uma delícia absoluta de uma ponta à outra. O Flamma é um sítio de espetadinhas, com espírito de neo-boteco, mas a cozinha da chef brasileira, formada no País Basco e há muito em Portugal, não tem geografia, só criatividade e sabor. De uma simples espetadinha de coração pode passar para uma de milho baby com emulsão de milho frito e tajin, para outra de lula, manteiga de wagyu e pimenta calabresa, ou para outra ainda de caranguejo de casca mole frito, escabeche de cebola nova e tamarindo. Vai ser difícil parar. A abrir, são obrigatórios os boñuelos e os picles com gema cremosa.

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  • Português
  • Santa Maria Maior
  • preço 3 de 4
  • Recomendado

Poucos lugares têm a capacidade de deslumbrar como o Gambrinus. Na mais célebre casa das Portas de Santo Antão, tudo acontece à boa maneira antiga, seja ao balcão ou nas mesas do restaurante, apesar de a experiência ser bem diferente. Se o balcão proporciona a proximidade, na sala, muito procurada pela elite lisboeta, fica-se mais recatado. Não se deixe intimidar pela porta fechada e pelo peso da história. Um croquete, um prego e uma tulipa não lhe vai sair caro, e leva daqui a garantia de que é a melhor refeição rápida da cidade. Se quiser aventurar-se na carta, onde mais é que encontra empadão de perdiz ou de lagosta e crepes Suzette?

  • Beato
  • Recomendado

O Garrincha entra em campo com ambição, talento e serviço muito simpático. Ao contrário do que parece, não é um restaurante brasileiro. Num espaço simples, de antigo snack-bar, aproxima Mediterrâneo e Médio Oriente sem cair na fusão fácil. Há momentos de grande nível, como o tomate coração de boi com pasta de amêndoa e queijo, as bruschettas de anchova e pimentos ou de lingueirão e espargos, a raiz de aipo com queijo azul da Arrábida e pinhões, e a stracciatella com pêra em vinho branco. Comida de conforto com técnica, ousadia, sabor e uma óptima relação qualidade/preço. A carta de vinhos está à altura.

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  • Japonês
  • Avenidas Novas
  • Recomendado

Tem lugar cativo na lista dos melhores japoneses de Lisboa, mesmo quase passando despercebido. Desde que abriu em 2015, pelas mãos de uma equipa de antigos discípulos do Aya – há, inclusive, um destaque no menu em homenagem ao restaurante que foi uma grande escola de cozinha japonesa em Portugal –, que o Go Juu respeita a cozinha tradicional japonesa, com produtos sempre frescos e uma técnica tão apurada quanto delicada. A experiência ao almoço e ao jantar é diferente e também por isso os menus omakase são apenas servidos à noite, ao balcão.

  • Nepalês
  • Lisboa
  • Recomendado

Por fora, o Grill n’Chill engana. Parece uma churrasqueira banal, mas é um dos nepaleses mais vibrantes de Lisboa. Ao domingo enche-se de famílias nepalesas, a cozinha fervilha e o carvão nunca descansa. Brilham as chamuças sequinhas e fritas em óleo limpo, os pani puri explosivos, o chatpat crocante e ácido, e sobretudo os momos, dos melhores da cidade. Nas brasas, as sekuwa de frango marinado e as de porco gordo confirmam o talento. Cerveja Lukla a acompanhar, kulfi e gulab jamun no fim. Autêntico, festivo e memorável.

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  • Hambúrgueres
  • São Sebastião

À pergunta “onde é que se come um bom hambúrguer em Lisboa?”, a resposta é quase sempre imediata e consensual: Ground Burger. E não é para menos. Por mais hambúrgueres que possamos comer, há algo que continua a distinguir os exemplares deste restaurante colado à Gulbenkian (e também no Time Out Market e em Santa Apolónia). Pode ser o brioche feito em casa pelo menos duas vezes por dia e que chega à mesa ligeiramente torrado, pode ser a carne certificada Black Angus, ou até as batatas impecavelmente fritas, com alho e alecrim. O que é certo é que nestes hambúrgueres artesanais, qualquer aposta é segura.

  • Português
  • Campo de Ourique
  • preço 1 de 4
  • Recomendado

Se em Lisboa há casa mais minhota do que esta, não a conhecemos. E muito se deve ao senhor João, a alma do restaurante, bem como a dona Adelaide, que toma conta da cozinha como ninguém. Sem qualquer pretensiosismo e com toda a simpatia, o casal natural de Ponte da Barca recebe-nos como se da família fizéssemos parte – e a magia é que isto vale tanto para clientes de sempre como para alguém que ali chega pela primeira vez. Dependendo dos dias, há bacalhau à minhota, chanfana, cozido à portuguesa ou cabrito. Na altura certa, também a lampreia se consegue.

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  • Japonês
  • Chiado/Cais do Sodré

Entre as músicas de Dr. Dre, Snoop Dogg ou Missy Elliot ouve-se “Sim, chef!” – em coro, sem falhas. A cozinha aberta é o palco e o espectáculo frenético a que se assiste do balcão com cadeiras altas, sob as luzes vermelhas e azuis dos neons, convida a bater o pé, a trocar os pauzinhos pelas mãos e a beber mais um cocktail de saké. Reconhecemos o ambiente: também é assim no Izakaya original, em Cascais. Lisboa ganhou o seu próprio Izakaya numa antiga fábrica de cerâmicas transformada em taberna japonesa. Maior em área e em lugares sentados, o projecto de Tiago Penão mantém o ADN intacto, apesar de novidades como as mesas viradas para o balcão, a grelha a lenha e pratos como a gyutan sando, uma sandes de pão brioche com língua de wagyu. 

  • Lisboa

O campeonato das pizzas em Lisboa mudou muito, com massas com 48 ou 72 horas de fermentação, rebordos altos e toppings sem medo, incluindo ananás. A Jezzus entra nessa competição com ambição (e muita cor). Nas opções, a Margherita é bem equilibrada, com massa leve; a de presunto é sustentada por bom produto alentejano e pistáchio; e a Oh, Pear é muito feliz no casamento entre pêra, queijo de cabra e amêndoa. A base é fina no centro e estaladiça, com carácter. Corta-se com uma tesoura e acompanha-se com vinho, cuja carta também demonstra arrojo. 

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  • Avenida da Liberdade

Há um antes e um depois do JNcQUOI em Lisboa. Se hoje são muitos os restaurantes bonitos, cheios de onda, com balcões vistosos, em 2017 não era bem assim. E a qualidade da comida, do produto à execução, não fica nada atrás. António Bóia, chef executivo do Amorim Luxury Group, é um zelador da cozinha tradicional, ainda assim acrescentando à carta propostas internacionais. Entre o restaurante, onde se destaca o esqueleto de um velociraptor, e o Delibar, com um balcão com 48 lugares, e a esplanada, há menus distintos, mas uma das mais-valias é o facto de tudo poder ser pedido em todo o lado. Até aqueles pratos que o JNcQUOI costuma receber de restaurantes regionais de todo o país, da lampreia à cabidela. Também na Avenida, o JNcQUOI Asia, o Frou Frou, o Fish e o mais recente e gastronomicamente ambicioso, o Table, são boa prova da fibra do grupo.

  • Belém
  • Recomendado

Não é possível falar da gastronomia japonesa em Portugal sem referir Paulo Morais, decano da cozinha oriental. No pequeno restaurante aberto por Tomoaki Kanazawa, que quando regressou ao Japão, em 2017, escolheu Paulo Morais para o seu lugar, o chef homenageia a tradição nipónica como se fosse a sua. Com apenas oito lugares ao balcão, serve cozinha kaiseki, que tem como pontos fundamentais a sazonalidade e a qualidade do produto. Há quatro menus de degustação, num ritual pensado ao detalhe. A estrela Michelin do Kanazawa chegou no final de 2022, quando Paulo Morais já não a esperava.

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  • Bairro Alto
  • Recomendado

O Karater mostra por que razão a cozinha da Geórgia é a jóia do Cáucaso: técnica, especiarias, nozes, romã, vinagres vivos e vinho de ânfora. A carta é vasta e pede guia, mas compensa: beringela crocante com mel de castanha e sal de Svaneti, khinkali suculentos, borrego em vinho âmbar com estragão verde, fermentados e adjika. A selecção de vinhos georgianos é um trunfo, sobretudo os âmbar secos. A fechar, não pode deixar de experimentar o Napoleão, sobremesa de inspiração francesa, montada com elegância na hora. Com um serviço caloroso, esta é a melhor montra da cozinha georgiana em Lisboa.

  • Grande Lisboa

A sanduíche japonesa katsu sando está na origem do nome, mas a carta não se fica por aí. Por muito que adorem uma boa katsu, os amigos Rais Gainullin e Ilya Mochalin queriam abrir um pan-asiático, com clássicos e reinvenções à mistura. Há muito para provar e facilmente qualquer um dos pratos desperta curiosidade. As nossas recomendações vão para o tataki de charuteiro com toranja, laranja, chalota e coentros, e para o tataki de atum braseado com molho de tomate assado. São tão bons como soam. A katsu de bacalhau e o frango crocante com molho agridoce e ananás, de inspiração coreana, não ficam atrás. 

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  • Chinês
  • São Sebastião
  • Recomendado

O Kuwazi funciona na cave de um velho centro comercial – e isso já é uma descoberta. Yi Yang costumava servir esta mesma comida, do Nordeste da China, num clandestino na Mouraria. Aqui está tudo de acordo com a lei portuguesa, embora mais valoroso seja o facto de estar tudo de acordo com a lei gastronómica da sua terra natal. Com sabores pouco domesticados, a carta inclui noodles caseiros, guo tie bem tostados, espetadas temperadas com cominhos e malagueta, pratos de caçarola e sopas substantivas. As unhas de porco grelhadas? Obrigatórias. Há opções de borrego, porco, frango e vegetais.

  • Italiano
  • Avenida da Liberdade
  • Recomendado

Casa de comida italiana autêntica, sem floreados e pouco convencional para os nossos hábitos, o Libertà tem ao leme Silvio Armanni, chef da região de Bérgamo com passagem por vários Michelin (o último em Hong Kong). O restaurante destaca-se nas massas frescas caseiras: tagliatelle com ragu de coelho, azeitonas e pinhões, raviólis de tomatada e limão confitado. E, quando chegar a hora dele, o popular tiramisù não falha. Mas se há prato que dificilmente encontrará noutro sítio da cidade, assim como mandam as regras, é o minestrone, uma tradicional sopa de entulho italiana. Parecendo que não, é o tipo de coisa que nos enche o coração. O Libertà integra o Time Out Market, em formato “pasta bar”.

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  • Estrela/Lapa/Santos
  • Recomendado

Sem carta, sem regras e apenas com matéria-prima portuguesa de produtores que Alexandre Silva conhece bem. É assim este estrela Michelin. O menu não desvenda nada do que vem para a mesa, mas deixa pistas: “O Loco é orgânico, valoriza os produtos nacionais e a natureza. Vive ao sabor das micro estações, inspira-se na tradição e nas referências identitárias da gastronomia nacional, mas subverte e eleva-as a um outro nível conceptual (...). O Loco é uma corrente criativa constante, uma atitude”. Pode confiar. São 16 momentos ao todo. Para uma refeição mais descontraída, Alexandre Silva tem o FOGO.

  • Pizza
  • Cais do Sodré
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

Quando abriu em 2019 no Cais do Sodré, Duda Ferreira não foi tímido na apresentação. “Quero fazer a melhor pizza de Lisboa”, clamava. Quase cinco anos depois, o pizzaiolo conseguiu efectivamente tornar-se numa referência. O rebuliço na esquina da Rua de São Paulo dá disso conta. O segredo podem ser as combinações menos convencionais em pizzas de fermentação lenta e natural, mas também a escolha a dedo dos ingredientes – preconceitos à parte, o ananás vai muito bem com mozzarella, queijo do Viso, bacon, picles de cebola roxa e coentros. Para comer ali, levar para o jardim ou pedir em casa.

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  • Parque das Nações

Ao fim de 27 anos a servir a melhor comida cantonesa da Linha, o Mandarim abriu um segundo restaurante, dentro do Casino Lisboa. A carta inclui sopas, mariscos e especialidades de barbecue chinês, mas também novas receitas pensadas por Ku Yan, chef de origem malaia. As sopas de noodles, ou massas ensopadas, segundo reza o menu – nas versões com carne de vaca, porco, marisco picante e wonton de camarão –, são novas entradas. Os dim sums também têm uma secção própria, embora incomparável ao rol de opções de quem almoça no Estoril. Há fritos, como o trio de bolinhos de carne de porco e camarão seco, e ao vapor, caso do Xiu Long Bao, ou bolinhos de porco.

  • Frutos do mar
  • Santa Maria Maior

Manuel Aguiar tem décadas disto e é sem falsas modéstias que se apresenta como uma das pessoas que mais sabe de marisco em Portugal. No coração da Lisboa turística, criou uma marisqueira com produto escolhido a dedo – frescura é o lema da casa – e um serviço de excelência. Amêijoas, gambas, lingueirão (aqui, canivetes), camarão (tigre e do Algarve), carabineiro, sapateira, lagosta, lavagante. Nada falha. Quando é tempo deles, também há percebes das Berlengas, cavacos dos Açores e santolas. No resto da carta, encontra peixe grelhado, pica-pau do lombo ou o inevitável prego de novilho. A Marisqueira Azul faz parte da selecção do Time Out Market.

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  • Alfama
  • Recomendado

Sala sóbria, serviço cuidado, comida de grande nível. O fine dining de Marlene Vieira demorou a abrir, mas cumpriu todas as expectativas – e a estrela Michelin não tardou. Com a cozinha ao centro, balcão ao redor, está tudo à vista neste elegante e discreto restaurante da chef, que aqui cruza sabores tradicionais portugueses, as suas memórias, com o gosto internacional. Existem dois menus de degustação (de nove e 12 momentos), embora os pratos não se anunciem. Depende dos fornecedores, dos produtos do dia e da criatividade do momento. Pode chegar à mesa uma filhós de foie gras e profiterole de Azeitão, uma tarte de percebes ou um linguado com espargos brancos em molho sedoso. A carta de vinhos é criteriosa e acessível. Na porta ao lado, mais em conta, mais colorido, mais informal, Marlene Vieira tem ainda o Zunzum. No Time Out Market, integra a ala dos chefs.

  • Xabregas

A proposta não é nova para a restauração lisboeta, nem para Bernardo Agrela, que por sua vez também não é novo nesta casa, que reabriu no final de Setembro de 2025. Depois do pop-up na altura da pandemia, durante a primeira vida da Casa Capitão – quem lá esteve dificilmente esquecerá as bolas de Berlim recheadas com língua de vaca estufada –, o chef volta com Mesa, projecto assente em duas cartas: as sanduíches, que também são servidas no bar, e uma ardósia com inscrições voláteis, onde interpreta receitas tradicionais portuguesas, constrói pratos a partir de ingredientes-estrela e reaviva memórias pessoais. Aos sábados há cabidela.

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  • Sírio
  • Lisboa
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

O restaurante que nasceu pelas mãos da associação Pão a Pão com a nobre missão de integrar refugiados sírios que fugiram à guerra no seu país continua a ser uma óptima mostra do melhor que se come no Médio Oriente. No Mercado de Arroios, a carta é pensada para se partilhar – e Mezze significa isso mesmo, uma refeição de partilha, com amigos ou família. Ora há borek, como mujaddara (um estufado de bulgur e lentilhas com cebola frita) ou laham kharouf (carne de borrego cozinhada lentamente, com especiarias) e pão, ou não tivesse tudo começado por aí.

  • Chinês
  • Martim Moniz
  • Recomendado

É uma das melhores cantinas chinesas da cidade, tal como o vizinho da frente, o Dawanmian. Sem carta, sem serviço de mesa e, especialmente, sem chop suey: escolhe-se no balcão frigorífico e o wok trata do resto. Produto fresco, A clientela é maioritariamente chinesa e o ambiente austero, mas não se deixe perturbar pelo contexto. Com produtos frescos vindos da cadeia de distribuição que é todo o Martim Moniz, tem pratos imperdíveis à sua espera: as lulas com picles de couve, a beringela roxa com pasta de feijão e carne picada, o entrecosto frito e as sopas de noodles, sobretudo a de vaca com tendões e caldo anisado. Autêntico, intenso, barato. Ao jantar, atenção: fecha cedo.

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  • Japonês
  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real

Com mais de 30 restaurantes em todo o mundo, Olivier da Costa soma dez conceitos de gastronomia. O Yakuza era, até há pouco tempo, o único japonês do grupo, mas o luxuoso Mimi juntou-se à festa. Aqui, a filosofia é o omakase, em que o cliente se entrega nas mãos do chef. Sim, desta vez há um chef a dar o nome e a cara, o que não costuma acontecer nos restaurantes de Olivier: Alex Hatano é quem brilha atrás do balcão, orquestrando a equipa, trabalhando os enormes e fresquíssimos peixes, e coordenando o jantar de 12 momentos (mais um, o tal mimi-nho) de forma discreta e metódica, mas também próxima e descontraída. De Olivier da Costa, mantenha ainda no radar o ÀCosta e o XXL 

  • Português
  • Cais do Sodré
  • Recomendado

O Monte Mar é uma instituição em Cascais, com mais de 50 anos de vida. Para o Cais do Sodré trouxe a fama e o proveito de um oceano que nunca falha na hora de dar bom peixe e marisco. Troca-se a vista-mar por vista-rio e não se troca mais nada: a carta é igualzinha nas duas moradas, tal como é o serviço impecável, à antiga. Os filetes de pescada com arroz de berbigão são as estrelas da casa (e também brilham no Time Out Market), mas há muito mais para explorar: da açorda de gambas à cataplana de marisco ou, espante-se, as iscas à portuguesa. 

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  • Frutos do mar
  • Belém
  • Recomendado

A Nunes Real Marisqueira é uma casa renovada. Subiu o nível em tudo. O espaço é bem maior e a decoração exuberante, com dourados reluzentes tons, sofás de veludo, colunas, frisos, luxuosos candeeiros. O preço acompanhou. O marisco nacional continua a ser a aposta, mas a carta evoluiu e, com produto sólido e um serviço irrepreensível, é também no prato que se justificam contas mais pesadas. Brilham as amêijoas à Bulhão Pato, o casco de santola, as puntillitas de fritura exemplar e os filetes de peixe-galo com açorda de ovas. Entre novidades, destaque para o “prego” de lavagante à basca.

  • Português
  • Castelo de São Jorge
  • preço 2 de 4

É a mais famosa das neo-tascas lisboetas – e com excelentes razões para isso. Mesmo  após obras estruturais, O Velho Eurico manteve a alma de tasca punk, com música alta,  serviço frontal, mas agora com uma cozinha maior e mais organizada. Há menos mesas (um drama para um restaurante com uma lista de espera de meses). Por outro lado, passou a existir um balcão e, na segunda sala, dois lugares à janela. Clássicos como os croquetes de borrego, o bacalhau à Brás e o arroz de pato são agora acompanhados por novidades como o prego, a morcela de arroz com puré de nabo, as ervilhas com entrecosto ou o atum de cebolada. Zé Paulo Rocha e Fábio Algarvio não têm mãos a medir. Ainda bem.

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  • Estrela/Lapa/Santos
  • Recomendado

Começou com um balcão de sete lugares em Alcântara e nem a mudança de morada o tornou maior, também porque a ideia nunca foi crescer em tamanho, mas sim em condições. Agora, na Lapa, são dez os lugares ao balcão. A experiência mantém-se intimista e fiel à história que se propôs a contar no início: servir um menu omakase com 15 momentos, que pode variar todos os dias consoante o que estiver disponível no mercado. Trabalha-se a cura do peixe, embora sem manipular demasiado o produto.

  • Lisboa
  • Recomendado

É a Joaquim Saragga Leal que devemos a Taberna Sal Grosso, de onde saíram alguns dos chefs, cozinheiros e taberneiros modernos que têm dado que falar, de Zé Paulo Rocha (O Velho Eurico) a Pedro Abril (Musa). Depois de ter deixado o restaurante em Alfama, rumou ao Alentejo. Três anos volvidos, decidiu regressar para transformar o antigo restaurante Os Papagaios numa taberna à sua imagem. Há uma certa desarrumação na casa e os pratos anunciam-se na ardósia, mas na cozinha trabalha-se o produto como artesanato. De lá saem pratos como o xerém com rissóis de berbigão, o pica-pau de atum, o rabo de boi ou umas tenras favas. O pudim Abade de Priscos e a mousse fecham a refeição em alta.

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  • Nepalês
  • Baixa Pombalina
  • preço 2 de 4

O Oven prova que um indo-nepalês pode fugir ao clichê das natas e dos pozinhos. Hari Chapagain assume-se como chef e trabalha o tandoor à vista, de onde sai um naan digno e umas costeletas de borrego suculentas, fumadas no ponto. Outros pratos na carta incluem robalo frito (crocante e húmido) ou o vindaloo de camarão (com profundidade e picante a sério). A sala é elegante, o ambiente sofisticado e o serviço atento, com o chef a criar uma ligação genuína aos clientes. Chapagain trocou o Nepal pela Europa aos 23 anos. Passou pela Alemanha, por Espanha e, em 2015, criou raízes em Portugal. Seis anos volvidos, e após uma passagem pelo Yakuza, concretizou o seu sonho: abrir um restaurante próprio. É o único nepalês no guia Michelin português e faz parte da selecção do Time Out Market.

  • Cais do Sodré
  • Recomendado

No Bairro Alto, tornou-se num lugar de culto, destino de meia Lisboa e de muitos nomes internacionais (de Catherine Deneuve a Robert de Niro), que dali saltava para o Frágil e, mais tarde, para o Lux. O Pap’Açorda resistiu ao teste do tempo e, mais do que isso, à mudança de morada. Muitos desconfiaram que no primeiro piso do Time Out Market não mais seria o mesmo. Mas eis que o legado continua com os empregados e a chef de sempre, Manuela Brandão. Assim como continuam a conquistar-nos os pastéis de massa tenra, a açorda de gambas e as costeletas de borrego. Nas novidades, há canja de rabo de boi com rabanadas de vinho do Porto, empadão de sapateira e sopa de mexilhão folhada.

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  • Italiano
  • Lisboa

O nome e a montra não ajudam, mas lá dentro serve-se provavelmente a melhor pasta honesta e barata da cidade. O responsável por esse feito é João Frazão, que se apresentou publicamente como concorrente do Masterchef em 2022. Se no programa já revelava queda para as pastas, aqui conquista-nos com o seu tortiglioni com pistáchio e citrinos, ou com o seu ragu com manteiga queimada, feta, kale e morilles (sim, morilles). Há técnica na cozinha, mão segura nas massas e contas controladas. Num cenário de preços inflacionados, só isto é ouro. O segundo espaço do Pastaria abriu no Príncipe Real.

  • Português
  • São Vicente 
  • Recomendado

Em poucos sítios de Lisboa encontra bom marisco a este preço. Percebes, amêijoas, camarão, sapateiras, navalheiras, santolas, lagostas… O arroz de marisco é um ex libris da casa e a dose para dois serve três à vontade (daí também o sucesso). E ainda há os pratos do dia: cabidela, mão de vaca, cozido à portuguesa. A Penalva não é perfeita, mas faz falta. Tanto é um restaurante para almoços honestos como para tainadas das antigas, tanto é para beber um copo e petiscar como é para aquelas mariscadas breves de final de dia antes de recolher a casa. Talvez nem seja um restaurante, talvez seja a sede da resistência.

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  • Português
  • Avenidas Novas
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

No Petisco Saloio, tradição e técnica dão as mãos. Ao almoço, o menu fixo é um achado: coelho à caçador apurado, feijoada de choco tenra, vinho da casa e mousse densa, tudo generoso e a preço raro. À noite, a petiscaria sobe de nível: xerém de camarão profundo, croquetes de alheira impecáveis, ovos rotos com farinheira e empada de rabo de boi bem trabalhada. A carta de vinhos é curta e afinada. Fazendo as contas, são dois registos, a mesma consistência, relação qualidade-preço exemplar. Sem subterfúgios, cinco estrelas.

  • Petiscos
  • Campo de Ourique
  • Recomendado

Miguel Azevedo Peres tem uma das poucas casas do país que respeita o princípio “nose to tail”. Quer isto dizer que o animal é sacrificado, mas todo aproveitado. Uma nobre e difícil missão, que vai mais longe: há uma atenção redobrada na escolha de produtores, procurando sempre trabalhar com agricultura regenerativa. Em simultâneo, enobrecem-se partes do animal habitualmente menosprezadas. No caso, o porco. Deixe os preconceitos em casa e arrisque nuns pezinhos de coentrada, em mioleira, túbaros ou orelha, sempre cozinhados de formas inesperadas. Só não saia sem pedir a bifana porcalhona.

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  • Avenida da Liberdade/Príncipe Real
  • Recomendado

Um ponto de encontro de influências gastronómicas e técnicas de todo o mundo, do Brasil da chef Liz Almeida ao País Basco, da Alemanha e da Áustria ao Médio Oriente, da Europa de Leste aos EUA e ao México, sem esquecer Portugal e os produtos nacionais. O Pils define-se como um beergarden, porque só em torneiras de cerveja e sidra contam-se 24, e porque nos meses de sol há um jardim na parte de trás do restaurante. Mas é mais do que isso. Numa sala animada, luminosa e verdejante, chegam à mesa grandes pratos como o surpreendente “pastrami da Liz”, croquetes de camarão, arroz de pato fumado, porco saloio, cachaço fumado ou bochechas de vaca com couve grelhada. Uma felicidade contínua.

  • Santa Maria Maior
  • Recomendado

Após três anos de uma profunda obra de remodelação e modernização, o Pinóquio regressou aos Restauradores e devolveu à praça a sua coreografia habitual: esplanada cheia, fila à porta, aquário de marisco à entrada, pica-pau a sair sem parar. O espaço está maior e há um piso inferior novinho em folha, mas esta cervejaria mantém-se fiel à sua identidade de sempre. Mantêm-se as amêijoas à Bulhão Pato, o bife do lombo pica-pau, os fartos arrozes de marisco. Apesar da afluência, o serviço está bem oleado, pelo que é uma óptima alternativa para jantar antes de um espectáculo no Coliseu ou no Politeama. Faz parte da selecção de restaurantes do Time Out Market.

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  • São Vicente 

Dificilmente alguém respira tanto a sua terra como Vítor Adão. O chef saiu de Chaves há já uns bons anos, mas nunca esquece as raízes. Pelo contrário. No Plano, restaurante de fine dining escondido na Graça, dá palco a muitos produtores da zona. Nos pratos conta-nos as histórias da terra e das suas gentes, interpreta-as, dá-lhes assinatura, sempre com o máximo respeito pela tradição. Depois segue viagem: os menus de degustação percorrem todo o país. Tem dois à escolha, um de sete e outro de dez momentos, que vão mudando entre estações. Existe um terceiro, servido a céu aberto no extraordinário jardim do Plano. Neste caso, são cinco momentos de inspiração internacional com harmonização.

  • Lisboa

Já lhe chamaram muitas coisas: neo-tasca, tasca moderna, fine dining com pratos de tasca. António Lobo Xavier não se fica por nenhuma das definições. Decide antes chamar o seu restaurante pelo nome: Polémico. O ambiente é descontraído e, na base de cada prato, estão três coisas muito importantes para o chef: um produto de qualidade, uma abordagem simples e um preço acessível. A carta muda regularmente e há apenas duas propostas que se mantêm sempre: a alga crocante com tártaro de novilho e gema curada e a Maria, uma sobremesa de bolacha que vai buscar o seu nome à avó do chef.

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  • Chiado

Com provas dadas no país vizinho, o Ponja Nikkei conta a história da fusão japonesa e peruana que deu origem à cozinha nikkei. No menu não faltam, claro, os ceviches, como o clássico de corvina marinada em leite de tigre, batata-doce, cebola roxa, choclo, canchita (pipocas de milho), e óleo de coentros, assim como os tiraditos. Há nigiris e sashimi, mas também pratos quentes como um lombo salteado com mandioca. Para beber, o pisco é a estrela da companhia – o bar, aliás, está aberto todo o dia.

  • São Sebastião
  • Recomendado

Sandra Ruiz é a mais nova de quatro irmãs. Na Cidade do México, onde cresceu, eram as mais velhas, juntamente com as avós e a mãe, que se ocupavam da cozinha. Sandra observava, cortava cebola e, no final, limitava-se a levantar a mesa. Mal sabia que, anos mais tarde, ainda se lembraria dessas receitas e que as utilizaria para abrir um restaurante em Lisboa. O Potzalia esconde-se dentro de um centro comercial improvável, mas lá dentro há México a sério, de rara autenticidade, com magníficos molhos, jalapeños rellenos, tortilhas, pozole e, alma da casa, uma dezena de óptimos tacos. Imperdíveis? Língua e cochinita pibil. Feche em beleza com o pudim de goiaba e o quatro leches.

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  • Cozinha contemporânea
  • Castelo de São Jorge

Hoje, toda a gente fala da sazonalidade, menciona produtores e promove a sustentabilidade, mas nada disso era comum quando António Galapito abriu o Prado, em 2017. Essa militância fez com que o restaurante junto à Sé conquistasse facilmente uma legião de fãs, entre os quais boa parte dos gastrónomos e foodies da cidade, e profissionais da área. Com uma carta curta, é o produto, quase sempre vindo de pequenos produtores, a ditar os pratos, sem artimanhas. Mais tarde viria também o menu de degustação, sem outras pretensões que não a da boa comida com boa matéria-prima e muita técnicas.

  • Italiano
  • Avenidas Novas
  • preço 3 de 4

No bonito restaurante do Grupo Non Basta, o foco está na comida italiana, mas a carta vai muito além das massas. Aqui, a cozinha mediterrânica brilha com os ingredientes nacionais, muitos deles vindos da horta do grupo, em Oeiras – o nome não é um acaso, é uma forma de trazer o campo para a cidade. O que significa que tanto se podem comer umas ostras de Setúbal como uma burrata e vegetais no carvão, para começar, e um bife de espadarte com molho de manteiga e puré cremoso de aipo bola para acabar. Se puder, sente-se ao balcão.

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  • Benfica/Monsanto

Com passagens por espaços como a Taberna do Calhau ou a Isco, André Andrade e Victor Hugo Sintra decidiram mudar de vida e tomar conta de uma cafetaria no mais inusitado dos sítios, o interior do Complexo Desportivo de Benfica. A dupla criou um menu de almoço, com pratos do dia, sandes, saladas, quiches e sopa, que seduziu de imediato o bairro. Os pratos mudam todos os dias e raramente se repetem. Pode ser moqueca de pescada, ervilhas com ovos escalfados, moussaka, arroz de moelas, xerém de cogumelos, caril japonês… A sopa vai do creme de legumes à ajoblanco espanhola. Já as sandes, com pão da Massa Mãe, podem ser de ovo com farinheira, couve-flor assada ou sardinha braseada. Os produtos são todos comprados nas imediações. E os preços anti-gentrificação fazem deste um projecto único na cidade. Comida de chef por dez euros ou menos? Contem connosco.

  • Frutos do mar
  • Intendente
  • Recomendado

Percebes carnudos, ostras frescas, carabineiros impecáveis, santola honesta e prego do lombo sempre certeiro. Casa de culto lisboeta, o Ramiro transformou-se num fenómeno global depois de uma visita de Anthony Bourdain – e a fila nunca parou de engrossar. A espera – a qualquer hora do dia – é um problema. É preciso tirar senha numa maquineta e aguardar que o número seja chamado, como numa repartição qualquer. Mas, uma vez lá dentro, compensa. Se compensa! Num ambiente de caos organizado, de Torre de Babel, é tudo servido com qualidade, eficiência e atenção, até para que nunca falte cerveja na mesa.

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  • Chiado/Cais do Sodré

No Rumi, as especialidades das cozinhas palestiniana e turca não se fundem – apenas convivem numa mesma e extensa carta, cheia de opções para partilhar. A começar pelo mezze, batalhão de entradas servidas nas cozinhas grega, turca e do Médio Oriente. Não faltam clássicos como húmus, aqui enriquecido com pinhões torrados, o labne ou a própria moussaka, aqui em versão vegana, com cogumelos. No segundo separador, a intensidade sobe de tom – o ali nazik, um puré de beringela fumada, iogurte e alho, ou os rolinhos de musakhan, de massa filo, levemente fritos, com recheio de frango desfiado, cebola caramelizada, pinhões e sumac. Da Turquia chega a Adana kebab, espetada de carne de borrego e vaca, servido com cebola e pimentos assados.

  • Italiano
  • Estrela/Lapa/Santos
  • preço 2 de 4
  • Recomendado

Neste restaurante, tudo começa com massa fresca feita à mão e uma ideia clara: mostrar Itália longe dos seus estereótipos. Valentina Franchi prepara receitas ultra tradicionais, regionais, começando pelo Norte mas com ambição de percorrer o país, respeitando a sazonalidade. Há tortellini em caldo ou creme de parmesão, tagliatelle com ragu, tortelloni à bolonhesa e bigoli com ragu branco de pato. Para partilhar, a imponente costeleta petroniana, além de bochecha braseada e língua com pesto. Uma Itália séria, sem filtros – talvez daí o nome, Ruvida, que em português significa áspero.

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  • Japonês
  • Chiado/Cais do Sodré
  • Recomendado

Depois de ter saído do Praia no Parque, Lucas Azevedo voltou com um restaurante sem rótulos, mas com um grande balcão. Abriu praticamente sem sushi, mas os clientes que o conheciam de outras andanças estavam com tantas saudades que o chef reformulou a carta para incluir várias opções de sashimi, temaki, futomaki e oshizushi. No entanto, a katsu sando continua a ser a protagonista. Destaque ainda para pratos como a enguia, servida com arroz branco e gema de ovo, o coração de alface com molho pirikara, o tártaro de carapau com tofu frio e shiso, a lula com togarashi, ou a beringela com miso e o frango karaage.

  • Areeiro/Alameda
  • Recomendado

Se nunca provou pimenta de Sichuan, pode comprar para experimentar no recato do lar ou aventurar-se e ir directamente ao Sabores do Sichuan. Esta “loja” minúscula, de um casal de Chengdu, serve o verdadeiro efeito mala: o “ma” da dormência provocada pela pimenta aliado ao “la” picante da malagueta. Destaque para os wontons em caldo escuro e vibrante, noodles artesanais, elásticos e firmes, em versões com vaca ou tripas, além de pratos frios como a salada de vaca com pepino e coentros. Uma autêntica viagem ao sudoeste da China a preços muito em conta. Com a vantagem de o atendimento ser uma simpatia.

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  • Cais do Sodré

Referência nacional e mundial para apreciadores de carne, a Sala de Corte é o único representante português no World's Best Steak Restaurants, ranking internacional que integra desde 2023. E bem. Com carne de primeiríssima linha, cortes tentadores e uma maturação feita na casa, tudo o que chega à mesa é irrepreensível. A acompanhar a carne, pratinhos como o Brás de cogumelos, o puré de trufa, as batatas de dupla fritura ou o esparregado. Luís Gaspar, chef a quem devemos ainda as cartas do Brilhante (mais caro) e o Pica-Pau (mais barato), merece um altar. Não dispense o croquete, um dos melhores de Lisboa, e o foie gras nas entradas. Com mais de 100 lugares, entre a elegante sala, o balcão e uma esplanada interior, o serviço é exemplar.

  • Europeu contemporâneo
  • Santa Maria Maior
  • preço 3 de 4
  • Recomendado

Foi um dos grandes e justos vencedores na primeira gala do Guia Michelin Portugal, em 2024, quando conquistou a estrela, e no discurso de agradecimento João Sá acabou a resumir na perfeição o Sála: “É um restaurante independente, pequenino, mas ambicioso”. A cozinha faz-se de misturas. Uma viagem gastronómica que começa em Lisboa e se estende a outras latitudes, da Índia a África. Já por lá se provou muamba, moqueca, caril, tom yum, mas também caldeirada ou coentrada. Há dois menus de degustação, um de cinco e outro de oito momentos, com os produtos do mar em grande destaque.

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  • Chiado
  • Recomendado

Chama-se peixaria moderna, mas é já um clássico da cidade. A montra de peixe fresco, de apanha diária, fica ao fundo – e dali as peças podem ir para a grelha ou para sushi. Se não quiser escolher, entregue-se nas mãos de quem sabe, Elísio Bernardes, e descubra o peixe à sua medida em nove momentos. Umas portas ao lado, encontra o Sea Me Next Door. Se na casa-mãe a ideia é deixar-se estar e descobrir o peixe além do marisco, neste espaço o marisco e os petiscos são as estrelas e está pensado para refeições mais rápidas. Em qualquer um dos restaurantes, não deixe de provar o nigiri de sardinha assada e o gunkan de robalo e amêijoa. O Sea Me ganhou em 2025 uma nova morada em Alvalade e faz parte da selecção do Time Out Market.

  • Asiático contemporâneo
  • Alvalade
  • preço 3 de 4
  • Recomendado

Japão, Índia, China, Vietname, Coreia ou Tailândia, eis alguns dos países por onde passa a carta do Soão, um pan-asiático que dispensa truques de fusão e trabalha com produto sério e técnica afinada. Dir-se-ia que é um restaurante atípico num bairro típico. O ambiente é o de uma taberna asiática, com madeira tosca e candeeiros que são redes de pesca. Da cozinha podem sair baos, pad thai, caril, sushi ou uma das mais ricas tom yum da cidade. No piso de baixo, está o bar com cocktails de autor e quatro salas privadas, para uma experiência mais intimista. O que não influencia a qualidade do serviço.

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  • Lisboa

Se estamos perante um bastião da comida tradicional portuguesa, isso deve-se a Evaristo Cardoso, que morreu em 2022, e à sua mulher, Maria da Graça. Foi o casal que, vindo de Alto Minho, abriu o restaurante apostado em servir o melhor da região. Quase 50 anos depois, é o filho, Pedro Cardoso, quem está à frente da operação, com um restaurante bem maior e mais moderno. O mantra é o mesmo: “alta cozinha de Monção”. Tal como acontece com o receituário: apesar de algumas actualizações, é o de Maria da Graça que prevalece. Destino de muitas e diversas figuras conhecidas, o Solar dos Presuntos é uma máquina afinada e uma aposta segura para quem não se importa de pagar bem para comer bem.

  • Alcântara

O ambiente é informal e intimista, há apenas um balcão com sete lugares. Era, na verdade, exactamente aquilo que Kosuke Saito, chef japonês natural de Kanagawa, tinha idealizado para o seu primeiro restaurante. O menu segue o estilo omakase, por isso, é o chef que escolhe as proteínas que quer apresentar, o que muda com frequência e consoante as estações. A única decisão que tem de tomar é se escolhe entre o menu combo, que inclui três a quatro entradas, nove niguiris, dois rolls, sopa miso e sobremesa; ou o menu de niguiris, que é igual ao combo, mas não inclui as entradas. Para beber, há cerveja, vinho verde branco, chá verde e uma variedade generosa de saké.

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  • Cafés
  • Beato

Criado no Cais do Sodré, onde se fez casa de jazz, poesia e boa comida, o Tati mudou-se para a Penha de França e em pouco tempo mudou também a nossa atitude nonchalante para com o projecto. Mais focado na comida, ganhou fôlego e substância extraordinários. Passou a bistrô. Com criatividade, detalhe e consistência, a chef argentina Romina Bertolini eleva a fasquia com pratos como o arroz de couves tostado, tosta de curgete e anchovas, cabeça de xara com picles ou suas cobiçadas empanadas. As opções estão sempre a mudar, assim como a carta de vinhos, com uma aprimorada selecção de vinhos naturais.

  • Campo de Ourique
  • Recomendado

Quando restaurantes bonitos abrem portas, o mais difícil é provar o que valem. Ainda mais quando se apresentam com clássicos da nossa gastronomia, sem nomes de peso na cozinha. É esse o campeonato do Teimar, dos donos do Cortesia. Uma cervejaria moderna onde tudo é passível de ser partilhado. Nas entradas, há amêijoas à Bulhão Pato ou gambinhas ao alho. Nos principais, destaca-se o arroz meloso de carabineiro, feito no lume e acabado no Josper. Com cozinha aberta e ambiente tranquilo, o serviço é eficaz e tem o seu momento na altura das sobremesas, com o “kinder joy”, um doce com leite condensado, chocolate e avelã que se apresenta numa taça em forma de ovo Kinder.

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  • Areeiro/Alameda

Vasco Lello concretiza um sonho antigo: ter um restaurante próprio, onde a cozinha não se deixa limitar por rótulos. Instalado no Bairro dos Actores, o espaço apresenta-se com uma carta curta e dinâmica, vinhos menos previsíveis e um ambiente descontraído. A inspiração é sobretudo portuguesa, embora o chef não tenha pruridos em cruzá-la com técnicas e sabores de outras latitudes. Para petiscos ou refeições completas, o Turvo distingue-se pela ambição de ser um restaurante “com substância, mas nunca óbvio”. Entre as opções há tomate, mole, manjericão; chicharro, ajo blanco; escabeche de perdiz; dourada grelhada com tomatada de mexilhão e batata doce; pica-pau; ou cachaço de porco confitado com guisado de feijão maduro.

  • Português
  • Lisboa
  • preço 1 de 4
  • Recomendado

O nome já deixa adivinhar a origem. É de Vila Verde que Horácio e a família são originalmente e é nesta casa, escondida numa curva da Calçada de Santana, que cada dose é uma grande travessa de boa comida – ou talvez possamos dizer que são doses verdadeiramente minhotas –, independentemente do prato do dia (e há sempre duas ou três opções de peixe e carne). A grelha a carvão, plantada à janela direita de quem entra, é a oficina da melhor parte de uma ementa que vai rodando em dias mais ou menos fixos. Os preços já são difíceis de encontrar e isso ajuda também a explicar o sucesso da casa.

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  • Português
  • Campo Grande/Entrecampos/Alvalade
  • Recomendado

Há muito que Leonor Godinho percebeu que o seu caminho não passa pelo fine dining. Depois de ter trabalhado no Feitoria e de ter ficado em terceiro no MasterChef 2012, foi mudando de poiso até chegar a esta Vida de Tasca, onde funcionou durante 40 anos a Casa do Alberto. O espírito é o mesmo, o de uma boa tasca. A comida é a que se espera, com doses fartas e bons preços. Há bitoque exemplar, alheira com grelos, choco grelhado suculento e pratos do dia consistentes, como o apurado arroz de corvina ou a lagarada de choco. Croquetes, pastéis de bacalhau, mousse intensa e vinho a jarro completam o quadro de uma sala cheia de clientela fiel. Outro espaço onde se pode encontrar Leonor é no Bibs.

  • Estrela/Lapa/Santos
  • Recomendado

Sentar-se ao balcão do YŌSO é entrar num ritual omakase sério, com nove momentos de alto nível. Habner Gomes, formado na escola nipo-brasileira, serve bom lírio e bonito, um sublime fígado de tamboril curado em saké e uma elegante sopa miso de amêijoas. Nos niguiris, arroz Yumepirika impecável, cortes precisos de dourada, goraz e akami, entregues em mão, num ritmo solene e consistente. Com uma barra de nove lugares e três mesas, o pequeno restaurante foi pensado e desenhado pelo chef brasileiro, que conhecemos no extinto Mattë. Aqui, o preço é outro e é justo – como justa é a estrela Michelin madrugadora.

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  • Português
  • Benfica/Monsanto

Antes de mais um aviso: há poucos restaurantes tão benfiquistas como este. Nas paredes, há fotografias de velhas glórias, recortes de jornais, cachecóis, camisolas e umas quantas águias, obviamente. O aviso serve a quem esta informação poderá servir de entrave. Acontece que, se se deixar levar por isso, poderá perder um belo repasto. No Zé Pinto, a grelha é certeira, tanto para peixe como para carne, e estão sempre a sair travessas de coelho, iscas e secretos, mas há um prato que se destaca: o entrecosto grelhado com batatas fritas. E se está a pensar que esta frase é um elogio ao entrecosto, é porque ainda ferrou o dente nestas batatas fritas.

  • Italiano
  • Princípe Real
  • Recomendado

Quando abriu em 2015, com uma esplanada repleta de buganvílias, virada para o Jardim Botânico (até hoje uma das nossas preferidas), não se falava tanto de pizzas artesanais e fermentação lenta, mas era assim que esta pizzaria se apresentava. A isso juntava-se uma charcutaria italiana à entrada, com queijos e enchidos de qualidade, e um forno de lenha ao fundo onde só entrava lenha de azinho. A carta tem duas dezenas de pizzas, de massa fina e rústica, embora a história deste restaurante se faça igualmente de saladas, pastas e risotos. Nas sobremesas, destaca-se o mil-folhas de caramelo salgado. Com segunda e terceira morada no Parque das Nações e em Belém, a ZeroZero é a pizzaria seleccionada para o Time Out Market.

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